Capítulo 13

Graça da Fênix Xiyun 4238 palavras 2026-07-31 03:08:14

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Diante das perguntas desconcertantes de Han Ziling, Feng Ning finalmente perdeu a paciência e lhe atirou uma frase:

— No dia em que você ficou noivo da minha irmã, eu estava na mansão. Por que não veio me procurar? E agora, o que é isso? Cometeu uma maldade e ainda quer fazer pose?

Essas palavras eram típicas de qualquer pessoa comum; Han Ziling, criado numa família nobre, nunca tinha visto tal cena e ficou vermelho de vergonha, profundamente humilhado.

— Eu... — tentou explicar, mas parecia incapaz de encontrar as palavras certas.

Lembrava vagamente do que a senhora Li disse, que Feng Ning era feia, iletrada e sem graça — ele não gostava dela desde o início. Agora percebia que tanto ele quanto Feng Ning haviam sido enganados por ela. Se tivesse conhecido Feng Ning antes, jamais teria aceitado trocar a noiva. Quando se deu conta e quis mostrar sinceridade a Feng Ning, ela já estava longe.

— Feng Ning! — chamou Pei Jun, que estava no alto do pavilhão. Quem estava por perto não ouviu claramente, mas só essa palavra bastou para ele perceber que se tratava de assuntos amorosos; Pei Jun já tinha visto muitos casos assim, mas jamais imaginara que aconteceria com sua própria dama de companhia.

Han Ziling claramente não compreendia a situação.

A fama do Marquês de Yongning estava prestes a ser arruinada por seu próprio filho.

Pei Jun sorriu com desdém.

A chuva chegou rápida e passou tão depressa quanto veio.

Por volta do entardecer, o palácio estava tomado por uma névoa densa que descia pela encosta da Montanha Yan até o pavilhão.

O salão principal ficou completamente fresco.

Feng Ning voltou ao palácio após acompanhar Zhang Peipei para jantar peixe assado. Ela estava de plantão naquela noite.

À esquerda e à direita do salão principal havia duas cabines com cortinas de seda verde-água; na da esquerda havia um divã longo para o imperador descansar. No verão, ele raramente dormia ali, preferindo o pavilhão fresco do anexo leste. À direita, a cabine era dividida em duas: uma para chá e outra para o trabalho, com várias mesas longas cobertas de documentos para as damas de companhia que estavam de serviço.

Durante o dia, Yang Wan e Liang Bing tinham resolvido todos os documentos, então Feng Ning não tinha muito o que fazer. Pei Jun havia instruído que ela não se envolvesse em tarefas que não dominava. Ela era responsável pelos documentos diplomáticos, que não apareciam com frequência. Hoje, ela só precisava preparar tinta para o imperador ou servir chá.

Pensando em Han Ziling, ela se sentia levemente preocupada. Ela tinha o hábito de morder a ponta do pincel quando estava distraída, e nessa distração nem percebeu os passos atrás de si. Pei Jun jamais andava devagar de propósito, então, ao passar ao lado de Feng Ning e perceber sua distração, ficou irritado.

Baixando os olhos, ele viu que a jovem estava sonhando acordada.

Sua expressão ficou ainda mais fria; levantou a mão e bateu na testa dela usando um colar de contas de bodhi, enquanto zombava:

— Li Feng Ning, quando estiver de serviço deve se concentrar. Nada de pensar besteiras. Se tiver algo, pense depois que acabar o plantão.

Feng Ning era sempre muito diligente, e esta era a primeira vez que se distraía, claramente por causa de Han Ziling. O que ela pensava não dizia respeito a ele; o que importava era que a dama de companhia devia estar atenta.

Assustada, Feng Ning despertou, levantou a barra do vestido, ajoelhou-se e bateu a cabeça no chão:

— Peço perdão, Majestade, não ouso mais.

Pei Jun não respondeu, entrou no salão principal e foi até a mesa imperial.

Feng Ning levantou-se apressada, lavou as mãos, serviu chá numa bandeja amarela e entrou para entregar ao imperador, preparando também tinta. Pei Jun estava tão concentrado que nem a olhou.

Até que, já de madrugada, Pei Jun sentiu uma dor no abdômen e acordou tonto.

Quem fazia a vigília era Han Yu, que se ajoelhou aflito aos pés do imperador:

— Majestade, eu irei chamar o médico imediatamente.

Pei Jun estava pálido, mas tentou manter a calma:

— Não precisa. Apenas faça um chá quente de gengibre.

