Capítulo 18

[Honkai: Star Rail] Após a voz interior ser ouvida pelo Diretor Aventurino Retorno da Lua de Inverno 4030 palavras 2026-07-31 03:21:47

Quando o carro estava na metade do caminho, Tsujii Ame não conseguiu mais segurar e pediu ao motorista: "Por favor, senhor Guderian, pode acelerar um pouco mais?" Enquanto falava, ele olhava de vez em quando para Sakin, para verificar o estado do seu chefe.

Desde que Tsujii Ame percebeu que o rosto de Sakin estava avermelhado, ficou chocado ao notar que a temperatura nas bochechas do seu chefe não diminuía, mesmo com as luzes fracas ao longo da estrada iluminando seu semblante estranho.

Sakin simplesmente cobriu o rosto com seu chapéu-coco e se recostou no banco de trás, sem dizer mais nada, ignorando o olhar insistente de Tsujii Ame.

— Senhor Sakin! Está tudo bem? — Tsujii Ame perguntou, preocupado. Sem poder ver o rosto de seu chefe, começou a temer que ele tivesse desmaiado de febre. Não conseguindo observar seus olhos, ele discretamente levantou a aba do chapéu e encontrou aqueles belos olhos bicolores.

Ah… ainda bem, ele não desmaiou.

Sakin cruzou o olhar com os brilhantes olhos verde-esmeralda tão próximos e lembrou-se do interior pouco iluminado do carro, onde os olhos de Tsujii Ame estavam tão perto. Instintivamente, Sakin sentiu vontade de se aproximar ainda mais.

No entanto, antes que Tsujii Ame pudesse se tranquilizar, Sakin, como se tivesse levado um choque, rapidamente abaixou o chapéu, cobrindo novamente o rosto.

— ...Estou bem — disse ele com voz abafada debaixo do chapéu.

Tsujii Ame ficou em silêncio. Não! Ele claramente não estava bem!

Tsujii Ame percebeu que até as orelhas de Sakin estavam vermelhas!

Agora ele estava ainda mais preocupado. Ele se inclinou entre o banco do passageiro e o do motorista, observando atentamente a estrada à frente. O motorista, assustado com a vigilância rigorosa, quase pisou fundo no acelerador, suando intensamente. Felizmente, a empresa possuía sua própria linha aérea exclusiva, e os que pilotavam os carros flutuantes eram pessoas poderosas, algo raro em lugares como Blancia, o que permitiu que chegassem rapidamente ao hotel.

Ao sair do carro, Sakin recusou a ajuda de Tsujii Ame e caminhou em direção ao elevador com seu passo habitual, nem rápido nem lento. Além do rosto levemente avermelhado, ninguém poderia perceber que ele estava com febre.

Tsujii Ame já havia sentido a temperatura da testa de Sakin no carro, era muito mais quente do que a dele. Então, ao acompanhá-lo até o andar onde estavam hospedados, Tsujii Ame rapidamente encomendou remédios para resfriado e para baixar a febre pelo celular, pronto para dar a Sakin depois.

Mesmo entrando na suíte com Sakin, Tsujii Ame continuava murmurando para si mesmo:

— Deve ter sido o ar-condicionado do cassino que estava muito forte!

— Droga, eu devia ter ajustado quando senti frio...

— O que houve ultimamente com Kakawashia? Ele parece tão frágil, pegou febre só por causa do ar-condicionado. Será que é por causa do excesso de trabalho?

— Isso não pode continuar assim. Acho que preciso pesquisar receitas para aumentar a imunidade.

— Ah, sendo um Viajante da Fortuna, minha habilidade só cura ferimentos externos...

Tsujii Ame tinha uma mente muito ativa, mas isso não afetava sua agilidade.

Assim que Sakin sentou-se no sofá da sala, a energia que o sustentava desapareceu. Ele recostou-se de forma desajeitada no encosto, sentindo-se tão fraco que levantar a mão parecia difícil.

Ele sabia muito bem que essa doença repentina não era só por causa do frio, mas principalmente pelo preço da bênção do prazer, que consumira muito de sua essência em um lugar com alta densidade de memórias.

