Capítulo Setenta: O Clube de Pintura

Artista em Tempo Integral Sou o mais puro. 2870 palavras 2026-01-30 12:41:25

Nos dias seguintes, Lin Yuan, além de frequentar as aulas, dedicou-se a buscar maneiras de conquistar pontos de prestígio em pintura.

Primeiramente, descartou a ideia de organizar uma exposição. Realizar uma exposição requer patrocínio, e para um jovem artista sem obras ou fama como Lin Yuan, seria impossível encontrar alguém disposto a bancar isso.

Financiar por conta própria? Lin Yuan jamais faria isso em vida.

Outra possibilidade seria contar com a orientação de um pintor renomado, o que facilitaria muito sua entrada no meio, mas Lin Yuan não conhecia ninguém assim.

Excluídas essas duas alternativas, o que lhe restava era: conquistar primeiro o prestígio oferecido pelos alunos de Qin Yi. Sendo uma instituição de grande porte, talvez ali existisse uma base de mil pontos de prestígio a serem explorados. Decidiu então procurar oportunidades dentro da própria escola.

Ao investigar, descobriu que havia um clube de pintura entre os diversos clubes da escola.

Ingressar no clube poderia lhe render algumas chances de obter prestígio. Afinal, em Qin Yi não faltavam associações dos mais variados tipos.

Na área esportiva, por exemplo, havia clubes de basquete, futebol e até de dança de rua. Na área artística, clubes de piano, pintura, caligrafia, poesia, entre outros.

Esses clubes eram de grande porte, pois Qin Yi era, afinal, uma instituição dedicada às artes, com cursos específicos para cada área.

No entanto, como estudante de música, Lin Yuan tinha pouco contato com outros cursos. Fora do seu departamento, só conhecia Jian Yi, aluno de interpretação, igualmente distante do universo das artes plásticas.

Sem alternativa, resolveu agir de maneira direta e foi até a secretaria do clube de pintura entregar sua solicitação de ingresso.

— Tem experiência com pintura? — perguntou o responsável.

Os grandes clubes da escola contavam com apoio institucional, espaço próprio e membros sempre presentes, funcionando quase como um grêmio estudantil.

Depois que Lin Yuan explicou seu interesse, foi naturalmente questionado.

— Tenho, sim — respondeu ele com firmeza.

O responsável consultou a ficha de Lin Yuan: — Você é do curso de música. No nosso clube, a maioria é de artes plásticas…

— Há alguma restrição?

— Não chega a ser uma restrição, mas sem uma bagagem técnica, talvez seja difícil se destacar no clube. Afinal, temos vários craques das artes plásticas, além de vagas limitadas em exposições estudantis e outros eventos. Tem certeza de que quer entrar?

Exposições? Os olhos de Lin Yuan brilharam. — Quero sim.

O outro sorriu, satisfeito: — Preencha o formulário, e coloque também o seu horário de aulas. Assim veremos quando você poderá participar das atividades.

Sua intenção não era desencorajar Lin Yuan. Na verdade, os clubes eram ávidos por mais membros, pois quanto mais pessoas, maior o clube. Todos queriam ser o maior da escola. Por isso, quando alguém se inscrevia, ficavam contentes.

Além do mais, novatos nunca se assustavam com esse tipo de comentário!

Quando os recém-chegados ouviam falar de exposições de obras, quase sempre ficavam tentados, mesmo que raramente tivessem a chance de ver seus trabalhos expostos.

Após preencher o formulário, o responsável nem se deu ao trabalho de conferir as informações e rapidamente carimbou a ficha, como se temesse que Lin Yuan mudasse de ideia.

— Ah, quase ia esquecendo: ao entrar, você precisa participar das atividades do clube. Caso falte muitas vezes, será desligado. Avisamos para evitar que alguém entre só por curiosidade e depois reclame do excesso de compromissos. Preferimos deixar tudo claro desde o início.

Isso não era um esquecimento, mas sim uma estratégia para garantir a inscrição antes de avisar sobre as exigências, temendo que Lin Yuan desistisse.

— Sem problema — respondeu prontamente. O curso de composição não era muito puxado, então ele tinha tempo livre de sobra. No fim, entrar no clube parecia mais fácil do que imaginara.

Depois que preenchera o formulário, o estudante que o recebeu levantou-se:

— Tem um tempo agora? Posso te mostrar nossa área de atividades.