Ele sempre teve alergia a ovos de caranguejo e, ao comer um na noite anterior no Palácio Cining, seu abdômen começou a inchar. Só Liu Hai sabia disso, ele não havia contado a ninguém na capital. Achou que havia passado, mas a crise veio de madrugada.

O imperador tinha muitos segredos que não podia deixar transparecer.

Han Yu, obediente, assentiu e ia ordenar quando se lembrou de Feng Ning de plantão e perguntou:

— Majestade, posso chamar a senhorita Li para servir?

Pei Jun geralmente não gostava de mulheres por perto, mas hoje, incomodado pela dor, surpreendentemente concordou, franzindo as sobrancelhas e dizendo com voz cansada:

— Pode.

Han Yu saiu apressado para informar Feng Ning.

Com todos fora, Pei Jun fechou os olhos, deitou-se e respirou profundamente.

Neste momento, o único em quem confiava era Li Feng Ning.

Era compreensível: ela não tinha segundas intenções, era simples e fácil de lidar. Se não fosse ela, quem mais poderia ser?

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Feng Ning cochilava sobre a mesa quando recebeu a notícia de Han Yu. Levantou-se num pulo e seguiu pelo corredor até o anexo leste.

Ela entrou silenciosa, o salão estava vazio e as cortinas amarelas balançavam suavemente. Viu uma figura deitada no pavilhão fresco, aproximou-se e chamou baixinho:

— Majestade?

Pei Jun mexeu levemente as sobrancelhas, não respondeu, mas parecia querer se levantar, segurando a borda da cama. Feng Ning tentou ajudá-lo, mas ele não gostava de ser tocado por mulheres e levantou a mão, sinalizando que ela se afastasse. Ela recuou alguns passos e o observou preocupada:

— Majestade, onde está doendo? Me diga o que deseja que farei o que mandar.

Pei Jun se sentou com dificuldade e indicou uma mesa próxima:

— Traga-me um copo de água quente.

Feng Ning obedeceu imediatamente.

Ele bebeu tudo, mas logo sentiu náuseas e precisou ir ao banheiro. Feng Ning o acompanhou até a porta do biombo, sem se aproximar sem permissão:

— Majestade...

Pei Jun vomitou todo o alimento e logo se sentiu melhor.

Feng Ning respirou aliviada, quando Han Yu voltou com o chá de gengibre, entregou a ela e ajudou a apoiar o imperador.

Enquanto um servia o chá, o outro preparava água quente.

Han Yu depois foi rápido limpar o cuspidor no banheiro.

Feng Ning ajoelhou-se ao lado, lavou um pano quente e entregou a Pei Jun, que deitou e limpou o rosto, melhorando a cor.

Ele abriu os olhos e olhou para ela, que estava concentrada lavando o pano, com as mangas arregaçadas três vezes, revelando pulsos brancos como neve. Suas sobrancelhas negras eram como leques delicados que piscavam lentamente, encantadores. Exceto pela mãe falecida, ele nunca olhara para uma mulher assim. Desviou o olhar, fechou os olhos e disse:

— Esqueceu o que te avisei? Lembre-se sempre de sua posição como dama de companhia.

Feng Ning ficou confusa:

— Majestade...

Quis perguntar o significado, mas lembrou do temperamento dele e não ousou. Pensou por um momento e lembrou do episódio no Pavilhão Yujing, finalmente entendendo. Ficou vermelha de vergonha.

— Majestade, não quis provocar nenhum homem, foi um mal-entendido... Pode ter certeza que não o verei mais.

Feng Ning era sincera e sempre cumpria o que dizia. Pei Jun acreditou nela e não insistiu.

Ele não gostava que ela cometesse erros que gerassem fofocas; no palácio, todos eram rigorosos, até Zhang Peipei era cautelosa com assuntos amorosos para evitar escândalos.

O chá de gengibre aqueceu o abdômen dele e o sono veio.

Feng Ning ficou ajoelhada à beira da cama, sem falar, até ouvir sua respiração ritmada e saber que ele dormira.

Ela ficou nervosa e quase esqueceu de respirar. Nunca estivera tão perto dele. Antes queria olhar, mas não tinha coragem. Agora podia olhar com mais ousadia.

Seu rosto era realmente belo, sem a habitual dureza, e à luz amarelada da lamparina parecia suave.

Espiar a face do imperador era uma grande falta de respeito, então ela cobriu o rosto, mas logo abriu uma fresta e viu seu pomo de Adão em movimento sob a pele fina.

