Capítulo Vinte e Um: Usar-me como degrau para se exibir é o seu erro!
O jovem mestre da capital imperial! Assim que essas palavras foram lançadas ao vento, Li Mingyue ficou completamente atordoada. Toda a sua histeria desapareceu, e ela apenas fixou o olhar em Feng Yang, murmurando sem parar.
— Não, não pode ser, não pode ser!
Feng Yang era apenas um filho ilegítimo alvo de zombarias, como poderia ser o jovem mestre da capital imperial?
— Não acredita? — Jiang Shaofeng riu com desdém.
— Li Mingyue, vou te contar a verdade: há pouco, aquele idiota do Feng Jingtang apareceu no banquete do magnata Chen com uma caligrafia do senhor Baishi e disse que usaria nove bilhões para expulsar o jovem mestre daqui. Adivinha o que aconteceu?
Seus olhos transbordavam desprezo, Jiang Shaofeng bufou friamente e, sem esperar resposta, continuou:
— Agora há pouco, a família Feng foi totalmente investigada, alguns parentes diretos já foram levados, e o que os espera é uma eternidade na prisão. Em outras palavras, a família Feng já não existe mais em Jiangbei!
O quê!
Li Mingyue sentiu sua mente explodir, e não pôde evitar um tremor incontrolável.
Feng Yang era realmente o grande herdeiro da capital, e ela havia rompido o noivado por não entender nada. Se soubesse, teria aproveitado a chance de se unir a alguém tão inalcançável. Bastava esse elo para que Li Mingyue ascendesse como uma fênix.
Mas agora tudo estava perdido.
Li Mingyue sempre se achou especial, queria ser notável entre os melhores, terminou com Feng Yang pensando que ele não tinha mais respaldo, e se esforçou para se aproximar de Jiang Shaofeng. Agora, tudo aquilo parecia uma piada cruel.
Ela jogou fora uma melancia para pegar uma semente de gergelim.
— Li Mingyue, por que ainda não vai embora? Está se agarrando aqui para quê? Eu não tenho mais nada a ver com você. Poupe-nos das suas intrigas diante do jovem mestre! — Jiang Shaofeng vociferou, fazendo Li Mingyue esboçar um sorriso amargo.
Acabou, tudo acabou!
Ela nem ao menos conseguiu pegar a semente de gergelim que tanto buscou, e diante do poder de Feng Yang, Jiang Shaofeng foi o primeiro a se afastar dela.
— Jo... jovem mestre Feng, me, me desculpe. Antes eu não... não fiz por querer, foi ela, foi ela que mandou! — Qiqiu Yue, apontando para Li Mingyue, gritou desesperada. Sua família era comerciante, muito inferior à dos Feng. Se Feng Yang destruiu a própria família com uma palavra, poderia fazer o mesmo com a dela.
Dominada pelo medo, Qiqiu Yue esqueceu qualquer laço de amizade.
Com um baque, Li Mingyue caiu sentada no chão. "Traída e abandonada", essas palavras descreviam perfeitamente seu estado: namorado terminou, amiga a traiu, tudo porque ela ofendeu Feng Yang, que nem sequer tinha a intenção de prejudicá-la.
— Hahaha, eu sou mesmo uma tola, uma grande tola!
Sentada no chão, Li Mingyue parecia à beira da loucura.
— Jovem mestre Feng, venha, vou acompanhá-lo. Não vale a pena estragar o humor por causa de certas pessoas — disse Jiang Shaofeng rapidamente.
Feng Yang não respondeu, simplesmente seguiu em frente, sem sequer olhar para Li Mingyue e Qiqiu Yue. No fim das contas, não passavam de personagens secundários; se não tivessem ido longe demais, nem se daria ao trabalho de se importar. Mesmo agora, nada fizera, apenas permitiu que colhessem o que plantaram.
Mas era preciso admitir: Li Mingyue tinha um péssimo faro para pessoas. Isso não se devia ao rompimento, mas ao que se via em Jiang Shaofeng e Qiqiu Yue. No momento de maior aperto, ambas não hesitaram em traí-la.
Guiados por Jiang Shaofeng, Feng Yang e ele logo se acomodaram em um dos salões reservados. Assim que se sentaram, An Hongdou esboçou um leve sorriso.
— Irmãozinho, hoje esse jantar não vai precisar ser por conta da irmã, não é mesmo?
— Irmã Hongdou, o que quer dizer com isso? — Feng Yang semicerrando os olhos, respondeu suavemente.
— Ora, precisa perguntar? Você, um jovem mestre da capital imperial, vai deixar que uma dama pague o jantar? — An Hongdou piscou com os olhos grandes e mostrou-se delicada.
— Eu não sou nenhum jovem mestre da capital, irmã Hongdou. Acho que enganaram você — disse Feng Yang, pegando uma xícara de chá, sorvendo um gole, mas logo fazendo uma careta e cuspindo o líquido.
A cada dia, o chá parecia pior.
— É mesmo? — Um brilho de dúvida surgiu nos olhos de An Hongdou. Ela havia chegado há pouco em Jiangbei e não tivera tempo de se inteirar dos detalhes, mas, como executiva da Mansão do Imortal Ébrio, sabia que Jiang Shaofeng era muito bem informado. Se ele disse, deveria ser verdade.
— Além disso, já que é você quem precisa da minha ajuda, como poderia deixar que eu pagasse o jantar? — completou Feng Yang.
— Seu danadinho! Você sabia que a fila de pretendentes querendo jantar comigo vai até a longínqua Sibéria? — brincou An Hongdou, sorrindo.
— Fique tranquila, se você me ajudar, eu faço questão de pagar o jantar hoje.
