7. Técnica do Símbolo Oculto (Parte 1)
Após deixar o corpo do homem aos cuidados da pequena árvore, a mulher lavou-se à beira do lago e, com as mãos recolhidas, afastou-se graciosamente pelo vale. Não se sabe qual método utilizou, mas movia-se com uma rapidez espantosa. Yang Xiao, naturalmente, não deixaria escapar aquela pista, tão próxima da transformação e do cultivo; saltou imediatamente do galho, abriu as asas e seguiu-a.
Desta vez, contando com o Mantra da Fusão com o Tao, Yang Xiao não precisou se esconder como antes. Recitava o mantra incessantemente em seu íntimo enquanto batia as asas com determinação. Correntes de ar invisíveis atravessavam seu corpo, permitindo-lhe cruzar o céu sem despertar a menor atenção.
A mulher, contudo, caminhava com passagens ágeis, serpenteando pela floresta de tal forma que segui-la pelos ares não era tarefa simples. Corujas não são aves conhecidas pela resistência, e após duas horas de voo ininterrupto, até que a lua minguante se inclinasse para o poente e o céu começasse a clarear, a mulher finalmente diminuiu o passo.
Exausto a ponto de sentir o sangue subir à garganta, Yang Xiao pousou em um galho, sentindo as asas quase partirem. Se não fosse pela ínfima chance de mudar seu destino, jamais se submeteria a tal tortura.
Diante dele erguia-se um monte de tamanho mediano, onde algumas construções de pedra e madeira estavam incrustadas na encosta, quase ocultas sob uma espessa camada de neve. Ao chegar, a mulher rasgou suas vestes de forma caótica, deitou-se nos degraus de pedra que levavam ao topo e, adotando uma postura digna de compaixão, "desmaiou" ali mesmo.
Ao vê-la, Yang Xiao achou a cena cômica; aquela facilidade em se jogar diante do portão da montanha sugeria que não era a primeira vez. Contudo, como o dia amanhecia e ele estava prestes a perder sua visão noturna, não veria o desenrolar daquela atuação. Pensando nisso, recuou para o interior da ramagem, fechou os olhos na sombra e voltou a entoar o mantra.
...
O tempo escorria enquanto ele recitava. Em um lugar estranho e sem um ninho, não ousava dormir profundamente nem interromper a prece, permanecendo em um estado de vigília. Em meio ao torpor, ouviu o choro da mulher, gritos vindos da montanha e a respiração de feras. Sem saber exatamente o que acontecia, ele apenas continuava a repetir o mantra.
Finalmente, após incontáveis repetições, o sol se pôs e a escuridão retornou à encosta. Ele sacudiu a neve das asas e reabriu os olhos. A mulher havia desaparecido. No sopé da montanha, pequenos pontos de luz cintilavam; estavam distantes e imprecisos, e aquele brilho, longe de trazer calor, emanava uma estranha frieza.
Yang Xiao saltou da árvore e, sob o luar, voou em direção às luzes. Ao se aproximar, parou em uma árvore próxima e esticou o pescoço para observar. O foco de luz era um pátio de aspecto antigo, coberto por neve. No portão de laca vermelha, agora desbotada, lia-se em caracteres tortuosos: Templo do Imortal Cervo.
"Templo do Imortal Cervo", murmurou Yang Xiao.
Em todos os anos que passou ali, nunca vira sinais de humanos ou cidades próximas. Agora, seguindo aquela mulher, descobrira um templo taoista. Não sabia quão longe estava de seu local de nascimento. "Imortal", pensou, "que audácia. Será que habitam este lugar verdadeiros imortais?" Se existissem, restava saber se seu mantra seria útil diante deles.
Como o local era desconhecido, decidiu observar por um ano ou dois antes de agir. Enquanto ponderava, um aroma emanou do templo — o cheiro de comida cozida. Yang Xiao estremeceu; embora estivesse acostumado a carne crua, aquele odor despertou uma nostalgia. Se um dia se transformasse em humano, certamente buscaria uma taverna para banqueteia-se. Mas, no momento, o que lhe restava eram ratos.