Feng Ning fechou os olhos rapidamente, sem coragem de olhar mais.

Embora evitasse olhar, sua mente começou a imaginar.

Será que ele a ignorara por causa de Han Ziling?

Um pensamento ousado surgiu em sua mente.

Estaria ele zangado por ela errar, ou por outro motivo que fazia seu coração disparar?

Feng Ning rapidamente afastou esse pensamento.

Ela realmente imaginava qualquer coisa.

No fundo, ele só queria que sua dama de companhia fosse dedicada e não fizesse nada que manchasse sua dignidade.

Se fosse Zhang Peipei, ele também ficaria bravo.

Pensando assim, ela se acalmou.

Quando se levantou para sair, viu o braço longo dele pendurado na cama. Hesitou, mas delicadamente segurou o braço e o pousou na cama. Sentiu o toque firme e aqueceu, e suas bochechas coraram.

Depois disso, saiu apressada para o corredor e respirou fundo.

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Pela madrugada, Feng Ning e Yang Wan trocaram de turno e foram descansar. À tarde, Feng Ning voltou ao salão Qian Kun bocejando.

Yang Wan percebeu seu desânimo e sugeriu:

— Vá descansar um pouco lá dentro. Eu fico aqui. Se o imperador chamar, aviso você.

Feng Ning sacudiu a cabeça:

— Melhor não. Se o imperador me pegar, estarei perdida.

Yang Wan conhecia bem o temperamento de Pei Jun e não insistiu.

As duas entraram para servir.

Pei Jun notou que Feng Ning estava estranha hoje. Sempre que o via, desviava o olhar, com as bochechas coradas, como se ele fosse uma fera.

O que teria acontecido ontem à noite?

Ele não acreditava que Feng Ning teria feito algo errado; nem com doze corações ele teria coragem. Também não era provável que ele próprio tivesse feito algo com ela. Então, seu comportamento tímido devia ter uma razão.

Pei Jun franziu a testa.

O trabalho absorvia sua atenção durante o dia, mas ao entardecer, quando Yang Wan e os demais saíram para suas tarefas, chamou Feng Ning para servir chá.

Ele reclinou-se preguiçosamente no trono, olhos fixos nela, e disse com voz calma:

— Agora estamos sozinhos. Se quiser dizer algo, fale.

— Ah? — Feng Ning evitou seu olhar, parecendo assustada e perdida.

— Majestade, não tenho nada a dizer...

Ela negava com a boca, mas por dentro estava nervosa como formiga em panela quente. Desde que viu o pomo de Adão dele, não parava de ter pesadelos, sempre com o rosto do imperador. Sonhava que ele agarrava seu vestido e dizia para não ver homens estranhos, e ao acordar ficava extremamente envergonhada.

Ela nunca contou isso a ninguém. Como o imperador percebeu?

Será que ele era tão poderoso que adivinhava até sonhos?

Pei Jun olhou para aquele rosto que tentava esconder seus segredos e ficou sem palavras.

Estava mesmo meio confuso por causa da doença, chamando Feng Ning para cuidar dele.

— Fale a verdade. Eu não vou te culpar — disse com paciência.

Seus olhos eram profundos como um redemoinho que sugava as pessoas. Feng Ning não ousava encará-lo, com medo que ele lesse seus segredos. Então, tomou coragem e baixou os olhos:

— Majestade, realmente não aconteceu nada. Depois que o senhor adormeceu, eu me retirei respeitosamente.

Parecia tão triste que, se ele perguntasse mais, ela iria chorar.

Pei Jun mordeu os lábios, olhou para ela com expressão complexa, mas desistiu.

Tudo bem, mesmo se tivesse feito algo, não importava.

Era legítimo.

Ele não se importou.

Mas gostava de assustar Feng Ning, então olhou fundo para ela e disse:

— Li Feng Ning, não pense que eu não sei o que você está pensando.

Feng Ning ficou surpresa. Estava perdida, como poderia ele saber?

Ele era mesmo um ser sobrenatural.

Ela cobriu o rosto vermelho e caiu de joelhos, chorando:

— Majestade, o senhor está enganado. Eu não tenho tais pensamentos... Só que de repente precisei ir ao banheiro. Se o senhor não estiver ocupado, posso me retirar?

Sem esperar resposta, cobriu o ventre e saiu correndo.

Estava claramente culpada. Será que ele acertara mesmo?

Antes ela queria sair do palácio, agora insistia em ficar no Pavilhão Yangxin.

Pei Jun sabia exatamente o motivo.