Capítulo 16: Desta vez, sou eu quem vai te proteger!
Assim que saiu dirigindo, avistou de longe a jovem sentada na beira da estrada, abraçando os joelhos, tão desamparada quanto uma criança abandonada.
“O que faz aqui?”
Ao notar que ela usava apenas chinelos e roupas leves, Pei Xiatin franziu a testa instintivamente: “Não sabe que é perigoso para uma moça andar assim sozinha a esta hora?”
No entanto, Chu Nian não ligou para sua irritação velada e perguntou preocupada: “Tio, você está bem?”
Yan Silang havia dito que, por causa do vídeo, ele fora chamado para conversar com os superiores, podendo receber uma advertência ou até prejudicar sua carreira.
Mas Pei Xiatin apenas a fitou em silêncio, sem dizer nada.
Quando ela pensou que ele estivesse zangado, ouviu um suspiro resignado acima de sua cabeça, e um casaco largo, ainda aquecido pelo corpo dele, foi colocado sobre seus ombros.
“Entre no carro, vou levá-la para casa.”
Ele virou-se para entrar no veículo, mas foi segurado pelo braço pela jovem atrás dele: “Tio, eu te causei problemas?”
“Você, uma garotinha dessas, não é problema para mim.” Comparado ao remorso tímido dela, Pei Jinzi manteve-se indiferente como se nada lhe dissesse respeito.
Os olhos marejados da pequena comoveram Pei Xiatin, que passou a mão carinhosamente por sua cabeça, mas ela encolheu o corpo instintivamente, soltando um arquejo de dor.
“Está machucada?” Ele se inclinou para examinar onde ela esfregava a mão e viu uma mancha de sangue. “Como se feriu?”
“Me descuidei e Chu Zixuan aproveitou a chance...” respondeu Chu Nian, orgulhosa. “Mas também não deixei barato, arranquei um tufo do cabelo dela.”
“Ela arrancou seu cabelo?” Os olhos de Pei Xiatin se estreitaram, contrastando completamente com sua habitual calma e compostura.
Diante do frio que emanava dele, Chu Nian ficou confusa, sem entender o motivo de sua ira, e no caminho de volta mal ousou respirar.
Depois de ser repreendida por Chu Zhanping, Chu Zixuan saiu de carro do condomínio e, por acaso, viu Chu Nian descer do veículo de Pei Xiatin, ainda usando o casaco dele. O que inflamou ainda mais sua raiva foi presenciar a maneira carinhosa e protetora com que Pei Xiatin tratava aquela pirralha.
Por que, quando ela estava com Pei Xiatin, nunca recebera tanta atenção?
Chu Zixuan chegou a ter um pensamento sórdido: talvez os dois já mantivessem algo às escondidas, e por isso Chu Nian quisera prejudicá-la.
Tomada por uma raiva insana, Chu Zixuan perdeu completamente o juízo e, tomada pelo ódio, acelerou em direção a Chu Nian, desejando o pior para ela.
Chu Nian, prestes a devolver o casaco para Pei Xiatin, foi de repente puxada com força para junto dele, sendo protegida em seu abraço enquanto ele a fazia apoiar-se contra o carro.
Tudo aconteceu num instante. Ainda tremendo de susto ao ver o carro vermelho passar veloz, Chu Nian murmurou friamente: “Era o carro de Chu Zixuan.”
Os olhos de Pei Xiatin brilharam com um gelo ameaçador. Após ver Chu Nian entrar no condomínio, voltou ao carro e discou um número: “Sou eu.”
Sem rodeios, foi direto ao ponto: “Arranjem problemas para Chu Zixuan.”
Depois de desligar, acendeu um cigarro; seu rosto sério e marcado pelo jogo de luz e sombra do fumo, revelava pensamentos insondáveis.
Muito tempo depois, abriu o álbum no celular e encontrou uma foto: uma menina de cerca de dez anos, cabelos desgrenhados e secos, o corpo sujo, mas sorrindo com um brilho radiante no rosto.
Ao lado dela, agachado e sorridente sob o sol, estava ele mesmo.
Com dedos longos, acariciou suavemente o rosto da menina na foto e murmurou com voz grave: “Xiao Nian, desta vez é minha vez de te proteger!”