5. Decisão da Fusão do Caminho (Parte Quatro)

O Grande Imortal Estranho Enredado na fama 3522 palavras 2026-07-31 03:29:03

Parecia que aqueles dois realmente não sabiam o que era sentir frio; não apenas não sentiam a baixa temperatura, como a neve ao redor deles derretia lentamente devido aos seus movimentos.

Enquanto se abraçavam, o homem levava aos lábios um instrumento musical de formato estranho, soprando-o sem parar. O som ecoava entre as árvores da floresta.

Não se sabia se ele já havia se tornado uma coruja ou se já fazia tempo demais, ou talvez ele não estivesse no tempo certo, mas, naquele momento, Yang Xiao, ao observar os dois sobre a rocha, não sentia absolutamente nada, apenas a mesma indiferença que teria ao ver dois cães em sua vida passada.

Em contrapartida, as vestimentas e as palavras deles atraíram a atenção de Yang Xiao.

Espíritos da montanha...
Cultivadores iluminados...
Despertar da consciência...
Linhagem demoníaca...

Observando a mulher, ela trajava um *ruqun*, com blusa e saia sobrepostas. O homem usava trajes comuns com uma faixa na cintura. Tudo parecia muito arcaico e tradicional.

Informações inundaram o cérebro de Yang Xiao e, somadas ao sonho bizarro que tivera anteriormente, ele compreendeu aproximadamente sua situação. No instante em que entendeu onde estava, um pensamento surgiu naturalmente em sua mente:

Transformação.
Transformação!
Transformação!!

Diabos, ele não pretendia passar o resto da vida na pele de uma coruja. Não importava por que o destino o zombava, prendendo-o no corpo de uma ave noturna, ele já estava farto daquela vida, incapaz de falar e obrigado a comer ratos crus todos os dias.

Parecia ser um mundo onde o cultivo era possível. Se era possível cultivar, tudo seria resolvido, pensou Yang Xiao. De qualquer modo, precisava primeiro conquistar um corpo normal.

...

Após os carinhos, os dois se arrumaram e se levantaram. A mulher comentou:
— As habilidades do irmão mais velho estão cada vez mais fracas, não se comparam nem à idade avançada do mestre.

O homem tirou uma pequena pá de jade do bolso e começou a cutucar o solo, respondendo:
— Quanto mais velho, mais refinado. O mestre já está no décimo segundo nível do Refino de Qi, com um pé no Estágio da Pílula de Qi. Espere só para ver minha cultivação; quando eu chegar àquela idade, garanto que serei ainda mais astuto que ele.

A mulher fez uma careta.

No topo da árvore, Yang Xiao pensou que a forma como as pessoas daquela região falavam era, de fato, bastante peculiar.

...

Após cutucar o solo, o homem cheirou a terra que a pá revirou. Depois de um momento, um olhar de alegria surgiu em seu rosto:
— É isso mesmo, o Salgueiro de Madeira Seca está por aqui. Suas palavras não foram em vão, irmã mais nova.

A mulher, sentada à beira do rio enquanto ajeitava o cabelo, disse com desdém:
— Não me importa onde essa coisa está, contanto que você me ajude a formar minha Pílula de Qi.

— Humpf, quando foi que este irmão mais velho te enganou? — disse o homem, caminhando enquanto cravava a pá no chão. — A Pílula de Qi virá, e as técnicas de cultivo também.

Os dois seguiram pela margem do rio até desaparecerem de vista. Somente então Yang Xiao abriu as asas, saltou da sombra da copa das árvores e deslizou silenciosamente, seguindo-os. Sem dúvida, ao comparar o perigo com o benefício potencial, Yang Xiao escolheu o último sem hesitar. O desejo pela transformação superava tudo; para isso, ele precisava de mais informações.

...

O casal caminhou pela floresta por vários dias, circulando o rio e soprando o instrumento estranho constantemente. As aves e feras da floresta, assustadas com o som, corriam para todos os lados.

