Capítulo 1: Até um dia, se o destino permitir
Na capital imperial, em um bairro raramente frequentado, lamentos angustiados ecoavam do fim de um beco.
— Ousam sequer pensar em me incomodar? Vocês perderam o juízo!
Na escuridão do beco, a jovem pisava impiedosamente nas costas de um dos marginais, balançando na mão a lâmina fria que acabara de tomar deles.
— Quiseram me atacar, acham mesmo que não sou capaz de castrar vocês aqui mesmo?
— Senhora... tenha piedade!
Brincando com o punhal, um brilho gélido passou pelos belos olhos de Chu Nian:
— Desta vez vou perdoá-los, mas se eu encontrar vocês de novo, não sobrará um sequer!
Com imponência, atirou a lâmina ao chão e gritou:
— Sumam daqui!
Os marginais fugiram cambaleando, e Chu Nian bateu as mãos, como se quisesse se livrar de sujeira.
Subitamente, sentiu um olhar e, ao levantar a cabeça, encontrou um par de olhos profundos e enigmáticos, sem nenhum desvio.
Pei Xiaoting, que passava de carro, vira alguns marginais levando uma jovem para um beco deserto, mas, antes que pudesse intervir, já estavam todos no chão.
Por algum motivo desconhecido, saiu do carro e apoiou-se na porta, observando com interesse a ousada repreensão da jovem aos agressores.
Após um breve momento de hesitação, o rosto bonito de Chu Nian se iluminou com um sorriso radiante. Ela caminhou até Pei Xiaoting.
Soltou o elástico que prendia seus longos cabelos, deixando os fios ondulados voarem ao sabor do vento noturno. Passou o braço pelos ombros de Pei Xiaoting, olhos semicerrados cheios de provocação:
— E então, senhor soldado... tio, parece forte e saudável, quer passar a noite comigo?
Analisando a idade do homem, ela mudou o “moço” que quase dissera para “tio”.
Seu olhar desceu até o cigarro entre os dedos dele. Num piscar de olhos, o cigarro e o isqueiro já estavam em suas mãos.
Com destreza, acendeu o cigarro, tragou profundamente, e soltou a fumaça lentamente no rosto dele, antes de colocar o cigarro nos lábios de Pei Xiaoting.
Em seguida, sua mão esguia desceu pelo ombro dele até parar em seu peito. Ergueu o rosto, continuando a sedução:
— Que tal começarmos com uns drinques e depois...
Porém, o toque estridente do celular interrompeu suas palavras.
Ela apenas lançou um olhar para a tela e saiu apressada. Parou a poucos metros e acenou, sorrindo:
— Tio soldado, até a próxima vez, se o destino permitir!
No entanto, Chu Nian não esperava que o reencontro viesse tão cedo — e justamente na véspera do casamento de sua própria tia.
Vendo-a de repente paralisada, Yue Linxun, ao seu lado, perguntou preocupado:
— Nian Nian, ainda está com febre?
Instintivamente, ela afastou a mão que ele estendia e respondeu friamente:
— Não se meta!
— Que menina! Linxun só está preocupado com você, não seja ingrata! — repreendeu o avô Chu Zhanping, que acabava de voltar de cumprimentar os convidados e presenciou a cena.
Apesar disso, Yue Linxun manteve a gentileza e justificou:
— Não se preocupe, vovô, ela está só brincando comigo.
A satisfação de Chu Zhanping com o futuro neto-genro era evidente.
Sorridente, apontou para o homem ao lado de sua filha e apresentou, orgulhoso:
— Nian Nian, este é seu novo tio. Cumprimente-o.
— Tio... — murmurou ela, relutante, quase inaudível.
Naquele instante, Pei Xiaoting também ficou surpreso ao reconhecer que a sobrinha tão detestada por Chu Zixuan era justamente a jovem ousada daquela noite.
Contudo, agora ela se mostrava dócil e submissa, em um contraste absoluto com o que vira no beco.
Temendo ser desmascarada, Chu Nian manteve a cabeça baixa, sem ousar encará-lo.
Mas, aos olhos de Chu Zixuan, esse comportamento era apenas mais uma afronta, um desafio. Com um resmungo arrogante, ela puxou Pei Xiaoting consigo, deixando claro, em sua atitude, que não pretendia se reconciliar com Chu Nian.