— Claro.

Seguindo o colega, logo chegaram a um grande edifício.

— Aqui ficam vários clubes. O nosso é no térreo.

Ao entrar, Lin Yuan se surpreendeu ao ver que a área do clube era uma sala de aula de centenas de metros quadrados, onde diversos membros, naquele momento, desenhavam em seus cavaletes: alguns faziam esboços, outros aquarelas, pinturas a óleo ou até mesmo arte tradicional. O ar estava impregnado com o cheiro de tinta e materiais artísticos.

— Novato? — Um dos responsáveis pegou sua ficha e a analisou: — Aluno do segundo ano de composição. Por que não veio no primeiro ano?

A maioria dos alunos ingressava nos clubes logo no início da faculdade.

— No primeiro ano, eu ainda não sabia desenhar — respondeu Lin Yuan.

O outro levantou as sobrancelhas, percebendo que ele era um completo iniciante.

— Não trouxe material de pintura, então por enquanto limpe o lado leste do ateliê. Os materiais de limpeza estão no banheiro ao lado.

— Certo.

Lin Yuan obedeceu. O colega que o acompanhara sorriu, pois era comum que novatos fossem encarregados de tarefas de limpeza, não apenas no clube de pintura, mas em muitos outros.

Lin Yuan começou a limpar obedientemente.

Apesar de ser só o lado leste, a área era grande, repleta de aparas de borracha pelo chão e cavaletes por toda parte, o que dificultava o trabalho.

Enquanto isso, Zhong Yu, que fazia uma cópia de um retrato, enfrentava dificuldades e estava visivelmente irritado, quando ouviu uma voz:

— Com licença, pode levantar o pé um instante?

— Limpe por outro lado primeiro — respondeu Zhong Yu, sem sequer olhar.

— É só um minuto. — Lin Yuan observou os restos de borracha sob o pé do colega. Deixar aquela parte suja seria impossível para alguém tão meticuloso quanto ele.

— Ah… — Zhong Yu ficou impaciente, olhou para Lin Yuan e perguntou rispidamente: — Rosto novo, é novato do clube?

— Sim.

— De que ano?

— Segundo.

— Então, como veterano do terceiro ano, vou te ensinar uma regra: durante a limpeza aqui, o silêncio é fundamental para não atrapalhar o trabalho dos veteranos.

— Mas você não está criando, está copiando, não é? — Lin Yuan estranhou, pois cópia não é criação.

Zhong Yu se irritou ainda mais, largou o desenho e encarou Lin Yuan:

— Ora, quer tentar? Passo o lápis pra você!

— Sem problemas. Só levante o pé quando eu terminar — respondeu Lin Yuan.

Zhong Yu ficou sem palavras. Esse calouro estava falando sério? Não percebia que era apenas uma resposta atravessada?

Lin Yuan, por sua vez, não hesitou. Ansioso para terminar a limpeza, pegou imediatamente um lápis próximo e começou a desenhar.

O veterano já tinha feito a estrutura básica, mas, embora não estivesse muito boa, Lin Yuan rapidamente a ajustou com alguns traços.

Depois, tratou dos detalhes.

— Os olhos estão assimétricos… as linhas do cabelo muito rígidas… a sombra das narinas muito carregada… — Lin Yuan analisou o trabalho inacabado do veterano e só via defeitos. Para um olhar comum, passariam despercebidos, mas para ele, eram gritantes.

Pegou a borracha e apagou dois terços do desenho.

Zhong Yu, atônito, só conseguiu assistir enquanto Lin Yuan destruía uma hora de trabalho seu.

— Você…

Lin Yuan o ignorou, curvou-se sobre o papel e, com movimentos ágeis do pulso, corrigiu todas as imperfeições, substituindo os traços por linhas mais limpas e precisas.

Se a criação do zero era difícil, Lin Yuan tinha uma velocidade assustadora para copiar.

Dez minutos depois, ele se endireitou e olhou para o desenho, agora praticamente igual ao modelo.

— Agora pode levantar o pé?

— O quê?

Zhong Yu observou Lin Yuan modificar seu desenho sem piedade. Sua expressão passou da raiva à perplexidade, até chegar ao assombro, tudo em apenas dez minutos.

Em tão pouco tempo, ao ver Lin Yuan transformar sua obra a ponto de não reconhecê-la mais, o coração do veterano sofreu um abalo como nunca antes!