Capítulo 3

Graça da Fênix Xiyun 6713 palavras 2026-07-31 03:08:08

Um homem alto, de mãos cruzadas nas costas, acompanhado por dois guardas, estava de pé à porta, com uma expressão calma que não revelava emoção alguma.

Feng Ning esperou por quatro dias inteiros e, finalmente, hoje conseguiu encontrar Pei Jun. Sua alegria transparecia no rosto enquanto ela corria até ele e fazia uma reverência.

— Senhor, finalmente consegui encontrá-lo.

Seus olhos de amêndoa brilhavam como se estivessem marejados, e suas feições expressavam um calor ardente.

Pei Jun era um homem rigoroso com as formalidades e não gostava que o interrompessem abruptamente, mas considerando que o assunto de Mao Chen fora causado por Feng Ning, ele gentilmente fez uma exceção.

— O que deseja? — perguntou com serenidade.

Feng Ning segurava um botão de jade na palma da mão e o estendeu a ele.

— Encontrei isso no mato outro dia, será que é seu?

Pei Jun lançou um olhar e confirmou que era realmente seu.

O botão incrustado no arco e flecha não era muito valioso, mas já que fora entregue a ele, naturalmente aceitou.

O imperador nunca aceitava objetos diretamente das mãos dos subordinados, então um dos guardas ao seu lado imediatamente o recolheu.

Ele então olhou para Feng Ning sem dizer uma palavra.

Pei Jun não tinha o hábito de agradecer a seus subordinados.

Encarando seus olhos calmos, o coração de Feng Ning disparou, e um leve rubor subiu às suas faces.

Ela entrelaçou as mãos, tropeçando ao tentar encontrar um assunto para falar.

— O senhor estava caçando? — comentou ao notar que suas botas pretas estavam cobertas de folhas secas.

Seus olhos queriam observá-lo, mas ela não ousava.

Pei Jun achou engraçada aquela atitude desajeitada.

Ele estava acostumado a ser o centro das atenções e ao constante olhar admirado das pessoas.

Uma serva puxando conversa com um homem... bem, ele preferiu não se envolver.

— Tem mais alguma coisa? — perguntou com voz baixa.

Sua aparência elegante e até sua frieza não causavam desconforto.

Feng Ning corou, e Pei Jun percebeu que ela estava tentando puxar conversa. Seu segredo fora descoberto, o que a deixou constrangida, mas também determinada a agir com sinceridade.

— Você me salvou da última vez, e desde então quero retribuir de alguma forma.

Pei Jun entendeu e queria que ela parasse de insistir.

Algumas pessoas, quando ganham uma chance, ficam agarradas a ela; ele achava isso entediante.

Mas hoje estava de bom humor e sorriu levemente.

— E o que você sabe fazer?

Seus olhos profundos e sobrancelhas levemente arqueadas davam uma impressão de olhar atento e sério.

Feng Ning, criada em um ambiente protegido e sem experiência com homens astutos como Pei Jun, sentiu seu coração se perder e murmurou:

— Eu sei fazer doces.

A cozinha imperial preparava diariamente mais de dez tipos diferentes de doces para ele, sem repetir em um mês.

Será que ele gostava dos doces de Feng Ning?

Ela disse isso para lhe dar esperança, para que subisse e depois caísse pesadamente, despertando para a realidade.

— Então, espero pelos seus doces.

Pei Jun respondeu com um tom amável e passou por ela com elegância.

Feng Ning não pôde deixar de seguir com os olhos sua figura imponente e ficou absorta.

Como poderia existir um homem tão perfeito no mundo?

Belo, íntegro, cheio de charme.

Se Pei Jun soubesse como ela o via, provavelmente riria até acordar.

Quando ele desapareceu, Feng Ning voltou à realidade.

Mas onde ela encontraria ingredientes para preparar doces no palácio imperial? Não era a mansão da família Li.

Ela entrou no Palácio Yanxi antes de trancarem a porta. A notícia da saída do Ministro Mao do centro de poder já tinha se espalhado no harém, e Mao Chunxiu foi levada de volta para sua residência, pois ela havia criado cães em segredo, algo que desagradava o imperador, que detestava esses pequenos animais, e por isso puniu a família Mao.

Com a saída de Mao Chunxiu, as outras jovens foram advertidas, e a vida de Feng Ning melhorou, ninguém mais ousava atacá-la abertamente.

