Capítulo 16

[Honkai: Star Rail] Após a voz interior ser ouvida pelo Diretor Aventurino Retorno da Lua de Inverno 4892 palavras 2026-07-31 03:21:46

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Tsujii Ame não entendia nada sobre o que acontecia na mesa de apostas. Ele às vezes saia para se divertir com os amigos, mas o máximo que faziam era jogar dados apostando em números altos ou baixos. O jogo que estava acontecendo na mesa envolvia não apenas sorte, mas também uma espécie de jogo psicológico. Pelo menos para Tsujii Ame, entre os presentes, apenas Sakin e o ancião sentado em frente a ele mantinham uma expressão séria; os demais pareciam bastante tensos.

Mas Tsujii sabia que Sakin era quem sentia a maior pressão naquele momento. Ele já tentou aprender algo sobre esse tipo de jogo com Sakin, mas foi rejeitado.

— Para que aprender isso? Você não precisa se sentar à mesa de apostas, vá estudar algo que realmente te interesse — Sakin disse.

Embora Sakin conhecesse os gostos de Tsujii, ele não mencionava a área em que era realmente perito. Pensando nisso, Tsujii mais uma vez lançou um olhar para Sakin.

O jovem de cabelos loiro-dourados estava com dois dedos apoiados na testa, parecendo ponderar a ordem das jogadas. Tsujii desviou o olhar rapidamente; já conseguia avaliar a situação atual pelo comportamento de Sakin.

Parecia que não havia grandes problemas.

O ar-condicionado do recinto estava muito forte; mesmo vestindo um terno formal, Tsujii sentia o ambiente um pouco frio demais. Ele pensou nisso por um instante, mas logo voltou a lembrar do layout interno do cassino. O objetivo da visita era realizar uma limpeza no estabelecimento; para isso, precisariam obter todos os documentos essenciais do proprietário. Uma vez com esse comprovante principal, o restante do processo seguiria sem contratempos.

Segundo o mapa interno, a área administrativa ficava a partir do décimo andar. Quando o jogo terminasse, se os adversários ainda tentassem prolongar a situação, Tsujii planejava avisar os colegas do lado de fora para se prepararem para a intervenção.

Foi então que ouviu um suspiro do ancião à sua frente. Sem que Tsujii percebesse, ele já havia virado as cartas na mesa para baixo. Olhando para Sakin, falou com uma voz amável, mas com palavras bastante desrespeitosas:

— É essa a habilidade dos habitantes de Iczgânia? Vocês são, de fato, mestres na arte da trapaça.

Ao ouvir isso, Tsujii imediatamente se sentiu incomodado. Em pleno século XXI, ainda existia esse tipo de preconceito?!

Sakin sorriu levemente para o ancião e respondeu:

— Talvez. Ficar incomodado por perder para alguém de Iczgânia assim, Sr. Zeras?

O ancião exibiu um sorriso gentil e balançou a cabeça com um ar de resignação. Então tirou do bolso do peito um objeto que mostrou a Sakin e a Tsujii.

Era um dado preto de seis faces, finamente esculpido.

— Imagino que seja isso que a empresa deseja, não é? Meu comprovante principal.

Tsujii sentiu a energia emanando do dado; parecia realmente o documento central. Ficou surpreso com a facilidade com que tudo estava acontecendo. Ele esperava que o ancião, que havia organizado um grande jogo desde o início para Sakin, não fosse desistir tão facilmente.

Porém, ao ver o dado, a expressão relaxada de Sakin se tornou séria:

— Sr. Zeras, o que isso significa? Você não pretende entregá-lo tão facilmente, certo?

O ancião soltou uma risada baixa, sem confirmar nem negar.

— Ei, velho! Isso não foi o que combinamos! — Um homem de cabelos pretos, sentado à esquerda de Zeras, levantou-se abruptamente com uma expressão feroz, encarando o dado preto na mão do ancião. — Você quer entregar isso para a empresa?!

— Calma, jovem. Todos nós subestimamos a capacidade do senhor Sakin. Nossos métodos já devem estar ultrapassados para ele — respondeu Zeras tranquilamente.

