11 Caixa de Fósforos (11)

Em vez de namorar, faça um desejo [Transmigração Rápida] Raposa Yang 3753 palavras 2026-07-31 03:08:09

Uma nova manhã chegou com o canto estridente do galo. A primavera dava lugar ao verão, e quando Brand se levantou, o céu já clareava suavemente, com várias pessoas saindo das casas próximas. Os animais nos currais também começavam a despertar, e de vez em quando podia-se ouvir o mugido das vacas.

O café da manhã era simples, mas o senhor da propriedade não poupava esforços para que os trabalhadores desfrutassem do leite; além do aroma do pão, o local onde se fazia a refeição exalava um cheiro suave de leite fresco. Logo após o desjejum, muitos carregavam suas ferramentas para os campos, enquanto outros recolhiam os montes de ervas secas para guardar nos estábulos de cavalos e vacas, junto a cascas de ovos e feijões.

Após o café, Brand entrou na casa e lavou o rosto com água do pote de barro. No leito, o pequeno gato estava encolhido, seu ventre subindo e descendo lentamente enquanto dormia. Na noite anterior, tivera sonhos agitados e acordara excitado, mas agora parecia que só levantaria ao meio-dia.

Ele secou as mãos, fechou a porta e saiu. O ar da manhã era fresco; os trabalhadores ordenhavam as vacas com destreza, carregando baldes de leite, enquanto outros mantinham os gansos longe das confusões. As patinhas desajeitadas dos patos os levavam rapidamente até a água, aumentando seu ritmo várias vezes. O orvalho nas ervas às margens da estrada molhava as botas de Brand ocasionalmente, até que ele parou diante de um canteiro de rosas não muito distante.

As delicadas rosas também estavam cobertas pelo orvalho da manhã, suas cores vívidas refletiam gotas vermelhas como sangue, verdadeiramente belas e vibrantes. As abelhas começavam seu trabalho, e o jardineiro, com suas tesouras, circulava entre as flores, cortando ocasionalmente algumas desbotadas e secas.

Quando Brand se aproximou, o jardineiro levantou a cabeça e sorriu:
— Caro visitante, gostaria de ver a colmeia?

Na noite anterior, Grum o apresentara, e quase todos na propriedade sabiam que aquele belo hóspede vinha comprar um mel muito raro, devendo ser tratado com cuidado.

— Não, as rosas daqui podem ser vendidas? — Brand perguntou.

O jardineiro respondeu com um certo pesar:
— Desculpe, o senhor da casa gosta muito dessas flores e não as vende, além disso, as flores cortadas murcham rápido.

— Então você poderia me dar as flores que cortou? — Brand sorriu, olhando para os ramos nas mãos do jardineiro. — Eu posso pagar por elas.

— Mas elas já não florescerão novamente, não adiantaria muito — disse o jardineiro, hesitante.

— Ainda servem. Posso mergulhá-las em água para deixar o hálito perfumado, o que agradará ao senhor ao falar com ele — Brand explicou, sorrindo.

— Ah, isso é uma boa ideia! — O jardineiro atravessou as rosas e lhe entregou os ramos cortados. — Espero poder ajudar.

Certamente, aquele homem estava acostumado a conviver com a nobreza para valorizar tais detalhes.

— Obrigado. — Brand estendeu a mão e colocou vinte moedas de cobre na mão do jardineiro.

Este, contente, guardou o dinheiro na bolsa. Muito mais do que perfumar a boca, ele preferia moedas para comprar pão e cerveja. As pétalas, afinal, ele poderia colher quando quisesse.

— Se precisar de mais, pode voltar amanhã — disse o jardineiro, recolhendo os outros ramos caídos e escolhendo alguns para entregar a Brand.

— Certo, obrigado. — Brand abraçou o maço de flores e perguntou: — Por acaso ainda há sementes de linho sobrando na propriedade?

— Para que as quer? — perguntou o jardineiro.

— Quero costurá-las no tecido de linho, assim será mais confortável para dormir apoiado nelas — Brand respondeu, sorrindo.

— Oh, que ideia genial! — O jardineiro exclamou, indicando: — Deve haver muitas sobrando. Os servos têm algumas e você pode comprá-las por uma ou duas moedas de cobre. Claro, não esqueça de convidar Grum para beber.

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— Beber? Será que Grum gosta de vinho? — Brand perguntou sorrindo.

— Ah, meu Deus, seu senhor é tão rico e bondoso que até dá vinho para vocês? — O jardineiro perguntou com admiração.

Brand assentiu:
— Ele divide o excedente conosco.

— Então da próxima vez, pode me dar um pouco? — O jardineiro esfregou as mãos — ainda não provei esse sabor.

Diferente da cerveja ou do malte comuns nas tabernas, os ricos e nobres preferem vinho, que pode ser de qualidade ou não, mas sempre muito valorizado e caro, não algo que se beba com facilidade.

— Está bem. Se o trabalho for bem feito e o senhor ficar satisfeito, ele certamente compartilhará mais — Brand sorriu.

— Espero que seu trabalho seja um sucesso — desejou o jardineiro sinceramente.

Brand voltou com um grande maço de rosas. Grum, inicialmente assustado, ficou tranquilo ao ver que as flores já estavam murchas; a ideia do hálito perfumado o fez arrancar uma pétala para mastigar, mas o gosto misturado com o da cerveja fez seu rosto franzir.

Embora não entendesse as preferências dos nobres, não impediu Brand de seguir com o plano. Afinal, aquelas flores murchas seriam descartadas e ninguém se importava com seu destino.

O que lhe interessava mesmo era a promessa de Brand de trazer vinho nobre da próxima vez. Só de pensar naquele líquido rubro e encorpado, ele já sorria dormindo.

