2. O Caminho da Fusão do Tao I

O Grande Imortal Estranho Enredado na fama 3166 palavras 2026-07-31 03:29:02

Observando por um instante o cadáver da pantera-das-neves, Yang Xiao logo viu sua mente se agitar. Embora não soubesse de que morrera aquela fera, mais uma grande massa de proteína, tão perto do mês mais frio do ano, era muito melhor do que carne de rato.

Ele não se importava de modo algum com a forma como o animal morrera. Numa floresta densa repleta de perigos, sobreviver já era difícil o bastante. Certo de que a pantera estava de fato morta, Yang Xiao saltou imediatamente sobre o corpo, enfiou a cabeça na ferida ensanguentada e começou a bicar. Enquanto bicava, esticava as garras recurvadas e remexia sem parar a carcaça.

Aquelas garras, para fazer ferramentas, eram inúteis; mas, para rasgar carne e sangue, serviam perfeitamente.

Depois de cortar a carne, Yang Xiao não a comeu de imediato. Bateu as asas, levando consigo um pedaço da pantera, e voou de volta para sua toca na árvore. Embora vivesse de carne crua e sangue, sua mente ainda era humana; não tardaria muito para que o cadáver fosse descoberto por outros animais da floresta. Só aproveitando-se depressa, antes que os grandes necrófagos chegassem, é que se poderia arrancar o máximo de vantagem. Era isso o que mais condizia com a sobrevivência naquele momento.

Subindo e descendo, indo e vindo por mais de dez vezes, Yang Xiao desossou quase por completo uma das patas traseiras mais robustas da pantera. E então já não pôde continuar.

Os animais da floresta, ao sentirem o cheiro de sangue, acorreram de todos os lados. Os primeiros a chegar foram grandes aves planando em círculos. Pareciam-se, em aparência, com os corvos que Yang Xiao conhecera em sua vida anterior, embora fossem bem maiores, com mais de dois chi de comprimento.

Comparadas a um amador como Yang Xiao, eram necrófagas profissionais. Depois de descerem aos montes do céu para a terra, lançaram-se com batidas de asas sobre a carcaça da pantera e bicaram-na sem deixar nenhum canto intocado; até mesmo os ossos que Yang Xiao havia separado foram bicados e engolidos.

Pouco depois, de dentro da mata vieram cambaleando alguns carcajus, com olhos brilhando em verde. Eles se atiraram contra o cadáver e expulsaram as aves necrófagas que desciam do céu, formando um alvoroço em torno da carcaça. Não demorou muito e a infeliz pantera já havia sido despedaçada até restarem apenas ossos.

Naturalmente, Yang Xiao não iria se meter na disputa lá embaixo. Àquela altura, ele estava sentado bem alto em sua toca, comendo a carne da pantera e espiando as demais feras que brigavam pelo cadáver. Em comparação com os animais famintos, ele parecia até mais sossegado.

Se fosse pelos olhos humanos, aquela carne seria quase como uma pequena fortuna. Mas Yang Xiao não se contentava. Sentado na toca, voltou a calcular mentalmente.

Já fazia vários anos desde que chegara a este mundo, e Yang Xiao já entendera um pouco das mudanças das estações na floresta. O inverno estava chegando, e os alimentos para os animais tornavam-se cada vez mais difíceis de encontrar. Mesmo fora do inverno, em época normal, os bichos da floresta não tinham o hábito de desperdiçar nada: basicamente comiam o que houvesse, tanto quanto houvesse. Era por isso que aquela cena de comer apenas um coração e um fígado e depois sair correndo lhe parecia inacreditável. Na opinião dele, aquilo certamente não fora obra de animal.

...

O tempo correu silencioso sob a neve e o vento. Em pouco tempo, passou-se um mês. A floresta densa ficou firmemente coberta por um manto branco, e a temperatura baixava dia após dia.

A vida de Yang Xiao, com a ajuda da carne da pantera, ia razoavelmente bem. Mesmo sem sair para caçar ratos, ficando de toca, ele até engordara um pouco. Se fosse um humano de sua vida anterior, talvez se preocupasse com isso; mas naquela floresta densa, um corpo maior sem dúvida significava um lugar mais alto na cadeia alimentar. Embora fosse apenas uma coruja, e seu tamanho fosse limitado por natureza, tornar-se um exemplar grande entre os seus significava também ampliar seu território e sua área de atividade.

Naquele dia a neve caía com uma intensidade incomum. Yang Xiao dormia em sua toca quando, de repente, voltou a ser despertado pelo canto de aves ao longe.

Dessa vez o som vinha de muito mais longe do que da vez anterior, mas o medo contido naquele clamor continuava sendo, para Yang Xiao, intensamente perceptível. Ele ergueu a cabeça de imediato e saiu da toca, escutando com atenção a direção de onde vinha o chamado.

O som vinha da mata densa para o leste, misturado a alguns ruídos de asas batendo.

Yang Xiao desta vez não correu. Também não podia correr.

Como coruja, durante o dia ele quase não enxergava nada; tudo lhe parecia extremamente embaçado. Sair da toca nesse horário era o mesmo que buscar a morte.

Só pôde bicar dois galhos com o bico, arrastá-los com as patas e tapar a entrada da toca um pouco melhor. Depois, ficou parado junto à abertura, ouvindo em silêncio os sons do lado de fora, cochilando de leve enquanto escutava.

Primeiro vieram os sons das aves; em seguida, um rosnado surdo. Misturados a eles, ouviam-se ainda o ranger de troncos e galhos sendo atingidos.

Yang Xiao sentia-se inquieto. Era dia, e de fato nada podia fazer; só lhe restava rezar para que a confusão ficasse longe dele.