Até o eunuco porteiro do Palácio Yanxi a tratava com mais cortesia.

— A senhorita Li está de volta!

Poucas pessoas no palácio a cumprimentavam assim. Feng Ning entregou dois frutos colhidos no jardim imperial para ele.

— Obrigada, tio.

Quando ela ia cruzar o batente, uma rajada de vento a surpreendeu e alguém a abraçou firmemente pela cintura.

— Ningning, vim te fazer companhia.

Ao ouvir a voz familiar, Feng Ning quase chorou. Virou-se e puxou a visitante para fora do abraço.

— Irmã Yusu, o que faz aqui?

Yang Yusu era a segunda filha legítima do comandante da prefeitura de Jingzhao, vizinha da família Li, frequentemente visitava a mansão, e era a única amiga íntima de Feng Ning. As duas tinham afinidades e eram como irmãs.

Ela enxugou as lágrimas de Feng Ning com a manga e, ao caminhar com ela, explicou:

— Mao Chunxiu saiu do palácio, soube pelo meu pai que ela te maltratava lá dentro. Enfurecida, decidi entrar no palácio para te fazer companhia.

Feng Ning ficou emocionada, lembrando que ela não queria entrar no palácio, e perguntou.

— Mas você não queria entrar no palácio?

Yang Yusu bateu no peito com determinação.

— Eu não queria, mas também não podia te deixar sozinha na boca do lobo. Pedi a meu pai que usasse sua influência no Ministério dos Ritos e consegui seu lugar.

Uma onda de calor percorreu seu corpo, e Feng Ning olhou para ela com lágrimas nos olhos, sem conseguir falar.

Ninguém jamais fizera tanto por ela; quanta sorte tinha ao encontrar Yang Yusu.

Esta não era como Feng Ning; seu pai era influente e ocupava um cargo importante na prefeitura, conhecia todos os círculos da capital, e Yang Yusu tinha a mesma personalidade aberta e generosa do pai. Em poucas horas, levou Feng Ning para se apresentar às outras no Palácio Yanxi.

Antes, as jovens evitavam Feng Ning por causa de Mao Chunxiu, mas agora, com a recomendação de Yang Yusu, ela conhecia algumas pessoas.

Na sala principal do pavilhão oeste, várias jovens se reuniam para jantar.

Zhang Yinyin, filha da família do comandante da Guarda Imperial, perguntou:

— Irmã Feng Ning, ouvi dizer que Mao Chunxiu soltou seus cães contra você. Como escapou?

As jovens presentes olharam para Feng Ning, preocupadas.

Ela não queria revelar que fora o imperador quem interveio, então respondeu de forma vaga enquanto mascava amendoim.

— Encontrei um eunuco que me salvou.

Todos trocaram olhares e não insistiram.

Se Feng Ning tivesse encontrado o imperador, já teria se gabado.

Faziam dois meses que as jovens estavam no palácio, e poucas tinham permissão para servir no Pavilhão Yangxin; exceto a neta do primeiro-ministro, Yang Wan, e a sobrinha da imperatriz, Zhang Peipei, as outras não tinham sequer visto o imperador.

Yang Wan era especialista em documentos e gerenciava os assuntos do Departamento de Serviços Imperiais, responsável por todos os registros do harém, então sua presença no Pavilhão Yangxin era natural. Zhang Peipei conhecia o imperador há muito tempo e deveria ter se tornado imperatriz.

No entanto, até agora, o imperador não havia favorecido nenhuma delas.

Quem seria a primeira consorte do imperador era uma questão de grande importância.

Não era de se admirar que Mao Chunxiu visse Feng Ning, a mais bela, como uma inimiga.

Como Feng Ning não havia encontrado o imperador, todas ficaram aliviadas.

Mudando de assunto, conversaram sobre o Festival do Barco-Dragão que ocorreria em breve.

As mulheres selecionadas para o harém não eram como as concubinas; além de um dia de descanso mensal para sair, no Festival do Barco-Dragão também podiam visitar suas famílias. Elas animadamente discutiam para onde iriam comprar maquiagem ao saírem do palácio, enquanto Feng Ning permanecia silenciosa, mastigando sua comida.

Sua madrasta era rigorosa e nunca a deixava sair, temendo que sua beleza atraísse problemas.

Yang Yusu percebeu seu silêncio e sugeriu:

— Ning, no Festival do Barco-Dragão, venha comigo para minha casa.

