Capítulo 10: Movido pelo Sentido de Justiça
Ao vê-la falando sozinha, Pei Xiaoting não pôde deixar de sorrir discretamente.
Lembrando-se da camisa que comprara antes, Chu Nian rapidamente pegou a sacola ao seu lado e, como se estivesse oferecendo um tesouro, entregou-a para ele:
— Isto é para você!
Pei Xiaoting olhou para ela, mas não pegou a sacola de suas mãos.
— Eu comprei especialmente para você — afirmou Chu Nian, com os olhos vivos e astutos piscando sem parar, o rosto corado de um tom encantador. — Da última vez sujei sua camisa, então estou te compensando.
Ao lembrar-se do embaraço de Chu Nian quando as calças dela ficaram manchadas de vermelho, o canto dos lábios de Pei Xiaoting se elevou levemente, e um sorriso suave surgiu em seu olhar.
— É da mesma marca e do mesmo tamanho que você costuma comprar.
A expressão de Chu Nian, com o rosto erguido, parecia um aviso silencioso:
— Se você vier me incomodar de novo, aí sim estará procurando confusão à toa.
Pensar que uma única camisa dele custou várias noites de trabalho dela gravando dublagens na salinha escura fez o coração de Chu Nian apertar de dor; ela lançou um olhar feroz para Pei Xiaoting, cerrando os dentes:
— Você vai me pagar um jantar!
Sem esperar sua permissão, chamou logo o garçom e pediu uma porção enorme de comida, escolhendo sempre os pratos mais caros.
Seu jeito faminto de comer era tão desinibido que Pei Xiaoting chegou a duvidar se ela era mesmo a jovem senhorita da família Pei.
No fim, de tanto comer, Chu Nian ficou tão cheia que desabou na cadeira, incapaz de se mover.
Quando Pei Xiaoting terminou de pagar a conta e se preparava para sair, Chu Nian o segurou:
— Ei, você vai embora assim, sem mais nem menos?
Ele olhou para baixo, vendo a garota que o segurava; sentada na cadeira, os olhos de Chu Nian estavam na altura de seu abdômen, e imediatamente lhe veio à mente a cena que presenciara no banheiro da outra vez. Seu rosto corou involuntariamente, mas, sem conseguir evitar, o olhar dela se fixou entre as pernas dele.
O olhar intenso fez Pei Xiaoting sentir todo o sangue do corpo concentrar-se em um só ponto; ele livrou-se da mão dela e voltou a sentar-se, usando disfarçadamente a mesa para esconder o constrangimento na parte inferior do corpo.
— O que mais você quer?
— Claro que tem que me levar para casa! — exigiu Chu Nian, como se fosse o mais natural do mundo.
No final, querendo ou não, a verdade é que Chu Nian acabou entrando no carro com ele.
Seguindo o endereço que ela indicou, estacionaram em frente a um prédio de apartamentos. Chu Nian sorriu de olhos semicerrados para Pei Xiaoting, agradeceu, mas, mesmo após agradecer, permaneceu sentada, sem a menor intenção de descer do carro.
— Tio, como você conheceu minha tia?
— Quem foi que correu atrás de quem?
— E agora que chegaram ao ponto de se casar, você realmente gosta muito dela, não é?
A garota voltou a tagarelar, mas desta vez claramente distraída; o olhar dela fugia constantemente pela janela, como se procurasse algo.
Quando finalmente encontrou o que buscava, apressou-se em chamar a atenção dele:
— Tio, olha, olha ali!
Seguindo a direção indicada pelo dedo dela, Pei Xiaoting viu Chu Zixuan e Yue Linxun caminhando juntos, de braços dados. O sorriso radiante e feliz no rosto de Chu Zixuan era algo que jamais tinha quando estava ao seu lado.
Naquele instante, ele entendeu por que a garota fez tanta questão de que fosse ele a levá-la para casa.
Chu Nian fez um muxoxo:
— Só estou sendo boazinha com você por espírito de camaradagem. Vou te dizer, a coisa mais enganosa do mundo são as lágrimas de uma mulher. Cair uma vez num poço já basta; se cair de novo, aí merece mesmo ser traído.
Os conselhos sinceros dela fizeram Pei Xiaoting rir, sem saber se chorava ou agradecia.
Com aqueles olhos que pareciam enxergar tudo, fixos nele, Chu Nian torcia os dedos, claramente nervosa e envergonhada:
— Não estou querendo provocar discórdia, é só um senso de justiça, juro!