15 Caixa de Fósforos (15)

Em vez de namorar, faça um desejo [Transmigração Rápida] Raposa Yang 3664 palavras 2026-07-31 03:08:12

“Também penso assim,” disse Xu Yuan com um sorriso.

Steven arqueou levemente as sobrancelhas, desviou o olhar e soltou uma risada: “Morton tem razão, você realmente não é um cara modesto. Bem, vamos comer, estou morrendo de fome.”

Xu Yuan olhou na direção em que o jovem seguia e comentou: “Não é para o bar do Benson, não é?”

“Não vamos lá, venha comigo.” O jovem não parou, sua silhueta esguia formava uma sombra elegante e bonita sob a luz do sol.

Xu Yuan o seguiu, observando como ele se movia com facilidade entre a multidão, até pararem em frente a uma loja com arcos pontiagudos e entalhes. Ali, as pessoas passavam com roupas de qualidade muito superior às que frequentavam o bar do Benson, embora as guirlandas na varanda e o cheiro evidente de bebida denunciassem que se tratava de uma taverna que também oferecia hospedagem.

A fachada cuidadosamente decorada escondia um interior muito mais espaçoso e confortável do que o bar do Benson.

“Bem-vindo, Steven!” Uma linda jovem os recebeu calorosamente. Ela vestia uma túnica longa, mas o tecido era muito mais fino e até tinha padrões bordados. Ao ver o jovem, sorriu levemente e, então, seus olhos pousaram em Xu Yuan, que a surpreendeu pela aparência. Ela se aproximou: “Estimado cliente, deseja apenas jantar ou também se hospedar?”

“Apenas jantar,” respondeu Xu Yuan, desviando a mão que ela estendera, sorrindo. “Não precisa, obrigado.”

A moça ficou surpresa por um instante, depois sorriu e levantou a barra da túnica: “Por aqui, por favor.”

A varanda era bem decorada, as mesas no interior tinham espaçamento suficiente para que várias pessoas passassem com facilidade. Apesar das janelas abertas, havia velas acesas, cuja luz quente fazia o queijo e o pão, dispostos em bandejas de estanho, parecerem deliciosos.

O aroma das bebidas era intenso, não apenas cerveja e malte, mas também vinhos vibrantes em várias mesas.

“Steven, quanto tempo!” Algumas das jovens que circulavam claramente conheciam-no bem.

“Há quanto tempo,” respondeu ele com um sorriso, demonstrando familiaridade.

“Este lugar está bom para vocês?” A jovem que os guiava parou ao lado de uma mesa vazia.

“O que acha?” Steven perguntou olhando para Xu Yuan.

A mesa ficava perto de um canto, afastada das outras onde havia animadas confraternizações. Xu Yuan assentiu: “Perfeito.”

“Sente-se,” Steven abriu passagem.

Xu Yuan tomou assento, e o jovem sentou-se em sua frente. A moça se aproximou: “O que desejam pedir?”

Xu Yuan olhou para Steven, que começava a tirar a espada, e sorriu: “Deixe que ele escolha.”

“Tem certeza? Aqui é caro, não vou economizar,” Steven ergueu as sobrancelhas, surpreso.

“Fique à vontade,” respondeu Xu Yuan, sorrindo.

“Então, dois pães com mel, um ganso assado, duas porções de carne de veado, duas de linguiça, duas de feijão, uma torta de frutas e malte para beber.” Steven, que parecia conhecer o cardápio de cor, prosseguiu: “Por enquanto isso, se quiser mais, a gente pede depois.”

“Tudo bem, aguardem um momento,” disse a moça, anotando e se afastando sem mais comentários.

O canto onde estavam era pouco movimentado. Mesmo que alguém olhasse para eles, por causa da fama de Steven e da aparência distinta de ambos, não conseguia ouvir a conversa.

A jovem desapareceu na cozinha, e Steven, diante de Xu Yuan, sorriu e bateu levemente na mesa: “Quer saber alguma coisa de mim?”

“Você já sabia que eu viria falar com você?” Xu Yuan avaliou a distância entre as mesas e olhou para ele.

“Quem me convida para jantar geralmente quer algo,” Steven apoiou o queixo nas mãos preguiçosamente, sem desviar o olhar verde brilhante. “E você? O que quer?”

“Só estou procurando algumas informações,” Xu Yuan respondeu. “Você parece conhecer bem esta cidade.”

“De fato, conheço. Por exemplo, o senhor Brandt, quando chegou aqui, disse ser um peregrino,” Steven sorriu. “Agora parece que quer ficar por bastante tempo.”

“Naquela época não tinha certeza, era só precaução,” Xu Yuan confessou, confirmando que as notícias de Steven eram rápidas. Morton não exagerava ao dizer que seu amigo tinha contatos por toda a cidade.

“Então, o que quer saber?” Steven perguntou.

“Vocês vão demorar um pouco com o ganso e o veado?” A jovem apareceu com a bandeja, colocando o pão, feijão e as bebidas, interrompendo a conversa por um instante.

As bandejas de estanho eram requintadas, até os jarros de bebida tinham alças delicadas. O mel no pão, contudo, não era muito mais generoso que o do bar do Benson.

“Obrigado,” disse Xu Yuan.

“É um prazer servi-los. Aproveitem,” a jovem os deixou sozinhos após arrumar tudo.

Steven observou a moça se afastar e sorriu: “Daisy gosta muito de você.”

“Parece que vocês se conhecem bem,” Xu Yuan acompanhou o olhar dele.

