13 Caixa de Fósforos (13)

Em vez de namorar, faça um desejo [Transmigração Rápida] Raposa Yang 3959 palavras 2026-07-31 03:08:10

Ao entrar, quase sem um centavo no bolso, saiu carregando uma fortuna quase inimaginável para um plebeu; bastava não gastar sem controle, apenas garantir as três refeições diárias, e até mesmo ocasionalmente saborear pães com mel ou comprar um pouco de carne seca, o suficiente para sustentar uma pessoa ou até uma família de três pelo resto da vida.

Essa é a sensação da riqueza repentina! O gato até sentiu que o ar da cidade parecia um pouco menos insuportável.

— Hospedeiro, para onde vamos agora? — perguntou o gato.

— Vamos trocar de roupa — respondeu Xu Yuan enquanto observava as fileiras ordenadas e esplêndidas construções.

Estavam na região nobre da cidade, diferente do bairro popular onde só a rua principal era pavimentada com pedras irregulares; ali muitos becos eram cobertos com pedras planas, substituindo as tábuas de madeira. As construções, feitas de barro e telhas, ostentavam entalhes intrincados em portas e vitrines.

O aroma também era melhor do que lá fora. Nos andares superiores dos altos edifícios havia banheiros privados salientes; os sinais de sujeira despejada descuidadamente não eram tão evidentes, embora os canais de água ainda carregassem misturas diversas, exalando odores nada agradáveis.

O motivo pelo qual era um pouco melhor era que os transeuntes e veículos exalavam aromas intensos de cravo, noz-moscada, canela… várias especiarias misturadas, criando um perfume forte comparável ao de uma loja de temperos.

Era um pouco… incômodo.

Bem, também não era tão melhor assim.

Xu Yuan abaixou a aba do chapéu e passou ao lado de uma senhora que acabara de sair de um carro carregando um longo robe bordado, ouvindo a voz exagerada e calorosa de Mailun na loja:

— Oh! Querida senhorita Camilla, como veio pessoalmente até aqui?

— Quem é aquele? — a voz suave, parecendo de uma jovem, veio de trás.

— Apenas um aventureiro que veio vender algumas coisas, não precisa se importar com ele — respondeu Mailun vagamente.

— Mas eu não quero compartilhar a loja com plebeus, isso vai rebaixar meu gosto e me fazer ser ridicularizada — a voz foi enfraquecendo conforme Xu Yuan se afastava.

— Mas eu tenho coisas novas e boas aqui... —

— Mailun não tentou vender o hospedeiro — disse o gato surpreso.

— Nessa idade, ela deveria estar se casando com um nobre — comentou Xu Yuan, observando as lojas ao longo da rua.

Antes do casamento, além de usufruírem da riqueza, as mulheres não tinham muito poder de decisão sobre o futuro; só depois do casamento algumas coisas mudavam.

Claro que tudo isso eram rumores ouvidas na taverna, e não se sabia quanto havia de suposição.

Sem poder de decisão, mas apresentadas a outros homens para se conhecerem, isso certamente traria problemas a Mailun, e esse comerciante astuto não faria algo tão arriscado.

Xu Yuan parou diante da porta de uma loja; ao abrir, uma corrente de sinos pendurada na porta tilintou, acompanhada da voz calorosa do dono:

— Bem-vindo, estimado cliente, que tipo de roupa deseja? Aqui temos de tudo...

Quando suas palavras alcançaram Xu Yuan, pararam por um instante; o sorriso no rosto do homem congelou, mas logo se refez:

— Em que posso ajudar?

— Um novo traje — respondeu Xu Yuan sorrindo para o dono, que era notavelmente magro.

O olhar do dono pousou no rosto de Xu Yuan, e o sorriso tornou-se mais genuíno:

— Uma decisão sábia. Para um cliente tão belo como o senhor, esse traje é pouco para você. Veja este robe, feito de seda nova, como se tivesse sido feito sob medida para o senhor.

Xu Yuan fitou a peça: um robe clássico de Wupulando, com mangas largas quase até o chão, que se estreitavam nos punhos adornados com uma corrente de sinos dourados, muito elegante, perfeitamente alinhado ao gosto dos nobres por roupas largas e longas.

