Capítulo 9

Após a Amnésia, Fui Exclusivamente Monopolizado pelo Vilão Si Qing 3804 palavras 2026-07-31 03:10:10

Shen Zhi apenas se recordava de ter caído de um precipício, montada em seu cavalo, seguida por uma dor lancinante na nuca. O golpe do tronco de uma árvore fora tão violento que sentira sua alma quase abandonar o corpo; depois disso, sua mente tornara-se um vazio absoluto, sem qualquer lembrança.

Ao questionar os criados, descobriu, estupefata, que estivera inconsciente por mais de um mês.

Durante esse período, Shen Zhi não estivera totalmente alheia. Sentia-se envolta em um ambiente quente e sereno, sob a luz suave de velas, ouvindo vozes ao pé do ouvido e sentindo o gosto de remédios. O leito era macio como uma nuvem, mas, por mais que tentasse, seus olhos não se abriam.

Ao despertar esta manhã, acostumando-se à claridade, percebeu que estava em um quarto desconhecido, cercada por rostos estranhos que demonstravam uma alegria contida. Eles perguntavam com solicitude se ela sentia dor ou se desejava água. Quando, incomodada, moveu o corpo e franziu o cenho, as criadas, aterrorizadas, correram para chamar o médico.

Shen Zhi olhou confusa para a criada que se identificara como Yun Jin, sua garganta seca impedindo-a de articular qualquer palavra. A criada apressou-se a servir-lhe água.

Com a garganta umedecida, Shen Zhi perguntou com dificuldade: "Quem sou eu? E que lugar é este?"

Yun Jin não sabia como responder. As criadas e serviçais que chegaram àquela propriedade sabiam apenas que o dono da casa era um homem influente e poderoso que as contratara para cuidar da jovem convalescente. Sobre qualquer outra coisa, Yun Jin nada sabia. Os guardas da mansão eram figuras intimidadoras, e elas não ousavam dirigir-lhes a palavra.

"A serva só sabe que o senhor a chama de Wan Wan."

"Wan Wan..." murmurou Shen Zhi, mas o nome não lhe trouxe à mente qualquer pessoa ou evento.

Embora desconhecesse a história, Yun Jin sabia dizer coisas agradáveis: sobre como o mestre da mansão era belo e distinto, quão gentil e atencioso fora ao cuidar da jovem, e como reformara aquele refúgio silencioso para torná-lo elegante para ela.

Isso não era exagero. Como criada pessoal, Yun Jin testemunhara Pei Shen alimentando-a com os remédios. Era curioso: no início, a jovem recusava o medicamento de todos, aceitando-o apenas quando o próprio senhor a alimentava.

Claro, Yun Jin não ousava mencionar o quanto aquele homem era temível. Quando ele aparecia, ninguém no quarto ousava respirar fundo; se a jovem franzisse o cenho durante a enfermidade, o semblante dele escurecia imediatamente. Certa vez, Yun Jin cruzou o olhar com ele e sentiu um suor frio percorrer-lhe a espinha.

Com poucas palavras, Shen Zhi compreendeu sua situação. O lugar chamava-se Mansão Tingxue, onde viviam apenas ela e o senhor. Não havia parentes ou conhecidos visitando-a. O quarto onde se recuperava era o Pavilhão Xiyue. O senhor era próximo dela, mas não residia ali permanentemente, visitando-a a cada dois ou três dias.

Pelas descrições de Yun Jin, o homem era rico e influente. Ao observar os móveis, Shen Zhi confirmou a veracidade daquelas palavras: a mesa de sândalo, a cama de dossel de madeira nanmu dourada, as cortinas de gaze fina, o incensário de ouro vazado, as luminárias de esmalte e vidro... O biombo diante dela era uma peça rara de jade branco, e até a xícara em sua mão era uma raridade de porcelana Ru, com seu esmalte azul-celeste.

Se ela fosse esposa desse homem, não estaria em uma mansão isolada, mas em uma residência oficial. Se fosse sua irmã, a intimidade entre eles seria impossível, dado o decoro exigido entre irmãos. Mas, se não houvesse afeição, por que ele a instalaria ali e a cuidaria pessoalmente? Além disso, Yun Jin a chamava de "senhorita", não de "senhora".

Shen Zhi deduziu que sua posição era peculiar. Com o olhar nublado, ela questionou: "Eu seria... uma concubina oculta deste senhor?"

Yun Jin, também sem saber, respondeu com embaraço: "É melhor aguardar o retorno do senhor para que ele lhe explique."

Diante disso, Shen Zhi compreendeu a gravidade. Perdera a memória, mas mantinha a etiqueta, a leitura e os valores morais. Era, claramente, uma moça de boa família. Como, então, fora parar em uma situação tão sombria?

Qualquer moça com um mínimo de dignidade preferiria casar-se com um plebeu como esposa legítima a ser uma concubina oculta de um poderoso. Shen Zhi pensou nisso o dia todo, até que sua cabeça latejou de dor, assustando as criadas, que novamente chamaram o médico, como se o senhor pudesse devorá-las caso algo de ruim acontecesse à jovem.

