Capítulo Setenta e Três: O Novo Manuscrito

Artista em Tempo Integral Sou o mais puro. 2418 palavras 2026-01-30 12:42:00

O andar de cima do clube de pintura era reservado para o escritório independente.

Como presidente do clube, Rosa estava há muito sem aparecer, pois vinha enfrentando sérios problemas de reprovação nas disciplinas. Não esperava que, no instante em que resolveu dar as caras, fosse cercada por alguns alunos à porta, prontos para fazer reclamações:

“Aulas pagas?”

Rosa achou curioso e arqueou as sobrancelhas: “Quem está envolvido?”

Os alunos reclamantes, indignados, responderam: “Yuri, Lia e também Bianca, junto com mais alguns. Eles participam frequentemente das aulas particulares de desenho pagas pelo Lin Yuan, e isso está corrompendo o espírito do nosso clube.”

“Faz quanto tempo isso?”

“Já deve fazer uns dez dias.”

Rosa refletiu: “Então era isso...”

Os alunos ficaram perplexos com sua reação; afinal, ela não se mostrou nem um pouco irritada. Alguém, insatisfeito, perguntou:

“Isso o quê?”

Rosa lançou um olhar àquele que falara e tamborilou os dedos na mesa: “Agora entendo por que Yuri e Lia melhoraram tanto suas notas em desenho.”

“Hã?”

“Vocês sabem que eles são do meu grupo, não é? Na prova de ontem, Yuri ficou em quarto lugar e Lia em quinto. Antes, eles nunca foram tão bons assim, e eu estava mesmo intrigada com essa súbita melhora. Descobri agora que encontraram um professor particular no clube. E, pelo visto, ele é de altíssimo nível”, explicou Rosa.

“O quê?”

Os denunciantes ficaram sem palavras.

Nesse momento, o vice-presidente, Tiago, entrou na sala.

Rosa sorriu ao vê-lo: “Chegou na hora certa. Ouvi dizer que apareceu um mestre do desenho no clube dando aulas pagas?”

“Sim”, respondeu Tiago, lançando um olhar aos reclamantes. “Isso não infringe nenhuma regra do clube. Além disso, fiz uma investigação: todos que passaram pelo treinamento do Lin Yuan melhoraram rapidamente. Quem paga é porque quer, e os resultados mostram que ninguém está sendo enganado.”

“Entendi. Vocês podem voltar agora”, disse Rosa friamente aos reclamantes. “Concentrem-se na pintura; talvez assim também melhorem. Um desenhista desse nível não está aqui pelo dinheiro. Ou vocês acham mesmo que Yuri e os outros são ingênuos? Eles são espertos demais para gastar dinheiro à toa.”

“...”

Os estudantes se entreolharam, sem reação, e saíram cabisbaixos.

Rosa observou-os partir e comentou, interessada: “Parece que é mesmo um grande talento. Em tão pouco tempo, conseguiu elevar bastante o nível desses alunos. Depois que eu passar na recuperação, preciso conhecê-lo.”

“É verdade. Acho que ninguém no clube desenha melhor do que ele”, concordou Tiago.

Zé, outro membro, admitiu admirado: “No começo, também achei estranho cobrar pelas aulas, mas depois de ver o progresso dos alunos, percebi que talvez o dinheiro nem seja o objetivo. Talvez seja só para valorizar a oportunidade... Mas, presidente, com tantas reprovações todo ano, não vai acabar repetindo de ano? Vai ser minha caloura?”

“Cai fora.”

Rosa revirou os olhos.

E assim, o episódio das reclamações terminou sem consequências.

Porém, a notícia de que todos os alunos do Lin Yuan estavam apresentando avanços notáveis em desenho logo se espalhou pelo clube.

Yuri, especialmente orgulhoso, exibiu suas novas notas, vangloriando-se da melhora e declarando sem modéstia:

“Sou o discípulo número um do mestre!”

Qualquer polêmica sobre as aulas pagas desapareceu; Lin Yuan tornou-se o centro das atenções, e muitos começaram a disputar uma vaga em suas aulas.

Ninguém é tolo!

O progresso de Yuri e dos outros era evidente demais!

E mesmo que alguém fosse ingênuo, bastava olhar os resultados deles para perceber o valor das aulas do Lin Yuan!

...

Na verdade, o nível de ensino do Lin Yuan talvez não superasse o dos professores mais experientes da escola. O problema era que, com tantas turmas grandes, os professores simplesmente não conseguiam dar atenção a todos.

Com Lin Yuan, era diferente.

Ele tinha nível profissional em pintura e, ao dar aulas particulares, a abordagem era completamente outra.

Lin Yuan entendia isso.

Por isso, embora cada vez mais gente quisesse ter aula com ele — a ponto de alguns quase brigarem por uma vaga —, ele mantinha seu método de ensino individual.

Ensinava desenho apenas a um aluno por dia, para garantir um progresso direcionado.

Mas, para evitar ser soterrado pela procura dos membros do clube, Lin Yuan fez um ajuste:

Aumentou o preço!

De duzentos por hora, passou a cobrar quinhentos.

Poucos estudantes podiam pagar.

Esse aumento fez muitos desistirem, como esperado.

Mas Lin Yuan ainda não ficou sem alunos.

Mesmo a quinhentos por hora, muitos estavam dispostos a pagar.

...

Além das aulas particulares, Lin Yuan também fazia, todos os dias, uma sessão de pintura aberta, o que comovia os membros do clube.

“É como uma aula aberta para nós.”

“O mestre ainda pensa em nós, pobres estudantes.”

“É verdade, só de ver como ele pinta já aprendemos muito.”

“Ouvi dizer que teve gente que até tentou prejudicá-lo. Que falta de gratidão! Ainda bem que a presidente não deu ouvidos.”

...

Apesar de ter entrado há pouco tempo, Lin Yuan já havia conquistado uma reputação sólida. Sempre que pintava em público, recebia chá, café ou lanches trazidos pelos colegas.

Ele também ficava satisfeito.

Percebeu que, além das aulas particulares, sempre que pintava em público, sua pontuação de prestígio aumentava.

O progresso da tarefa era notável.

Se continuasse exibindo suas obras desse jeito, logo alcançaria os mil pontos de prestígio exigidos pelo sistema.

“Pronto.”

Após terminar a sessão aberta do dia, levantou-se sob olhares admirados dos colegas — era hora de voltar para casa e descansar.

Já era quase o fim do mês.

Lin Yuan não esquecera que precisava participar do concurso literário do Fórum Tribal, então decidiu enviar naquela noite o conto que já havia terminado.

Não sabia se conseguiria o primeiro lugar.

Mas tinha confiança de que ficaria entre os três melhores.

Pensando nisso, ao chegar em casa, enviou seu conto para o e-mail fornecido pelo contato literário do Fórum Tribal.

Enquanto isso...

Um dos editores-chefes do Fórum, Lúcio, ouviu o aviso de nova mensagem em sua caixa de entrada.

“Um texto do Louco Chu?”

Lúcio levantou-se, curioso, e deparou-se com o título da história: “A Morte de um Pequeno Funcionário.”