Capítulo 15
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Lian Yanmei estava realmente ficando maluca. Começava a desconfiar que Yao Yujuan não tinha vindo para ajudar no trabalho, mas sim para dar aulas de doutrinação ideológica!
Além disso, aquela frase nem sequer tinha sido dita pelo Presidente; tinha sido Confúcio quem a dissera!
Mas aquele não era o momento de discutir quem havia dito a frase. Temendo que Yao Yujuan e Xu Aixiang começassem a discutir outra vez, Lian Yanmei tratou de interrompê-las:
— Está bem, está bem, já chega. Daqui a pouco eu mudo para lá. Afinal, eu também dormia naquela cama.
No começo, ela dormia na cama encostada à parede. Depois, como a água da chuva começou a infiltrar-se pela parede, trocou de lugar. Como naquele quarto só moravam ela e Xu Aixiang, nunca mais havia voltado para lá.
Agora que tudo estava consertado e não havia mais goteiras, não faria mal mudar-se novamente.
Yao Yujuan disse:
— Eu posso dormir naquela cama. Não sou exigente para dormir; consigo dormir em qualquer lugar.
Lian Yanmei decidiu de uma vez:
— Está bem. Se você quer dormir lá, então vá.
Temendo que Yao Yujuan começasse outra sequência de grandes discursos, mudou rapidamente de assunto:
— E vocês três? Daqui para a frente, vão comer no refeitório ou conosco?
Ye Huan ouvira Zhao Sihai dizer que o refeitório da fazenda ficava um pouco longe do alojamento dos jovens enviados ao campo. Como não queria caminhar, disse que preferia comer ali mesmo.
Li Mingjie e Yao Yujuan também escolheram comer no alojamento, assim como Ye Huan.
Lian Yanmei explicou:
— Quem comer aqui precisa pagar, no fim de cada mês, o dinheiro da comida do mês seguinte. A cozinha fica por conta de duas pessoas por vez, em rodízio. Cada dupla cozinha durante um dia.
Ye Huan ficou um pouco aflita. Ela não sabia cozinhar.
Mas, pensando bem, aprender a cozinhar ainda era melhor do que obrigá-la a caminhar todos os dias por uma distância tão grande. Já era cansativo trabalhar o dia inteiro; depois ainda teria de andar tanto para comer e, terminada a refeição, voltar para casa. Portanto, ela continuava preferindo comer no alojamento.
Assim que terminasse de comer, poderia descansar.
Li Mingjie perguntou a Lian Yanmei:
— Então, o que vamos comer hoje à noite?
Lian Yanmei gritou:
— Qinggui, a comida já está pronta?
— Quase.
— É comida suficiente?
Gao Qinggui aproximou-se, constrangida.
— Não muita.
Antes de começar a cozinhar, Gao Qinggui havia perguntado, mas ninguém respondera.
Todos entregavam mensalmente uma quantidade exata de grãos. Quem estaria disposto a dividir sua própria comida com pessoas que nem sequer conhecia? Por isso, ninguém respondera a Gao Qinggui.
Como Lian Yanmei não estava presente, Gao Qinggui não se atrevera a tomar uma decisão por conta própria e preparara apenas a quantidade habitual.
Lian Yanmei pensou por um instante e disse a Yao Yujuan:
— Vá primeiro guardar sua bagagem. Daqui a pouco levarei vocês ao refeitório para ver se conseguimos alguma coisa.
Gao Qinggui observou:
— A esta hora, o refeitório provavelmente já fechou.
— Vou pedir ao velho Li que dê um jeito de arranjar alguma coisa para os três.
Ye Huan lembrou-se de que, quando partira, Li Xiufen lhe dissera que havia comida dentro da bolsa. Então falou a Lian Yanmei:
— Eu trouxe comida. Não preciso ir ao refeitório.
— Eu também trouxe — disse Yao Yujuan.
Li Mingjie não tinha trazido absolutamente nada. Por isso, Lian Yanmei pediu a Gao Qinggui que deixasse a porção dela na panela, para que pudesse comê-la quando voltasse. Em seguida, levou Li Mingjie ao refeitório da fazenda.
Gao Qinggui disse a Ye Huan e Yao Yujuan:
— Ainda há fogo no fogão. Se quiserem esquentar alguma coisa, tragam a comida que eu aqueço para vocês.
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Ela dissera aquilo principalmente para Ye Huan. Pouco antes, Ye Huan respondera à altura a Li Mingjie, e Gao Qinggui sentira um prazer enorme ao ouvir. Por isso, simpatizara bastante com ela.
Quanto a Yao Yujuan, por enquanto não tinha vontade de lhe dar muita atenção.
A aula de doutrinação ideológica uma vez por mês já era mais do que suficiente para deixar qualquer pessoa de cabeça quente. Gao Qinggui não queria que aparecesse mais alguém para passar o dia inteiro lhe dando sermões e tentando educá-la.
