Capítulo 12: A Noite de Núpcias
No momento em que o palanquim nupcial, escoltado pela guarda de honra, atravessou o portão do palácio, Jiang Yunshu sentiu, finalmente, a realidade: ela havia entrado no palácio.
Será que ela não escaparia mesmo da lei universal das protagonistas de histórias de viagem no tempo, que sempre acabam no harém imperial?
O palanquim foi levado até as profundezas do palácio, atravessando inúmeros portões menores, até chegar a um pavilhão remoto e silencioso. Após uma curva para o oeste, parou diante do portão do Pavilhão Lateral Oeste.
As damas de companhia da Secretaria de Etiqueta ajudaram Jiang Yunshu a descer, conduzindo-a por vários limiares até que ela se sentasse no leito nupcial do pavilhão.
E então, veio a espera.
A espera pelo imperador para levantar seu véu.
Na mansão do marquês, os banquetes eram abundantes e animados, mas, no palácio, não havia festa. Como ela era apenas uma entre as muitas esposas secundárias que o imperador desposava aos montes todos os anos, a Secretaria de Etiqueta apenas decorava o quarto nupcial.
Daqui em diante, ela viveria naquele pavilhão.
Com o véu cobrindo o rosto, Jiang Yunshu não conseguia ver o local. No entanto, pelo trajeto que fizera — dois passos para entrar, dois passos para sentar — ela percebeu: este pavilhão era minúsculo!
Na mansão, o pequeno pátio de Jiang Yunshu já era o menor entre o das irmãs. Ela não podia se comparar à irmã legítima, e as três irmãs mais novas tinham suas próprias mães concubinas. Como Jiang Yunshu sempre fora de personalidade contida e satisfeita com pouco, seu pátio sempre fora o mais remoto e estreito.
Mas o pavilhão após entrar no palácio era ainda menor que o Pátio Yunshu!
Jiang Yunshu estava atônita. Em sua mente, o palácio era grandioso, imponente e vasto. Como poderia ser mais apertado do que em casa?
Logo, ela compreendeu: a mansão tinha pouca gente, mas o palácio estava lotado. Com mais de uma dúzia de novas concubinas entrando a cada ano, o número de esposas imperiais já beirava a centena. Como não seria apertado?
Jiang Yunshu consolou-se pensando que a multidão tinha suas vantagens. Embora o espaço fosse exíguo, com cem pessoas dividindo as obrigações, ela só precisaria "trabalhar" três dias por ano...
Era só cerrar os dentes e suportar!
Pensando pelo lado positivo, talvez o imperador não se interessasse por ela nesta noite e nunca mais a procurasse. Assim, ela poderia viver uma vida de ócio, com comida, moradia e salário garantidos, sem precisar fazer esforço algum.
Trabalhar no palácio era melhor do que trabalhar na família Duan; lá, ela teria que ser a senhora da casa, sem um único dia de folga nos trezentos e sessenta e cinco dias do ano.
A única coisa que lhe dava dor de cabeça era o fato de morar no pavilhão lateral, enquanto o pavilhão principal era ocupado por uma concubina de posição superior. Aquela configuração a lembrava dos cubículos onde morara em sua vida anterior. E, pior ainda, a concubina de alta patente tinha autoridade sobre ela. Era como se, no cubículo ao lado, não morasse outro inquilino, mas sim o próprio senhorio!
Recordando a experiência traumática de viver com o senhorio na vida passada, Jiang Yunshu rezou para que a concubina do pavilhão principal fosse bondosa e sensata. Afinal, ao contrário de um aluguel moderno, ela não tinha como se mudar dali; era muito provável que vivesse ali para sempre.
— Sua Majestade o Imperador chegou!
O anúncio altivo do eunuco trouxe Jiang Yunshu de volta à realidade.
A noite estava avançada, as lanternas do palácio brilhavam intensamente. O imperador finalmente chegara!
A coroa e o véu em sua cabeça pesavam terrivelmente. Seu couro cabeludo doía, seu pescoço doía, e a chegada do imperador significava, enfim, sua libertação. Sua urgência refletiu-se involuntariamente em seu corpo: ela endireitou as costas e inclinou-se ligeiramente para a frente.
— Hum. — A dama da Secretaria de Etiqueta tossiu levemente para lembrá-la.