Ela não queria que Feng Ning ficasse sozinha.

Feng Ning ficou comovida, mas lembrando da promessa que fizera a Pei Jun, respondeu baixinho:

— Prometi fazer um doce para o senhor que me salvou, então não vou sair nesse dia.

Yang Yusu apenas achou que ela não queria incomodá-la e não insistiu.

Após a conversa, as duas voltaram para seus aposentos.

O Palácio Yanxi era espaçoso, e cada uma das dezoito servas tinha seu quarto individual.

Yang Yusu, preocupada que Feng Ning fosse negligenciada, levou seu colchão para o quarto dela para fazer companhia.

— Você realmente não vai voltar para casa?

Feng Ning serviu um chá gelado e sentou-se ao lado dela.

— Não, realmente não.

Yang Yusu fez uma careta.

— Quando todas saírem, você ficará sozinha aqui. Ninguém para lhe apoiar. Não deixe de se alimentar direito.

Feng Ning teve uma ideia e, abraçando o braço dela, pediu:

— Irmã, me faça um favor e arranje alguns ingredientes. Quero preparar doces para o Festival.

Yang Yusu arregalou os olhos.

— Mesmo que eu consiga os ingredientes, onde você vai cozinhar?

Feng Ning piscou e pensou:

— Um pequeno fogareiro basta. Eu tenho um jeito de fazer.

Sabendo que Feng Ning era habilidosa, Yang Yusu ficou animada.

— Vou tentar conseguir um fogo para você amanhã, assim posso provar antes.

Como filha única do comandante da prefeitura, ela tinha dinheiro e influência. Após entrar no palácio, os diversos departamentos já haviam sido informados.

No dia seguinte, Yang Yusu conseguiu alguns ingredientes como inhame, feijão vermelho e arroz glutinoso, mas não encontrou um fogareiro.

Então teve uma ideia.

No palácio, quem mais gostava de comida era Zhang Peipei, a sobrinha da imperatriz.

A cozinha imperial não podia competir com o fogareiro particular dela.

Assim, Zhang Peipei mantinha uma pequena cozinha no Palácio Yanxi.

Yang Yusu conhecia Zhang Peipei e pediu para usar a cozinha dela, e Zhang, sendo generosa, concordou imediatamente.

Essa era uma manobra segura, pois nem todos podiam ter uma cozinha particular no palácio, mas com Zhang Peipei como escudo, não haveria problemas.

Naquele meio-dia, as duas se esconderam no quarto dos fundos do Palácio Yanxi. Feng Ning, habilidosa, arregaçou as mangas e começou a trabalhar.

Ela descascou e cortou o inhame, cozinhou e amassou até virar purê.

Depois cozinhou o feijão vermelho até virar um mingau, misturando com o purê de inhame.

Era um trabalho delicado, pois o equilíbrio entre os ingredientes era fundamental para não ficar doce demais nem insípido.

Desde pequena, ao servir sua madrasta, Feng Ning dominava a arte dos doces.

Como diz o ditado, cada doce deve ter cor, aroma e sabor.

Com cuidado, Feng Ning esculpiu o bolo de inhame e feijão em forma de flores de ameixeira, polvilhou pétalas para dar fragrância, decorou com sementes de gergelim e até moldou cenas de pescadores ao entardecer com o purê, transformando o pequeno doce em uma obra de arte culinária.

Yang Yusu observava maravilhada.

Feng Ning fez duas bandejas: uma para Yang Yusu, que comeu metade e deu o resto para Zhang Peipei em agradecimento; a outra guardou cuidadosamente em uma caixa com gelo, planejando entregar a Pei Jun.

Na tarde seguinte, Feng Ning se escondeu atrás das árvores perto do Portão Shun Zhen com a caixa de doces, esperando ele.

O sol poente atravessava as folhas, espalhando círculos de luz.

Suava muito, e o gelo na caixa já havia derretido.

Os doces estavam ficando menos frescos, e ela começou a ficar ansiosa.

Um homem como ele certamente não faltaria ao compromisso.

Mas ela esperou do meio-dia até anoitecer, o portão já estava fechado e nem sinal de Pei Jun.

Desanimada, voltou ao palácio com a caixa.

Yang Yusu foi até o Departamento de Cerimônias à tarde e, ao voltar, não encontrou Feng Ning. Depois de esperar um pouco, a viu na porta.

Seu rosto estava vermelho e ela parecia exausta.

