Capítulo 1

Graça da Fênix Xiyun 4032 palavras 2026-07-31 03:08:07

Esta era a primeira vez em dois meses que Li Fengning saía do palácio para cumprir uma tarefa externa.

O sol se escondia atrás das nuvens, demorando a aparecer, e o calor intenso envolvia a Rua Larga Leste Dois, enquanto o caminho profundo do palácio estava abafado como uma estufa, sem fim à vista.

Era meio-dia, e dentro das silenciosas muralhas do palácio, não havia o menor som, nem mesmo o canto preguiçoso das cigarras nas copas das árvores.

Fengning segurava uma bandeja de laca vermelha, cuidadosamente acompanhando uma velha servidora do palácio, com as palmas das mãos suadas, sem saber se era pelo calor ou pela ansiedade.

Ela temia que a missão daquele dia não fosse tranquila.

— Vovó, quanto falta para chegarmos ao Salão de Respeito da Vovó Imperial? — perguntou Fengning, segurando a bandeja com a mão esquerda e limpando o suor da testa com a direita, enquanto seus olhos eram bloqueados pelas altas paredes vermelhas, vendo apenas as beiradas das telhas curvas empilhadas no horizonte.

Uma atmosfera solene e imponente, típica da Cidade Proibida, envolvia o ambiente.

A velha servidora segurava um pequeno espelho frio na mão e respondeu sem olhar para trás, com um tom seco e impaciente:

— Ainda está longe.

Fengning franziu ligeiramente a testa ao observar a postura rígida da velha.

Apesar de já estar no palácio há dois meses, sua situação não era nada fácil.

Meses atrás, o gabinete imperial e o Departamento Cerimonial selecionaram as damas para o novo imperador. Segundo as regras, as filhas legítimas de famílias nobres de quinto posto ou superior eram escolhidas primeiro; se não houvesse, as filhas ilegítimas podiam ser enviadas. Fengning tinha uma irmã legítima, mas esta recusou-se a entrar no palácio por estar apaixonada. O pai, então, a registrou como filha da esposa legítima e ofereceu dinheiro aos oficiais responsáveis pela seleção, conseguindo assim que Fengning fosse aceita.

Seu pai queria apresentá-la ao novo imperador devido à sua bela aparência, buscando ganhar prestígio na corte.

No entanto, todas as damas que entravam no palácio desejavam se tornar concubinas do imperador, e a beleza de Fengning se tornava fonte de problemas. As outras damas eram todas de famílias ricas e influentes, netas de ministros ou sobrinhas da imperatriz viúva, andando com autoridade pelo palácio. Em comparação, Fengning tinha a linhagem mais humilde.

Elas a vigiavam de perto para que não tivesse a chance de encontrar o imperador.

As jovens, secretamente, tramaram para que a velha servidora a mandasse lavar pratos e que a oficial responsável pelo protocolo a deixasse em pé no corredor por duas horas, com a intenção clara de que Fengning não aprendesse nada sobre o palácio. Assim, quando ela cometesse algum erro em suas tarefas, poderiam expulsá-la.

Mas Fengning não queria sair do palácio.

Pensando no casal de pais cruéis que tinha em casa, ela preferia aguentar a vida no palácio.

Por isso, nesses dois meses, Fengning foi cautelosa e discreta, sem dar chance para que armassem contra ela.

Na seleção do Departamento Cerimonial, estava claro que o processo era uma preparação para escolher concubinas para o imperador; se em dois anos não fosse nomeada, poderia sair do palácio para se casar.

Ela já tinha um plano: aproveitar esses dois anos para aprender no cargo de dama de companhia, dominar bordado, arranjos florais, preparo de chá, fabricação de remédios e leitura, para depois sair e lecionar em escolas femininas famosas na capital, evitando retornar àquela família que negociava filhas como mercadoria.

Pensar nisso a encorajava.

Li Fengning, você precisa se esforçar!

Naquele dia, era sua primeira missão externa, e com o Festival do Barco-Dragão se aproximando, o Departamento Cerimonial a encarregou de levar um bordado do deus Zhong Kui para afastar maus espíritos à Vovó Imperial.

Ela dizia a si mesma que não podia falhar.

