4 Caixa de Fósforos (4)
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Uma profusão de pessoas entrava na estalagem, e mesas extras foram adicionadas ao espaço já apinhado. Os frequentadores estavam quase ombro a ombro, mas ninguém parecia disposto a se levantar para mudar de estabelecimento.
Além das bebidas, uma variedade de alimentos cobria as mesas: bolos de farinha, pão de centeio, aveia, queijo curado... Não pareciam muito apetitosos, mas eram visualmente melhores do que o que se encontrava nas padarias comuns.
Naturalmente, as bebidas eram o foco principal. Talvez devido ao ressecamento da comida, os clientes bebiam com uma voracidade quase animal, e, sob o efeito do álcool, não demorou para que as línguas se soltassem.
— A pele da sua caça está muito bem conservada, deve render um bom preço.
— Custou-me um esforço tremendo. Espero conseguir três moedas de prata.
— As moças da casa de Odin são realmente belas, mas, infelizmente, a bebida da casa de Benson é superior. É uma escolha difícil.
— É uma pena que Fanny quase nunca apareça no salão... — um mercenário levemente embriagado perguntou em voz alta: — Benson, o pão de hoje foi feito pela Fanny?
— Você já fez essa pergunta trinta vezes! — Benson respondeu, movendo-se de um lado para o outro com as bebidas, o tom de voz carregado de uma irritação mal contida.
— Só paro de perguntar quando a Fanny sair daqui.
— Continue sonhando! — retrucou Benson sem cerimônia.
— Ah, a bela Fanny é o meu sonho! Se eu pudesse me casar com ela, eu lhe ofereceria todos os tesouros do mundo! — O homem proclamava seu amor em voz alta, provocando risadas impiedosas dos outros.
Ele já dissera aquilo dezenas de vezes, assim como outros tantos homens, embora nenhum deles tivesse tesouros mundiais para oferecer a ela.
Os tópicos giravam em torno de dinheiro e mulheres, ocasionalmente exibindo suas armas. Quando o clima esquentava, alguns retiravam suas pesadas cotas de malha, pediam dados de osso a Benson e iniciavam, entusiasmados, os jogos da noite.
O ambiente tornou-se ruidoso, abafando completamente o som da flauta que um bardo, sentado em um canto, tentava tocar.
Parecia que não obteria informações úteis esta noite. Xu Yuan, discretamente, retirou moedas de cobre de sua bolsa, pretendendo perguntar a Benson o preço de um quarto, quando notou que o homem robusto, que até então apenas vigiava o salão, olhou bruscamente para a porta. Sua expressão tornou-se feroz e vigilante, semelhante à que dirigira a ele durante a tarde, embora agora parecesse ainda mais ameaçadora.
O olhar de Xu Yuan desviou-se sutilmente para a entrada. O vento noturno entrou, dissipando o calor da multidão e trazendo, da penumbra fresca, uma silhueta esguia envolta em um capuz.
Botas surradas estavam presas com tiras às pernas esguias, surpreendentemente práticas e arrumadas. Uma túnica com cinto, um manto acinzentado de abertura lateral também gasto e uma espada de mão e meia à cintura... Tal vestimenta era comum naquela estalagem, mas o porte do recém-chegado conferia à roupa, que nos outros parecia volumosa, um aspecto talhado e elegante. Era difícil acreditar que se tratava do mesmo tipo de traje.
O alvoroço na estalagem cessou por um instante. O recém-chegado estendeu a mão e, sob o olhar expulsivo de Benson, removeu o largo capuz com naturalidade. Revelou cabelos ruivos mais vibrantes que a chama das velas e olhos verdes como esmeraldas que refletiam a luz do fogo, como se estivessem sendo aquecidos pelo calor da chama enquanto dissipavam o frio da noite. Com um sorriso desafiador, ele cruzou o olhar com Benson através da multidão:
— Uma caneca de hidromel, uma porção de mingau de aveia, dois pães e uma porção de queijo curado.