— O que houve? — perguntou.

Feng Ning, temendo contar a verdade, inventou uma desculpa.

Não culpava Pei Jun; ele devia ter se atrasado por algum motivo urgente.

No dia seguinte, pontualmente, ela voltou ao Portão Shun Zhen.

Graças ao boicote de Mao Chunxiu, o Departamento de Serviços Imperiais não a sobrecarregava com tarefas.

Perguntavam apenas no que era boa, às vezes ajudava com documentos ou desenhava padrões para as bordadeiras, trabalhos que podia fazer à noite.

Após dois dias sem vê-lo, Feng Ning começou a se sentir desanimada.

Chegou o Festival do Barco-Dragão, e as jovens foram saindo do palácio.

Depois de acompanhar Yang Yusu para fora, Feng Ning voltou correndo para o Palácio Yanxi para preparar os doces para Pei Jun.

Não importava o que acontecesse com seu senhor, ela não quebraria sua promessa.

Não sabia quando ele apareceria no Portão Shun Zhen, só podia esperar.

No quinto dia do quinto mês lunar, o imperador acompanhava a imperatriz viúva no Lago Taiye para assistir à corrida de barcos-dragão.

A competição começou no início da tarde e terminou no final da tarde.

Nesse intervalo, Feng Ning estava no Portão Shun Zhen.

O palácio estava cheio de espiões do imperador.

Nos primeiros dias, eles foram instruídos a ignorá-la, mas no dia do festival, quando todos saíram para comemorar, ela estava ali, suando e esperando sob a sombra das árvores, com seu rosto pequeno e redondo e olhos de amêndoa brilhantes, uma cena que despertava compaixão.

No fim da tarde, os espiões finalmente relataram ao imperador.

Ele ficou surpreso.

Pensou que, ao deixá-la esperando um dia, ela desistiria, mas não esperava que nem mesmo durante o festival ela saísse.

Era realmente teimosa.

Mas e daí?

Quanto mais ela insistisse, menos ele podia lhe dar oportunidade.

As mulheres do harém jamais foram levadas a sério por Pei Jun, muito menos uma que não tinha destaque algum.

Dois dias depois, Pei Jun havia esquecido completamente Feng Ning.

Claro que não lhe dar chance não significava que mudaria seus hábitos para evitá-la.

No décimo segundo dia do quinto mês, Pei Jun recebeu uma comitiva estrangeira que lhe ofereceu um cavalo de raça汗血宝马.

Naquele dia, ele se divertiu no Jardim Imperial e, ao entardecer, entrou pelo Portão Xuanwu para voltar ao palácio.

O sol se escondeu cedo atrás das nuvens negras, e uma névoa fina começou a cair, seguida por uma chuva leve.

O vento da noite soprava, projetando sua sombra frágil sobre as muralhas do palácio.

Ela parecia exausta, com as pálpebras pesadas quase fechadas, mas suas mãos esbeltas e delicadas apertavam firmemente a caixa de doces, como uma pequena flor branca que brota nas fendas das rochas, resistente e frágil ao mesmo tempo.

Pei Jun permaneceu parado nos degraus do Portão Shun Zhen, com os lábios apertados.

Um dos espiões saltou da muralha e, ao observar Feng Ning confusa não muito longe, sussurrou:

— Senhor, a senhorita Li veio todos os dias durante dez dias seguidos, sem faltar um, trazendo doces diferentes a cada vez.

Como se tivesse alguma intuição, Feng Ning bocejou e abriu os olhos de repente.

Nessa fração de segundo, viu o homem de feições marcantes, e o sentimento que teve foi como a chuva após uma longa seca.

Sem se preocupar com formalidades, ela correu até ele, feliz.

— Senhor, finalmente consegui encontrá-lo.

Foi a mesma frase, mas desta vez, além da alegria, havia uma nota involuntária de tristeza e até um toque de carinho, sem que ela percebesse.

Pei Jun a observou, meio atrapalhado, e não respondeu de imediato.

Sua expressão fez Feng Ning se sentir culpada.

Mas ela foi generosa e tentou aliviar a situação.

— Não é sua culpa, sei que está ocupado com tarefas importantes e não pode sair quando quer.

Seus olhos ainda brilhavam, sem sinal de ressentimento.

Pei Jun ficou sem palavras.

Era a primeira vez que via uma determinação tão incomum naquela garota.