Ele já esperava, afinal, o poder do deus da diversão nunca vinha sem um custo.

Enquanto sua mente vagava, os murmúrios de Tsujii Ame enchiam seus ouvidos. Era como se estivesse imerso em uma água morna agradável, e aquela voz tinha um poder relaxante que o deixava preguiçoso.

Não sabia o que os outros pensariam ao ouvir esses pensamentos tão íntimos, mas Sakin sabia que gostava daquilo. Era uma experiência nova; antes, ele só conseguia perceber as emoções de Tsujii Ame pelas expressões faciais, mas agora finalmente entendia como era o mundo interno do seu assistente.

Tsujii Ame acabara de preparar a bolsa de gelo quando a campainha da suíte tocou. Ele abriu a porta e recebeu os remédios de um robô com bandeja. Ao se virar, viu Sakin encostado no sofá, seus belos olhos bicolores seguindo seus movimentos.

Vendo-o observando-o silenciosamente, Tsujii Ame quase sorriu, mas sentiu pena pela condição do rapaz.

— Senhor Sakin, vá trocar de roupa e deite-se na cama. Ficar no sofá pode ser desconfortável — aconselhou.

Sakin respondeu vagarosamente, sem intenção de se mexer: — ...Vou descansar um pouco mais, não quero me mover agora.

Na verdade, ele estava sem forças.

Ao ouvir isso, Tsujii Ame ficou alerta e abriu a embalagem do termômetro. Ao medir a testa de Sakin, viu 38,6°. Com essa temperatura, entendeu que ele realmente estava fraco demais para se mexer.

Tsujii Ame ficou em dúvida. Conhecendo Sakin, sabia que ele jamais dormiria com poeira no corpo, mas com aquele estado, não se sentia seguro em deixá-lo tomar banho sozinho, temendo que ele caísse e piorasse a situação.

Olhando para Sakin, que parecia um saco de ossos, Tsujii Ame tomou uma decisão difícil:

— Então... deixe-me ajudá-lo a tomar banho!

Ele se animou, dizendo a si mesmo que só precisava superar aquele obstáculo mental, afinal, Sakin não era mais o mesmo de antes; agora ele conseguia tirar a roupa na sua frente sem demonstrar nada.

Pensando assim, devia ser aceitável, certo? Só precisava vencer sua própria timidez.

Depois de quase cinco segundos de preparo mental, Tsujii Ame finalmente olhou para Sakin, que o encarava com os olhos arregalados, incrédulo.

A expressão deixou o rosto de Tsujii Ame corado, e ele explicou rapidamente:

— Eu, quero dizer, posso ajudá-lo a tirar a roupa e usar uma toalha para... limpar seu corpo.

Mas antes que terminasse, Sakin quase saltou do sofá, deixando para trás um Tsujii Ame perplexo. Ele ouviu apenas um apressado “Eu vou tomar banho sozinho” antes que a porta do quarto se fechasse com um estrondo.

Tsujii Ame ficou boquiaberto, segurando o termômetro, confuso:

O que aconteceu? Eu só queria ajudar! Por que a reação dele foi tão estranha?

Sakin não era tão decidido na hora de tirar a roupa pela manhã?

Logo, Tsujii Ame pensou na situação embaraçosa que Sakin enfrentaria tomando banho sozinho.

Será que ele não desmaiará no banheiro ou precisará de ajuda? Talvez eu deva ir vê-lo enquanto ele toma banho.

Enquanto refletia, a porta do quarto se abriu de repente. Sakin apareceu, falando seriamente:

— Eu tenho forças, não vou desmaiar, então não se preocupe comigo tomando banho. E não entre no banheiro enquanto eu estiver lá; se precisar, eu vou chamá-lo, entendeu?

Sua voz tinha um tom quase ameaçador, carregado de aviso.

Depois de falar, ele fechou a porta, sem trancar.

Tsujii Ame ficou impressionado. Espere, por que Sakin conhece tão bem o que estou pensando? Como ele adivinhou exatamente meus pensamentos?

