Capítulo 16

Após a Amnésia, Fui Exclusivamente Monopolizado pelo Vilão Si Qing 3623 palavras 2026-07-31 03:10:14

Refazer o casamento significa restaurar o modo comum de convivência entre um casal amoroso; não seria como um vínculo inseparável, mas também não poderia ser como antes da amnésia, quando ele não reconhecia seu próprio nariz ou seus olhos.

Ela era muito grata a ele e genuinamente desejava se reconciliar.

— Se no passado eu te fiz infeliz, daqui em diante me esforçarei para te compensar — disse a jovem com sinceridade nos olhos e uma voz fina e doce, uma sinceridade que ele nunca havia sentido antes.

O coração de Pei Shen pareceu oscilar um pouco.

Ele sorriu enquanto a observava: — Então, Wanwan, você já tomou sua decisão? Está pronta?

P-r-e-p-a-r-a-d-a para o quê?

Shen Zhi percebeu que ele parecia estar se referindo a algo, piscou os olhos e inconscientemente olhou para baixo, só então notou o quão inadequado era o vestido de tule que usava, quase transparente à luz, expondo completamente a pele do peito, e até as flores violetas reunidas ali pareciam revelar um misto de tentativa e disfarce.

Antes, na penumbra da noite, isso não era perceptível, mas agora, sob a luz intensa, parecia coisa de uma cortesã.

Como Qin Fang permitiu que ela saísse vestida assim!

Espere, será que o que o marido quis dizer com “estar preparada” significava que ela queria...

Um estrondo ecoou em sua mente, como fogos de artifício explodindo; Shen Zhi ficou envergonhada, o corpo todo quente, como se milhares de fagulhas quisessem incendiar cada canto do seu ser.

Ela ajeitou desconfortavelmente o manto, tentando cobrir um pouco.

— Eu... — Saindo assim para vê-lo, por mais que explicasse, parecia um convite indeciso. Reuniu coragem e disse com firmeza: — Você entendeu errado, marido. Quero dizer, conviver como um casal comum, e o resto acontecerá naturalmente. Não estou tão apressada...

Ai, quanto mais ela explicava, pior ficava!

Depois de um tempo sem resposta, Shen Zhi baixou a cabeça, desejando se esconder em um buraco.

— Wanwan? Wanwan?

Somente quando Pei Shen a chamou, ela levantou a cabeça rígida, mas ainda não ousava olhar para ele.

O homem deu uma risada leve, ponderou por um momento e disse:

— O Pavilhão Zhuo Xing é meio frio, você não está acostumada. Vamos voltar para o Pavilhão Xiyue.

— Ah? — Shen Zhi ergueu a cabeça atônita.

O marido já concordava em dividir o quarto com ela?

Ela era quem havia provocado, mas agora era ela quem se sentia desconfortável.

Huan Zheng, que estava no andar de baixo, viu o senhor descendo com a jovem e ficou parado, confuso.

O mestre pretendia mandar a moça embora ou tinha outro plano?

Do lado de fora, Qin Fang também estava surpresa. A senhora havia vindo pessoalmente; será que o senhor queria mesmo dispensá-la?

Mas ao ver a esposa envergonhada atrás do marido, Qin Fang, esperta como era, entendeu imediatamente que algo havia acontecido entre eles; caso contrário, a senhora não estaria tão envergonhada.

De fato, os dois mestres não saíram mais depois de voltarem ao Pavilhão Xiyue.

Pei Shen foi para o banheiro ao lado tomar banho; Shen Zhi sentou-se diante da penteadeira para tirar os enfeites do cabelo, e no Pavilhão Xiyue havia apenas uma cama — tudo parecia estar se encaminhando naturalmente.

Ela trocou de roupa para um vestido de dormir e murmurou para Qin Fang:

— Eu não percebi antes e saí vestida assim. Fiz o senhor rir de mim.

Qin Fang sorriu:

— Senhora, não diga isso. Esse vestido só é um pouco mais leve que o comum, não há problema em usá-lo. Além disso, roupas simples não combinam com sua beleza delicada, o senhor só ficará feliz ao vê-la.