Enfim, o rosnado e os impactos cessaram.

Por um bom tempo, a floresta densa não deixou mais nenhum som escapar. O silêncio durou mais de uma hora. Depois, Yang Xiao ouviu no céu o leve bater de asas em passagem, e na neve do chão o farfalhar de passos; além disso, havia no ar uma tênue fragrância de sangue.

Esse cheiro de sangue era como um sinal de chamada para a refeição do refeitório, atraindo os carnívoros da floresta.

Yang Xiao estimou que, com toda probabilidade, algo semelhante ao ocorrido antes tinha acontecido. A diferença era que, desta vez, o lugar não era o seu território. E, além disso, ainda era dia. Mesmo que lhe passasse pela cabeça dividir um pouco do banquete, a coruja jamais saía durante o dia.

Essa regra estava gravada com firmeza em seu sangue, mais profundamente do que qualquer conhecimento.

Por fim, o dia escuro terminou.

Yang Xiao sacudiu as asas e abriu os grandes olhos ao crepúsculo.

No inverno, o ocaso desaparecia mais depressa do que se imaginava. Ele saltou da toca, sacudiu as penas e fixou o olhar na direção de onde tinham vindo os sons durante o dia.

Sob o céu sombrio e cinzento, um grande bando de aves de rapina girava no alto, grasnando. Havia aves de todo tipo.

Sem hesitar, Yang Xiao abriu as asas, saltou do galho e voou na direção daquele turbilhão de aves.

Depois de tanto tempo e com tanta ave ali circulando, segurança havia, sem dúvida. O que certamente já devia ter restado em pouca quantidade era a comida.

Planando, a distância de vários quilômetros desapareceu em um instante. Logo Yang Xiao chegou ao lugar onde as aves rodopiavam.

Na neve, jazia um gigantesco macaco-branco de três homens de altura, ou talvez tenha sido um macaco-branco.

Naquele momento, era provável que não passasse de uma carcaça, estendida sobre a neve entre manchas vermelhas.

Ao lado dos restos ensanguentados, havia alguns lobos-brancos enormes. Eles estavam deitados na neve, lambendo sem parar as próprias patas vermelhas; parecia que já haviam se fartado, e naquele momento eram algumas aves de grande porte, de um cinzento de ferro, que se incumbiam de comer.

Yang Xiao reconheceu aquelas grandes aves. Eram membros da família dos abutres, e seu corpo era mais de duas vezes maior do que o de uma coruja como ele. Eram um dos pássaros mais ferozes da floresta, e sua dieta incluía até mesmo alguns cervos jovens.

Os abutres haviam ocupado a área acima do cadáver. Alguns vigiavam, encarando com ferocidade as outras aves nos galhos; outros se banqueteavam ao lado da carcaça do macaco, cada qual em sua função, claramente dotados de certa inteligência.

As aves que ousavam descer dos galhos para disputar a comida eram expulsas com rapidez, sem direito a tocar em sequer uma migalha. Ainda assim, não havia como impedir que os pequenos pássaros famintos nas árvores saltassem de vez em quando para disputar alguns pedaços de carne.

Yang Xiao, naturalmente, não desceria. Talvez os pássaros mais ágeis conseguissem, contando com sua destreza, disputar alguns nacos, mas ele não podia. Seu tamanho não era tão exagerado quanto o dos abutres, mas também não era pequeno o bastante para se saciar com míseras sobras. Ficava num meio-termo constrangedor. Felizmente, ainda tinha algo guardado; não valia a pena provocar o azar dessas aves por causa de restos.

Ele apenas arregalou aqueles grandes olhos e, valendo-se de sua visão noturna extremamente aguda, observou de longe a cena da disputa pela carne.

Embora a neve estivesse tão agitada quanto uma assembleia de animais, Yang Xiao não acreditava que ali houvesse uma única fera capaz de matar aquele imenso macaco-branco.

Assim como a pantera anterior, aquelas criaturas eram animais de topo da floresta, quase sem predadores naturais. Especialmente aquele macaco-branco: em três anos desde que Yang Xiao chegara ali, ele jamais vira algo daquele porte.

E, no entanto, o senhor daquela parte da floresta havia morrido de maneira tão miserável sobre a neve. A carcaça mal fora comida. O que teria acontecido ali, e que criatura teria feito aquilo?

Ao pensar naquela massa de pelos brancos que vira naquela noite, uma corda se retesou dentro dele. Sem querer, ergueu a cabeça e olhou para o céu. As duas luas já subiam lentamente do horizonte. Era evidente que aquele era um mundo completamente diferente da Terra.

Enquanto observava, de repente vieram de longe, sobre a neve, passos pesados que faziam o chão tremer. Junto deles, ouviu-se um uivo agudo e doloroso.

Os lobos-brancos que jaziam deitados na neve ergueram-se de um salto, recuando sem parar, dentes à mostra. Os abutres que comiam sobre os ossos também levantaram a cabeça, bateram as asas e subiram em bando aos céus, grasnando confusamente.

Sob o tremor do chão, um macaco-branco de porte um pouco menor saiu disparado da floresta densa. Ele gemia de dor, tentando a todo custo afastar as aves da carcaça do seu semelhante. Em seguida, ajoelhou-se na neve, abraçou os restos esqueléticos e chorou sem cessar, batendo no peito e lamentando-se.

Yang Xiao, ao longe, observava aquela cena escondido entre os pinheiros, e seus grandes olhos se estreitaram.

As feras e os abutres que disputavam a carne talvez não entendessem, nem se importassem; mas Yang Xiao via com clareza que aquele macaco-branco menor possuía certa inteligência. Ele estava triste. Talvez o morto fosse seu companheiro.