Sua presença era deslumbrante sob a luz das velas, capaz de afugentar qualquer penumbra da cidade e daquela estalagem. O silêncio momentâneo permitiu que se ouvisse até o ranger dos dentes de Benson, o que deu a Xu Yuan uma pista sobre a identidade do jovem que caminhava com leveza e se espremia à mesa dos mercenários.
— Steven, sua dieta tem estado muito boa ultimamente. Onde você fez fortuna? — perguntou o mercenário ao seu lado, dando-lhe uma cotovelada e piscando.
— Se eu tivesse feito fortuna, Benson me receberia com alegria — o jovem afastou o manto e cruzou as pernas com descontração, rindo — e não com vontade de me jogar porta afora.
— Não tem jeito, é porque a Fanny gosta de você — o mercenário ao lado disse com um tom de inveja — enquanto ela me ignora completamente.
— Se você não quer que Benson coloque areia no meu pão, é melhor parar de dizer essas coisas — o jovem bocejou, entediado. — Eu só quero comer em paz.
— Se você se casasse com a Fanny, poderia comer todo dia... — O mercenário soltou um ganido antes de terminar a frase. O jovem, sentado calmamente, recolheu a perna e pegou os dados sobre a mesa, pesando-os.
— Quer jogar uma partida? — perguntou o homem de peito nu, sentado à frente.
— Uau, você tem coragem de jogar com ele?! — exclamou o mercenário, ainda sentindo a dor no pé.
— Martin, acho que você deveria beber um pouco, sua garganta deve estar seca — o jovem colocou o jarro de bebida à frente dele, rindo.
— Tudo bem — o mercenário, com o pé ferido pela segunda vez, agarrou o jarro.
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— Você é muito bom nisso? — perguntou o mercenário sentado à frente.
— Dá para o gasto — respondeu o jovem, sorrindo.
— Então vamos jogar. — O mercenário, descrente, aceitou o desafio.
O jovem inclinou a cabeça em sinal de aceitação. Outros, que bebiam ou conversavam em mesas próximas, voltaram-se para observar. Alguém colocou o braço sobre o ombro do mercenário e disse:
— Irmão, você é novo aqui, não é? Conselho de amigo: não jogue com ele. Ele é o melhor que temos.
Embora fosse um conselho, o tom condescendente foi o suficiente para inflamar o álcool no sangue do mercenário:
— O jogo nem começou, quem pode dizer que vou perder?
A cena incendiou-se rapidamente, e muitos deixaram suas mesas para se aglomerar ao redor.
[Hospedeiro, que beleza de pessoa.] O sistema observava, deslumbrado.
Embora algumas construções da cidade fossem prósperas, muitas apresentavam tons acinzentados, antigos e sombrios. As pessoas vestiam tecidos surrados, parecendo não se importar com a aparência ou com a comida, focando apenas na bebida. Apenas cabelos dourados ou castanhos traziam um pouco de vivacidade ao local.
Mas a pessoa cercada pela multidão, com seus belos cabelos ruivos presos e um rosto requintado e cheio de brio, tornava-se o centro de todas as atenções.
Os seres humanos apreciam naturalmente o que é belo, pois isso traz conforto. Mesmo que fosse alvo de comentários, as pessoas ali não focavam apenas em seu rosto; embora houvesse uma certa condescendência — afinal, poucos conseguiam ser hostis com alguém tão belo —, o tratamento era, em sua maioria, como o dado a um irmão.
O local estava muito animado. O copo de dados entrou em jogo, e até Benson não resistiu e se aproximou.
O jovem manipulava o copo com dedos ágeis, recolhendo os dados com um movimento limpo e elegante. O som dos dados ecoou, seguidos por uma rodada de apostas.
Quando o copo foi revelado, o jovem disse sem hesitar:
— Cinco seis.
O mercenário à frente franziu a testa; era um lance alto:
— Seis seis.
— Sete — disse o jovem, rindo.
— Impossível! — o mercenário apertou o copo.
— Abre logo! — gritavam os outros, empolgados.