Tsujii ficou boquiaberto. O que isso significava? Essas pessoas estavam trapaceando descaradamente? E ainda falavam isso sem nenhum sinal de remorso?

A ousadia deles deixava Tsujii impressionado. O que o chocou ainda mais foi que ninguém parecia se importar; como se trapacear fosse algo trivial.

As luzes do ambiente estavam amareladas, e o ancião olhava com carinho e nostalgia para o dado preto.

— Já faz tanto tempo... Deixe-me olhar para ele mais uma vez.

Dizendo isso, ele colocou o dado perto do olho direito.

Sakin apertou levemente as mãos sobre a mesa, entrando em estado de alerta. Quando o dado foi levantado diante do ancião, algo arrepiante aconteceu: os olhos violetas e suaves de Zeras se tornaram negros em um instante. Logo, as pessoas ao redor também foram tomadas por uma força desconhecida, e seus olhos ficaram completamente negros.

Em poucos segundos, exceto Sakin, todos na mesa tinham os olhos negros como o ancião.

Após essa transformação, eles olharam para Sakin em uníssono, abrindo e fechando a boca, dizendo com a mesma voz:

— Senhor Sakin, não gosta de jogos assim? Então, joguemos mais uma rodada.

Tsujii não sabia como Sakin se sentia, mas sentiu uma explosão aguda de ansiedade dentro de si.

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Droga! Ele realmente tinha medo de filmes de terror! Muito menos de assistir a um ao vivo!

“Ahhhhhh!”

Tsujii olhou instintivamente para Sakin, que ainda estava sentado. Viu seu superior como se tivesse levado um susto; sua postura tremeu e, em seguida, ele se endireitou rapidamente.

Eu sabia! Poucas pessoas gostam de filmes de terror! Sakin também se assustou!

Enquanto Tsujii estava perdido em seus pensamentos, o chão começou a tremer violentamente. Ele quase caiu, apoiando-se na cadeira de Sakin para se equilibrar.

O tremor era forte; ao olhar para cima, viu o lustre de cristal balançando freneticamente.

No entanto, Zeras parecia não se importar. Mesmo naquela situação caótica, ele e seus comparsas estavam firmes ao redor da mesa. O dado preto se movia rapidamente entre as mãos do ancião e dos demais participantes, todos, exceto Sakin, estavam envolvidos no jogo. O dado parecia um borrão enquanto era passado de mão em mão.

— Vamos, senhor Sakin, adivinhe onde está agora.

Tsujii ficou sem palavras.

Sua mente finalmente entendeu: o tremor era uma artimanha do velho Zeras.

Mesmo numa situação tão crítica, ele só pensava em prender Sakin ali. O mais notável era que Sakin estava completamente concentrado nos movimentos dos oponentes, focado no dado que era o comprovante principal.

Tsujii cerrou os dentes, mas não ousou interromper. Correu até a porta atrás deles, mas estava trancada com segurança. Sem pensar duas vezes, sacou dois disparos de sua granada de mão contra a fechadura, destruindo o miolo, mas a porta não abriu.

... A porta estava trancada dos dois lados!

O tremor no chão aumentou e um som ameaçador de “crec” ecoou em seus ouvidos. Tsujii não tentou localizar a origem; em vez disso, tirou o comunicador para avisar a equipe externa da localização deles. Contudo, ao abrir o aparelho, não havia sinal algum.

Enquanto Tsujii amaldiçoava em silêncio, uma ficha dourada disparou em direção à porta, quebrando-a em um só golpe.

— Vá primeiro! — A voz de Sakin soou.

Tsujii olhou para trás e viu Sakin de costas, recolhendo a mão direita, mas seus olhos não deixavam a mesa.

Finalmente, os movimentos pararam. O lustre de cristal não suportou o tremor e despencou sobre a mesa, destruindo-a.

As pessoas ao redor da mesa não se moveram; nem o lustre nem a mesa os afetaram. Sakin até acenou para uma mulher de cabelos castanhos, sentada a três pessoas de distância.

— Senhora, por favor, estenda sua mão esquerda.