Ye Huan respondeu e entrou no quarto para pegar a comida.
Tudo estava dentro da bolsa. Ao abri-la, ela encontrou pães achatados, ovos, bolo de ovos, açúcar mascavo, conservas, alguns pedaços de carne seca e uma garrafa de vidro de molho de melancia.
Parte fora preparada por Li Xiufen, e parte fora dada pela cunhada Feng. Havia de tudo um pouco, ocupando quase metade da bolsa. Não era de admirar que estivesse tão pesada.
Com exceção dos pães, tudo podia ser comido sem ser aquecido. Ye Huan pegou apenas um pão, um ovo e um pote de molho de melancia.
Yao Yujuan também trouxera pão, mas, ao contrário de Ye Huan, o dela era feito de uma mistura de farinhas. O de Ye Huan era uma panqueca de cebolinha feita exclusivamente com farinha branca.
Li Xiufen amava a filha e, usando a pouca farinha branca que havia em casa, preparara panquecas de cebolinha para Ye Huan levar.
Gao Qinggui levantou a tampa da panela e colocou os pães das duas sobre a vaporeira.
A comida ficou pronta pouco depois. Gao Qinggui gritou:
— Está na hora de comer!
Todos ainda pareciam abatidos, mas, ao ouvirem o anúncio, imediatamente recuperaram o ânimo. Pegaram as tigelas e os talheres e correram até lá, reunindo-se ao redor do fogão e olhando ansiosamente para Gao Qinggui enquanto ela levantava a tampa da panela.
Panquecas feitas com uma mistura de três farinhas, mingau de sorgo com batata-doce e tiras de folhas de mostarda em conserva: esse era o jantar daquela noite.
Mesmo com as boas condições da fazenda, era impossível comer arroz e farinha branca em todas as refeições. Especialmente em março e abril, quando os estoques antigos já estavam quase no fim e a nova colheita ainda não havia chegado, atravessava-se o período mais difícil do ano. Conseguir comer panquecas de três farinhas e mingau de sorgo já era considerado muito bom. Em alguns lugares de colheita ruim, as pessoas nem sequer tinham comida suficiente.
Depois de servirem a refeição, foram se agachando em pequenos grupos pelo pátio, comendo satisfeitos e fazendo barulho ao sorver o mingau.
O jantar de Ye Huan consistia em uma panqueca de cebolinha com um ovo dentro.
Xu Aixiang fazia muito tempo que não comia uma panqueca de cebolinha feita com farinha branca. Já quase havia esquecido o gosto. Ao ver Ye Huan comendo com tanto prazer, ficou com água na boca. Também decidiu esquecer seletivamente o modo como Ye Huan lhe respondera pouco antes e aproximou-se:
— Essa panqueca de cebolinha foi sua mãe que fez, não foi? Deixe-me provar os dotes culinários da tia.
Sem esperar que Ye Huan consentisse, estendeu a mão. Ye Huan bateu com força na mão dela e a afastou.
— Eu deixei você comer?
Não usara muita força, mas Xu Aixiang ainda sentiu dor e fez uma careta.
— Que pessoa mesquinha! Eu só queria provar, não ia comer tudo.
Yao Yujuan estava agachada ao lado de Ye Huan. Não conseguiu ficar calada:
— Camarada Xu, isso não está certo. Ye Huan nem autorizou você a comer. Como pode simplesmente estender a mão e pegar? Além disso, ela já colocou o molho de melancia na mesa. Você está comendo o molho dela e ainda cobiçando a panqueca. Afinal, ela carregou tudo isso desde tão longe para você?
Como a comida era escassa, Ye Huan ainda não era nobre o bastante para colocar tudo o que trouxera na mesa. Só havia tirado a garrafa de molho de melancia.
O molho era preparado fritando cebolinha e pimenta, com amendoins cozidos misturados. O aroma era delicioso, mas era salgado demais, muito mais salgado que as tiras de mostarda.
Por ser tão salgado, mesmo comendo à vontade ninguém conseguia consumir muito.
Quando Gao Qinggui perguntara antes de cozinhar, ninguém respondera. Agora também não se sentiam à vontade para comer a comida de Ye Huan. Além disso, o molho era salgado demais, então todos apenas passavam um pouco no pão para provar.
Somente Xu Aixiang conseguia tratá-lo como refeição. Sozinha, acabou com quase metade da garrafa.
E, mesmo assim, continuava de olho na panqueca de cebolinha que Ye Huan segurava. Não era de admirar que Yao Yujuan a repreendesse.
Xu Aixiang não conseguiu nada e lançou um olhar atravessado para Yao Yujuan:
— Está bem, está bem, você é a única com alta consciência ideológica.
Depois, tirou uma colherada generosa de molho, espalhou-a sobre o pão e afastou-se.
Por causa da chegada de Yao Yujuan, o jantar terminara tarde. Depois de comerem e arrumarem tudo, já passava das nove da noite.
