Capítulo Sessenta e Um: Aula de Piano

Artista em Tempo Integral Sou o mais puro. 2699 palavras 2026-01-30 12:40:21

Depois de passar alguns dias na empresa, as férias de inverno chegaram ao fim e as principais instituições de ensino começaram a retomar as aulas, incluindo a Academia de Artes de Qinzhou.

Deixando temporariamente o trabalho de lado, Lin Yuan voltou à vida universitária.

Era um novo semestre, e em sua grade curricular aparecera uma nova disciplina, que, para ele, era bastante amigável: aula de piano.

Os alunos do curso de composição não precisavam dominar todos os instrumentos, mas um conhecimento básico era indispensável, e o piano era justamente um dos instrumentos essenciais para quem estudava composição.

Na escola, Lin Yuan era, sem dúvida, um bom aluno.

Embora o sistema afirmasse que seu nível ao piano era profissional, ele continuava a frequentar assiduamente as aulas na sala de piano. Não apenas por causa dos créditos, mas também porque, da última vez, alguém dissera que seu desempenho no piano deixava a desejar, e ele queria aproveitar a oportunidade para aprimorar-se ainda mais.

— Atenção, pessoal.

O professor de piano era um homem de estatura baixa, mas com traços bonitos; usava cabelo comprido preso num pequeno rabo de cavalo, exalando aquele ar típico de artista — e também servindo de mau exemplo para os alunos, já que a escola não incentivava cabelos longos.

— Vocês, estudantes do curso de composição da Academia de Artes de Qinzhou, provavelmente já têm alguma base no piano, talvez até um nível razoável. Portanto, ao saberem que este semestre teriam uma disciplina de piano, imagino que muitos de vocês estejam ansiosos para mostrar suas habilidades diante dos colegas, não estou certo?

Assim, o professor de piano iniciou sua primeira aula, atingindo em cheio o pensamento de muitos na turma.

Em seguida, apresentou-se:

— Meu nome é Huang Benyu, podem me chamar de Professor Huang. Serei o professor de piano de vocês daqui para frente.

Os cinquenta alunos da turma aplaudiram.

Huang Benyu sorriu levemente:

— Todo ano, os alunos do curso de composição chegam confiantes à primeira aula de piano. Guardem essa autoconfiança: não pensem que só por terem alguma base podem ignorar minhas aulas. Exceto Gu Xi, que admito não ter nada a ensinar, todos os demais precisam estudar com seriedade, porque ainda estão longe do nível desejado!

Era um aviso claro.

Sentado preguiçosamente na cadeira, Huang Benyu continuou:

— Teoria vocês já estudaram no semestre passado. Hoje, vamos praticar uma peça, começando por algo relativamente simples e, de quebra, satisfazendo o desejo de alguns de vocês de se exibirem. Todos conhecem “Canção de Qin”, certo?

Os alunos assentiram.

A maioria começara a aprender piano com músicas semelhantes; “Canção de Qin” era um clássico entre as peças iniciais.

— Ótimo — disse Huang Benyu, de maneira calma. — Então, vamos escolher alguém para tocar “Canção de Qin”. Vocês não querem mostrar suas habilidades? Aqui está a oportunidade.

Imediatamente, vários alunos ergueram as mãos.

Huang Benyu sorriu de canto; ele gostava de ver os alunos competindo para servir de exemplo do que não se deve fazer. Era um velho truque que usava toda vez que começava com uma nova turma: escolher um estudante confiante para tocar, esperar que ele se regozije com o reconhecimento dos colegas e, em seguida, apontar todos os erros de forma profissional, abalando a confiança geral e mostrando que nenhum deles era tão bom quanto imaginavam.

Olhe só o entusiasmo deles. Cheios de adrenalina e hormônios, provavelmente pensando em impressionar os colegas. Os da primeira fila nem se fala — todos com a mão levantada. A cada ano é a mesma coisa: quem senta na frente quer mesmo é ter uma chance extra de mostrar talento. Anos de experiência fizeram Huang Benyu compreender bem a mente desses jovens.

Mas, espere… Entre os da primeira fila, havia alguém que não levantara a mão?

Huang Benyu olhou para Lin Yuan, que se destacava tanto por não ter levantado a mão quanto por sua aparência. Não levantar a mão seria uma estratégia inversa? O excesso de esperteza pode ser traiçoeiro; então, ele decidiu: esse seria o azarado do dia.

