Capítulo 2

[Honkai: Star Rail] Após a voz interior ser ouvida pelo Diretor Aventurino Retorno da Lua de Inverno 3255 palavras 2026-07-31 03:21:34

Ao ver aquela tigela de macarrão fumegante, Ouro de Areia arregalou levemente os olhos, e então perguntou, hesitante:
— O que é isso?
Seu olhar pousou involuntariamente sobre o ovo frito colocado sobre o macarrão, amarelo e brilhante, mas o mais importante era...
Alguém havia cortado um pequeno tomate ao meio no sentido vertical, colocando as duas metades de forma ordenada sobre o ovo, como se fossem olhos, e, logo abaixo, desenhara um arco com ketchup, representando um sorriso.
Extremamente infantil. Muito de acordo com o estado de espírito de Chuva de Encruzilhada — tratando Ouro de Areia como uma criança.
— É o macarrão da longevidade — explicou Chuva de Encruzilhada com seriedade. — Na minha família, comemos esse macarrão nos aniversários, é uma tradição de bons presságios.
Ouro de Areia pegou os hashis e mexeu suavemente o macarrão. Parecia não se interessar muito pelo significado auspicioso, mas sim pelas duas metades de tomate que faziam de olhos, ajustando-as continuamente para que ficassem mais simétricas.
Chuva de Encruzilhada já havia aprendido a lidar com o comportamento nada cooperativo do seu superior; naquele momento, olhava Ouro de Areia como um gato observa um novelo de lã.
Não importava, uma hora ele se cansaria de brincar.
E, como era de se esperar, os movimentos de Ouro de Areia foram gradualmente diminuindo; passado um tempo, ele finalmente falou:
— Você nunca chamou esse nome antes.
Chuva de Encruzilhada levou dois segundos para entender sobre o que ele falava, ficando um pouco indeciso. Se não fosse por uma data especial como aquela, chamar o superior pelo nome próprio seria algo impensável para um trabalhador comum.
— Por que resolveu chamar assim desta vez? — Ouro de Areia ergueu os olhos para ele.
O olhar de Chuva de Encruzilhada tornou-se fugidio.
— Porque, porque hoje é o aniversário do senhor Ouro de Areia. Se eu chamasse só de “senhor Ouro de Areia”, não pareceria muito específico — respondeu apressadamente, como se falasse consigo mesmo:
— Afinal, Ouro de Areia é apenas um codinome. Este cargo pode ser ocupado por outras pessoas no futuro.
Ouro de Areia assentiu calmamente, sorrindo:
— Está me desejando o desemprego, Chuva de Encruzilhada?
Chuva de Encruzilhada ficou sem palavras, mas insistiu:
— Mas chamar pelo nome verdadeiro é diferente. Só quero celebrar seu aniversário de forma mais clara.
Olhou para Ouro de Areia com um certo desagrado, como se protestasse contra a acusação.
O sorriso de Ouro de Areia foi se apagando aos poucos; desta vez, pegou os hashis corretamente e começou a comer o macarrão, pouco a pouco.
Chuva de Encruzilhada sentiu-se consolado, mas também um tanto melancólico. Sempre que o semblante de Ouro de Areia se despia da máscara habitual, ele tinha a sensação de que aquele superior, com quem passava praticamente vinte e quatro horas por dia, jamais se deixava decifrar.
Que mistério era esse!
— Foi um ótimo aniversário — disse Ouro de Areia, ao terminar a tigela de macarrão.
Ele não esperava que Chuva de Encruzilhada ainda se lembrasse daquele nome, considerando que a ocasião em que o revelara fora muito casual.
Porém, Chuva de Encruzilhada sequer chegou perto de entender o que passava em sua cabeça. Olhou a chuva torrencial lá fora, o escritório vazio e a tigela simples e vazia.
Isso é ótimo?! Realmente não conseguia entender o coração do chefe!
-
Ouro de Areia, vestindo um terno impecável, seguia atrás de Jade em direção ao seu escritório.
Naquele edifício imenso, havia um espaço só seu.
— Não vai cobrir? — Jade lançou um olhar ao seu pescoço, onde o código preto se exibia sem pudores.
Ouro de Areia sorriu displicente:
— Não precisa. Isso me faz lembrar de certas coisas.