— Acho que preciso de algo mais prático para me movimentar — disse Xu Yuan sorrindo.

O dono pensou por um momento e perguntou com cuidado:

— O senhor é um...

— Comerciante — respondeu Xu Yuan.

— Então veja esta peça, ela é perfeita para carregar coisas — apresentou o dono com entusiasmo — combinada com uma camisa de ondas, prática e ainda assim esplêndida.

Nos negócios naquela área, não se podia julgar só pela roupa; nunca se sabia quem poderia enriquecer de repente ou algum nobre disfarçado de aventureiro, como aconteceu com o repentinamente rico Hante, que trouxe muitos pedidos às lojas dali.

Xu Yuan examinou os punhos detalhadamente feitos e assentiu:

— Posso experimentar?

— Claro — respondeu o dono animado — quer que eu escolha um novo hoz para combinar? Aqui temos malhas muito confortáveis.

— Obrigado — respondeu Xu Yuan sorrindo.

Assim que a sequência de sinos soou novamente, a despedida calorosa do dono ecoou longe:

— Oh, estimado cliente, volte sempre!

Os transeuntes inevitavelmente lançaram olhares para a figura alta e elegante, do manto marrom acinzentado preso ao pescoço até as botas de couro novas, tudo indicava riqueza.

Sua postura altiva vestia a roupa perfeitamente, sem um traço de volume inútil, apenas um luxo discreto e eficiente, que fazia as pessoas desejarem experimentar aquele estilo, mas antes que pudessem se aproximar, o homem colocou um chapéu de aba larga, encobriu os cabelos castanhos levemente ondulados e se misturou à multidão.

Os carregadores de cestos não ousavam olhar muito, nem tinham vontade; alguém vestido com tecidos tão nobres certamente não era para se meter, e quem poderia, só suspirava.

— Acho que nunca o vi em um banquete antes.

— Ele parece um cavaleiro.

— Mas não carrega espada.

— Seja quem for, as mulheres certamente vão gostar desse rosto.

— Que sujeito irritante.

— Hospedeiro, e agora? — perguntou o gato, orgulhoso ao ver seu dono cada vez mais atraente e os olhares disfarçados de admiração dos transeuntes.

— Espada — respondeu Xu Yuan, parando para olhar uma loja na calçada; ao desviar o olhar, uma figura que estava alguns passos atrás passou casualmente por ele, esbarrando em seu braço.

Xu Yuan virou-se e viu que o homem vestido com um capuz um pouco gasto já se misturava novamente na multidão.

— Hospedeiro, essa loja vende queijos, está com fome? — perguntou o gato, curioso sobre o interior da loja.

Afinal, os símbolos na placa da porta eram difíceis de entender para um forasteiro, assim como ele não compreendia por que as placas das hospedarias tinham, além de círculos, diversos brasões únicos que confundiam sua percepção.

— Vou comprar dois pedaços para experimentar — disse Xu Yuan, dirigindo-se ao estabelecimento.

— Oh! — exclamou o gato animado.

Ao sair da loja, Xu Yuan carregava um pequeno pote com queijo fresco; atrás dele, ouviu a voz respeitosa do dono:

— Estimado cliente, volte sempre.

O gato ainda não havia provado o queijo, mas já entendia a importância da vestimenta, algo universal em qualquer época:

— Os humanos julgam pela roupa, assim como nós observamos a pele e as cores uns dos outros.

Xu Yuan sorriu ao observar os clientes entrando e saindo das lojas:

— É exatamente isso.

— Hospedeiro, esta é uma loja de armas — lembrou o gato.

— Estimado cliente, sua escolha é excelente! Esta espada foi forjada pelo grande ferreiro Hogan — anunciou o dono trajando um manto longo e fechado, sorridente — veja a lâmina afiada, o cabo requintado, e aqui está incrustada uma rara safira sagrada, sempre abençoada por Deus, perfeita para pendurar em seu lado.

— Quanto custa? — perguntou Xu Yuan sorrindo.