O Dr. Zhan, ao examiná-la, recomendou que ela evitasse pensamentos profundos: "Há estagnação sanguínea e a mente está debilitada. Não se preocupe excessivamente, ou será mais difícil recuperar as lembranças."

Até o médico a chamava de "senhorita".

Shen Zhi assentiu e passou o resto do dia distraindo-se com um quebra-cabeça de anéis. Quando ouviu vozes masculinas do lado de fora, suas costas retesaram e o coração disparou. Uma voz era a do Dr. Zhan; a outra, grave e límpida como água corrente sobre pedras frias, perguntava sobre sua saúde. Embora não pudesse distinguir as palavras, aquela voz causava-lhe um nervosismo inexplicável.

A conversa cessou, mas o homem não entrou. Ele não viera vê-la?

Shen Zhi piscou, tentando espiar pela janela, mas um ruído na porta a fez sentar-se bruscamente. No susto, seu pulso esbarrou na xícara de porcelana, que se estilhaçou no chão. Ela parou de respirar e, ao inclinar-se para recolher os cacos, viu braços masculinos a ajudarem.

Um aroma leve de sândalo e madeira antiga, frio e amargo, envolveu-a. Era como um rio glacial em uma montanha coberta pela névoa invernal, emanando uma aura de solenidade e distanciamento.

Shen Zhi tremeu ao ver o bordado de fios de ouro nas mangas da túnica dele e não ousou levantar o olhar. Ouviu um suspiro suave acima de sua cabeça: "O chão está frio, levante-se primeiro."

A voz era profunda e melodiosa, mas, apesar do tom gentil, carregava uma frieza oculta. Quando tentou levantar-se, suas pernas fraquejaram, como se a autoridade natural daquele homem a dominasse, ou talvez porque seu instinto a fizesse querer recuar.

Pei Shen a ajudou a voltar para o divã. "No futuro, peça aos criados que façam essas coisas."

Só então Shen Zhi levantou os olhos. Ele era alto, jovem, com traços firmes e um semblante pálido, como um dia chuvoso. Seus olhos escuros pareciam capazes de ler a alma alheia; mesmo em silêncio, sua presença era esmagadora.

Quando as criadas entraram para limpar os cacos, ela suspirou aliviada, mas logo foi interrompida pela chegada de outra criada com o remédio. Ao sentir o amargor do líquido, seu rosto se contraiu.

Pei Shen, com um toque de diversão na voz, disse: "Ouvi dizer que ainda não tomou seu remédio hoje. Não quer beber?"

Ela queria muito dizer que não, mas, ao receber a tigela, sua mão obedeceu. O remédio era intragável. Ela tentou várias vezes até conseguir beber um gole, parando logo em seguida.

"Senhor..." tentou ela.

"Realmente não se lembra de nada do passado?" perguntou Pei Shen.

Shen Zhi balançou a cabeça negativamente. Ela reuniu coragem e perguntou: "Obrigada por me salvar, senhor. Onde estamos? E... quem sou eu para o senhor?"

Ele pegou uma tigela de ameixas cristalizadas da criada e ofereceu a ela. Suas mãos eram belas, pálidas como jade e de ossos bem definidos. "Beba o remédio primeiro, e falarei com você com calma."

Ela sentiu medo dele. Mesmo em uma frase casual, havia uma autoridade inquestionável.

Pei Shen a observava. Ela vestia seda verde-água, com os cabelos escuros presos apenas por um grampo de ouro, realçando sua pele alva. Ele a observou beber o remédio com a mesma dificuldade de quando estava inconsciente, franzindo o cenho e tremendo os cílios como uma esquila assustada.

Ao ver a tigela vazia, ele lembrou-se das palavras do Dr. Zhan: "O caso é difícil. Pode recuperar a memória em dois ou três anos, ou talvez nunca. Depende do destino."

Ele finalmente falou: "Sua mãe a teve tarde, por isso a chamou de 'Wan Wan'. Não do 'tarde' de tempo, mas do 'Wan' de 'fios de seda que entrelaçam os salgueiros, tecendo a promessa de um coração unido'."

Shen Zhi levantou a cabeça. Embora sem memórias, o nome lhe soava estranhamente familiar.

"Você vem da família Su, de Jinling, uma linhagem de intelectuais. Acabou de completar quinze anos," continuou ele com uma voz límpida e calma. Ele serviu-se de chá. "Em abril, durante um passeio com amigas, você caiu de um precipício. Como os médicos da capital não podiam curá-la, não tive escolha a não ser trazer o renomado Dr. Zhan. Este é um refúgio que comprei nos arredores da capital. Fique tranquila aqui."

Shen Zhi moveu os lábios, trêmula: "Então nós somos..."

Pei Shen a encarou com um sorriso enigmático: "Você quer saber nossa relação?"

Ela hesitou: "Sou grata por ter me salvo... Se meus pais soubessem, certamente retribuiriam... Se eu fosse sua concubina..."

"Você não é minha concubina oculta," disse Pei Shen, olhando fixamente em seus olhos límpidos. "Você é minha esposa, formalmente desposada por mim, Pei Shen."