— Mas, irmã Hongdou, como tem tanta certeza de que vou ajudá-la? — perguntou Feng Yang, arqueando as sobrancelhas. Mais uma vez, An Hongdou não era uma mulher simples; talvez fosse uma espiã enviada por aqueles sujeitos e, ao se envolver com ela, correria o risco de se expor.
— É o seguinte, irmãozinho, ultimamente tenho um pretendente insistente, mas não gosto dele. Queria que você fingisse ser meu namorado para que ele desistisse — explicou An Hongdou, como se não tivesse ouvido a pergunta anterior.
— Irmã Hongdou, acho que está enganada. Nunca disse que ajudaria — interrompeu Feng Yang. Mas, ao ser interrompida, An Hongdou apenas sorriu.
— Hoje você vai me ajudar, querendo ou não, irmãozinho!
Com essas palavras, An Hongdou sorriu, ergueu a mão direita e levantou o indicador delicadamente.
— Um!
— Dois!
— Três!
A cada número pronunciado, seu dedo se mantinha erguido, e o sorriso em seus lábios só aumentava.
Feng Yang, surpreso, observou intensamente An Hongdou.
De repente, passos soaram do lado de fora, aproximando-se do salão reservado. Como era de se esperar, logo a porta se abriu e um jovem de cabelos curtos entrou apressado.
O rapaz não era muito alto, pouco mais de um metro e setenta, e carregava um grande buquê de rosas. Atrás dele, seguia um assecla.
— Hongdou, finalmente te encontrei! — Assim que entrou, o jovem sorriu. Mas, ao olhar de relance para o lado, ficou surpreso.
— Chu Xueliang, deixa eu te apresentar: este é meu namorado, Feng Yang — disse An Hongdou rapidamente, ao notar o espanto do jovem.
— Seu namorado? — Os olhos de Chu Xueliang se tornaram sombrios e, em seguida, ele fixou o olhar em Feng Yang, sorrindo de imediato.
— Se eu dissesse que não tenho nada com ela, você acreditaria? — respondeu Feng Yang, antes mesmo que Chu Xueliang dissesse qualquer coisa.
— Ora! Você é homem ou não? Nem coragem para isso tem? — zombou Chu Xueliang, estendendo as rosas para An Hongdou, que sequer as tocou.
Sem se constranger, Chu Xueliang colocou o buquê de lado e sentou-se com toda a naturalidade.
— Hongdou, sei que está só tentando me provocar, mas confesso: esse teu escudo não serve, não tem nem um pouco de confiança — disse ele, voltando a encarar Feng Yang.
— Deixe-me apresentar: sou Chu Xueliang. Talvez não tenha ouvido falar de mim, mas certamente conhece o Grupo Chu, não? É da minha família, não é muito, apenas vale uns cem milhões.
Feng Yang apenas semicerrava os olhos, em silêncio.
— Guo Song! — chamou Chu Xueliang, e seu assecla entrou apressado, exibindo um sorriso bajulador.
— Senhor!
— Vá até o banco mais próximo e traga trezentos mil para nosso amigo aqui!
— Feng... Feng Yang, não é? — disse Chu Xueliang, com tom paternalista.
— Sei que você e Hongdou não têm nada. Mesmo que ela não goste de mim, jamais se interessaria por alguém como você. Mas fico feliz por você estar aqui. Porém, é preciso ter consciência do seu lugar; cada um pertence ao seu próprio círculo.
— Você é um homem comum, pode se sentir ofendido com o que eu digo, mas é a verdade. Se não fosse por Hongdou, você jamais teria acesso a esse nível. Agora entendeu?
— Entender o quê? — Feng Yang franziu o cenho. Não sabia onde Chu Xueliang queria chegar; já dissera que não tinha nada com An Hongdou, e ele próprio sabia disso. Por que, então, insistia nesse sermão?
Mas, diferentemente dos personagens típicos de romances, Chu Xueliang não explodiu de raiva, mas preferiu argumentar pacientemente, algo que surpreendeu Feng Yang.
— Veja, acabei de te dar uma lição — disse Chu Xueliang, levemente aborrecido. Nesse instante, o assecla retornou trazendo trezentos mil em dinheiro vivo, que colocou sobre a mesa.
— Feng Yang, está vendo? Essa é a diferença entre nós dois — afirmou Chu Xueliang, exibindo sua superioridade.
— Esses trezentos mil são seus, um agradecimento por atuar ao lado de Hongdou nessa encenação, mesmo que tenha sido uma atuação fraca — disse, empurrando o dinheiro para a frente de Feng Yang.
An Hongdou estava perplexa, e Feng Yang também franziu o cenho.
Chu Xueliang parecia querer usar Feng Yang como trampolim para se exibir.
— Entendeu agora? Esta é a diferença entre mim e você — repetiu Chu Xueliang, batendo o dedo indicador na mesa, repleto de orgulho.
— Posso brincar com trezentos mil como quiser, você não. Em outras palavras, eu, Chu Xueliang, faço parte da elite, enquanto você é apenas um trabalhador comum. Não é para ser ofensivo, mas este restaurante é o mais sofisticado que você já entrou, e será a última vez.
De repente, Feng Yang sorriu, e era um sorriso genuíno.
Fazia tempo que não se deparava com algo tão interessante. Chu Xueliang parecia gentil, não perdeu a calma, mas o que fazia era minar sua autoestima, colocando-se em um patamar superior.
Chu Xueliang o negava a cada frase, tentando esmagar seu orgulho. Era um ataque à dignidade, muito mais cruel do que um acesso de raiva.
No início, Feng Yang não queria se envolver nos assuntos de An Hongdou, mas agora, não podia deixar passar!
O que você pensa não me importa, mas se tenta se exibir às minhas custas, está completamente errado!