— Apenas vinte moedas de ouro — o dono mostrou dois dedos — normalmente vendo por trinta, mas essa é perfeita para você.

— Realmente bonita! E ainda com desconto de dez moedas — comentou o gato, excitado por ter encontrado uma pechincha.

— Desculpe, prefiro rubi — respondeu Xu Yuan sorrindo.

— Espere um momento, também temos com rubi — imediatamente o dono pegou a espada, tirou outra idêntica com rubi e suspirou profundamente — essa eu guardava com muito carinho, nunca quis vender...

— Um cavalheiro não toma o que o outro ama, não posso tirar essa espada de você, ficaria com culpa, até Deus me puniria — disse Xu Yuan com um suspiro e um sorriso — até logo.

— Ei, espere, não é que eu não queira vender... — o dono chamou do fundo, constrangido.

— Parece que ele está querendo passar a perna — comentou o gato, um pouco hesitante.

— Parece que roupas muito boas também têm seus efeitos colaterais — riu Xu Yuan.

O gato sentiu que o hospedeiro já sabia disso desde o começo.

Do bairro nobre ao popular, havia muitas lojas de armas, mas as armas variavam muito em qualidade e preço, ora abaixo do esperado, ora absurdamente caras.

Outras coisas podiam ser imperfeitas, mas armas tinham que ser fiéis, pois a qualquer momento poderiam significar vida ou morte; afinal, esse não era um mundo pacífico.

Xu Yuan acariciou a adaga na cintura e, ao afastar o pano de linho pendurado na porta de uma nova loja de armas, seus olhos se fixaram um instante.

Não era que a loja fosse muito diferente, mas num banco simples encostado na parede estava sentado um jovem de porte esguio, cabelos ruivos e olhos verdes, extremamente chamativo.

— Hospedeiro, é uma beleza — exclamou o gato, encantado.

— Hum — respondeu Xu Yuan.

A luz na porta mudou, e o jovem pareceu perceber, levantando o olhar com uma expressão de surpresa e complexidade, mas logo sorriu:

— Que coincidência.

— Há quanto tempo — Xu Yuan sorriu e colocou o pano de lado, aproximando-se — o dono não está?

— Você acha que pareço o dono? — Steven sorriu, olhando para o homem que se sentou ao seu lado.

Faziam alguns dias, e aquela roupa era de um luxo exorbitante.

Xu Yuan colocou o pote de queijo no canto:

— Dono, preciso de uma espada.

Disse isso, mas não demonstrou intenção de se levantar.

Steven arqueou uma sobrancelha:

— Uma espada custa dez moedas de ouro.

— Lá fora custam vinte, está barato demais — respondeu Xu Yuan sorrindo.

— Parece que você não é tão ingênuo — Steven riu.

— Como percebeu que eu não era fácil de enganar? — perguntou Xu Yuan.

— Humm, muitas coisas — Steven refletiu.

Apesar de dizer que fazia tempo, na verdade era cerca de dez dias, tempo suficiente para conhecer muita gente, mas ao ver esse homem, Steven ficou surpreso com a nitidez da memória que tinha dele.

Talvez pelo seu rosto marcante, mas principalmente pelo ar contraditório, diferente dos habitantes de Tanzan, não parecia plebeu nem nobre, e sua origem era um mistério.

— Steven, sua cota de couro só fica pronta em três dias — uma voz forte e grossa veio da porta nos fundos; uma figura robusta apareceu segurando um pedaço de couro e uma armadura — essa é a cor mais próxima que encontramos, mas mesmo consertada, vai ficar com marcas... Tem clientes? Olá, o que desejam?

Seu olhar pousou em Xu Yuan, a voz era educada, mas não tão calorosa quanto em outras lojas.

— Pode cuidar dele primeiro, eu espero um pouco — disse Xu Yuan sorrindo.

O dono ficou surpreso, e Steven olhou para o homem ao seu lado, levantou-se e sorriu, batendo no balcão de madeira:

— Não faço armaduras novas.

— Ah... seu mão de vaca, o preço é igual para consertar ou fazer nova — o dono suspirou.

— Então, por favor — o jovem sorriu, mudando rapidamente de ideia.