Ao abrirem, uma onda de gritos e assobios surgiu. O copo do jovem continha exatamente cinco dados marcando seis, perfeitamente alinhados.
Se fossem três, poderia ser sorte, mas cinco era pura habilidade.
— Eu disse para não jogar com ele. Ninguém aqui quer desafiá-lo, você vai perder até a última moeda da bolsa — disse o homem que estava ao lado do mercenário.
— Não me façam parecer um monstro. Se perderem, só precisam pagar a minha refeição — o jovem empurrou o copo de lado, rindo.
A expressão do mercenário suavizou-se. Mesmo embriagado, ele sabia que não podia continuar contra um jogador tão formidável, ou correria o risco de perder o dinheiro suado e acabar perdendo a cabeça.
— Tudo bem, eu admito a derrota. Você é realmente bom, não jogo mais — o mercenário colocou o copo de lado, generoso. — Esta refeição é por minha conta, peça o que quiser.
Os aplausos continuavam enquanto o jovem, com um sorriso ainda mais radiante, respondia:
— Então não serei modesto. Benson, adicione um copo de leite, feijão e pão com mel.
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— Entendido. — Benson deu um tapinha de compaixão no ombro do mercenário, mas sentiu um frio na espinha ao ouvir o silêncio repentino ao redor.
O olhar de Xu Yuan recaiu discretamente sobre a garota que saía da cozinha carregando uma bandeja.
— Fanny...
Era o nome que os clientes sempre mencionavam. A moça era muito bonita; seus cabelos loiros ondulados lembravam os da mãe, e os olhos azuis, os do pai. Embora vestisse uma túnica fechada e um avental, era possível notar sua silhueta graciosa. As melhores qualidades dos pais haviam se misturado perfeitamente nela, atraindo o olhar de quase todos os presentes.
Ela caminhou entre a multidão, que abria caminho instintivamente, e colocou a bandeja sobre a mesa diante do jovem. Enquanto arrumava uma mecha de cabelo que caíra, disse:
— Aqui está sua comida.
O jovem levantou os olhos, com um ar de desdém:
— Obrigado.
Sua voz tinha a clareza de jade, fácil de agradar, embora agora se mostrasse econômico nas palavras, ao contrário de antes.
Fanny mordeu levemente o lábio e virou-se para sair.
— Fanny, por que você trouxe a comida dele?
— Se eu pedir a mesma coisa, você traz para mim também?
— Depende do meu humor. — A garota ergueu o queixo e caminhou friamente de volta para a cozinha; herdara o temperamento do pai.
Mas essa frieza também tinha seu charme.
— Toda vez que vejo a Fanny, tenho vontade de casar com ela.
— Quem diria que o Sr. Benson poderia ter uma filha tão linda? Ela levou meu coração embora.
— Que rapaz sortudo, conseguir que a Fanny trouxesse a comida pessoalmente.
Alguns elogiavam, enquanto outros, sob o olhar feroz de Benson, não ousavam ser muito explícitos. Não apenas por causa da força de Benson, mas porque sua bebida era a melhor da região; se perdessem o acesso a ela, a vida pareceria perder o sentido. Além disso, o desrespeito poderia custar a vida de alguém em um beco escuro.
A bela Fanny possuía esse encanto, mas quem recebia seu favor não parecia valorizá-lo.
— Acho que quero um hidromel — disse Martin, olhando com desejo para o jarro.
— Sirva-se você mesmo, por acaso sou seu servo? — O jovem, ignorando o olhar assassino de Benson, levou o pão à boca e sorriu para o estalajadeiro: — Você ainda não anotou o resto do meu pedido.
Benson cerrou os punhos até os ossos estalarem, contendo o desejo de expulsar aquele sujeito que usava o rosto bonito para seduzir sua filha, e respondeu com rispidez:
— Espere.
[O dono vai colocar areia no pão dele?] o sistema perguntou, preocupado.
Não era um tratamento digno de um belo rapaz. Esta cidade era estranha!
[Acho que não.] Xu Yuan sorriu.
Caso contrário, este jovem inteligente não seria um cliente frequente.