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Lá fora estava escuro como breu. Sem qualquer entretenimento, só lhes restava deitar-se para dormir.
Lian Yanmei explicou:
— Nossa fazenda e o exército exibem filmes uma vez por mês, em datas alternadas. O exército geralmente exibe os filmes no meio do mês, e nós, no fim. As sessões acontecem na grande praça em frente ao portão deles, e qualquer pessoa pode ir assistir.
Ye Huan lembrou-se de uma coisa e chamou:
— Chefe...
Lian Yanmei respondeu de modo descontraído:
— Pode me chamar pelo nome. Aliás, quantos anos você tem? Já completou dezoito?
— Acabei de completar dezoito.
A antiga dona daquele corpo fazia aniversário em 30 de abril e acabara de completar dezoito anos.
— Então sou mais velha que você. Tenho vinte e dois. Você tem a mesma idade da minha irmã caçula. Qinggui e os outros me chamam de irmã mais velha. Se quiser, você também pode me chamar assim.
Ye Huan aceitou prontamente:
— Irmã Yanmei, a fazenda tem telefone?
— O escritório da fazenda tem um, mas não permitem usá-lo sem um motivo importante. Você quer telefonar para sua família, não é? Então terá de ir ao correio da cidade. Por sorte, amanhã é domingo, e a fazenda tem um veículo que vai até lá. Você pode ir na carroça puxada por bois. Amanhã cedo, espere na entrada da fazenda. Normalmente, saímos por volta das nove.
Antes de partir, Li Xiufen repetira inúmeras vezes que cartas demoravam a chegar e que Ye Huan precisava telefonar para casa assim que chegasse, para avisar que estava bem. Portanto, aquela ligação era indispensável.
Ela iria à cidade no dia seguinte. Aproveitaria também para passear um pouco por lá.
Lian Yanmei trabalhara o dia inteiro e, depois de conversar algumas palavras com Ye Huan, adormeceu.
Yao Yujuan também dormiu pouco depois. Apenas Ye Huan e Xu Aixiang continuaram acordadas.
Ye Huan não estava com sono porque dormira demais à tarde. Xu Aixiang, por sua vez, não conseguia dormir de tanta sede.
O molho de melancia era salgado demais, e ela o comera como se fosse uma refeição. Como poderia não ficar com sede?
Antes de deitar, bebera uma grande caneca de água, mas continuava sedenta. Quando terminou toda a água da garrafa térmica, já era madrugada, e não seria conveniente voltar a ferver água. Só lhe restava tirar água fria do tonel.
Quanto mais água bebia, mais precisava urinar. E assim começou a ir ao banheiro sem parar.
Como Ye Huan também não conseguia dormir, ficou deitada de bruços, observando Xu Aixiang levantar-se e voltar repetidamente, correndo ao banheiro.
Quando Xu Aixiang retornou de uma das idas ao banheiro, viu Ye Huan ainda acordada, deitada de bruços e arregalando os olhos, claramente se divertindo às suas custas. Furiosa, sussurrou:
— Por que o molho da sua família é tão salgado? Sua mãe é parente do homem que vende sal?!
Ye Huan respondeu:
— Você foi gulosa e comeu demais. Caso contrário, por que todos os outros estão bem e só você está com sede? Espere só. Daqui a pouco também vai ter diarreia.
Depois de comer tanto molho e despejar água quente e fria no estômago sem parar, seria um milagre se não tivesse diarreia.
E diarreia ainda seria o menor dos problemas. Talvez acabasse com uma gastroenterite.
Com medo de acordar Lian Yanmei, Xu Aixiang não se atreveu a discutir mais com Ye Huan. Subiu para a cama resmungando. Porém, Ye Huan acertara em cheio. Pouco depois de se enfiar debaixo das cobertas, sua barriga começou a roncar.
Sentindo que algo estava errado, levantou-se depressa, calçou os sapatos e correu para o banheiro.
Só voltou depois de ficar agachada durante um bom tempo. Mal subira na cama, tornou a afastar as cobertas, calçou os sapatos e saiu correndo outra vez.
Ye Huan comentou:
— Viu? Eu não disse? Você podia simplesmente ficar no banheiro e não voltar. Ficar correndo de um lado para o outro é muito trabalhoso. Se achar cansativo permanecer agachada, leve um banquinho para lá e coloque-o ao lado da latrina. Pelo menos poderá sentar-se e descansar um pouco.
Xu Aixiang ficou tão furiosa que quis discutir com Ye Huan. Mas, antes que conseguisse dizer uma única palavra, sentiu uma cólica intensa na barriga e teve a impressão de que ia evacuar imediatamente. Não teve tempo para discutir: apertou o estômago e saiu correndo.
Ye Huan já estava cansada de assistir àquela cena e começava a sentir sono. Bocejou, enrolou-se nas cobertas e adormeceu.
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