Capítulo 25: Deixe comigo!
— Senhor, por favor, salve-me!
Apesar de ser apenas uma palavra, ao ouvir sua voz, o coração de Chu Nian se acalmou de maneira inexplicável, e ela não tentou mais disfarçar o medo que sentia no fundo da alma.
— Onde você está? — Pei Xiaoting, que já estava na porta da sala de reuniões, parou de repente; sua voz, propositalmente baixa, trazia uma tensão iminente semelhante ao prenúncio do perigo.
— Espere por mim, estou a caminho! — disse ele, já mudando de direção, ignorando as perguntas e advertências dos que estavam a seu redor, abrindo o passo e saindo apressadamente.
— Secretário Yan, para onde o Conselheiro Pei está indo?
Pei Xiaoting sempre foi conhecido por sua postura firme, inabalável mesmo diante de grandes pressões. Vê-lo assim, nervoso e apressado, deixou todos surpresos, justificando a curiosidade dirigida ao seu secretário.
Yan Silang queria poder dizer que também não sabia de nada. Afinal, ele mesmo havia sido transferido para trabalhar ao lado do Conselheiro Pei apenas uma semana antes, sem entender o motivo.
No Clube Yilan, Shen Ran, embora tivesse saído da suíte VIP, permanecia sob a vigilância dos homens de Yue Linxun e não podia deixar o saguão.
Há pouco, Chu Nian havia batido o código Morse “SOS” na palma de sua mão, pedindo que ela buscasse ajuda. Era evidente a gravidade da situação, mas Shen Ran não podia fazer nada.
Enquanto ponderava se deveria ou não voltar para ajudar Chu Nian, uma figura alta e esguia apareceu no saguão. Ela reconheceu o homem de uniforme militar como o protagonista do vídeo que vira anteriormente.
O coração de Shen Ran acelerou; aproveitou o pretexto de ir ao banheiro para esbarrar de propósito em Pei Xiaoting e, aproveitando-se de um momento de descuido, sussurrou:
— Chu Nian está em perigo!
Yue Linxun não esperava que Chu Nian fosse tão impiedosa e determinada. Se ela tivesse cravado mais fundo, talvez ele jamais pudesse se considerar um homem de verdade novamente.
Ordenou que todas as saídas do Clube Yilan fossem bloqueadas. Ele sabia que, se o plano falhasse e Chu Nian conseguisse escapar, Chu Zhanping, aquele velho teimoso, jamais o perdoaria, nem pouparia a família Yue.
Mais importante ainda, para conquistar o apoio da família Chu, Chu Zixuan não medira esforços, ajudando-o a planejar tudo sem pensar em si mesma. Ele não podia decepcioná-la.
Foi o pensamento em Pei Xiaoting, uma presença tão forte, que impediu Chu Nian de desmaiar. No meio do pânico, percebeu que havia entrado acidentalmente no vestiário masculino.
Ao ouvir passos cada vez mais próximos do lado de fora, Chu Nian, sentindo-se cada vez mais tonta, reagiu rapidamente e se escondeu atrás da porta.
Quando ouviu o som da fechadura sendo girada, apertou com força uma garrafa de vidro vazia que tirara do lixo, pronta para se defender a qualquer momento.
— Senhor? — Quando estava prestes a atacar, alguém segurou sua mão. Ao reconhecer quem era, a garrafa caiu de seus dedos.
A aparição de Pei Xiaoting fez com que toda a tensão acumulada em seu corpo se desfizesse; ela caiu, sem forças, mas foi amparada por ele antes de tocar o chão.
Bastava olhar para ela para perceber que havia sido drogada. Pei Xiaoting a envolveu delicadamente em seus braços.
— Vou levá-la ao hospital!
— Aquela garota deve estar aí dentro!
Mal terminou de falar, ouviram-se vozes agitadas do lado de fora, seguidas de fortes batidas na porta.
Pei Xiaoting semicerrava os olhos, prestes a abrir a porta e sair, quando a mão pálida de Chu Nian o deteve. Com os lábios, sem emitir som, ela lhe disse:
— Deixe que eu cuido disso!
Pei Xiaoting estava de uniforme militar; ela não queria envolvê-lo mais uma vez em problemas por sua causa.
Chu Nian limpou a garganta, bateu na porta e, imitando a voz grave de um homem, pediu ajuda:
— A fechadura está quebrada, não consigo abrir. Poderiam chamar alguém para consertar?
Em seguida, mudou para um tom masculino irritado:
— Essa fechadura sempre quebra! Já pedimos para trocarem, mas ninguém ouve! Que transtorno!