Capítulo 12: Tio, por que você veio?
— Zhao Feng, o que você pensa que está fazendo? — A voz fria de Chu Nian fez com que o burburinho animado ao redor cessasse abruptamente, devolvendo o ambiente ao silêncio. — Se você gosta de mim, isso é problema seu. Por que eu deveria carregar a responsabilidade pelo seu sentimento?
Sob olhares atentos, Chu Nian levantou-se e, sem nenhuma cerimônia, lançou-lhe uma última frase: — Aliás, a flor que eu mais detesto é a rosa vermelha.
Esse Zhao Feng vinha a persegui-la desde o primeiro ano da faculdade. Mesmo tendo sido rejeitado de forma clara, ele não desistia. E agora, ainda ousava recorrer a esse tipo de chantagem moral, o que já a deixava absolutamente exasperada.
Zhao Feng, constrangido, permanecia ajoelhado segurando o buquê, seu rosto alternando entre tons de vermelho e branco, tamanha era a humilhação.
De repente, uma sombra passou por ele, colocando-se diante de Chu Nian.
— Saia da frente, cachorro bom não atravanca caminho! — Chu Nian respondeu sem disfarçar o desprezo a Qin Yixuan, aquele que tanto desdenhava de seu curso.
O sempre altivo jovem mestre Qin, pela primeira vez foi chamado de cachorro por alguém. E, ao ouvir as risadas contidas ao redor, seu rosto ficou vermelho de raiva.
— Chu Nian, não abuse da minha boa vontade!
Enquanto falava, tentou agarrá-la para impedir que fosse embora, mas Chu Nian foi mais rápida e torceu-lhe o pulso, obrigando-o a se curvar. Um grito lancinante ecoou por todo o refeitório.
De cima, Chu Nian repreendeu o humilhado Qin Yixuan: — A família Qin realmente sabe educar! Seus pais nunca lhe ensinaram que não se deve pôr as mãos numa garota?
— Chu Nian, hoje vou fazer você se ajoelhar e implorar por piedade! — Qin Yixuan, rangendo os dentes de dor, ordenou aos seus amigos: — O que estão esperando? Venham logo me ajudar!
Recebendo a ordem, os amigos despertaram do choque e avançaram contra Chu Nian.
— Procura um lugar seguro para se esconder. — disse ela para Shen Ran, preparando-se para o confronto.
Num piscar de olhos, todos os aliados de Qin Yixuan foram ao chão, gemendo espalhados pelo refeitório, agora tomado pelo caos.
Chu Nian limpou as mãos e caminhou sorridente até Qin Yixuan: — Ouvi dizer que o jovem mestre Qin queria me ver ajoelhada, implorando por clemência, não é?
Diante dela se aproximando, Qin Yixuan só conseguia recuar, o olhar tomado de terror, incrédulo. Aquela não era, de modo algum, a garota frágil que ele imaginava, mas sim uma guerreira destemida, quase como se estivesse possuída por um demônio.
No fim, ambos foram levados à diretoria. Qin Yixuan, assustado, temendo ser novamente o alvo daquela “feiticeira”, encolheu-se num canto, tentando ao máximo passar despercebido.
Chu Nian não lhe deu a menor atenção. Já começava a se arrepender do ímpeto com que agira. A formatura estava próxima — e se por causa disso não conseguisse o diploma?
Enquanto ponderava se valia a pena fazer as pazes com Qin Yixuan, viu-o disparar como uma flecha em direção à porta e, em seguida, ouviu sua voz lamuriosa: — Tio, se o senhor não vier logo, temo que nunca mais nos veremos neste mundo!
Chu Nian lançou um olhar de incredulidade. Era só uma pequena luxação, precisava de tanto drama?
Mas, com a presença dos familiares, se insistissem em levar o caso adiante, ela estaria realmente perdida. Depois de cogitar várias estratégias, decidiu que o melhor seria ceder, garantir o diploma e só então se preocupar.
— Arranjou confusão na escola de novo?
Ué? Essa voz lhe soava estranhamente familiar.
Cuidadosamente, Chu Nian virou-se. Ao ver aquela figura alta, de uniforme militar, não conteve a alegria: levantou-se de súbito, empurrou Qin Yixuan que estava no meio do caminho e, com os olhos brilhando de excitação, exclamou:
— Tio, você por aqui?