Capítulo 7 (Correção de erros)
O vagão inteiro falava sobre o envio para o campo. Li Mingjie e Ye Huan não participaram muito da conversa.
Ye Huan não conseguia se enturmar, pois, até aquele momento, seu conhecimento sobre a ida para o campo era superficial. Mesmo com as memórias da dona original do corpo, ela não entendia por que as pessoas eram forçadas a se mudar para as áreas rurais. Por isso, ela preferia ouvir mais e falar menos, aproveitando para entender melhor que tipo de mundo era aquele.
Já Li Mingjie não se atrevia a comentar.
Dentre todo o vagão, apenas ele e Ye Huan iam para a Fazenda Estrela Vermelha. Embora o destino também envolvesse trabalho pesado, as condições na Fazenda Estrela Vermelha eram excelentes e prósperas; a colheita anual era sempre farta, e não havia necessidade de se preocupar com a escassez de alimentos. Por isso, a vaga era tão disputada que, sem as conexões certas, era impossível conseguir uma.
Como o privilégio despertava inveja, e todos ali estavam frustrados e tensos, ele temia virar o alvo da indignação alheia se falasse demais. Assim, mantinha um perfil baixo.
Ele direcionou toda a sua atenção para Ye Huan.
Li Mingjie tinha vinte anos e não era comprometido. Ao contrário de outros homens superficiais, ele não priorizava apenas a beleza. Para ele, o mais importante era a origem familiar da pretendente, se seus pais ou irmãos tinham influência e se as conexões eram sólidas.
As conexões de sua própria família não eram lá muito fortes; custou muito esforço e muitos presentes para conseguir sua vaga na Fazenda Estrela Vermelha. Se ele conseguiria retornar à cidade no futuro, dependia apenas de si mesmo. Encontrar uma companheira capaz poderia facilitar muito as coisas; caso ele não conseguisse voltar, ela teria os meios para providenciar seu retorno. A beleza era apenas um complemento.
Ye Huan se encaixava perfeitamente em seus critérios. Ela tinha a pele clara, o que indicava que nunca passara por privações, e exalava um perfume agradável, provavelmente de um creme facial de alta qualidade. Só isso já bastava para provar que sua família tinha boas condições. O fato de ela ter conseguido a vaga na Fazenda Estrela Vermelha confirmava que havia influência por trás. Além disso, ela era quieta e obediente, o que, para ele, era o ideal de uma esposa.
Ele acreditava que, sendo atencioso e prestativo, conseguiria conquistá-la facilmente. Durante toda a viagem, ele foi solícito, chegando a sacrificar o sono para vigiar a bagagem enquanto ela descansava.
O trem seguiu viagem por dois dias e duas noites, parando na manhã do terceiro dia na estação de Jiangping. Como não era a estação final, a parada seria breve. Assim que o trem parou, a multidão, carregando malas e sacolas, começou a empurrar para sair.
Querendo impressionar, Li Mingjie assumiu as bagagens de Ye Huan sem que ela pedisse. O peso era tanto que quase o derrubou, mas ele cerrou os dentes e disse: "Vou na frente, siga-me de perto. Se não conseguir, segure-se em mim."
"Posso carregar minhas próprias malas, eu dou conta...", protestou ela.
"Deixe comigo, você não precisa carregar nada. Vamos logo, antes que não consigamos sair", insistiu ele.
Sem esperar, Li Mingjie avançou carregando as malas. Ye Huan, temendo perder o desembarque, apressou-se atrás dele. A confusão era enorme, e o movimento era lento. Então, Li Mingjie gritou: "Por favor, camaradas, abram caminho! Tenho uma doença cardíaca e estou sentindo um aperto forte no peito, temo sofrer um ataque!"
Ele ofegava de forma convincente, como se estivesse prestes a desmaiar. Os funcionários da estação, preocupados, ajudaram a pedir passagem: "Não empurrem! Abram caminho para o camarada que está com problemas cardíacos!"
As pessoas, sendo simples e bondosas, abriram um corredor imediatamente. Li Mingjie, com Ye Huan a reboque, passou facilmente. Um funcionário, preocupado, pegou as malas dele e perguntou como ele estava. Li Mingjie, fingindo fraqueza, respondeu que ficaria bem após descansar. O funcionário aconselhou Ye Huan a cuidar dele e evitar que carregasse peso.
Ao ver a multidão que ainda lutava para sair, alguns até pulando pelas janelas, Li Mingjie sentiu-se orgulhoso de sua esperteza.
Após o trem, ainda precisavam pegar um ônibus para a cidade de Qing Shi. Li Mingjie sugeriu que fossem logo para a rodoviária, que ficava em frente à estação. Ao se oferecer para carregar as malas novamente, Ye Huan o impediu: "Você tem problemas cardíacos, não pode se esforçar. Eu levo."
Ela, preocupada com a saúde dele, insistiu. Li Mingjie, temendo que ela o achasse frágil, confessou: "Eu não tenho problema cardíaco nenhum. Só disse aquilo para que nos dessem passagem."
Ele esperava que ela o admirasse pela astúcia, mas Ye Huan franziu a testa: "Então você mentiu sobre uma doença para tirar vantagem? E parece que tem muita prática nisso, não é a primeira vez?"
Ela falou em tom audível, atraindo olhares de reprovação da multidão ao redor. As pessoas, sentindo-se enganadas, começaram a reclamar. Li Mingjie, sem jeito, pediu que ela falasse mais baixo, mas Ye Huan já havia tomado suas malas. Com uma força surpreendente, ela jogou uma mala sobre o ombro e carregou a outra na mão, deixando-o para trás.
Ela lembrou-se do conselho de sua mãe: ser gentil, mas não se deixar explorar. A atitude de Li Mingjie a enojou. Sem olhar para trás, ela seguiu seu caminho.
Li Mingjie ficou atordoado ao vê-la carregar as malas com tanta facilidade. Ele começou a se perguntar se, caso se casassem, ele teria alguma chance em uma briga. Vendo as pessoas ainda murmurando contra ele, apressou-se em segui-la.
Na rodoviária, ele tentou tomar a iniciativa novamente, mas Ye Huan comprou sua própria passagem. Enquanto esperavam, ela avistou, carregando bagagens no teto do ônibus, o mesmo homem que ajudara seus pais a despachar suas malas na partida. Era uma coincidência e tanto.