Capítulo 17: A Garota de Outrora
Aquela menina que, anos atrás, usou o próprio corpo como escudo de carne para protegê-lo de uma bala, ele jamais imaginara que seria Chu Nian.
Na época, ele fora ao Noroeste em uma missão secreta como infiltrado e acabou sendo descoberto por um velho conhecido. Embora tenha conseguido escapar, ficou gravemente ferido, caindo ensanguentado na neve.
Quando recobrou a consciência, o que viu diante de si foi um rostinho escuro e sujo, mas com olhos incrivelmente brilhantes.
A menina acompanhava os pais, que trabalhavam com pesquisas científicas naquela região. A família salvou-lhe a vida, mas, devido a isso, seus rastros acabaram sendo descobertos pelos inimigos. Os pais da menina, implicados por sua causa, foram assassinados, e a frágil jovem se jogou diante dele, recebendo a bala disparada por um atirador oculto.
Naquele momento, fora chamado às pressas de volta para a tropa. Sabendo que a pequena sobrevivera ao perigo, partiu sem demora. Ao retornar ao hospital, soube que ela já havia sido levada pelos familiares.
Tudo o que sabia sobre a menina era que se chamava “Xiaonian”, e, por mais que tenha procurado em segredo durante anos, não encontrou nenhuma pista.
Foi justamente por enxergar nela a sombra daquela menina de outrora, e também por causa do “Nian” em seu nome, que sempre tolerou Chu Nian.
“Chu Nian, ela é um azar em pessoa! No passado foi ao Noroeste e causou a morte dos próprios pais, e agora vem para me arruinar!”
Se não fosse por Chu Zixuan, que ao perturbá-lo novamente proferiu tais palavras, ele jamais teria investigado as origens de Chu Nian e, tampouco, descobriria que ela era a pequena Xiaonian do passado.
Quer fosse o ataque dos marginais contra Chu Nian ou o atropelamento daquela noite, se Chu Zixuan ousasse machucá-la outra vez, ele jamais ficaria de braços cruzados.
Na suíte VIP do Hotel Imperial, Nan Yiheng repousava a mão sobre o ombro de Pei Xiaoting, com um ar irreverente de jovem rico desocupado: “Xiaoting, o que será que Chu Zixuan aprontou desta vez? Fez até você, que nem sequer olha para ela, tomar a iniciativa de agir.”
Quando soube que aquela mulher tivera a ousadia de trair seu irmão, Nan Yiheng quis matá-la, mas Pei Xiaoting não dera importância ao assunto. Por isso, ficou surpreso ao receber o telefonema pedindo para banir Chu Zixuan.
Gu Jingchen lançou um dardo, comentando em tom sarcástico: “Quem diria que a deusa das transmissões, admirada por tantos, não passa de uma qualquer! Se não fosse pela rapidez da família Chu, sua reputação agora estaria pior que a da professora Aoi.”
Os três não eram apenas amigos de infância, mas também irmãos de armas que tinham enfrentado a morte juntos. Embora dois deles já tivessem deixado o exército para assumir os negócios da família, isso não abalava em nada a forte amizade do trio.
Pei Xiaoting só aceitou o namoro com Chu Zixuan para tranquilizar a avó e porque ela sabia conquistar a simpatia da família Pei, já que estava prestes a embarcar em uma missão perigosa.
De outra forma, aquela mulher tão vulgar e ordinária jamais teria qualificação para ser escolhida como esposa de Pei Xiaoting.
Enquanto conversavam, a porta da suíte se abriu de repente e, com o semblante abatido, Chu Zixuan – sobre quem falavam – apareceu na entrada.
O garçom, que vinha atrás, desculpou-se resignado: “Senhores, peço desculpas, não consegui impedir a senhorita Chu de entrar.”
“Não é culpa sua, pode sair.”
Assim que o garçom se retirou, Pei Xiaoting lançou um olhar profundo para os dois amigos, que já se preparavam para assistir à cena.
Gu Jingchen, um tanto constrangido, pigarreou e deu um chute em Nan Yiheng, empurrando-o até a porta. Logo depois, saiu também, fechando a porta do quarto com gentileza para quem ficou lá dentro.