Capítulo Setenta e Quatro: A Morte de um Pequeno Funcionário Público

Artista em Tempo Integral Sou o mais puro. 2821 palavras 2026-01-30 12:42:06

“Morte de um Pequeno Funcionário?”

Ao ver esse título, Wei Long instintivamente pensou se tratar de um conto policial. Afinal, por não haver restrições de tema, entre os trinta autores que já haviam enviado seus textos, não faltavam obras de mistério. Ele abriu o arquivo. Lançou um olhar ao número de palavras e ficou surpreso.

Mil e oitocentas palavras?

Achou que tinha lido errado. Embora contos costumem ser breves, ele mesmo sugerira a Chu Kuang que não se estendesse muito, recomendando que ficasse entre três e cinco mil palavras… Mas aquilo era pouco demais! Menos de duas mil palavras? Quando disse “mais curto”, queria dizer algo entre três e cinco mil, não menos! Seria que Chu Kuang, ao seguir seu conselho, entendeu errado e decidiu enxugar ao máximo? Achou que quanto menor, melhor?

Se isso tivesse prejudicado a qualidade do conto, ele se sentiria realmente culpado. Mesmo assim, começou a ler, palavra por palavra:

“Era uma noite comum. O pequeno funcionário estava sentado na segunda fila do salão, assistindo a uma peça de teatro com binóculos. Naquele instante, sentia apenas a serenidade dos dias.”

Serenidade dos dias? Era a primeira vez que via tal expressão, mas não precisava pensar muito para captar seu significado com precisão.

“Que interessante.”

O texto seguia com descrições ainda mais curiosas: “Mas, de repente, seu rosto se retorceu, seus olhos sumiram, a respiração cessou, tirou os binóculos dos olhos e se curvou…”

Seria um ataque cardíaco? Seria essa a morte do pequeno funcionário? Um personagem sem nome? Wei Long ficou confuso, até perceber, lendo adiante, que o funcionário só tinha espirrado.

“Puf.”

Olhando novamente, percebeu que todas as descrições anteriores retratavam exatamente o momento de um espirro. A escrita de Chu Kuang, embora parecesse truncada, transmitia certa estranha precisão, a ponto de Wei Long conseguir imaginar claramente alguém espirrando.

Prosseguiu na leitura.

O pequeno funcionário não se alarmou. Afinal, todos espirram; o pior que poderia acontecer seria um resfriado. Wei Long pensava o mesmo. Mas aí veio a reviravolta: “O pequeno funcionário ficou alarmado porque viu que, na primeira fila, à sua frente, um velhinho lustrava vigorosamente a cabeça calva e o pescoço com uma luva, murmurando algo.”

Ficou evidente. O espirro do funcionário atingira o velhinho. E ele ficou nervoso porque… reconheceu naquele senhor um general aposentado que trabalhara no Ministério dos Transportes!

“Será que o general vai matá-lo?”

Wei Long não pôde evitar, lembrou-se do título da história. Quem lê romances tende a antecipar os próximos acontecimentos. Continuou lendo.

Como esperado, o funcionário se desculpou. Mas o general não se irritou, ao contrário do que Wei Long imaginava; mostrou-se compreensivo e generoso.

“Será que ele é só aparências? Mostra-se tolerante em público, mas se vingará em particular?”

Wei Long logo traçou essa hipótese. E o funcionário, sem nome, também se preocupou com isso. Por isso, pediu desculpas de novo, jurando que não fora de propósito.

O general pareceu perder a paciência e disse: “Sente-se, por favor! Quero ouvir a peça!”

O funcionário ficou ainda mais nervoso. Não conseguiu mais prestar atenção ao espetáculo.

No intervalo, ao ver o general ir ao banheiro, seguiu-o para pedir desculpas uma terceira vez.

“Já chega… Eu já esqueci, mas você não para de falar nisso!”

O general estava visivelmente cansado, impaciente. Wei Long percebeu: “Parece que o general realmente não ficou bravo.”

Influenciado pelo título, sempre achou que o general mataria o funcionário, mas, conforme o texto, o general perdoara várias vezes: não era um homem mesquinho.

Para o pequeno funcionário, o espirro não passava de um susto.

Wei Long sentiu-se aliviado.

Mas o funcionário não sossegou. Continuava com os pensamentos perturbados: “Ele disse que esqueceu, mas havia um brilho ameaçador nos olhos e não quis conversar. Eu deveria explicar melhor que foi sem querer, que espirrar é algo natural. Se não, ele vai achar que fiz de propósito. Mesmo que agora não pense assim, um dia vai pensar!”

Que covardia, pensou Wei Long, achando graça do funcionário. Ao chegar em casa, contou o episódio à esposa, que também se assustou e recomendou que se desculpasse de novo.

O funcionário lamentou: “Pois é! Já pedi desculpa, mas ele parece estranho, como se não quisesse ouvir minha explicação.”

Ora, ele já te perdoou! Não é paranoia?

O excesso de imaginação do funcionário fez Wei Long rir ainda mais. Mas ele era mesmo obtuso: no dia seguinte, vestiu o uniforme, levou presentes e foi solenemente à casa do general para, mais uma vez, desculpar-se.

Até Wei Long pensou: se fosse com ele, ficaria confuso com alguém insistindo tanto em pedir desculpas.

Naquele momento, o general estava recebendo convidados importantes.

O funcionário esperou o término da visita e voltou a pedir desculpas.

Como antes, o general perdoou, mas não conseguiu esconder a expressão de desalento.

“Rosto entristecido.”

Essas palavras quase fizeram Wei Long ir às gargalhadas. Pedir desculpas é educado, mas, diante de alguém que não para de se desculpar, quem não ficaria aflito?

No meio do riso, Wei Long sentiu pena do general.

O funcionário, mestre em imaginar coisas, notou a tristeza e concluiu que o general não pretendia mais perdoá-lo. Preocupado com o próprio futuro, achou que o general era mesquinho, mas ainda assim decidiu reparar o erro.

Resolveu então escrever uma carta ao general, explicando sinceramente o ocorrido. Mas sua mente estava vazia, incapaz de redigir qualquer coisa.

Restou-lhe, no terceiro dia, visitar novamente a casa do general para pedir desculpas.

A história se encerrava aí. Nos últimos parágrafos, com mais um pedido de desculpas, o conto chegava a um desfecho previsível.

“Fora daqui!” gritou o general, lívido, tremendo de raiva.

“O quê?” perguntou o funcionário, tomado de medo.

“Fora daqui!” repetiu o general, batendo o pé.

O funcionário sentiu algo revirar por dentro, não via nem ouvia nada, recuou até a porta, saiu para a rua, caminhou cambaleante… Chegou em casa, ainda de uniforme, largou-se no sofá… e morreu.

Sim, o pequeno funcionário morreu.

Assim se justifica o título. Após tantas desculpas e insistências, conseguiu enfurecer o general, e, diante da cólera alheia, acabou morrendo de susto, refém das próprias fantasias!

Um conto de pouco mais de mil palavras?

Apesar da brevidade, o texto era de um exagero inusitado, mas, ao mesmo tempo, obedecia a uma lógica própria, que fazia o leitor aceitar naturalmente o enredo, tornando-o incrivelmente divertido!

Naquele momento, Wei Long batia as coxas de tanto rir.

Mas, no meio do riso, seu semblante congelou, como se o tempo tivesse parado.

Foi como se uma corrente elétrica percorresse seu corpo, fazendo-o despertar em sobressalto; Wei Long arregalou os olhos, tomado por um súbito pressentimento:

“Espere… Essa história…”