Capítulo 4
Assim como Sajin conhecia perfeitamente Tsuyu, Tsuyu também era extremamente sensível diante de certas situações. Por exemplo, agora, mesmo sem entender nada, sabia que, se continuasse perguntando sobre o presente que lhe fora entregue, Sajin certamente ficaria aborrecido.
Por isso, Tsuyu engoliu em silêncio todas as suas dúvidas. Aniversário! Era o aniversário! E ainda por cima, o rito de passagem do senhor Sajin! Era um dia digno de ser protegido! Tsuyu repetia para si mesmo, engolindo uma a uma as perguntas que teimavam em sair de sua boca.
...Ainda bem que, durante a pausa do almoço, ele encomendara um presente de aniversário para o senhor Sajin, caso contrário, pareceria que não se importava! Agora, pensando bem, aquele presente já deveria ter sido entregue pelo robô de entregas na mesa do senhor Sajin.
Com isso em mente, Tsuyu pegou seu celular para conferir as mensagens no pequeno grupo de trabalho. Na hora do almoço, ao comprar o presente, pensou que, sendo o décimo oitavo aniversário de Sajin, seria bom avisar o grupo de doze pessoas, composto apenas por colegas de trabalho com quem Tsuyu se dava muito bem, incluindo até uma das dez pessoas de Pedra do Coração — a senhora Yelina, responsável pelo Topázio.
Pensando nisso, Tsuyu sacou o celular para rever o histórico de conversas.
12:22
Tsuyu: “Pessoal, hoje é um dia especial, o senhor Sajin atingiu a maioridade!”
Apenas o Filhote Me Faz Fazer Hora Extra: “Então, qual é a sua intenção?”
Tsuyu: “Acho que deveríamos tornar o aniversário do senhor Sajin mais animado. Eu comprei um presente para ele, vocês querem dar algo também?”
O Chefe Já Ficou Careca?: “???? Você ficou maluco de tanto fazer hora extra?! Eu dar presente pro chefe?!”
Aumenta o Salário!: “?”
Hoje Vou Explodir a Empresa: “?”
Yelina: “?”
Yelina: “Da última vez que fracassei na missão em Yarilo VI, ele fez questão de me desejar felicidades pela minha rebaixamento. Minha última gentileza será não incomodá-lo no aniversário dele :)”
Apenas o Filhote Me Faz Fazer Hora Extra: “Desculpe, só de lembrar do volume de trabalho que ele joga nas minhas costas, já fico com os punhos cerrados.”
Você Não Entende Nada de Planilhas: “Tsuyu, masoquista nato, meus respeitos.”
Preto Multicolorido: “Só tenho a agradecer, meu amigo, por lembrar da gente até nessas horas.”
Depois de ler essas respostas, Tsuyu ficou em silêncio. Cada comentário refletia perfeitamente o estado de espírito de quem o enviou.
O que há com esse pessoal! Será que ninguém pensa em cuidar de um menor de idade?!
Com um nó na garganta, Tsuyu saiu do grupo e então percebeu que Topaz havia lhe enviado uma mensagem enquanto ele acompanhava Sajin nas compras.
Yelina: “Você e Sajin estão prestes a partir para Pinoconi?”
A Estrela do Grande Festival, Pinoconi... Tsuyu repetiu mentalmente esse nome. De fato, nos documentos que recebera, havia uma programação para Sajin ir a Pinoconi, e, fazendo as contas, seria a próxima parada após a viagem a Blanquia. Mas, estranhamente, Sajin nunca deu a entender que pretendia levá-lo junto.
Embora sua reputação entre os colegas fosse duvidosa, Tsuyu sempre achou Sajin uma pessoa muito atenciosa. Sempre avisava suas viagens com umas duas semanas de antecedência e perguntava se Tsuyu podia acompanhá-lo.
Tsuyu olhou para Sajin, que caminhava à sua frente de ótimo humor, e rapidamente respondeu a Topaz.
Tsuyu: “De fato, está no cronograma, mas o senhor Sajin ainda não me comunicou sobre acompanhá-lo.”
A resposta de Topaz chegou quase instantaneamente.
Yelina: “Eu sabia.”
Yelina: “Tsuyu, se você acha boa a experiência de trabalhar com Sajin, espero que desta vez o acompanhe até Pinoconi.”
Yelina: “Quanto ao motivo, não posso revelar por enquanto, mas, se você for, acho que poderá evitar situações que ninguém gostaria de ver acontecer.”