Isso o fez lembrar de sua chegada à capital, quando os oficiais pediram que entrasse no palácio pelo Portão Donghua, tradicional para os súditos, mas ele recusou.

Se a ordem do antigo imperador era para ele se tornar o novo imperador, deveria entrar pelo Portão Zhengyang, senão preferia não ser imperador.

Com essa firmeza, Pei Jun obrigou a imperatriz viúva e o primeiro-ministro a cederem.

Ele admirava qualquer pessoa com perseverança, mas lamentava que Feng Ning a usasse em algo errado.

Pei Jun olhou ao redor e apontou para o Pavilhão Yujing, sinalizando que ela o seguisse.

Depois de esperar dez dias, Feng Ning estava radiante, seguindo-o até o pavilhão.

O Pavilhão Yujing ficava no ponto mais alto do Jardim Imperial, decorado com pedras do Lago Taihu e rodeado por água corrente.

Durante o Festival do Chongyang, as mulheres do palácio subiam ali para apreciar a vista.

Os guardas já tinham partido, e apenas eles dois permaneciam.

A chuva aumentava, formando uma cortina ao longo das beiradas, isolando o espaço.

Feng Ning colocou a caixa de doces sobre a mesa de pedra.

Ela preparara dois tipos: um bolo de inhame e feijão-verde, e um shumai de frango.

Depois que Zhang Peipei elogiou seus doces, Feng Ning teve acesso a todos os ingredientes necessários, e sua habilidade culinária floresceu.

Ela entregou um lenço a Pei Jun para que limpasse as mãos, arrumou os pratos e sentou-se diante dele.

Pei Jun lavou as mãos e olhou para a jovem sentada à sua frente, franzindo levemente as sobrancelhas.

O imperador sentava-se voltado para o sul, e ninguém podia sentar-se diretamente à sua frente para comer.

Mas ele não culpava Feng Ning; afinal, para ela, ele era seu “senhor”.

Depois de cavalgar o dia todo, seu estômago estava vazio, então não recusou a oferta dela.

Após comer alguns doces, teve que admitir que ela era uma excelente cozinheira, e não era de se admirar que ela prometesse retribuir.

Vendo seu interesse, Feng Ning, atenciosa, tirou discretamente um pequeno jarro de cerâmica com chá para que ele enxaguasse a boca.

Pei Jun recusou com um gesto, sabendo que era um chá contrabandeado por uma serva.

Feng Ning não se importou.

Satisfeito, ele colocou os hashis de lado e encarou-a seriamente.

— Quero saber: qual é a sua verdadeira identidade?

Surpresa pela pergunta, Feng Ning parou.

Pei Jun tinha um rosto belo, e quando falava, suas sobrancelhas arqueavam, parecendo sorrir — mas era só aparência; havia uma força imponente nele que impunha respeito.

Engolindo em seco, ela respondeu cuidadosamente:

— Sou uma serva do palácio.

Pei Jun riu irônico.

— Você sabe que é uma serva.

— Quais são as funções das servas?

— Sou serva do Departamento de Serviços Imperiais, faço trabalhos de costura.

Pei Jun falou com severidade.

— Toda mulher no palácio pertence ao imperador. Se alguém os vir se encontrando às escondidas, isso é traição.

Ao ouvir “encontro às escondidas”, Feng Ning saltou, juntou as roupas e se afastou dele, reagindo.

— Nós não...

Olhando ao redor, não havia ninguém. A chuva caía forte, como uma rede imensa que os prendia.

De fato, parecia um encontro clandestino.

Ela corou, baixou o olhar e disse, sem confiança:

— Só quero agradecer por ter me salvado. Não tenho intenções impróprias.

Pei Jun a observou em pé ao lado e se sentiu mais confortável.

— É melhor que não tenha. Caso contrário, será traição.

Feng Ning ficou sem chão e mordeu o lábio.

— Serei honesta: não pretendo ficar no palácio. O contrato das servas dura dois anos, e depois disso, posso sair.

Ao ouvir que ela não queria ficar, sua expressão mudou.

Será que era tão fácil assim sair do palácio?

Ele falou sem rodeios:

— O imperador nem sempre vai querer de você.

Na verdade, ele queria dizer: Eu não quero você.

Feng Ning não se intimidou e respondeu com um sorriso maroto:

— Melhor ainda, não quero ser concubina de Sua Majestade.

Pei Jun ficou sem jeito diante da resposta dela.