Apenas Yang Xiao continuava seguindo o casal, indiferente aos ruídos. No entanto, desde aquele dia, ele não obteve mais nenhuma informação útil. O homem era um canalha, incapaz de dizer três frases sem recorrer a obscenidades. A mulher era igualmente fútil, exigindo atenção a cada poucas horas, provocando o homem para depois fingir recato, fazendo um jogo de empurra-empurra para, em seguida, repreendê-lo por falta de decoro.

Yang Xiao sentia cada vez mais desprezo. Ele via claramente que a mulher era uma criatura traiçoeira; mesmo durante os momentos de intimidade, seus olhos vasculhavam a floresta, como se procurasse por algo.

Mas Yang Xiao era cauteloso por natureza, mantendo-se sempre no limite da distância visual. Além disso, ele nunca emitia sons e não se movia durante o dia, de modo que a mulher nunca o notara.

...

Naquela noite, os dois e a ave chegaram a uma depressão nas montanhas. O solo era afundado, cercado por montanhas, e fontes termais emanavam vapor. O gelo do inverno, ao derreter, formou uma pequena lagoa no vale, criando uma paisagem bastante pitoresca.

Contudo, o solo do vale estava repleto de ossos. Pela forma, a maioria parecia ser de feras ferozes, mas havia também muitos restos com morfologia humana.

Yang Xiao nunca estivera naquele lugar; era muito distante de sua área habitual. Se não fosse pelo som do instrumento do homem, que afastava as feras, ele jamais teria se aproximado.

Agora, ele permanecia longe, na sombra de uma árvore torta na encosta, observando os dois sem emitir um pio.

Ao chegarem, os dois finalmente pararam com as bobagens. O homem tirou uma pederneira e acendeu um fogo, enquanto a mulher se encolhia ao seu lado, com os olhos ainda examinando os arredores.

Após caminharem um pouco, encontraram um arbusto de cor esverdeada à beira da lagoa. A planta tinha cerca de um metro de altura e não parecia notável, exceto pelo fato de estar rodeada por uma pilha alta de ossos, o que era bastante assustador.

— Irmão mais velho, estou com medo... — sussurrou a mulher, encolhendo-se perto dele.

— Medo de quê? — desdenhou o homem. — Árvores levam um tempo notório para ganhar consciência, precisam de pelo menos mil anos. Veja quantos anos o mestre cultiva e há quanto tempo plantou esta árvore; ainda não chegou a hora.

— Mas... há tantos ossos aqui... — a mulher disse em voz baixa.

— Provavelmente é apenas o adubo que o mestre preparou anos atrás — respondeu o homem com indiferença. Ele tirou um frasco de jade da cintura, pegou uma pequena adaga e agachou-se perto da árvore. — Embora não tenha ganhado consciência, já é uma madeira de cem anos. Dizem que a seiva do Salgueiro de Madeira Seca é a mais rica em energia espiritual. Com este ingrediente, temo que a cultivação de nós dois suba de nível.

— Tudo graças à habilidade do irmão mais velho — disse a mulher com doçura.

O homem cortou a casca da árvore. O arbusto tremeu e começou a verter lentamente um líquido esverdeado, que pingava no frasco de jade.

— Esta árvore lembra você — disse o homem com um sorriso satisfeito.

— Que detestável! — A mulher deu um leve tapa nele. — Apenas corte, para que essas bobagens?

O homem, porém, animou-se, respirando com dificuldade:
— Não sei quanto tempo levará para esse líquido espiritual fluir. Este lugar é tão tedioso, com apenas ossos como companhia, é o cenário perfeito para o nosso amor.

Dito isso, ele tentou avançar, mas a mulher o afastou:
— Não, irmão mais velho, desta vez não, estou com fome.

— Com fome? — O homem pegou uma cabaça de jade na cintura. — Tenho algumas pílulas de abstinência, quer comer?