Jade franziu o cenho, claramente não gostando da resposta, e mudou de assunto:
— Arranjei um subordinado para você. Ele é inexperiente, entrou na empresa há pouco tempo. Não me olhe assim, com seu nível atual, seria difícil domar veteranos, então escolhi esse rapaz para poupar tempo desnecessário — Jade sorriu, descontraída. — Ele é muito competente e entrou para a matriz pouco tempo depois de se formar, passando por várias avaliações. E quanto ao temperamento... — riu baixo — você vai gostar.
Ouro de Areia não deu importância e logo se esqueceu das palavras de Jade, até entrar em seu escritório e dar de cara com o secretário designado para si — uma silhueta magra de costas para ele.
Diferente dos demais, cujas posturas eram mais maduras, pelo corpo já se via que era jovem. Vestia um casaco branco com capuz, destoando do ambiente, e prenderas os cabelos prateados num pequeno coque atrás da cabeça.
Ao ouvir o som atrás de si, virou-se apressado, revelando olhos verde-esmeralda, cada um com uma pequena pinta abaixo. Um jovem de traços delicados.
...Parecia um animalzinho assustado.
Mas nada ali parecia especial para Ouro de Areia.
Até que o rapaz soube da sua idade pela boca de Jade e, naquele instante, seu semblante mudou completamente.
Não se tornou desdenhoso ou calculista, como os outros, mas sim —
— Isso é ilegal! — O susto estampado no rosto do jovem ficou marcado na memória de Ouro de Areia, vívido até hoje.
Parecia prestes a escrever uma denúncia.
Depois, tudo ficou estranho.
À noite, ao levar Ouro de Areia para conhecer a sala de descanso do escritório, o secretário ainda lhe entregou um copo de leite quente:
— Fique tranquilo, já encaminhei um relatório de opinião dos funcionários. Responderam que, daqui pra frente, haverá leite fresco à disposição na copa. Afinal... — olhou para Ouro de Areia, mais baixo que ele — o senhor ainda está em fase de crescimento.
Sua voz era sincera e afetuosa.
Ouro de Areia ficou sem palavras.
Ao entrar na sala de descanso, caiu em novo silêncio.
Viu que, sobre a cama de solteiro, havia um boneco de pelúcia.
O secretário não deu importância, passou a explicar a disposição do pequeno espaço, detalhando, em especial, o modo correto de usar o criado-mudo:
— Veja, basta bater duas vezes com o dedo que a tampa se abre automaticamente. Tem esse pequeno nicho aqui, perfeito para suas joias ou acessórios, assim não perde nada. — O secretário detalhava as facilidades dos móveis. — A pia também tem esse mesmo design.
Toda a sala de descanso fora planejada pelo secretário; Ouro de Areia sabia que, nas demais, não havia esse tal nicho para acessórios.
Depois, o secretário pegou um tablet, perguntando seriamente se ele precisava de mais alguma coisa, para que pudesse providenciar tudo o quanto antes.
Ouro de Areia perguntou, com expressão complicada:
— Você trata todos os chefes assim?
O secretário piscou, confuso:
— Mas agora já acabou o expediente...
Ou seja, não estavam interagindo como superior e subordinado.
— É, acho que o andamento não está certo — murmurou o secretário para si mesmo. — Ah, eu me chamo Chuva de Encruzilhada, e você?
Ouro de Areia permaneceu calado.
A situação parecia ainda mais estranha.
Sem resposta, o secretário Chuva de Encruzilhada ficou cada vez mais constrangido, desviando o olhar.
— Acho que primeiro precisamos comer, vou ver o que posso trazer para você — disse apressado, saindo da sala quase correndo, tão rápido que a voz de Ouro de Areia mal conseguiu acompanhá-lo.

— ...Kakawasha.
Toc.
A voz de Ouro de Areia e o som da porta se fecharam ao mesmo tempo, mergulhando-o em novo silêncio.
Mas, no instante seguinte, a porta se abriu novamente, e uma cabeça de cabelos fofos espiou para dentro. Chuva de Encruzilhada, meio sem jeito, perguntou baixinho:
— Esqueci de perguntar, o que você quer comer?
A memória é mesmo algo curioso; já se passara mais de um ano, mas a recordação daqueles dias ainda se repetia, vívida, em sua mente.
Ouro de Areia conseguia desenhar com precisão cada expressão do rosto de Chuva de Encruzilhada.
Inclusive a forma como o tratava, de “você” para “senhor”, depois de novo para “você”.
Então ele ouviu.
Por isso voltou, não foi?
Saindo das lembranças, Ouro de Areia olhou para Chuva de Encruzilhada, que se preparava para recolher a louça e sair:
— Agora acabou o expediente — disse. — Quer jogar um jogo?
Chuva de Encruzilhada olhou surpreso para Ouro de Areia, que, diante de seus olhos, tirou do bolso uma ficha de fliperama.
Chuva de Encruzilhada reconheceu a moeda: era de uma casa de jogos que haviam visitado dois meses antes. Não imaginava que Ouro de Areia ainda guardasse uma, muito menos que a levasse consigo.
— ...Que jogo? — perguntou, curioso.
Ouro de Areia lançou a moeda com o polegar, fazendo-a girar no ar:
— Uma coisa. Quero tentar adivinhar o desfecho.
No instante em que a moeda pousou no dorso da mão, ele rapidamente a cobriu com a outra.
Vamos apostar se você vai embora ou não.
— Aposto que vai dar cara.
Você não vai embora.
O sorriso educado de Chuva de Encruzilhada quase não se continha; por dentro, ele gritava:
— Então por que ele faz isso?! Que tipo de jogo é esse, hein?!
Ouro de Areia revelou a moeda: era mesmo cara.
No segundo seguinte, disse, sinceramente:
— Você merece um aumento.
Chuva de Encruzilhada ficou sem palavras.
Por favor! Esse é o tipo de jogo que ele toparia jogar todos os dias!