A mulher olhou para Sakin com expressão vazia e lentamente estendeu a mão. Quando estava para abrir a palma, levou a mão à boca. Na palma da mão estava o dado preto. Ela inclinou a cabeça para engoli-lo, mas uma ficha atingiu seu pulso com força, fazendo o dado cair. Em seguida, outra ficha acertou o dado, que voou para trás deles.

Quando Sakin se preparava para correr na direção do dado, uma figura foi mais rápida.

Tsujii, por ser ágil e estar perto da porta, pulou e agarrou o dado firmemente.

— Tsujii! — A voz de Sakin veio de trás, cheia de urgência.

De repente, Tsujii sentiu um peso no ombro: um homem de olhos negros segurou seu braço e tentou tomar o dado. Tsujii lutou, mas mais pessoas avançavam. Prestes a passar o dado para Sakin, que estava próximo à porta, ele ergueu a mão procurando-o.

Sakin correu até ele com expressão feroz, usando uma força misteriosa para imobilizar os que bloqueavam o caminho. Agarrou o pulso de Tsujii e o puxou com tanta força que parecia quebrar seu osso. Após afastá-lo da multidão, Sakin não disse uma palavra, apenas o conduziu em direção à porta.

Atrás deles, os imobilizados recuperaram os movimentos e começaram a persegui-los.

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Era claramente uma armadilha bem planejada. Ao saírem do quarto escuro, o saguão do cassino estava vazio.

O tremor aumentava, fazendo o edifício balançar perigosamente. Pedras começaram a cair do teto, mas graças à proteção de Sakin, eles não se feriram. Porém, os perseguidores se aproximavam rapidamente, e a distância até a saída ainda era longa.

Tsujii cerrou os dentes, preparando-se para entregar o dado a Sakin.

— Senhor Sakin! Você vai pegar o dado—

— Cale a boca! — Sakin interrompeu imediatamente.

Tsujii ficou surpreso com a severidade, mas insistiu:

— Mas o dado—

— Olhe para frente!

Tsujii suspirou internamente, pensando como Sakin era ríspido, e viu o olhar de advertência que ele lançou.

Não disse mais nada.

Nesse momento, a porta da frente foi explodida por pessoas do lado de fora. Funcionários uniformizados da empresa, armados, gritaram:

— Senhor Sakin! Senhor Tsujii! O reforço chegou!

O líder ergueu um equipamento que parecia um lançador de foguetes e abriu caminho, empurrando as pedras para trás. Os demais miravam suas armas nos perseguidores.

Com a ajuda dos reforços, Sakin e Tsujii avançaram rapidamente até a saída. Os seguranças guardaram suas armas calmamente e seguiram atrás deles.

Tsujii não sabia até onde haviam corrido quando ouviu uma explosão atrás. O chão começou a tremer irregularmente. Ao olhar para trás, viu o prédio inteiro do cassino desabando verticalmente, sem atingir prédios vizinhos.

Em segundos, uma nuvem de poeira se formou. Tsujii levantou a mão para proteger os olhos, e percebeu que Sakin havia soltado seu pulso, permitindo que ele se protegesse melhor. Entre a poeira, viu alguém se posicionar à sua frente, absorvendo parte da poeira.

Quando tudo se acalmou, Tsujii tossia devido à poeira. Ao abrir os olhos, viu Sakin parado à sua frente, com a expressão tensa. O homem que o protegera era ele, evidentemente.

Tsujii não sabia como devia estar, mas viu que o casaco preto de Sakin estava coberto de poeira, assim como o rosto — uma rara visão dele tão desarrumado.

Sakin o olhou e estendeu a mão.

No mesmo instante, Tsujii teve uma inspiração. Tirou o dado preto do bolso e o ofereceu, orgulhoso:

— Senhor Sakin! Eu trouxe o dado intacto!

Sakin respirou fundo, mas não pegou o dado. Em vez disso, colocou a mão com a luva preta sobre a face empoeirada de Tsujii e limpou cuidadosamente uma mancha de sujeira.

... Espera, não era para pedir o dado?

Então Sakin resmungou com raiva:

— ... Você é um idiota, não é?

Tsujii ficou sem palavras.

Ele não via razão alguma para isso.