Capítulo Cinquenta e Cinco: Todos Morreram
Chu Louco publicou um conto?
Ao receber essa notificação, muitos fãs tiveram uma reação imediata:
Chu Louco lançou um capítulo extra de “O Rei da Rede” no Bloco?
É compreensível pensar assim.
Alguns escritores gostam de usar o Bloco para publicar gratuitamente capítulos extras que não pretendem lançar oficialmente, interagindo com seus leitores.
Mas Chu Louco claramente não é alguém que aprecia esse tipo de interação.
Quando os fãs seguiram o link da notificação, perceberam que não se tratava de um capítulo extra, mas sim de um conto escrito por Chu Louco.
“Se ao menos fosse um capítulo extra de ‘O Rei da Rede’...”
Nesse momento, “O Rei da Rede” já estava no segundo volume, com uma base de fãs considerável, e muitos ficaram desapontados ao perceber que não era um capítulo extra.
Entre eles, Zhu Ming, estudante do ensino médio em Shanchen, Qinzhou, era um fã fervoroso do romance.
“Você deveria ler livros mais enriquecedores.”
Sua irmã, Zhu Hui, sempre desaprovou a leitura de romances juvenis e fantasiosos por parte do irmão, aproveitando cada oportunidade para repreendê-lo.
Zhu Hui tinha um certo preconceito contra esse tipo de literatura.
Ela já havia lido romances desse gênero, onde o protagonista viajava para outro mundo, cercado por belas garotas, e todas acabavam se casando com ele, com descrições que, por vezes, continham conteúdo adulto...
“Já te disse,”
Zhu Ming retrucou: “‘O Rei da Rede’ é diferente desses romances, fala sobre tênis, até jogadores profissionais elogiaram, e muitas garotas também adoram.”
“É mesmo?”
Zhu Hui estava cética.
Sentou-se diante do computador, logado na conta do irmão no Bloco: “Você não disse que Chu Louco acabou de publicar um conto? É seu escritor favorito, não é? Quero ver o que ele escreveu.”
“Não é um romance juvenil.”
“Não importa, desde que seja do mesmo autor.”
“Então leia ‘O Rei da Rede’, tenho o livro físico.”
“Não precisa, às vezes as palavras revelam quem é o autor.” disse Zhu Hui, abrindo casualmente o conto intitulado “A Bela Artificial”.
O conteúdo era realmente breve.
O início narrava um dono de bar prestes a falir, que apostou tudo criando uma bela robô para acompanhar os clientes nas bebidas. Como o destino do bar dependia da robô, o dono dedicou-se em torná-la deslumbrante.
Sua pele, alva como jade, não perdia em nada para uma jovem, capaz de enganar até o olhar mais atento.
Quem não soubesse da verdade, certamente pensaria tratar-se da mulher de pele mais delicada que já vira!
Os clientes, ao avistarem a nova e bela jovem atrás do balcão, disputavam para cumprimentá-la e conversar.
Ao perguntar nome e idade, ela respondia com um sorriso sereno, mas não sabia mais do que isso.
Ainda assim, ninguém percebeu que era uma robô.
O bar prosperou.
Cada vez mais pessoas frequentavam o local, convidando a bela robô para beber.
O dono, por sua vez, ficava atrás do balcão, ajoelhando-se de vez em quando para recuperar o álcool pela mangueira de plástico sob os pés da robô, revendendo-o aos clientes de forma justa.
Os clientes não descobriram esse segredo.
“Essa moça, tão jovem, tem um grande tolerância ao álcool, certamente é muito saudável e nunca se porta de forma vulgar; sempre aceita os convites e bebe até o fim, sem jamais se embriagar.”
Pensavam os clientes.
Diante do computador, Zhu Hui sentiu-se intrigada.
A mente de Chu Louco era, de fato, original.
O texto parecia trazer um toque de ironia: as pessoas só se importam com a aparência, ignorando o conteúdo, por isso se apaixonavam por uma robô sem discernimento próprio.
Mas como o conto iria prosseguir?
Mal pensou nisso, Zhu Hui deparou-se com a próxima passagem:
“Entre os clientes havia um jovem que se apaixonou à primeira vista pela bela robô, visitando o bar diariamente para oferecer-lhe bebidas. Claro, por mais que ele se esforçasse, era inútil cortejar a Senhorita Booker, pois era como tocar uma música para quem não pode ouvi-la. Mas o jovem não desistiu, tornando-se ainda mais insistente, comprando os mais caros drinques, gastando todas as suas economias.”
Esse trecho também continha uma dose de ironia.
E até uma estranha relevância à vida real.
O jovem apaixonado pela robô lembrava aqueles que, mesmo vivendo de macarrão instantâneo, não hesitam em gastar tudo para presentear suas streamers favoritas.
Mas o rumo do conto era imprevisível.
Será que a robô desenvolveria sentimentos humanos?
Se fosse assim, Zhu Hui ficaria decepcionada.
Seria vulgar demais.
Com essa expectativa, continuou lendo:
“Por fim, sem dinheiro para pagar, o jovem teve que usar as economias da família. Seu pai ficou furioso, proibindo-o de voltar ao bar: ‘Aqui está a última quantia! Pague sua dívida e nunca mais volte àquele lugar!’”
A última vez.
O jovem foi ao bar com o dinheiro, e para se despedir, ergueu o copo repetidas vezes, oferecendo bebidas à robô.
Ele confessou novamente.
Mas o cérebro da robô era vazio como uma lata, sua beleza só servia para responder com frases programadas.
O jovem não obteve a resposta que desejava.
“Discretamente, ele tirou do bolso um veneno terrível, despejou no copo, encheu de bebida e entregou à Senhorita Booker, observando-a beber o líquido mortal de uma só vez.”
“Cruel demais!”
Zhu Hui sentiu um arrepio súbito, pensando no extremo: um cliente apaixonado, incapaz de conquistar, decide matar a robô — felizmente, ela não era humana, ou teria sido morta.
Pensava nisso quando, de repente, outro trecho do texto lhe gelou a espinha:
“Depois que o jovem saiu, o dono do bar anunciou aos clientes restantes: ‘A partir de agora, as bebidas são por minha conta, bebam à vontade!’
Apesar de ser uma oferta, o dono não sairia no prejuízo. Afinal, já era madrugada, não haveria mais clientes, e as bebidas servidas eram apenas o álcool recuperado pela mangueira sob os pés da Senhorita Booker, sem custo algum.”
Ah!
Quase esquecera!
A bebida consumida pela robô era recuperada e revendida aos clientes; ou seja, todos no bar naquela noite beberam o veneno terrível!
Zhu Hui ficou profundamente impactada.
O conto já chegava ao fim, com o texto final:
“Clientes e funcionários celebravam animadamente, brindando uns aos outros, até o próprio dono, contagiado pelo ambiente, ergueu o copo atrás do balcão e bebeu lentamente.”
Todas as descrições cessavam ali.
Não era preciso imaginar o que aconteceu a seguir; esse espaço deixado pelo autor era ainda mais impactante!
“Morreram todos.”
Esse desfecho surpreendeu Zhu Hui tanto que ela exclamou:
“Todos morreram!”
“O quê?”
O irmão ao lado perguntou intrigado.
Zhu Hui não respondeu, primeiro logou em sua própria conta do Bloco e passou a seguir Chu Louco, depois disse:
“Chu Louco é um autor de grande talento. Seus textos... merecem ser lidos.”