...
O aroma do templo, somado ao longo voo, deixou Yang Xiao faminto; sentia que poderia devorar dez ratos sem esforço. Sem hesitar, levantou voo e começou a procurar nos arredores. No entanto, a neve pesada cobria a montanha no auge do inverno, e mesmo os ratos haviam se escondido. A situação era crítica.
Enquanto se preocupava com a sobrevivência, um movimento na neve chamou sua atenção: um coelho-das-neves. Yang Xiao sentiu um sobressalto de alegria. Um coelho era uma presa muito superior a um rato; se conseguisse capturá-lo, teria garantido sua estadia ali.
Entoando o mantra com fervor, aproximou-se em silêncio, pairando a cem metros de distância. O coelho escavava sob um pinheiro. Yang Xiao nunca caçara um coelho — animais rápidos, cautelosos e maiores que suas presas habituais. Mas, desta vez, ele estava determinado. Concentrou cada instinto de caçador, movendo-se na árvore em busca do ângulo perfeito para um bote fatal.
O coelho, pressentindo algo, ergueu as orelhas e olhou ao redor. Yang Xiao intensificou o mantra, tentando desaparecer da percepção da presa. Contudo, um assobio cortou o ar: um vulto negro mergulhou do céu. O coelho disparou pela neve e desapareceu. O vulto chocou-se com o solo, erguendo-se em seguida e sacudindo as asas.
— Aoo! — soltou a criatura, frustrada. Era um falcão-gerifalte branco.
Yang Xiao saltou da árvore e avançou contra a ave de rapina. O falcão era um predador de nível semelhante, porém mais veloz e robusto. Normalmente, ele o evitaria, mas a raiva de ter perdido a presa, somada à fome, não lhe deixava escolha.
O falcão reagiu rápido, investindo com as garras. Yang Xiao ficou chocado: mesmo com o mantra, por que a ave o percebera? Compreendeu então que, para criaturas irracionais guiadas pelo instinto, o mantra não surtia efeito; elas eram parte da natureza, e ao invadir o território, ele tornara-se parte da disputa.
O falcão, com olhos assassinos, também via Yang Xiao como alimento. Após uma troca de golpes frustrada, Yang Xiao ganhou os céus. O falcão perseguiu-o, subiu cem metros e iniciou um mergulho em alta velocidade. Sabendo que aquele era o momento crucial, Yang Xiao manteve a calma. Girou a cabeça cento e oitenta graus, observando cada movimento do inimigo com sua visão noturna.
No instante do impacto, Yang Xiao não fugiu; virou-se e projetou as garras contra o peito do falcão. A ave, em pleno mergulho, não pôde desviar. Yang Xiao enganchou as garras do falcão e cravou as suas no coração da fera. A criatura debateu-se, ferindo-o gravemente, mas Yang Xiao não soltou. O falcão, incapaz de sustentar o peso de ambos, despencou na neve.
Ao aterrissar, Yang Xiao finalizou o oponente com bicadas precisas, tornando-o cego e, em seguida, pondo fim à sua vida. Sem hesitar, devorou a carne mais nutritiva do peito do falcão.
...
Uma hora depois, sob o luar, um Yang Xiao ferido estava sobre a carcaça da ave. A natureza era cruel; hoje ele comia o falcão, amanhã poderia ser o contrário. Não havia tempo para sentimentalismos. O cheiro de sangue atraía predadores famintos das sombras.
Yang Xiao alçou voo. Aquele território agora era seu. Buscou na floresta e encontrou um ninho de galhos secos em um cedro antigo. Lá dentro, três filhotes piavam, esperando pela mãe. Sem um pingo de piedade, Yang Xiao matou os filhotes e os devorou.
Saciado, instalou-se no ninho. Embora tivesse conquistado um território, estava exausto e ferido. Decidiu que, após curar suas feridas, planejaria seus próximos passos.