Capítulo 14
Após o café da manhã, Tsujii Yuu acompanhou Sunajin para desembarcar oficialmente no porto estelar de Blancia.
Assim que desceram da nave ecológica, Tsujii Yuu começou a observar curioso ao redor. O estilo arquitetônico de Blancia era completamente novo para ele; não seguia o estilo rústico dos navios imortais, nem a combinação luxuosa e tecnológica de Pierpoint. Ali, tudo era uma metrópole reluzente e esplendorosa.
De acordo com as informações que Tsujii Yuu havia pesquisado antes da viagem, a arquitetura de Blancia era muito semelhante à de Pinokonni. Contudo, para visitar Pinokonni, era necessário primeiro reservar um quarto no Hotel Sonho Diurno por um preço exorbitante e, então, acessar o mundo onírico por meio dos dispositivos do hotel. O custo era tão alto que muitos jamais poderiam pagar, e embora a fama de “Estrela da Grande Reunião” fosse universal, poucos tinham a oportunidade de conhecê-la pessoalmente.
Blancia, situada no mesmo sistema estelar, encontrou um caminho alternativo ao desenvolver uma versão popular de Pinokonni, oferecendo um Pinokonni no mundo real. Por isso, a arquitetura de Blancia era praticamente idêntica à de Pinokonni, com inúmeros prédios altos e quadrados, menos brilhantes que o mundo dos sonhos, mas ainda assim impressionantes para alguém como Tsujii Yuu, que nunca havia estado em Pinokonni.
Tsujii Yuu e Sunajin estavam sentados em um supercarro flutuante, previamente organizado pela empresa, que se deslocava rapidamente pela superfície. Para que os passageiros no banco traseiro pudessem apreciar melhor a paisagem de Blancia, o condutor abaixou o teto do veículo. A brisa noturna acariciava o rosto de Tsujii Yuu, e seus olhos refletiam as ruas movimentadas, com as lojas passando rapidamente ao lado.
Essas lojas, em sua maioria, estavam relacionadas a sonhos. Diferente do paraíso dos ricos que era Pinokonni, Blancia era um destino turístico para o povo comum.
Enquanto Tsujii Yuu observava as redondezas do carro conversível, Sunajin ao seu lado perguntou de repente: “Você já planejou quais lojas visitar?”
Era realmente um hábito de Tsujii Yuu. Nas viagens a trabalho com Sunajin a novos planetas, ele aproveitava o tempo livre para fazer roteiros turísticos, visitar lojas e comprar souvenirs. Esses presentes não eram apenas para si, mas também para os pais e amigos.
No começo, Sunajin desconhecia esse costume de Tsujii Yuu. Sempre que uma missão terminava, ele desaparecia por uma tarde inteira e reaparecia antes do retorno com um monte de pequenas lembranças. No caminho de volta, Tsujii Yuu ficava ocupado embalando cuidadosamente cada presente, etiquetando com os nomes e enviando por correio espacial.
Na primeira vez que viu esse ritual, Sunajin achou reconfortante observar Tsujii Yuu embalando com tanta dedicação, então sentou silenciosamente ao seu lado, escolhendo um lugar vago. Entre uma tarefa e outra, ele olhava de soslaio para Tsujii Yuu; embora não conversassem muito, a convivência naquele espaço nunca parecia constrangedora.
Tsujii Yuu era habilidoso em dobrar papéis de presente e escolher embalagens externas, incluindo pequenos enfeites delicados. Sunajin viu todo o processo, inclusive a escrita cuidadosa dos nomes dos remetentes.
Naquele momento, Sunajin não pensava em nada além de observar calmamente Tsujii Yuu trabalhando e vendo suas expressões de concentração ao escolher os presentes e escrever os cartões postais.
Até que um presente envolto em papel dourado claro passou por cima da tela do computador e foi colocado gentilmente em seu colo.
“Para você, Senhor Sunajin,” disse Tsujii Yuu, um pouco envergonhado, colocando o presente sobre as pernas. “Não é nada valioso, mas quando vi achei que combinava com você, então comprei.”
Surpreso, Sunajin olhou para ele e depois para a caixa do presente em suas mãos. Nunca imaginara que entre aquelas lembranças houvesse algo para ele.
Mas...
“Por que não me deu direto...?” Sunajin pegou a caixa e a examinou de cima a baixo. “Tem que estar embrulhado?”