***

O som da água cessou gradualmente no banheiro; as orelhas de Shen Zhi ficaram vermelhas, e ela bateu os pés, dizendo:

— Não vou falar mais com você.

Qin Fang sorriu, apagou as velas do lado de fora e, após Pei Shen entrar, sem mais instruções, retirou-se.

Shen Zhi olhou para Pei Shen, vestido com um robe branco claro, aproximando-se lentamente, e ficou cada vez mais inquieta.

Embora tivesse sido ela a convidá-lo, isso não significava que estivesse completamente preparada; pelo contrário, para a Shen Zhi amnésica, aquela era uma espécie de primeira noite de núpcias, e ela não estava preparada nem um pouco.

Ela respirou fundo algumas vezes, tentando mudar de assunto de forma rígida:

— Ah, esqueci de te dizer, desde pequena sofro de cegueira noturna; deixo a luz acesa no quarto para dormir. Se não puder aceitar...

— Eu sei — Pei Shen cerrou os lábios. — A partir de agora, farei tudo conforme suas preferências.

Shen Zhi apenas murmurou um “oh” e o viu sentar-se casualmente ao seu lado, ocupando metade da cama. Ela até podia sentir o calor úmido do corpo dele, recém-saído do banho.

Discretamente virou a cabeça e viu uma gota de água cristalina escorrer pela garganta saliente dele, entrando pelo colarinho.

Ela ficou estranhamente aflita, a garganta seca, como queimada por um fogo invisível.

— Você prefere dormir do lado de dentro ou do lado de fora?

Pei Shen sorriu, a voz ligeiramente rouca pelo vapor do banho:

— Tanto faz, mas lembro que você gostava de dormir do lado de dentro.

— Se... se gostava? — Shen Zhi arregalou os olhos. — Nós... já... dormimos... juntos?

Ele disse que não.

Na mente dela, surgiram imagens involuntárias:

O marido sofria olhares de desprezo, e ela o ignorava friamente, afastando-se.

Ele chegava em casa e ela fingia não vê-lo.

Quando ele queria dormir, ela dizia que era inconveniente e se virava para a parede, preferindo não olhar para ele, fazendo-o ir para o escritório sozinho...

Deixemos o passado para trás.

Shen Zhi murmurou:

— Então... vamos dormir.

Ela estava corada, quente, e depois de dizer isso engasgou com a própria saliva, tossindo duas vezes, com lágrimas nos olhos.

Pei Shen riu:

— Você está desconfortável?

A mente dela estava confusa, mas ao ouvir isso, sentiu-se aliviada como se tivesse bebido água fresca e assentiu:

— Sim... Sim, o médico Jiang me recomendou descansar mais.

Ele sorriu novamente:

— Então, durma.

Shen Zhi rapidamente se enfiou no lado interno da cama, enrolou-se no cobertor, preparou-se para virar o rosto para dentro para aliviar o constrangimento, mas achou que isso seria desrespeitoso e acabou deitando-se de costas, com o pescoço tenso e olhos fechados.

O silêncio reinava, só se ouvia o crepitar da vela e o som acelerado do próprio coração.

Parecia que muito tempo havia passado, quando sentiu um olhar fixo sobre si, como se tivesse peso concreto, dificultando sua respiração.

Por que ele ainda não deitava? Estaria olhando para ela? Havia alguma sujeira em seu rosto?

Depois de muito tempo, ouviu o som do cobertor sendo mexido. Sentiu um vento vindo da direita e, em seguida, o corpo quente e largo do homem repousar silenciosamente ao seu lado.

O calor de junho já começava a se fazer sentir, especialmente porque eles compartilhavam uma cama, não havia como colocar dois cobertores, e mesmo que tentassem, não poderiam evitar o contato físico.

Shen Zhi podia sentir o braço dele ao seu lado, duro e forte, transmitindo uma sensação muscular poderosa, um toque sutil que a fez relaxar o corpo involuntariamente.

***

Ela já dormia com rigidez, e agora sentia seu braço direito formigar, quente, como se estivesse imobilizado.