Após cerca de quarenta minutos, Fengning e a velha servidora finalmente saíram da Rua Larga Leste Dois, entraram pelo Portão Esquerdo de Changkang e chegaram ao Jardim Imperial, onde a vegetação exuberante trazia uma sombra refrescante que a fez respirar aliviada.

O jardim era realmente encantador.

Na frente do Pavilhão Jingxue, havia um tanque quadrado de azulejos coloridos, adornado com pedras delicadas e flores multicoloridas, que brilhavam como um céu colorido sob o calor intenso.

Mas Fengning não teve tempo para admirar a paisagem, atravessou o jardim, saiu pela porta oeste do Pavilhão Qianqiu, contornou o Portão Zhonghua com várias curvas, e finalmente chegou diante do Salão de Respeito.

Após entrar, demorou um pouco até que um pequeno eunuco saísse.

O jovem eunuco usava um chapéu preto com detalhes dourados, vestia um casaco redondo com bordados de girassol e cinto negro de chifres, parecia ter cerca de vinte anos, e embora parecesse preguiçoso, seus olhos eram muito afiados. Quem mandaria alguém levar um objeto tão trivial ao meio-dia? Algo importante devia estar por trás.

No entanto, seguindo a regra de evitar problemas, ninguém perguntou nada e o levaram diretamente à sala de plantão do quarto invertido.

— Pode descansar aqui, a Vovó Imperial está dormindo a sesta e não acordou ainda. Quando acordar, responderá.

A Vovó Imperial gostava de dormir, e só após uma hora, com o sol já descendo, foi convocada.

Ela era bastante autoritária; ao ver Fengning através da cortina, fez com que esta se ajoelhasse e entregasse a bandeja, mas, como a idosa estava cansada, não perguntou muito e a liberou.

Fengning não esperava que a missão fosse tão tranquila e suspirou aliviada ao sair.

Quando já estava prestes a entrar no Jardim Imperial novamente, a velha servidora de repente se segurou na barriga e gemeu:

— Ai...

Fengning apressou-se a ampará-la:

— Vovó, o que houve?

A velha, porém, empurrou sua mão e caminhou em direção à parede do palácio, franzindo a testa de dor, tirou um bilhete do bolso e pediu a Fengning:

— Senhorita Li, estou com dor de barriga e preciso achar um lugar para ir ao banheiro. Pegue este bilhete e entregue no Departamento Cerimonial. Se atrasar, terá problemas.

Ao ouvir isso, o coração de Fengning apertou.

Que problema, ela estava sozinha ali.

Não conhecia bem o palácio e não podia ficar desamparada.

A jovem, com um sorriso delicado, tentou agradar a velha e insistiu:

— Vovó, não faz sentido eu ir sozinha. Se a senhora não está bem, eu a acompanho.

Fengning, criada em ambiente protegido, não era astuta, mas sabia agir. Discretamente, ofereceu algumas moedas de prata à velha.

Sua beleza sempre lhe trazia gentileza; ao sorrir, suas covinhas se profundavam e seus olhos curvados pareciam uma lua crescente, capazes de derreter qualquer coração. Mas a velha, já avisada pelas autoridades, não cedeu.

Com uma expressão fechada, respondeu como se fosse uma sentença:

— Tenho que ir ao Departamento Cerimonial cuidar de um assunto, não posso acompanhá-la hoje. Volte pelo caminho que veio, não tem problema.

Fengning entendeu que a velha decidira abandoná-la. Sua defesa acabou de se desfazer, e seus olhos negros ficaram vermelhos.

A velha, apesar de não ser totalmente insensível, não podia ajudar uma jovem que desagradara sua senhora. Ela era apenas uma serva velha e sem importância.

Engoliu a compaixão e afastou a mão de Fengning, caminhando em direção ao Portão Baizi.

Sem alternativa, Fengning teve que voltar sozinha, mas felizmente lembrava do caminho.

Seguiu pelo Jardim Imperial até chegar perto de um pavilhão octogonal com quatro colunas, subiu os degraus de pedra branca e, de repente, ouviu um latido vindo dos arbustos atrás dela.

Assustada, olhou para trás e viu um robusto cachorro amarelo com olhos vermelhos a encarando, pronto para atacá-la.

Fengning engoliu em seco e correu, mas o cão continuava latindo, como se estivesse drogado, seguindo seu cheiro com insistência.