— Não — a mulher bateu o pé, contrariada. — Já comemos isso por muitos dias, minha boca está sem gosto de nada.

— E o que você quer então? — perguntou o homem. — Quer que eu vá caçar algum espírito da montanha para comermos algo fresco?

A mulher disse seriamente:
— O remédio espiritual é importante, não se afaste. Não queremos que nada seja roubado. Eu mesma irei caçar.

O homem fez uma careta:
— Não é uma má ideia, apenas vá e volte rápido.

A mulher não perdeu tempo; virou-se e desapareceu graciosamente pelo vale, deixando o homem sozinho, encostado na árvore, cantarolando uma canção de tédio.

Yang Xiao, no alto, girava a cabeça, tentando localizar a mulher. Contudo, ela simplesmente desapareceu de sua visão.

No topo da árvore, Yang Xiao sentiu uma tensão súbita. À noite, nem um rato escaparia de seu campo de visão, mas a mulher desaparecera após apenas dois passos, deixando-o confuso.

As coisas mudaram, pensou Yang Xiao. Melhor recuar e observar novamente quando os dois deixassem o vale.

Enquanto pensava, ouviu um farfalhar suave atrás de si.

Yang Xiao não moveu o corpo, apenas girou a cabeça. O que viu quase o fez perder a alma de susto; suas penas quase se eriçaram.

A mulher estava parada no galho de uma árvore logo atrás dele. Céus sabiam como ela subira ali. Ela vasculhava os galhos com movimentos extremamente leves, mas seus olhos carregavam uma hostilidade indescritível.

Yang Xiao entendeu: a mulher certamente percebera que ele estava por perto, caso contrário, não estaria procurando com tanta determinação.

Mas de que adiantava entender? A oponente conseguira se aproximar sem ser detectada, claramente possuindo certa perícia. Ele, por outro lado, nem humano era; apenas uma coruja que não sabia falar. Mesmo que ela não tivesse habilidade alguma, ele não seria páreo.

A distância entre a ave e a mulher era de menos de dois metros, tão perto que ele podia sentir o cheiro de pó de arroz dela. Naquela distância, ele só podia contar com a escuridão e sua camuflagem. Porém, a distância era curta demais para que isso bastasse; ser descoberto era questão de segundos.

O que fazer?

Yang Xiao sentiu um desespero profundo. Seria possível que, em sua primeira tentativa de desafiar o destino, ele morresse nas mãos de uma vadia? Seria humilhante demais.

Havia algum método antes da morte?

Nesse momento, uma fórmula que ele ouvira na névoa cinzenta do sonho veio à sua mente. Era a única coisa que ele possuía.

Em meio ao desespero, Yang Xiao não tinha escolha a não ser tentar a sorte. Ele recitou mentalmente:

— "Forma como madeira seca, corpo como ossos mortos, espírito como cinzas frias, intenção isolada e única."

Assim que a fórmula foi recitada, ele percebeu uma leve mudança. Ele não parecia mais tão tenso.

Então, ele recitou novamente.
— "Forma como madeira seca, corpo como ossos mortos, espírito como cinzas frias, intenção isolada e única."

Desta vez, a tensão desapareceu completamente. Ele até mesmo sacudiu as penas com naturalidade, sentindo-se tranquilo.

Ele semicerrou os olhos e recitou mais uma vez.
— "Forma como madeira seca, corpo como ossos mortos, espírito como cinzas frias, intenção isolada e única."

Ao terminar as três frases, Yang Xiao sentiu fluxos de ar invisíveis passarem por seu corpo e se dissiparem nas rochas e árvores ao redor. Ele relaxou por completo, fundindo-se totalmente com o ambiente.

*Rach!*

As folhas à sua frente foram violentamente afastadas.

A mulher, com o rosto sombrio, estava parada bem diante de Yang Xiao, encarando-o fixamente.