Oito, Técnica do Talismã Sombrio II

O Grande Imortal Estranho Enredado na fama 3336 palavras 2026-07-31 03:29:05

O tempo voava enquanto Yang Xiao se recuperava de seus ferimentos. Num piscar de olhos, a estação mais fria passou silenciosamente e o gelo no solo começou a derreter. Alguns animais pequenos emergiram da neve, iniciando uma nova busca por alimento.

Graças a ter se alimentado da família de falcões, Yang Xiao sobreviveu ao inverno rigoroso. Depois disso, a caça tornou-se menos penosa.

Durante o período de convalescença, ele obteve uma noção geral do templo taoista próximo ao seu território. O local não era grande, abrigando cerca de dez pessoas; metade eram jovens aprendizes e servos, com três ou quatro discípulos formais e um velho mestre taoista. O velho raramente aparecia, mas em um dia que provavelmente marcava o início da primavera, ele saiu lentamente do pátio profundo segurando um espantalho de crina, queimou alguns incensos com seus discípulos, ofereceu sacrifícios ao céu e fez um alvoroço com gongos e tambores até a meia-noite.

Ao chegar ao templo, Yang Xiao, naturalmente, quis aprender algo. Ele esperava que, se o velho mestre um dia pregasse as escrituras, ele pudesse usar a Arte da Fusão do Dao para ouvir furtivamente.

Embora tivesse essa intenção, a realidade não permitia. Ele era uma coruja, um ser noturno; durante o dia, não só lhe faltava energia, como ficava cego. Ele não fazia ideia se o velho mestre pregava ou transmitia métodos de cultivo durante o dia.

O que ele sabia era que a mulher, um espírito de árvore, visitava o quarto do velho mestre com frequência à noite.

Após retornar ao templo, a demônia que devorava corações parecia outra pessoa. Ela aparentava ser honesta e dócil, seguindo humildemente os passos de seu mestre e condiscípulos, agindo como se até o jovem aprendiz encarregado de lavar as roupas pudesse intimidá-la.

Isso deixava Yang Xiao impaciente. Ele não se importava em esperar, mas não queria desperdiçar tempo sem propósito. Se o velho mestre não pregava à noite e apenas se envolvia com aquela criatura, como ele poderia obter os meios para a transformação?

Yang Xiao teve a intenção de vasculhar o templo, mas, sendo cauteloso por natureza e sem conhecer a fundo o local, não ousou agir, limitando-se a observar do lado de fora.

Naquela noite, Yang Xiao pegou um rato no campo e, sentado em seu ninho no galho da árvore, monitorava o templo à distância enquanto comia. De repente, o portão do templo foi empurrado silenciosamente por um jovem de aparência distinta.

— Irmão Júnior, você realmente precisa ir? — alguém perguntou timidamente, escondida na entrada.

— Irmã Sênior, minha Técnica do Talismã Yin já atingiu o sétimo nível. Até o Mestre disse que em breve poderei agir sozinho. Fique tranquila, irei e voltarei logo. Espere por boas notícias — respondeu o jovem com firmeza.

O portão se abriu e uma mulher saiu, segurando a saia com timidez. Yang Xiao observou atentamente e, ora, não poderia ser outra senão a demônia devoradora de corações. Ela vestia roupas verdes e usava o cabelo em dois coques, parecendo, por um momento, bastante ingênua.

Yang Xiao, enquanto comia o rato, calculou o tempo e um sorriso frio surgiu em seu íntimo.

Desde a morte do leopardo, passando pelo macaco da neve, até a morte daquele homem lascivo, quase a cada mês ela agia. Já havia passado um mês desde a morte do último, e o espírito de árvore provavelmente estava pronto para devorar outra pessoa, encenando aquela peça.

— Irmão Júnior, o Irmão Sênior Wen disse a mesma coisa da última vez. A técnica dele não era inferior à sua, mas... mas... — a mulher tinha os olhos marejados.

Ao ouvir aquele nome, o semblante do jovem escureceu, mas logo um orgulho sutil apareceu em seu rosto. Ele fez um floreio com a espada e disse:
— Irmã Sênior, fique tranquila. Primeiro, meu cultivo é mais profundo que o do Irmão Sênior; segundo, possuo a esgrima da minha família para me proteger. Demônios comuns não podem me ferir.

— Se você diz isso, fico aliviada, mas... após o que aconteceu da última vez, eu... eu não consigo ficar tranquila em relação a você.

O corpo do jovem tremeu levemente e ele estendeu a mão inconscientemente.
— Irmã Sênior...

A mulher se esquivou, com o rosto levemente corado. O jovem baixou a mão imediatamente, endireitou-se e disse:
— Fique tranquila, Irmã Sênior! Encontrarei o Irmão Wen! Você e o Mestre esperem por boas notícias!

Dito isso, ele agitou as mangas e caminhou a passos largos montanha abaixo com a espada na mão.

Mas, antes que desse dois passos, o espírito de árvore correu em pequenos saltos e segurou seu braço:
— Irmão Júnior...

O jovem não olhou para trás e disse com firmeza:
— Não insista, Irmã Sênior, minha decisão está tomada!

A mulher disse suavemente:
— Tolo, a floresta está na calada da noite e cheia de demônios. Deixe que eu o acompanhe, assim poderemos cuidar um do outro.

