Capítulo 1
Mais uma vez trabalhando até tarde—!
Tsujiu sentava-se diante da mesa de trabalho com o rosto contorcido, conferindo freneticamente o andamento das tarefas do seu chefe e esforçando-se para organizar, de maneira impecável, toda a agenda de Sagana para os próximos dias.
Seu superior em breve partiria em viagem de negócios para um planeta remoto e, de acordo com o hábito de sempre, Tsujiu sabia que certamente seria arrastado junto. Não havia o que fazer: ele carregava nas costas as esperanças de todo o departamento, pois a fama de Sagana como chefe difícil era notória, exceto quando lidava com Tsujiu, momento em que revelava uma estranha e peculiar docilidade. E essa diferença de tratamento jamais fora disfarçada, tornando o trabalho de Tsujiu ainda mais extenuante.
Durante os anos que trabalhou sob as ordens de Sagana, a frase que Tsujiu mais escutou foi:
— Por favor, senhor Tsujiu! Só você consegue fazer isso!
...Ouvindo isso, até parecia lisonjeiro.
Que nada!
Aquilo era trabalho, trabalho! Por acaso ele era algum mártir do serviço, destinado a sofrer por todos?
Após checar mais uma vez a programação do dia seguinte, Tsujiu finalmente soltou um longo suspiro de alívio. Olhou para o relógio: quase uma da manhã.
Tsujiu pensou: ...Enquanto os outros recebem salários, eu provavelmente recebo indenização por acidente de trabalho.
Após conferir a caixa de entrada e certificar-se de que não havia novos e-mails, espreguiçou-se levemente. Pelo canto dos olhos, notou uma mensagem recebida na manhã daquele dia.
[Assunto: Universidade de Paz Interestelar – Convite Formal para se juntar ao corpo docente]
— ...Ai. — suspirou suavemente. Ele sabia muito bem quem era o remetente: seu antigo orientador universitário, Veritas Latio.
Já se haviam passado quatro anos, e Tsujiu realmente não entendia por que Latio ainda não havia desistido de trazê-lo para a Universidade de Paz Interestelar como assistente.
O mais constrangedor foi que, ao receber esse e-mail, Sagana apareceu casualmente com uma xícara de café ao lado de sua mesa, flagrando a tentativa de Latio em atraí-lo.
Ambos leram o e-mail juntos e, sem mais, Sagana lançou-lhe um “Hoje vou virar a noite trabalhando” e retornou à sua luxuosa sala ao lado. Já se passavam seis horas desde então, sem dar sinal de vida.
...Não tinha jeito, o instinto de cuidador de Tsujiu reacendeu com força total.
Pensando nisso, Tsujiu foi até a copa, preparou um café especial da empresa, pegou também um copo de leite quente e, após acomodar tudo numa bandeja, dirigiu-se ao escritório de Sagana.
Se alguém perguntasse por que tanto zelo, ele responderia:
Seu chefe ainda não era maior de idade!
Maldita Companhia de Paz Interestelar! Contratar menores de idade é crime!
Tsujiu jamais esqueceria sua reação ao descobrir a idade de seu chefe.
Na época, ele já acumulava inúmeras tarefas alheias devido à sua competência, sentindo crescer o desejo de pedir demissão. Ofertas de emprego chegavam sem que ele sequer precisasse procurar: seu grandioso mestre Latio já insinuava, desde antes da formatura, que gostaria que ele permanecesse na universidade como assistente, e continuou insistindo mesmo depois de Tsujiu ingressar na empresa.
Tsujiu quase se comoveu.
Até frases cortantes como “Zero!”, “Sou alérgico a idiotas” ou “O que espera que eu diga? Que explique por que idiotas são idiotas?” já nem o atingiam tanto.
Mas, ao saber que Sagana era menor de idade, Tsujiu não conseguiu ir embora.
Movido por um sentimento difícil de definir, sentiu que precisava ficar. A empresa era uma máquina voraz, tratava as pessoas como gado — não podia permitir que um menor fosse tragado por esse redemoinho!
Se tivesse que explicar de onde vinha tal sensação, Tsujiu diria que, provavelmente, foi ao ver o jovem de cabelos dourados pela primeira vez: havia, sob a expressão fria do rapaz, uma fragilidade prestes a se partir.