Este lugar era diferente do bar do Benson, onde só Rosalind aparecia com frequência, Fanny raramente dava as caras, e o ambiente cheirava apenas a cerveja e malte. Aqui, além da jovem que os atendia, havia várias mulheres muito bonitas que, entre servir bebidas e pratos, trocavam risadas e até sentavam ao lado ou no colo dos clientes.

“Eu só trago umas especiarias baratas para elas de vez em quando,” Steven disse, mordendo um pedaço de pão e observando Xu Yuan com um sorriso. “Mas você realmente parece deslocado aqui.”

“Como assim?” Xu Yuan parou de olhar discretamente e pegou um pedaço de pão com mel, perguntando.

“Hmm, seus olhos,” Steven engoliu o sabor doce e olhou para os olhos âmbar do homem à sua frente — tão gentis, com um brilho dourado sob o sol, uma cor que ele adorava, como se fossem feitos de ouro de verdade. “Veja como elas olham para você, como se fosse um fiel devoto a Deus.”

Somente olhar, sem desejo algum, nem mesmo diante das cenas mais vulgares.

Os frequentadores adoravam flertar com as moças, mas as desprezavam; já ele tinha um olhar incomum, evitava, mas não demonstrava repulsa.

“Só vim para comer,” disse Xu Yuan, pousando o pão que havia mordido duas vezes. “O pão com mel daqui não é tão bom quanto o do Benson.”

“Mas tem menos ladrões,” Steven comeu rapidamente o pão e serviu-se de uma caneca de malte, casualmente. “Se você tem muito dinheiro, é melhor não ir lá, ou pode acabar sendo alvo de um assassinato.”

“Obrigado pela dica,” Xu Yuan sorriu.

Ele sabia que o bar do Benson já era muito bom, mas a ganância das pessoas era difícil de controlar, especialmente embriagadas. Conquistas forçadas, traições, furtos, brigas e assassinatos eram comuns ali; outras tavernas eram ainda piores. Este lugar, no entanto, era bem melhor.

“Se quiser mesmo ir, contrate um bando de guardas e certifique-se de que eles não cobiçarão seu dinheiro,” Steven lambeu os lábios molhados pela bebida e sorriu.

Embora parecesse um aviso, havia também um tom de ameaça. Xu Yuan riu: “Certo, onde encontro guardas confiáveis?”

“Na guilda,” Steven respondeu. “Fica entre o bairro pobre e o rico, é fácil de achar. Se tem dinheiro, consegue contratar o que quiser.”

“Entendi,” Xu Yuan ponderou.

Embora tivesse ouvido algumas notícias no bar, nada se comparava a quem morava por ali.

Ele olhou para Steven, que já quase terminava o feijão. Guardou a pergunta para depois e empurrou o pote de queijo para perto de Steven: “Quer experimentar?”

Steven parou de mexer o feijão e olhou para o pote. Apesar de estar bem fechado, o aroma do queijo trazido da loja era inconfundível. Parecia que ele percebeu o desejo de Xu Yuan pelo queijo.

“Claro,” disse ele, empurrando o prato de volta.

Xu Yuan abriu o pote, retirou um pedaço com a colher e colocou ao lado do feijão, fechando em seguida.

“Você não vai comer?” Steven perguntou, puxando o prato.

“Esse é para um amigo,” Xu Yuan sorriu.

O gato que descansava sobre o pote de queijo parecia uma arma secreta.

“Então estou comendo sua parte?” Steven levantou as sobrancelhas.

“Não se preocupe, posso comprar mais,” respondeu Xu Yuan, sem muita fome. Ele não se importava se comia ou não. Steven, por sua vez, sempre fazia parecer que a comida era deliciosa.

“Então, aproveitarei,” disse Steven, combinando o feijão com o queijo fresco. O sabor era mais rico do que imaginava.

Quem podia distribuir alimentos saborosos assim, seria invejável pela generosidade ou ingênuo demais para se proteger?

“Mais alguma coisa para perguntar?” Steven indagou.

“Você sabe onde tem loja vazia para alugar ou vender?” Xu Yuan perguntou.

Se procurasse sozinho, corria o risco de ser enganado por ser estrangeiro. Cem moedas de ouro pareciam muito, mas para abrir o negócio era preciso muito cuidado.

Loja, materiais e custos de funcionários eram despesas grandes.

“Vai abrir loja? Que tipo?” Steven parou e perguntou. “Cada negócio tem seu lugar. Você não pode abrir uma ferraria ao lado de uma loja de roupas nobres.”

Xu Yuan refletiu e respondeu: “Uma loja de especiarias.”

Steven franziu a testa e sorriu: “Esse é um grande negócio, deixe-me pensar.”

Em Tanzan City há nove grandes lojas de especiarias, além de muitas pequenas que abriram e fecharam. A maior parte das especiarias vem do mar e é distribuída por essas nove lojas, que monopolizam o comércio. Há cultivo local, mas é raro; sem fornecimento, as lojas fecham.

Se fosse outra pessoa, Steven diria que não duraria muito, mas Xu Yuan... em dez dias já tinha acumulado uma boa quantia. Talvez fosse diferente.

“Tem três lugares que podem servir. Vou falar com os donos e depois te levo para ver,” disse Steven, ponderando.

“Ótimo,” respondeu Xu Yuan.

“Aliás, não tem medo que eu me junte a outros para te enganar?” Steven perguntou sorrindo.

Xu Yuan ficou surpreso com a franqueza e riu: “Não tem problema, vou pagar comissão para você ganhar dos dois lados.”

Dessa vez foi Steven quem ficou pasmo, parado sem saber o que dizer.