Ah, aquilo parecia pouco recatado. Jiang Yunshu corrigiu rapidamente a postura, adotando um ar digno e suave.
Então, o imperador entrou. Jiang Yunshu ouviu passos desordenados e, antes de entender o que acontecia, sentiu um cheiro de álcool tão forte que quase a sufocou.
O imperador estava bêbado! E profundamente embriagado!
Jiang Yunshu soltou um suspiro de alívio em segredo. Nesse estado, ele certamente não conseguiria fazer nada esta noite. Ela escaparia por um triz!
Embora já tivesse se preparado mentalmente desde que soubera que entraria no palácio — ou melhor, desde que reencarnara na antiguidade e soubera que um dia teria que se casar às cegas com um estranho —, ela aceitava o destino, mas jamais gostaria dele.
O sentimento de Jiang Yunshu era o mesmo de quando, na escola, ela temia a prova de corrida de oitocentos metros e, de repente, uma chuva torrencial a adiava para a semana seguinte.
Um alívio imenso!
Uma pequena esperança nasceu em seu peito: talvez, se não acontecesse nada hoje, ele a esquecesse de vez!
O imperador, exalando álcool, cambaleou até ela e tentou levantar o véu... mas não conseguiu. Jiang Yunshu, discretamente, ajudou-o a levantar. Ele estava tão bêbado que nem notou o gesto.
Finalmente, o véu foi removido. Jiang Yunshu manteve a cabeça baixa, fingindo timidez e nervosismo. O imperador a observou sob a luz das velas, estendendo a mão para segurar seu queixo e forçá-la a olhar para cima.
Quando os dedos dele tocaram sua pele, Jiang Yunshu estremeceu de frio. A mão do imperador estava gelada como gelo! Como era possível? O início do verão já trazia calor, e o álcool deveria ter aquecido seu corpo.
Jiang Yunshu conteve o tremor e levantou o rosto, encontrando uma aparência deplorável. Não que ele fosse feio; o imperador era jovem e belo, superando muitos dos atores que interpretavam imperadores em séries. Mas, naquele momento, seu rosto estava pálido, as bochechas manchadas por um rubor doentio e olheiras profundas e escuras marcavam seu semblante.
Jiang Yunshu lembrou-se do que ouvira: o imperador era frágil desde criança. Mas aquilo não era apenas fragilidade; ele parecia estar à beira da morte!
Ao vê-lo, ela se recordou de um artista de terceira categoria que ela seguira em sua juventude: pálido, com olheiras escuras... exatamente igual ao imperador diante dela! Aquele artista fora desmascarado por escândalos sexuais, sendo um mestre na gestão de tempo para manter três encontros em um único dia.
Será que o imperador era apenas naturalmente frágil? Ou sua saúde precária era fruto da devassidão? E ele ainda bebia excessivamente. Fraco, viciado em luxúria e no álcool... ele poderia morrer a qualquer momento.
Enquanto Jiang Yunshu divagava, a mão do imperador acariciou sua bochecha:
— Não é à toa que o eunuco-chefe disse que você tem um belo par de olhos...
Foi como se uma serpente fria e viscosa deslizasse por seu rosto. Jiang Yunshu ficou rígida, com os pelos do corpo arrepiados. Seus ouvidos zumbiam e ela mal conseguia ouvir o que ele dizia.
Aquela ideia de "apenas cerrar os dentes e suportar"... Jiang Yunshu percebeu que fora ingênua demais!
*Desmaie logo!* ela pensou. *Como alguém tão bêbado ainda não desmaiou?*
O imperador tentou abraçá-la, mas, cambaleante, desequilibrou-se e caiu de cara sobre a cama. Ele permaneceu ali, imóvel.
Um momento depois, Jiang Yunshu relaxou. O céu ouvira suas preces? Ela sempre tivera um pouco de sorte!
Ela esperou um pouco mais e chamou baixinho:
— Majestade... Majestade?
O imperador não respondeu. Parecia ter caído em sono profundo. Jiang Yunshu virou o corpo dele de lado, pois sabia que bêbados deveriam dormir assim.
Foi então que ela viu uma mancha vermelha chocante.
O imperador, ao ser virado, começou a expelir sangue profusamente pelo nariz.
— Aaaaaah! — Jiang Yunshu soltou um grito incontrolável.