Quem é o chefe e quem é o subordinado afinal? Não deveria ser o bom subordinado que conhece seu superior?

Essas palavras despertaram um sentimento de crise no coração de Tsujii Ame, algo que ele já sentira antes. Pensando nisso, ele entrou silenciosamente no quarto.

Quando Sakin saiu do banho, encontrou Tsujii Ame sentado no sofá ao lado da cama, segurando a bolsa de remédios. Assim que ele apareceu, Tsujii Ame abriu um adesivo para abaixar a febre e colocou sua testa, depois deu duas pílulas para que Sakin tomasse com água morna.

Enquanto bebia aos poucos, Tsujii Ame passou a mão na cabeça de Sakin. O cabelo estava seco, provavelmente pelo sistema de secagem do hotel.

— ...Realmente estou bem — disse Sakin, desconfortável e um pouco irritado.

Ele se sentia como se Tsujii Ame o tratasse como o garoto que acabara de chegar à sede da empresa.

Naturalmente, Tsujii Ame não acreditava nele. Pensando que Sakin quase não havia comido nada naquele dia, ele encomendou uma sopa para a noite.

Sakin quase suspirou:

— ...Não se preocupe. Acho que não vou conseguir comer.

Ele largou o copo na mesa de cabeceira e sentou-se na beira da cama.

— Não tenho apetite agora, e à noite... meu corpo provavelmente não vai se sentir bem, nem terei fome.

Depois do banho, Sakin estava visivelmente mais cansado, sua voz carregava um tom de desânimo.

Tsujii Ame sabia que febris geralmente têm a temperatura aumentando durante a noite.

Pensando nisso, apesar de ter sido rejeitado para ajudar a limpar o corpo, ele perguntou com cuidado:

— Então, quer que eu fique aqui esta noite?

Ao ouvir isso, a expressão dispersa de Sakin desapareceu instantaneamente. Ele olhou surpreso para Tsujii Ame e perguntou:

— ...O quê?

Tsujii Ame apontou para o sofá ao lado da cama:

— Posso dormir no sofá à noite, assim fico mais fácil para cuidar de você.

Tsujii Ame já havia visto Sakin doente antes. Sempre que ele tinha febre, a temperatura piorava à noite. Naquele tempo, ele costumava ficar ao lado de Sakin, embora estivesse sobrecarregado com trabalho, quase fazendo plantões, sem coragem de dizer a verdade para Sakin, apenas dizendo que não conseguia dormir e ficou ali para cuidar dele.

Sakin, doente, também não dormia bem à noite. Muitas vezes, Tsujii Ame, ao terminar uma etapa do trabalho, o via de olhos abertos olhando silenciosamente para ele.

Quando perguntava por que não dormia, Sakin respondia baixinho:

— Estou com dificuldade para dormir.

Tsujii Ame sabia que ele estava desconfortável e trazia um copo de água morna para que ele bebesse e tentasse dormir novamente.

Agora, sem o fardo do trabalho, Tsujii Ame poderia cuidar melhor de Sakin.

Pensando nisso, ele ficou mais firme na decisão de ficar.

Ao ouvir isso, Sakin respondeu instintivamente:

— Você não precisa dormir no sofá. Minha febre não é um resfriado contagioso, só estou cansado. E, com a bênção do prazer, você não precisa se preocupar em ficar aqui.

Antes que terminasse, Tsujii Ame coçou o rosto, um pouco tímido.

— Hã? Não é contagioso? Então está me convidando para dormir na cama?

— Então é isso que significa tratamento diferenciado por status? Kakawashia me convidando para dormir na cama dele!

Sakin ficou sem palavras.

Ele abriu a boca para falar, mas não terminou a frase.

Então ouviu Tsujii Ame, um pouco constrangido:

— E-eu entendi. Então vou dormir ao seu lado esta noite.

Sakin lentamente deitou-se na cama, com uma expressão serena.

Ele não podia recusar, simplesmente não podia.

Mas era de se imaginar que ele não dormiria naquela noite.