Tsuyu ficou atônito. Desde quando ele tinha tanta importância assim?
Tsuyu: “Não entendi muito bem. Ir ou não ir, além de garantir que o senhor Sajin não pule nenhuma refeição, não vejo outro papel para mim.”
Ele nem sequer era do setor de combate! Espera... será que—
Tsuyu: “O senhor Sajin está com problemas no estômago de novo? Precisa que eu vá junto?!”
Yelina: “...”
Yelina: “Olha, continue assim, Tsuyu, essa sua ingenuidade é ótima. Continue fazendo Sajin feliz todos os dias :)”
Tsuyu: “?????”
Yelina: “Chega de brincadeiras. Mas, se for mesmo, lembre-se: fique apenas nos arredores, nunca entre pessoalmente na Estrela do Grande Festival.”
Após esse diálogo estranho, Tsuyu apressou o passo até alcançar Sajin e, depois de pensar um pouco, perguntou com cautela: “Senhor Sajin, desta vez não seria melhor eu ir com o senhor até Pinoconi?”
O semblante descontraído de Sajin se desfez em questão de dois segundos. Não se sabe o que lhe veio à mente, mas desviou rapidamente o olhar e respondeu em tom calmo: “Desta vez, não precisa me acompanhar. Após a viagem a Blanquia, volte para Pierpont. Nós — vamos nos encontrar lá.”
Mas não chegou a concluir a frase. Normalmente, Sajin informava o local exato onde se encontrariam.
Desta vez, porém, não houve qualquer instrução. Somando isso ao que Topaz dissera, Tsuyu sentiu uma inquietação crescente.
...Mas ele nunca ouvira falar de qualquer perigo de vida nas missões da empresa!
Com um turbilhão de dúvidas, Tsuyu voltou para o escritório. Quando Sajin entrou na sala privativa dentro do escritório de Tsuyu, este espiou discretamente e, de fato, sobre a mesa de Sajin estava o presente, cuidadosamente embrulhado. Tsuyu assentiu, satisfeito — seu presente havia chegado.
O que ele havia dado, afinal—
Enquanto pensava vagarosamente sobre o presente, a porta do escritório de Sajin se abriu. Lá estava Sajin, segurando a caixa de presente, com uma expressão típica de um jovem — pela primeira vez, não estava tão calmo, nem transmitia aquela sensação de ter tudo sob controle.
“...Onde devo colocar isto?” perguntou a Tsuyu, abrindo a palma da mão e mostrando a esmeralda repousando na caixa de veludo.
Tsuyu parou de folhear os documentos, reprimiu o sorriso e respondeu: “Acho que seu chapéu está precisando de uma bela pedra. Ficaria perfeito no centro da pena.”
Sajin baixou os olhos, fitando a esmeralda. Sob a luz, sua cor não era tão intensa. “Gostei muito desse presente”, disse suavemente.
Neste momento, Tsuyu ficou um pouco envergonhado. Comparada aos acessórios de Sajin, aquela esmeralda não era nada valiosa.
No entanto, Sajin segurou a pedra entre o polegar e o indicador, aproximando-a dos olhos para examiná-la de perto. “Se parece muito com a cor dos seus olhos.”
Tsuyu piscou, surpreso. Será mesmo...?
“Vou colocá-la exatamente onde você sugeriu.”
Na verdade, Tsuyu havia pensado em dar uma safira, já que as roupas e acessórios de Sajin tinham muito dessa cor, mas, no fim, acabou escolhendo, meio sem querer, uma esmeralda.
Enquanto ponderava sobre sua mão teimosa, o celular de Tsuyu tocou de repente. Ao olhar, viu o nome exibido na tela —
“Professor Láteo”
Tsuyu: “?!?”
Atendeu quase por reflexo: “Pro-professor?!”
“...Por que tão nervoso? Vai recusar minha oferta de emprego de novo?” do outro lado, a voz grave e serena do homem soou com naturalidade.
Mais uma vez, Tsuyu se lembrou do terror de ter sido aluno daquele professor na pós-graduação!
“Se você ainda não mudou de ideia, tudo bem. Deixe o e-mail de contratação de lado por enquanto. Estou te ligando porque estou em Pierpont agora.”
Tsuyu ficou pasmo. O professor Láteo viera pessoalmente à empresa?! O que será que aconteceu?!
“Se estiver livre, venha jantar comigo hoje depois do trabalho.”