Tsujii Yuu respondeu sério: “Isso se chama senso de cerimônia.” Depois sorriu alegremente e disse: “Bom, vou para o quarto agora. Boa noite adiantado, Senhor Sunajin.”
Cantando baixinho, Tsujii Yuu saiu feliz da sala de descanso. Sunajin abriu a boca para chamá-lo, talvez perguntando se podia abrir ali mesmo, mas achou desnecessário.
Após pensar por alguns segundos, Sunajin cuidadosamente rasgou o papel do presente, esforçando-se para não danificar o delicado papel amarelo claro.
… Afinal, ele tinha visto Tsujii Yuu embalar tudo com tanto cuidado, desfazer da mesma forma parecia o mais natural.
Quando abriu, encontrou uma rede dos sonhos decorada com penas brancas.
Ao pegar o presente, um cartão postal caiu, e Sunajin rapidamente o apanhou. Ele leu a caligrafia elegante de Tsujii Yuu.
“Lunros tem muitas belas lendas. Embora o Senhor Sunajin tenha passado algum tempo neste planeta, sei que está ocupado com seu trabalho e não pode explorá-lo profundamente. Permita-me escolher um presente que represente os costumes locais. Não sei por quê, mas ao ver esta rede dos sonhos pensei que combinaria com o Senhor Sunajin. Dizem que a rede captura bons sonhos e filtra os pesadelos. Espero que o Senhor Sunajin durma bem todas as noites com belos sonhos.”
Sunajin leu calmamente o cartão, depois olhou para a rede dos sonhos em suas mãos, acariciando suavemente as penas macias penduradas abaixo dela.
A partir daquele momento, sempre que retornava de uma missão, Sunajin perguntava a Tsujii Yuu sobre seus planos de compras. No começo, queria apenas ouvi-lo falar, achando curioso aprender sobre costumes através dele. Depois, passou a acompanhá-lo nas lojas que nunca visitaria por conta própria.
“Senhor Sunajin, você não disse que seu tempo é dinheiro?” perguntou Tsujii Yuu, um pouco envergonhado, ao saírem de uma loja antiga de souvenirs. Temia que suas passeadas atrapalhassem os planos de faturar do chefe.
“Mas este é meu tempo de descanso, ele não deve ser medido em dinheiro.” E, além disso, era um momento precioso que o recarregava.
Sunajin então viu o sorriso contido de Tsujii Yuu.
O que estaria pensando naquele instante?
Pensar no passado durava apenas alguns segundos para Sunajin. Ele tocou suavemente a têmpora, intrigado por pequenas coisas do cotidiano despertarem lembranças de tempos anteriores, mesmo sem terem vivido juntos por tanto tempo.
“Já planejei o roteiro. Há várias lojas de mídia que vendem bons sonhos; quero visitar depois da missão para escolher alguns apropriados,” disse Tsujii Yuu, animado só de falar sobre o que faria depois do trabalho. Tinha muita curiosidade sobre essas lojas que prometiam imergir o cliente em sonhos alheios na primeira pessoa. Em Blancia, os sonhos eram capturados apenas em filmes.
“Ouvi dizer que a qualidade desses sonhos é menos de um por cento da de Pinokonni...” Ele não pôde deixar de insinuar isso discretamente.
Queria muito ir a Pinokonni!
Pensando nisso, ele olhou de soslaio para Sunajin, querendo ver se ele captava a indireta.
“Você realmente não vai me levar? Não pode me levar?”
Sunajin suspirou levemente, colocou a mão na cabeça de Tsujii Yuu e gentilmente a virou para o lado, sinalizando que ele continuasse admirando a paisagem de Blancia. “Veja se encontra mais alguma loja que queira visitar. Depois da missão, eu te acompanho.”
Passou um bom tempo sem resposta de Tsujii Yuu.
… Ele está chateado?
Antes que Sunajin pudesse olhar para ele, ouviu a voz interior de Tsujii Yuu.
“... Kakawasha tem uma reação tão estranha.”
Sunajin sentiu o peito apertar. Será que sua expressão foi demasiado óbvia e Tsujii Yuu percebeu algo?
Então ouviu outra reflexão do jovem:
“Parece coisa de romance ou filme, aquele tipo de homem que, para fugir de suas obrigações, muda de assunto...”
Sunajin ficou completamente confuso.