O jovem virou-se para olhá-la, com um olhar fascinado.

***

Acompanhando os dois que desciam a encosta, Yang Xiao levantou-se, sacudiu as asas e cruzou o céu noturno, seguindo-os silenciosamente enquanto recitava mentalmente a Arte da Fusão do Dao.

Ele não se importava com quantas pessoas o espírito de árvore devoraria, nem com o que ela pretendia. No momento, ele ainda entendia pouco sobre o mundo; contanto que pudesse obter mais informações, não desperdiçaria nenhuma oportunidade.

Diferente do homem anterior, o jovem ao lado da criatura era bastante reservado. Ele não flertava nem conversava trivialidades, apenas segurava sua espada e uma pequena pá de jade, cutucando o solo ocasionalmente para sentir o cheiro da terra.

A mulher também agia de forma diferente; ela seguia os passos do jovem e, após ele cheirar a terra, ela perguntava com preocupação. Se o jovem a tocasse acidentalmente, ela recuava como se tivesse levado um choque, corando e desviando o olhar.

Yang Xiao, seguindo-os, observava tudo atônito. Mesmo que ele tivesse vivido vinte anos como humano, sentia que não conseguiria superar a atuação daquele espírito de árvore.

No entanto, o jovem era diligente. Sempre que chegava a meia-noite, ele retirava um rolo de seda, espalhava-o sobre os joelhos e estudava atentamente. Depois, praticava com sua espada, fazendo o vento assobiar na floresta.

Yang Xiao, observando das sombras, achou que o rapaz tinha o perfil de um protagonista e interessou-se pelo rolo de seda.

Certa noite, quando estavam a cerca de cem quilômetros do vale cheio de ossos, o jovem parou e começou a praticar com a espada. Após o treino, a mulher pegou um lenço para limpar o suor dele; o jovem agradeceu apressado e terminou de se limpar.

— Irmão Júnior, por que tanto esforço? — perguntou a mulher suavemente.

O jovem respondeu seriamente:
— Meu pai pagou um alto preço para me enviar ao Mestre. Não posso decepcionar as expectativas dele. Quando eu aprender tudo e retornar, quero erradicar demônios para o povo da minha terra.

A mulher soltou uma risadinha.
— Do que está rindo, Irmã Sênior?

— Nada. Apenas pensei que, se você se tornar um mestre e partir, nosso destino juntos chegará ao fim — ela disse, baixando os olhos. — Não tenho seu talento, temo não me formar tão cedo.

O jovem olhou para ela atônito. A luz fria da lua incidia sobre o rosto da mulher, tornando-o branco e rosado, como uma flor.
— Irmã Sênior Mu... — ele disse com a voz trêmula.

— Hum? — ela respondeu com um murmúrio nasal.

— Se eu deixar a seita, você... você também poderia me acompanhar?

A mulher estremeceu, levantou a cabeça e olhou para ele, incrédula.
— Irmão Júnior...

— Irmã Sênior, eu cuidarei bem de você — disse o jovem, tenso, mas decidido. Ele cerrava os punhos, tremendo de emoção.

A mulher desviou o olhar e sussurrou:
— Ter esse desejo é algo maravilhoso...

— Irmã Sênior... — O jovem, surpreso, ficou radiante e segurou a mão dela. A mulher não resistiu, apenas virou o rosto, sem ousar encará-lo.

Yang Xiao observava a cena de longe e sorria friamente. O rapaz certamente já estava com os dias contados. Ele só se perguntava como a mulher voltaria ao templo desta vez; da última vez foi um homem lascivo, agora um estudioso tolo.

No entanto, quando o jovem morresse, Yang Xiao não sairia de mãos vazias como da última vez. O rolo de seda que o jovem carregava era o que ele cobiçava; talvez ali estivessem registrados métodos de cultivo.

Enquanto Yang Xiao fazia seus cálculos, um guincho estridente veio do céu: "Gah— Gah—"

Yang Xiao franziu a testa e, ao virar a cabeça, viu uma coruja do seu tamanho no galho vizinho, com as penas eriçadas, encarando-o furiosamente.

Ele praguejou internamente. Estava prestes a chegar ao clímax da peça e aquela coruja maldita aparecia. Será que a Arte da Fusão do Dao não funcionava contra criaturas da natureza?

A coruja, alheia aos pensamentos de Yang Xiao, viu um invasor em seu território, bateu as asas, gritou alto e começou a defecar no galho.

— Gah—

Yang Xiao soltou um grito de volta, sinalizando para que ela fosse embora e não atrapalhasse sua colheita. Mas a coruja, irritada, abriu as asas e avançou com as garras.

***

Sob a árvore, não muito longe, o jovem assustou-se, empurrou a mulher, sacou a espada da cintura e fixou o olhar para onde o som vinha.

A mulher, por outro lado, segurou suavemente a mão do jovem e disse:
— Irmão Júnior, não fique tenso, são apenas duas corujas brigando, provavelmente disputando território.

O jovem não relaxou. Com as sobrancelhas franzidas e expressão inquieta, disse:
— Irmã Sênior, nós... deveríamos sair daqui rápido. Tenho a sensação de que esta floresta... parece um pouco estranha.