Claro, jamais diria algo assim ao próprio chefe.
Toc, toc, toc—
Tsujiu bateu na porta do escritório de Sagana. Logo a seguir, a porta se abriu automaticamente e ele viu, de imediato, a figura sentada ao lado da enorme janela panorâmica.
O jovem de cabelos dourados escuros estava recostado em uma poltrona confortável. Lá fora, chovia. Ele observava, em silêncio, as gotas de chuva desenhando rastros no vidro.
Ao ouvir o movimento atrás de si, voltou o olhar distraidamente para Tsujiu.
Os olhos de Sagana eram de uma cor muito peculiar: um anel violeta envolvendo o azul cristalino no centro.
Ao mover-se, o adorno de penas que pendia de sua orelha esquerda balançou levemente. O código de escravo, típico de mercadoria, ocultava-se e revelava-se sob a gola da camisa. Ao ver Tsujiu, Sagana esboçou um sorriso tênue:
— Então você ainda não foi embora?
Tsujiu pensou: ...Desde quando eu já saí antes do meu chefe terminar o expediente?! Isso é calúnia!
Assim, mantendo um falso sorriso calmo, aproximou-se lentamente de Sagana. Lançou um olhar para a espaçosa mesa de trabalho: tudo limpo, sem sinais de hologramas ligados — nada que indicasse trabalho extra.
Naquele momento, Sagana girou a poltrona em direção à mesa, observou Tsujiu em silêncio e, percebendo que o outro fixava o olhar sobre a mesa vazia, comentou em voz baixa:
— Ao ver que eu não estou trabalhando, parece que você nem ficou bravo.
Tsujiu pensou: ...Não o faça perceber que já estou acostumado a ser explorado!
Apesar do lamento interno, Tsujiu entregou o copo de leite a Sagana.
— Já que não há trabalho, é melhor dormir cedo, senhor Sagana, senão isso pode atrapalhar seu crescimento.
Assim que terminou de falar, sentiu um calafrio. Droga, ficou tanto tempo trabalhando que se esqueceu que Sagana detestava menções à sua altura. Sempre que dizia algo assim, Sagana costumava fitá-lo, em silêncio, demonstrando clara desaprovação.
Mas desta vez, Sagana não reagiu. Apenas voltou a olhar para a chuva.
Tsujiu sabia que ele não gostava de dias chuvosos, porém, nessas ocasiões, a expressão com que observava a chuva sempre transmitia algo complexo, como se, no fundo, não odiasse tanto assim os dias de chuva.
— Se for apenas pela Lei de Proteção ao Menor, a partir de hoje ela já não se aplica mais. — disse Sagana, com voz serena.
Tsujiu ficou surpreso. Aquilo queria dizer—
— Não imaginei que este dia chegaria com uma chuva tão forte. — murmurou Sagana, quase inaudível, antes de se virar para Tsujiu. No rosto, surgiu o sorriso que Tsujiu conhecia bem:
— Tsujiu, aqui já não há mais menores de idade.
Os olhos de Tsujiu se arregalaram levemente.
...Passar o aniversário trancado no escritório, fingindo estar de plantão?! Isso é mesmo uma forma normal de celebrar?
Desta vez, Sagana até mudou o ângulo para olhar a chuva, posicionando a poltrona de modo que seu corpo ficasse completamente oculto. Não podia ver Tsujiu atrás de si, mas logo ouviu passos apressados.
Tsujiu saiu.
A inquietação que sentia desde o momento em que lera o e-mail, finalmente, se dissipou. O escritório mergulhou num silêncio desconfortável.
Não se sabe quanto tempo se passou até que a porta se abrisse novamente e, junto com um aroma de comida, Tsujiu reapareceu, surpreendendo Sagana.
Carregando uma tigela de macarrão fumegante, Tsujiu se aproximou e, ao colocar a tigela sobre a mesa, mostrou certo constrangimento. Seus olhos verdes desviaram, mas, por fim, falou suavemente:
— Feliz aniversário, Sa... cof — hesitou dois segundos, antes de chamar por um nome há muito não ouvido:
— Senhor Kakavasha.