Se continuasse assim, ela poderia ser mordida e ficar marcada para sempre, ou até morrer ali dentro da imensa muralha do palácio, o que seria uma injustiça.

O cachorro, num impulso, mordeu a barra da saia de Fengning, rasgando o tecido fino de prata. Ela chutou com força, mas o cão, ágil, desviou e saltou para atacá-la novamente.

Quando as garras estavam quase alcançando sua cabeça, Fengning tropeçou e caiu para frente.

Justamente nesse momento, o sol apareceu por trás das nuvens, lançando uma luz colorida que brilhou em seu suor.

Uma figura alta emergiu da luz, rompendo o calor denso como uma flecha, aumentando na visão assustada de Fengning até que a flecha passou diante de seu rosto, atravessando a barriga do cachorro, que soltou um grito agonizante e caiu imóvel no chão, sem derramar uma gota de sangue.

O céu finalmente a abençoava; no momento decisivo, alguém salvou sua vida.

Coberta de suor, Fengning apoiou-se na parede, ainda em choque, enquanto a elegante figura saltava das sombras para a luz do entardecer.

Como descrever aquele rosto?

Era uma face de beleza extrema, com traços esculpidos a faca, cada ângulo perfeitamente definido. Apesar da nitidez, seus profundos olhos tinham um leve cansaço que suavizava a severidade, conferindo-lhe uma dignidade imaculada.

Seu olhar desceu ao corpo: vestido com uma camisa preta simples, mãos brancas e alongadas seguravam um arco e flecha com postura firme e elegante, sem adornos.

Era um jovem de aparência refinada e espírito claro.

Naquele dia, no início da tarde, Pei Jun caçava no Jardim Shanglin. Ao retornar pelo Portão Xuanwu, quase entrando pelo Portão Shunzhen, viu o cão vermelho nos olhos perseguindo uma serva do palácio.

Pei Jun, que quando criança fora atacado por um cachorro e ficou traumatizado, nunca tinha animais por perto. Quando assumiu o governo, seus confidentes eliminaram todos os gatos e cachorros do palácio. Então, de onde tinha vindo aquele animal?

Desde o início, seu olhar se fixou no cão, sem sequer notar a jovem atrás, e seus olhos negros mostravam uma sombra de irritação.

Os servos que o acompanhavam ficaram assustados ao verem isso.

Quem seria tão audacioso de criar um cachorro dentro do palácio?

Pei Jun franzia ligeiramente as sobrancelhas, apontou friamente para o cachorro e permaneceu em silêncio.

O oficial do Departamento Cerimonial, Liu Hai, percebeu sua ira e não ousou respirar alto, levantando a mão para que os guardas recolhessem o animal. Enquanto esperava ordens, ouviu uma voz trêmula feminina vindo das muralhas:

— Agradeço, meu senhor, por salvar minha vida.

Fengning limpava o suor do rosto e arrumava a roupa com delicadeza, curvando-se respeitosamente para ele.

Pei Jun, provavelmente surpreso por alguém se dirigir a ele assim, trocou olhares com seus servos, que então voltaram a observar Fengning.

Liu Hai ficou surpreso ao ver a beleza da jovem — olhos negros como avelã, pele clara como neve, bochechas rosadas como um leve rubor, uma beleza rara, digna da seleção do Departamento Cerimonial.

Ele lançou um olhar para Pei Jun.

Pei Jun percebeu que ela era uma dama do palácio, vestida com um traje azul, próprio para oficiais de nível inferior, com a barra da saia de tecido prateado já rasgada pelo cachorro, mas sem ferimentos aparentes. Ela devia ter entrado recentemente no palácio, pois não o reconhecia.

Ao lembrar das mulheres que o gabinete havia forçado a entrar no palácio, Pei Jun ficou ainda mais sombrio.

Seu olhar passou brevemente pelo rosto pálido dela, marcado por medo, curiosidade e gratidão, com um toque de timidez. Ela parecia ingênua, sem nenhuma astúcia.

Como alguém assim poderia entrar no palácio?

Ele gostava de mulheres delicadas e transparentes, mas não tinha o costume de treinar ninguém.

O Departamento Cerimonial realmente enviava qualquer um para o palácio.

Pei Jun franziu a testa, sem interesse em responder, lançou o arco para um servo e saiu tranquilamente.

Fim.