Grum ficou satisfeito, e Brand recebeu uma boa quantidade de sementes de linho e algumas colmeias.

...

Com os materiais reunidos, Brand passou a maior parte do tempo trancado, saindo apenas para buscar mais buquês de rosas. Fez ferramentas de madeira, selecionou as flores, lavou-as e as secou. As sementes de linho foram moídas cuidadosamente com pilão de pedra e depois prensadas para extrair o suco. A cera das colmeias foi retirada e refinada repetidamente com a chama da vela.

O processo de prensar óleo, purificar, mergulhar as pétalas, aquecer e deixar repousar exigia paciência e atenção, especialmente naquele ambiente carente de ferramentas.

O gato, que inicialmente se mostrava preocupado, foi se acalmando ao ver o trabalho diário do dono. Deitava-se na janela para tomar sol e bocejar, abanando a cauda quando algum ganso desajeitado passava todo pomposo.

Confiava no dono, acreditava que as promessas feitas seriam cumpridas.

Até que, ao abrir os potes fechados por dias, o aroma intenso de rosas se espalhou, quase pungente. Brand filtrou o líquido até a transparência, adicionou a cera pura e envasou em pequenas caixas de madeira esculpidas, aguardando a solidificação.

O gato, no telhado, vigiava para garantir que Grum, sob efeito da cerveja, dormiria até o amanhecer, e não por estar sufocado pelo perfume das flores.

Com a ajuda da cera, o líquido solidificou rápido. As tampas foram colocadas, as janelas abertas para ventilar; mesmo que alguém sentisse o cheiro, pensariam ser apenas o aroma do jardim de rosas.

...

— E então? — Grum olhava para Brand, orgulhoso e ansioso.

— Realmente é doce, cheia do perfume das rosas — Brand elogiou, provando o mel em uma pequena tábua de madeira. — Mas não sei se o senhor vai gostar do sabor.

— Hum... — Grum apertou o nariz ao ouvir “rosas”, sentindo uma dor de cabeça, talvez por ter sonhado a noite inteira rolando pelo jardim de rosas, e agora não queria nem se aproximar daquele lugar. — E o que faremos?

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— Quero levar uma pequena porção para ele provar, ou talvez que ele venha pessoalmente — Brand pensou um pouco, olhando para Grum e sorrindo. — O que você acha melhor?

— Acho que seria melhor ele provar pessoalmente para sentir o frescor, mas talvez você deva levar uma parte primeiro, assim ele se anima a vir — Grum respondeu.

— Acho que você tem razão — Brand entregou a caixinha a ele, sorrindo. — Por favor, coloque o mel aqui dentro.

Grum ficou surpreso, pegou a pequena caixa que cabia apenas uma pequena colherada, e hesitou:
— Está bem.

O mel de rosas foi cuidadosamente colocado, e logo a caixa ficou cheia. Brand fechou a tampa, guardou-a numa caixa maior de madeira, e tirou a bolsa de moedas do cinto, entregando-a com um sorriso:
— Não é um adiantamento, é a garantia de que voltarei.

Seus olhos brilhavam. Grum, ao pegar a pesada bolsa, deu uma espiada: estava cheia de moedas de cobre, pelo menos trezentas ou quatrocentas, e não era um adiantamento, era um presente.

Se não contasse a renda das terras de Brand, aquilo equivalia a quase um salário mensal.

— Meu caro senhor Brand, acredito em sua sinceridade — Grum guardou a bolsa, rindo, e abraçou o jovem pelo ombro. — Vou te acompanhar até a saída. Você ainda tem um bom caminho pela frente.

— Sim, realmente preciso partir — Brand retribuiu o tapinha no ombro.

— Venha comigo — Grum abriu a porta para ele.

Brand pegou a caixa de madeira e o seguiu. Ao colocar o chapéu, pegou o gato que estava assustado no alto da cabeça:
— Miau, ficar no topo da cabeça pode chamar atenção.

— Ugh... — O pequeno gato deslizou pelo braço até o ombro, em silêncio.

Desde aquela noite, o gato parecia diferente. Brand olhou de soslaio para o gato que fixava os cabelos de Grum e perguntou:
— Quase encostou no cabelo dele?

Como muitos por ali, Grum não gostava de banho, e seus cabelos carregavam cheiro de bebida, não era de se estranhar que o gato não gostasse.

— Quem sou eu para reclamar da sujeira dos outros... — O gato murmurou baixinho, quase resignado.

Mesmo sendo rejeitado por estar “sujo”, o gato jamais gostaria de água e banhos.

Brand ficou pensativo, então sorriu e tocou as orelhas do pequeno gato:
— Miau, você esqueceu que é um dado digital? Só precisa ser atualizado para ficar limpo, água pode causar falhas.

O gato ficou surpreso e despertou para a realidade:
— Oh! Eu esqueci!

Ele havia esquecido que era apenas um conjunto de dados! E agora estava atualizado e muito limpo!

Quando Grum abriu a porta, Brand saiu do cercado, acenou e sorriu:
— Volte logo, meu amigo, voltarei em breve.

— Estarei esperando, senhor Brand! — Grum viu Brand partir e não resistiu a pesar a bolsa de moedas. Tirou o cantil do cinto, bebeu um gole e cantou ao voltar para casa.

Em breve, ele provaria o delicioso vinho, uma exclusividade dos nobres.

Às vezes, Grum pensava na bolsa cheia de moedas de Brand, mas se ele não fosse servo da nobreza, como poderia receber tudo aquilo? Talvez o senhor não confiasse a ele tantos ouros para levar.

Esses pensamentos, porém, logo eram esquecidos com a bebida, afinal, mesmo que Brand fosse um trapaceiro, a propriedade não havia sofrido prejuízo algum.