Capítulo 9: Ela não é minha noiva?
Diante da mulher, sem prestar atenção em sua aparência ou no que dizia, toda a atenção de Pei Xiaoting estava voltada para a xícara de café à sua frente, com a mente absorta nos exercícios militares do exército.
— Então você está mesmo aqui!
A voz familiar fez com que Pei Xiaoting franzisse a testa instintivamente. Ao se virar em direção ao som, avistou, como esperava, a pequena raposa de suas lembranças.
Ao vê-la se aproximar, Pei Xiaoting recostou o corpo esguio na cadeira, cruzou os braços no peito e observou-a, divertido, com um olhar cheio de interesse.
Ele não fazia ideia de qual seria a nova travessura daquela menina, mas, para sua surpresa, sentiu-se ansioso pelo que viria.
Sob seu olhar atento, Chu Nian quase escorregou, sentindo um arrependimento súbito por sua impulsividade travessa. Porém, o olhar provocador dele despiu em seu interior o desejo de vencer, de modo que não podia simplesmente recuar; só lhe restava seguir em frente.
Sob os olhares de todos, Chu Nian caminhou até ele, respirou fundo, bateu o pé e o abraçou com força:
— Acredite em mim, eu realmente não mudei de ideia. Achei que você tinha morrido em missão, não suportei a dor, sofri um acidente, perdi a memória e fui levada para o exterior pela minha família. Por favor, não diga mais que vai se casar com qualquer mulher!
Aproveitando o dom de sua voz, seu relato entrecortado por soluços parecia capaz de emocionar qualquer um que escutasse, mas Pei Xiaoting, por dentro, não pôde deixar de rir.
Ser “morto” tão de repente era claramente uma resposta da pequena raposa à provocação que ele fizera momentos antes. Ela não aceitava perder nada, era uma raposa astuta de verdade — não surpreendia que até Chu Zixuan, alguém tão sagaz, tivesse sido completamente derrotado por ela.
O corpo masculino dele não era nada frágil; anos de treinamento militar lhe tinham dado músculos definidos na medida certa. O aroma fresco e agradável que emanava dele fez o coração de Chu Nian perder o compasso.
Sem saber o que fazer, ouviu a voz elegante e cristalina da mulher à frente:
— Senhor Pei, quem seria esta moça...?
Aproveitando a deixa, Chu Nian o soltou e, antes que Pei Xiaoting pudesse responder, declarou com emoção:
— Sou a noiva dele.
— Ele partiu em missão e recebi notícias de sua morte. Em desespero, sofri um acidente, perdi a memória e minha família me levou para o exterior. Ele pensa que mudei de ideia e não me perdoa.
Chu Nian, entre lágrimas, inventou na hora um melodrama envolvendo amnésia, acidente e morte.
O olhar investigativo da mulher pousou sobre Pei Xiaoting, claramente esperando uma confirmação.
Pei Xiaoting baixou os olhos para a garota agarrada a ele como um coala, cujos olhos brilhavam de maneira incomum.
Ainda que tivessem se encontrado poucas vezes, ele percebeu que, quanto mais insegura, mais brilhantes ficavam os olhos dela.
— Exatamente como ela disse — respondeu ele, sem desmenti-la.
Depois de lançar uma crítica furiosa a Pei Xiaoting, a mulher se afastou, erguendo o queixo com orgulho.
Pei Xiaoting afastou gentilmente a “coala” que ainda se agarrava a ele, sentou-se ereto e perguntou:
— Conte, que peça é essa agora?
Chu Nian riu, os olhos curvados como luas crescentes:
— Só achei que ela não combinava com você, então resolvi te ajudar a livrar-se do incômodo.
Se não fosse pelo uniforme militar dele, temendo causar má impressão, ela teria se vestido de homem para interpretar um pretendente rejeitado ou, no mínimo, teria encarnado uma jovem tragicamente abandonada. Assim poderia mostrar todo seu talento artístico.
Pei Xiaoting arqueou as sobrancelhas:
— Não era minha noiva? Agora virou tio?
O peito de Chu Nian apertou, quase lhe faltando o ar.
— Tio, aquela senhora era sua pretendente?
Tentou, de forma desajeitada, mudar o assunto.
— O noivado com sua tia foi desfeito. Não temos mais relação alguma — respondeu ele, deixando claro que não queria mais ser chamado assim.
Chu Nian se aproximou, piscando:
— Se não é tio, como devo te chamar? Senhor soldado? Ou simplesmente tio?
Ele ficou em silêncio, incomodado. Seria ele tão velho assim?
— Senhor soldado soa muito formal. Fica só tio mesmo! — decidiu ela, batendo leve na mesa, como quem sela um acordo.