Capítulo 5
Ye Huan juntou o dinheiro e os vales-alimentação, formando dois maços volumosos.
Li Xiufen aproximou-se com agulha e linha e perguntou: "Qual calcinha você vai usar quando for viajar?"
Sem entender a intenção, Ye Huan pegou uma calcinha estampada: "Vou usar esta."
"Vou costurar dois bolsos nela para você. Guarde o suficiente para as despesas da viagem e coloque o restante aí dentro. Ouvi dizer que há ladrões nos trens; se esconder aqui, eles não conseguem levar."
Li Xiufen costurou dois bolsos na peça, adicionando abas com botões. Ao terminar, mostrou a Ye Huan: "Assim que fechar os botões, fica bem firme. Não precisa ter medo de perder nem de ser roubada."
Ye Huan guardou o dinheiro e os vales, sentindo-se um pouco relutante: "Fica tudo estufado, vai ficar muito feio no corpo."
"Deixe que fique feio, é melhor do que ser roubada. Os ladrões nos trens são muito espertos. Seu irmão Chizi, que é tão astuto, ainda assim teve uns dez yuans levados em uma viagem."
Ye Huan assentiu, obediente.
Li Xiufen continuou: "Há uma pequena bolsa de pano azul dentro da mala. Dentro dela, coloquei terra que cavei no quintal. Eu a peneirei, está bem limpinha. Quando você chegar ao seu destino, se sentir que a água não lhe faz bem, pegue uma pitada e misture na água que for beber. Isso ajuda a evitar o mal-estar da mudança de ares."
Ye Huan ficou em silêncio. "Ela quer que eu coma terra?"
"Não leve isso na brincadeira. Da última vez que Chizi foi a Donglin a trabalho, por causa da mudança de ares, ele passou a semana toda com diarreia e voltou parecendo um doente. Donglin fica a pouco mais de cem li daqui, mas Jiangping fica a mais de mil. Se você passar mal lá, não terá ninguém para cuidar de você."
Ye Huan concordou, embora a contragosto: "Está bem, vou me lembrar."
"De agora em diante, como a mamãe não estará ao seu lado, você precisa se cuidar e ser cautelosa. Quando for trabalhar, fique atenta, não fique apenas enterrada no serviço. Não tente ser a 'modelo' da turma; não precisamos desse título de avançada, basta fazer a sua parte. Se não estiver se sentindo bem, não force; descanse, sua saúde é o mais importante. Longe de casa não é como estar aqui. Não procure confusão, mas se algo acontecer, não tenha medo. Se não conseguir lidar com a situação, fale com a mamãe, eu estou aqui. Escreva sempre para casa para eu saber que você está bem..."
Li Xiufen estava com o coração partido e, enquanto falava, seus olhos ficaram marejados. Para que Ye Huan não percebesse, ela se levantou: "Vá dormir, amanhã terá que acordar cedo. São dois dias e duas noites de trem. Deixei a calcinha na cabeceira da sua cama, não se esqueça de trocá-la amanhã."
"Pode deixar, mãe. Não se preocupe comigo. Quem sabe daqui a dois anos eu não trago para casa um pretendente alto, bonito e capaz? É só esperar."
Li Xiufen, que estava triste, sorriu com o comentário: "Está bem, a mamãe espera."
Antigamente, sua filha era sempre calada e retraída; nos últimos dias, ela parecia ter mudado. Parecia que tinha realmente crescido e aprendido a consolá-la.
Assim que Li Xiufen saiu, Ye Huan ia se deitar quando a ouviu conversando com Ye Mingqiang na porta: "O que você está fazendo aí? Que horas são? Vá dormir logo!"
"Já vou, já vou."
Embora dissesse isso, ele entrou rapidamente no quarto de Ye Huan. Pensando que, com a partida da irmã, os dois ficariam anos sem se ver, Li Xiufen não o impediu, apenas recomendou: "Não fique amolando sua segunda irmã, ela precisa acordar cedo amanhã. Deixe-a descansar."
"Entendido."
Ye Mingqiang correu até Ye Huan, tirou um punhado de moedas do bolso e colocou nas mãos dela: "Segunda irmã, para você."
As moedas eram majoritariamente de um centavo, com algumas de dez centavos. Ye Huan contou: dava um yuan, oitenta e sete centavos no total.
"De onde você tirou isso?", perguntou ela.
"Quebrei meu cofrinho", respondeu ele com um ar solene.
Ele vinha juntando aquele dinheiro há quase dois anos, planejando comprar uma pistolinha de brinquedo. Mas, ao ver que os outros membros da família estavam dando dinheiro a ela, ele também quis contribuir. Num impulso, quebrou o cofrinho e correu para entregar tudo, com medo de se arrepender.
"A segunda irmã já tem dinheiro, guarde para você", disse Ye Huan.
"Esta é a minha parte", insistiu ele.
O valor era pouco, mas era o gesto dele. Ye Huan aceitou e guardou junto com o que a mãe lhe dera.