Pei Shen observava a jovem com os olhos bem fechados e respiração irregular, demorando a inspirar profundamente, e, divertido, começou a falar:

— As duas criadas que cuidam de você parecem muito interessadas na nossa vida conjugal.

Shen Zhi respirou fundo, abriu os olhos e, parecendo cozida no vapor, ouviu-o falar. Finalmente encontrou uma desculpa para se virar, deixando as costas quentes sentirem o frescor. Porém, ao virar, deu de cara com o perfil esculpido e belo do homem, e seu coração disparou outra vez.

Ela fingiu calma:

— Qin Fang só se preocupa comigo. Casais que ficam muito tempo sem dormir juntos acabam se distanciando, e nós nem sempre nos sentamos ou descansamos juntos todos os dias, então elas ficam preocupadas.

Pei Shen murmurou para si:

— Faz sentido.

Shen Zhi, confusa, perguntou:

— Faz sentido o quê?

Ele olhou para fora da janela:

— Ela está de guarda lá fora esta noite.

Shen Zhi ficou surpresa, então entendeu.

Olhou para fora, não viu ninguém, não sabia exatamente onde Qin Fang estava de vigia, e voltou a se deitar.

Ela havia lido livros de histórias, sabia que em famílias importantes as criadas ficavam do lado de fora durante a intimidade dos donos, prontas para ajudar a qualquer momento, às vezes várias vezes na mesma noite, e pela manhã conferiam se tudo estava bem.

Qin Fang apenas cumpria seu dever, e Shen Zhi não podia reclamar.

Quanto a quando realmente se tornariam um casal de verdade... ainda não estava pronta. Apesar de ter prometido compensá-lo, dormir na mesma cama já consumira toda sua coragem. O marido a respeitava demais, e mesmo estando juntos, jamais ultrapassariam limites; ela sozinha não teria forças para ser a parte ativa.

Mas estando juntos, podiam conversar, fortalecer o relacionamento.

Falando em criadas, Shen Zhi lembrou de algo:

— Eu vim de Jinling para Shengjing. Será que minhas criadas de dote me acompanharam? Ouvi dizer que as criadas da Vila Xue Shan foram compradas recentemente. Por que não trouxeram minhas criadas de dote para cuidar de mim? As que me serviram desde pequena certamente me conhecem melhor, sabem do meu temperamento e hábitos. Falar sobre o passado pode até ajudar a recuperar minha memória mais rápido. Além disso, seria melhor do que gastar dinheiro mantendo tantas pessoas aqui. Quando eu melhorar, dispensá-las não seria um problema.

Pei Shen fechou os olhos, seu rosto estava visivelmente tenso.

Ele conteve as emoções que o agitou o peito e falou com voz calma:

— De fato, há duas criadas de dote. Uma ficou doente ao te ver cair do penhasco, e a outra foi comigo à delegacia para registrar o ocorrido, o que atrasou alguns dias. Sua doença não pode ser negligenciada; gastar dinheiro não é problema.

Ela sempre acabava se convencendo pelo que ele dizia.

Shen Zhi abaixou os olhos e assentiu, sem notar a expressão um pouco fria dele. Então lembrou-se de algo mais importante:

— E meus pais? Eles receberam notícias? Sabem que estou aqui? Quero escrever para eles, avisar que estou bem.

Ela se sentia até um pouco infiel, tendo esquecido seus pais que a criaram depois do acidente. Nos últimos dias, Pei Shen não havia vindo, e ela não sabia a quem perguntar.

Pei Shen franziu a testa, sentindo uma dor leve na cabeça.

Ele não gostava que ela falasse do passado, mas ela sempre perguntava.

Será que o que ele lhe dava não era suficiente para fazê-la esquecer aquelas pessoas irrelevantes, ou mesmo que ela sequer se lembrasse delas?

Se soubesse disso antes, teria sido melhor mentir e dizer que ela era uma órfã sem ninguém, para que ela dependesse dele como uma trepadeira, gostasse dele e ficasse ao seu lado sossegada.

— Marido, meus pais...

Ela ainda esperava sua resposta quando, de repente, sentiu um peso no ombro e caiu nos braços quentes e firmes do homem.

***