— Você sabe tocar? — perguntou Huang Benyu, olhando para Lin Yuan.

— Um pouco — respondeu ele.

Era mesmo uma jogada inversa: sabia tocar, mas não levantou a mão. Em meio a tantos voluntários, o gesto de não se oferecer chamou a atenção do professor.

— Então venha aqui tentar — convidou Huang Benyu.

— Está bem — assentiu Lin Yuan, levantando-se sem muito entusiasmo.

Achava o professor algo excêntrico: com oitenta por cento da turma de braços erguidos, ele justamente escolhia quem não se oferecera.

Os demais alunos, ao perceberem que não tinham sido escolhidos, baixaram as mãos, um tanto desapontados.

Lin Yuan sentou-se ao piano.

Já conhecia “Canção de Qin”, pois havia estudado essa peça. Como havia muitas versões, e o professor não especificou nenhuma, optou por uma de que gostava particularmente.

Espalhou os dedos, pousou a mão direita nas teclas. O primeiro acorde soou forte e pesado, seguido pela entrada da mão esquerda; os dez dedos de Lin Yuan saltitavam pelo teclado.

— Uma versão reescrita de “Canção de Qin”? — murmurou Huang Benyu, arqueando as sobrancelhas. Havia muitas versões da peça, e Lin Yuan escolhera uma das mais difíceis, uma que nem ele próprio tinha certeza de conseguir executar perfeitamente.

Lin Yuan mergulhou na música.

As notas, caindo em cascata, pareciam flechas disparadas em todas as direções; a alternância clara de intensidade, o uso preciso dos acentos, tudo se encaixava com naturalidade.

A expressão de Huang Benyu foi mudando.

Ao chegar à décima passagem, a elasticidade dos sons produzidos por Lin Yuan era surpreendente; praticamente não havia erros. Apareceram algumas ligações entre as notas, mas mesmo isso era inevitável — o próprio Huang Benyu sabia que não conseguiria evitar tais detalhes.

A técnica era madura e refinada. Os ornamentos menores eram tratados com delicadeza, as frases musicais eram bem demarcadas, e os motivos secundários, desenhados à perfeição, transmitindo de modo claro o espírito da composição.

Não só Huang Benyu estava impressionado. Os alunos na plateia arregalavam os olhos, e algumas garotas olhavam para Lin Yuan com um brilho especial.

— A última parte — murmuraram alguns.

Quando uma nota longa ressoou, os que conheciam a peça sentiram que se aproximava o final — a parte mais melancólica da música.

Inconformidade. Lamento.

A emoção era transmitida pelas teclas; os braços de Lin Yuan balançavam rapidamente, seus dedos golpeavam quase como martelos, encerrando com um lamento pungente.

Sentou-se ereto. Terminara de tocar.

Qualquer um que entendesse minimamente de piano sabia o quão difícil era o que Lin Yuan acabara de executar. O aplauso surgiu espontâneo. Huang Benyu não conteve o impulso de se levantar, tomado de espanto.

O que foi isso?

Como assim “um pouco”?

Ser professor na Academia de Artes de Qinzhou era tarefa árdua! Já bastava ter Gu Xi, que nunca aparecia às suas aulas, mas ainda assim merecia os créditos — afinal, era um gênio do piano, alguém que já se apresentara na tão sonhada Sala Dourada.

E agora aparecia outro talento fora do comum? Este, inclusive, parecia superar o próprio professor!

Como ensinar piano nessas condições?

Quando os aplausos cessaram, a sala mergulhou em silêncio. Huang Benyu engoliu em seco, pigarreou e sorriu, dizendo:

— Se todos vocês tocarem desse jeito, peço demissão agora mesmo na sala do diretor do prédio ao lado.

Todos riram.

Huang Benyu perguntou:

— Qual o seu nome?

— Lin Yuan.

— Com quem você aprendeu piano?

— Com minha mãe — mentiu Lin Yuan, tranquilo.

Huang Benyu ficou sério:

— E quem é sua mãe, uma grande mestra?

Na sua mente, desfilavam nomes de pianistas consagrados, todos que já haviam pisado na Sala Dourada.

Lin Yuan pensou e respondeu:

— Professora de música do terceiro ano, turma quatro, da Escola Primária Esperança da Vila Yongning.