Capítulo 33 Salvando-o Mais Uma Vez
Aqueles olhos pareciam capazes de atravessar sua alma, e ele suavemente desculpou Yan Silang: “Na minha primeira missão, fui pior que ele.” Chu Nian piscou, incrédula, ouvindo-o narrar calmamente episódios do passado, enquanto Pei Xiaoting, exausto, recostava-se contra a árvore: “Por isso digo que ele é mais corajoso do que eu. Pelo menos, não precisa de uma garotinha para protegê-lo.” Ao pronunciar essas palavras, seu olhar profundo mantinha-se fixo em Chu Nian.
A jovem, concentrada em estancar o sangue, ergueu os olhos e viu o semblante desprovido de cor dele; até mesmo os lábios outrora saudáveis estavam pálidos. Decidiu sem hesitar: “O ferimento é muito profundo, preciso retirar a bala e suturar o corte imediatamente!”
“Está bem.”
A resposta pronta dele surpreendeu Chu Nian, que chegou a duvidar se ele realmente ouvira o que ela dissera. Mas Pei Xiaoting sorriu com tranquilidade: “Disse que está bem, faça como achar melhor!”
A vida dele fora salva por ela; mesmo que agora ela desejasse tomá-la de volta, ele não vacilaria.
Chu Nian mordeu o lábio, deixando uma fileira de marcas perfeitas, e prometeu solenemente: “Não vou deixar que nada lhe aconteça!”
“Eu confio em você!” Pei Xiaoting não demonstrou o menor incômodo com a gravidade de seu estado, mantendo uma serenidade inabalável.
Na caixa de primeiros socorros não havia anestésico; Chu Nian pegou a pinça, as mãos trêmulas: “Vai doer muito, tente aguentar!” Após retirar a bala do ferimento ensanguentado, só então começou a suturá-lo. Pei Xiaoting comportou-se como se nada estivesse acontecendo, sem franzir sequer a testa.
A destreza de Chu Nian despertou sua curiosidade: “Você estudou medicina?”
“Não...” respondeu Chu Nian, sem desviar os olhos do corte. “Quando era pequena, no noroeste, socorria animais feridos por caçadores; fiz isso tantas vezes que aprendi sozinha, sem mestre.”
Para distraí-lo, ela continuava a conversar: “Quer saber que tipos de animais já salvei?”
Pei Xiaoting percebeu sua intenção e esforçou-se para se manter alerta: “Conte-me.”
“Lobos, leopardos-das-neves, mastins tibetanos...” A consciência de Pei Xiaoting ia se esvaindo; quanto ao que Chu Nian disse depois, ele já não ouviu mais nada, mergulhado em escuridão.
Quando acordou novamente, tudo ao redor era branco e ele estava deitado em uma cama de hospital.
“O ferimento foi tratado muito bem. Se não tivesse estancado o sangue a tempo, mesmo sem atingir órgãos vitais, você teria morrido de hemorragia.”
As palavras de sua irmã não lhe causaram o menor impacto; ele virou a cabeça para a garota ainda adormecida ao seu lado, o olhar repleto de doçura e ternura.
Pei Jingya, ajeitando os óculos, comentou: “Quando os encontramos, essa menina estava usando o próprio corpo para manter você aquecido. Já havia desmaiado de frio, mas não largava sua mão de jeito nenhum. Não tivemos alternativa a não ser deixá-los juntos no mesmo quarto.”
Pei Xiaoting permaneceu impassível, mas não conseguiu esconder o espanto nos olhos.
Sorrindo, Pei Jingya brincou: “Essa menina sacrificou tudo por você. Agora tem que assumir a responsabilidade.”
Pei Xiaoting não respondeu. Apenas acariciava suavemente aquela mão pequena e delicada em sua palma.
Ela o salvara mais uma vez!
Ao despertar, Chu Nian sentiu-se embaraçada ao lembrar de sua atitude desesperada. E se Pei Xiaoting pensasse que ela aproveitara a situação para se aproveitar dele?
Assim, aproveitando que ele dormia, pegou os sapatos e saiu do quarto na ponta dos pés, sem saber que Pei Xiaoting, com um leve sorriso nos lábios, a acompanhava com o olhar.