Capítulo 37 Agora quer voltar atrás?
Assim que Yan Silang saiu, voltou imediatamente, empurrando a porta com ar espantado, apontando alternadamente para os dois com o dedo trêmulo, até que, por fim, correu e agarrou o braço de Chu Nian:
— Você... como pôde atacar nosso comandante dessa forma? Você simplesmente... simplesmente é uma...
Embora ele não tenha terminado a frase, para Chu Nian estava claro que, aos olhos dele, ela era uma bruxa imperdoável.
Divertida com a situação, Chu Nian teve um impulso travesso e, sorrindo de canto, olhou para Pei Xiaoting:
— Nós dois estamos apaixonados, quem é você para se opor, criatura das trevas? Não é mesmo, meu querido tio por afinidade?
Ela fez questão de acentuar cada palavra ao chamá-lo assim.
— Está me chamando de criatura das trevas?!
Yan Silang, furioso, ficou sem palavras ao perceber como ela havia chamado Pei Xiaoting, e, incrédulo, confirmou:
— Como você chamou o comandante agora?
— Tio por afinidade! — respondeu Chu Nian, olhando para ele como se fosse um tolo, enquanto se agarrava carinhosamente ao braço de Pei Xiaoting.
Nem que Yan Silang renascesse dez vezes imaginaria que o tal tio por afinidade, de quem Chu Nian falava com tanto desprezo, era na verdade o próprio comandante.
Vendo a expressão de Yan Silang, como se sua preciosa irmã tivesse sido dada a um porco, Chu Nian ficou indignada. Esse garoto nem ao menos sabia quem era de sua própria família, por que estava se colocando contra ela?
Resolveu, então, ir além: levantou o rosto e depositou um beijo na bochecha de Pei Xiaoting:
— Nós nos apaixonamos à primeira vista, não foi, meu querido tio por afinidade?
O olhar dela trazia uma clara advertência: se ele ousasse negar, ela o devoraria sem piedade.
O sorriso de Pei Xiaoting tomou conta de seu rosto, e, com dedos longos, apertou de leve o nariz dela:
— Você disse que ia se entregar a mim. Agora, está querendo voltar atrás?
Na mente de Chu Nian ecoaram aquelas palavras ditas num acesso de embriaguez, que jamais imaginou que ele fosse guardar e levar a sério.
O gesto dele, tão natural e carinhoso, encheu o coração dela de alegria. O rosto corou até quase sangrar, mas, orgulhosa, manteve a pose:
— Já que você insiste, vou aceitar você, mesmo que seja apenas por caridade!
Os dois trocavam carícias e provocações como se estivessem sozinhos no mundo. Ver seu comandante tão amável e apaixonado deixou Yan Silang boquiaberto, quase deixando o queixo bater no chão.
Desconfiado de que talvez estivesse enxergando errado, Yan Silang fechou e abriu os olhos, mas a cena diante dele permanecia a mesma, brilhando como se fosse feita de titânio.
Ao sair do quarto, Yan Silang segurou Chu Nian pelo braço e, sério, advertiu:
— Não me importa quais sejam suas intenções. Se você machucar o comandante, não conte comigo!
O comandante era seu salvador, tinha-lhe protegido de uma bala fatal e quase perdeu a vida por isso. Ele já decidira: sua vida pertencia ao comandante, e no futuro seria sempre leal, nunca vacilando. Por isso, jamais permitiria que Chu Nian usasse o comandante como instrumento de vingança contra aquele casal desprezível.
Percebendo o que se passava na cabeça dele, Chu Nian suspirou, deu-lhe um tapinha no ombro e falou com voz ponderada:
— Rapaz, você está pensando demais!
Aquele casal não tinha valor algum para que ela sacrificasse seus sentimentos e sua vida por eles.
— Então você está falando sério sobre o comandante?
Chu Nian corou, mas não escondeu de Yan Silang:
— Só quero vê-lo todos os dias, quero estar ao lado dele. Fico furiosa quando vejo Chu Zixuan perto dele. Antes eu não sabia o motivo, mas depois que o vi ferido, percebi: se algo acontecer a ele, vou sofrer demais.
Yan Silang olhou para ela com atenção. Vendo a sinceridade e determinação nos olhos dela, finalmente se tranquilizou.