"Segunda irmã, me espere", disse ele, satisfeito. "Daqui a dois anos, quando eu crescer, irei te substituir. Sou homem, tenho mais força que você, com certeza vão aceitar. Se eu não cumprir minha palavra, sou um cachorrinho."
Ele olhou para ela com brilho nos olhos, esperando um elogio. Ye Huan acariciou sua cabecinha: "Está bem, a segunda irmã vai te esperar."
Ye Mingqiang sorriu, revelando dois caninos, e correu para fora: "Segunda irmã, durma, já vou."
Na manhã seguinte, Ye Huan foi acordada por Li Xiufen: "Huanhuan, levante-se para comer."
Ye Huan, bocejando, trocou de roupa e foi lavar o rosto. Li Xiufen, ainda preocupada, perguntou: "Trocou a calcinha?"
"Troquei, quer ver?"
Ye Huan levantou a blusa para mostrar os dois volumes estufados. Felizmente, o tempo ainda estava frio e as roupas grossas escondiam tudo.
"E o dinheiro e os vales para a viagem, já separou?"
"Sim, estão na bolsa."
"Mantenha a bolsa bem presa ao corpo, não se descuide."
"Sim."
"Pegou a carta de apresentação?"
"Peguei."
"Não perca, hein!"
...
Após tantas recomendações, Ye Yongguo não aguentou: "Pare de falar tanto, ela não é uma criança que não entende nada."
"É a primeira vez que ela sai sozinha para tão longe", justificou Li Xiufen. Ela não queria que a filha fosse e estava muito apreensiva.
Ye Mingqiang, na mesa, gritou: "Mãe, estou com fome."
Li Xiufen parou de falar: "Vamos comer primeiro."
O café da manhã era mingau de arroz, panquecas de óleo e tiras de rabanete salgado. Ela ainda cozinhou dois ovos para Ye Huan, que não conseguia comer mais nada, mas Li Xiufen insistiu: "Coma, no trem não tem comida quente."
"Já estou cheia até a garganta", protestou a filha.
"Então guarde na bolsa e coma no trem." E, sem ouvir objeções, ela colocou os ovos na bolsa. "Naquela mala verde tem ovos cozidos, panquecas, bolo de frango e carne seca que a cunhada Feng te deu. Se sentir fome, coma."
Ye Yongguo alugou uma carroça de mão. Após o café, carregaram a bagagem: um cobertor enrolado, uma mala grande e uma rede.
"Tanta bagagem assim, como ela vai fazer quando descer do trem? Uma moça sozinha, será que consegue carregar?", perguntou Ye Yongguo.
Li Xiufen saiu da cozinha limpando as mãos: "Shengbing já organizou tudo. Tem um rapaz que também vai para a Fazenda Estrela Vermelha. Shengbing falou com ele para ajudar a Huanhuan com a bagagem até o escritório de jovens instruídos da cidade de Jiangping. Lá, a fazenda enviará alguém para buscá-los."
Ela organizou a bagagem e chamou Ye Huan: "Huanhuan, suba aqui."
"Eu também vou levar a segunda irmã!", pediu Ye Mingqiang.
"Você vai junto", respondeu Li Xiufen.
O menino subiu como um macaco e chamou a irmã. Ye Yongguo pediu que Li Xiufen subisse também, mas ela, preocupada com o marido, respondeu: "Não cabe todo mundo, vou atrás da carroça."
"Suba logo, segure o Qiangqiang e não demore, senão vamos perder o horário!", insistiu Ye Yongguo.
Ao chegarem na entrada do pátio, Li Xiufen olhava ansiosamente para a estrada. Ela ainda mantinha a esperança de que Ye Mingliang e Ye Qing aparecessem para se despedir, embora tivessem dito que talvez não pudessem. Eram irmãos de sangue, afinal.
Mas, apesar de ter ficado ali observando por muito tempo, não viu sinal deles.
Ye Yongguo começou a pedalar em direção à estação de trem, que ficava no centro da cidade, a cerca de meia hora de distância.
Ao chegarem, Li Xiufen disse a Ye Mingqiang: "Fique aqui cuidando da carroça, eu e seu pai vamos levar sua irmã até o trem."
O menino, que até então estava empolgado pelo passeio na carroça, de repente percebeu que a irmã estava realmente partindo. Ele começou a chorar alto, segurando a mão de Ye Huan: "Segunda irmã, você vai mesmo? Não quero que vá!"
Ye Huan, que tinha carinho pelo irmãozinho, enxugou suas lágrimas com um lenço: "Se sentir saudade, escreva-me uma carta, e eu escreverei para você. Você não gosta de colecionar selos? Eu comprarei os mais bonitos para colar nos envelopes e te enviar."
"Não quero selos, só quero você", soluçou ele, recusando-se a soltá-la.
Li Xiufen, com os olhos vermelhos, tentou repreendê-lo, mas também estava sofrendo.
Na hora de embarcar, a multidão era imensa. Ye Yongguo disse: "Dê a mala para sua mãe e suba primeiro, depois eu passo a bagagem pela janela."
Ye Huan abriu caminho entre a multidão com dificuldade, mas conseguiu subir e encontrar seu assento.