Capítulo Sessenta e Quatro: Discurso sobre Obras-Primas Clássicas

Artista em Tempo Integral Sou o mais puro. 2432 palavras 2026-01-30 12:40:40

Após alguns segundos de confusão, Han Ji-mei finalmente voltou a si.

Jamais imaginara que o desfecho seria assim...

A esposa vendeu sua bela cabeleira para comprar a pulseira do relógio de ouro para o marido, enquanto o marido vendeu seu precioso relógio de ouro para comprar o tão desejado pente para a esposa.

Ambos sacrificaram o bem mais valioso de sua casa em nome do outro, mas os presentes trocados perderam, simultaneamente, o valor original.

Chamar esse fim de cruel seria exagero, mas é, sem dúvida, um resultado que provoca tanto lágrimas quanto risos—

E, nesse paradoxo espirituoso, o amor entre o marido e a esposa extravasa das páginas, revelando-se de forma plena!

Que amor invejável!

Han Ji-mei fechou a revista, pensativa.

De repente, imaginou:

Uma história tão boa deveria estar na seção literária do Tribo, como “A Bela Artificial” de Chu Kuang.

“Por que acabamos perdendo Chu Kuang?”

Ele havia escolhido nosso portal logo no início.

O olhar de Han Ji-mei brilhou, e ela pressionou o botão verde no canto superior esquerdo da mesa: “Reunião de editores em cinco minutos.”

Por que a seção literária do Tribo nunca decolou?

Porque a qualidade das histórias não supera as revistas do mercado.

No fundo, o motivo é que a seção literária do Tribo não é suficientemente atraente para bons escritores!

Como mudar isso?

Muito simples: conquistar histórias, conquistar autores!

Autores talentosos como Chu Kuang devem ser disputados pela literatura do Tribo, Han Ji-mei acreditava que poderia convencer escritores desse calibre.

Com esse pensamento, iniciou a reunião de editores.

O primeiro tema que propôs foi: “Por que a literatura do Tribo não é a primeira escolha dos escritores para publicar?”

Na verdade, essa é a questão central.

O editor à sua direita sorriu: “Além do fato de que nossa seção literária tem especificidades como plataforma digital, o principal motivo é que não pagamos o suficiente aos autores.”

Eles também precisam sobreviver.

Apenas os pequenos incentivos virtuais não bastam.

Han Ji-mei levantou-se, pressionando as mãos sobre a mesa, o corpo levemente inclinado: “Vou solicitar mais fundos à direção. Sabem o que devem fazer?”

“Conquistar talentos!”

Os editores entenderam imediatamente.

Han Ji-mei sorriu: “Quero ver hoje à noite a lista de alvos para recrutamento; o número da primeira leva não pode ser inferior a trinta, vamos apostar alto.”

“Parece que vamos disputar autores com as grandes revistas.”

Os editores sorriram; contatos não lhes faltavam, e com recursos suficientes, atrair bons escritores seria fácil.

“Muito bem.”

Han Ji-mei endireitou-se: “Vejo que todos têm nomes em mente, mas vou sugerir alguém para a lista.”

“Quem?”

“Chu Kuang.”

Os editores ficaram surpresos, pensando que Han Ji-mei se enganara: “Esse não é um autor reconhecido de contos, escreve fantasia juvenil. ‘A Bela Artificial’ foi só um conto ocasional, embora bom...”

“Então leiam este.”

Han Ji-mei colocou “Leitura Divertida” sobre a mesa, e olhou ao redor: “A escolha é de vocês, mas Chu Kuang é meu alvo principal.”

...

Como artigo destaque da capa, “O Presente de Magi” não chamou apenas a atenção de Han Ji-mei; muitos compradores da revista também leram essa história.

Uma semana depois, as discussões explodiram na internet.

O primeiro espaço de debate foi o mural oficial da seção de revistas da Biblioteca Azul Prateada, similar a um fórum literário.

“A qualidade dessa edição está ótima, especialmente ‘O Presente de Magi’, adorei, é comovente.”

“Não decepcionou, mereceu o destaque de capa!”

“Havia tempos que não lia algo tão bom, ‘O Presente de Magi’ é excelente.”

“No Ano Novo li no Tribo ‘A Bela Artificial’, e guardei o nome de Chu Kuang; não esperava ler tão rápido outra obra sua, igualmente brilhante, talvez até melhor.”

“Um conto tão bom, escrito por Chu Kuang...”

“Pesquisei sobre Chu Kuang e descobri que é um escritor de fantasia juvenil, realmente raro.”

“Como alguém que adora fantasia juvenil e contos, ver obras de Chu Kuang nos dois campos é uma experiência incrível, já virei fã.”

“...”

Logo, a onda de debates se espalhou e, como esperado, “O Presente de Magi” foi amplamente bem recebido.

Como consequência direta, as vendas da primeira semana da nova edição de “Leitura Divertida” superaram em cinquenta por cento as da edição anterior!

Talvez, as vendas das próximas semanas também valham a expectativa.

E o pseudônimo Chu Kuang passou a ser notado pelos apaixonados por contos.

Até autores do gênero passaram a guardar discretamente o nome, graças a “O Presente de Magi”.

Neste momento, Chu Kuang já começava a ganhar fama no círculo dos contos.

Alguém comentou que Chu Kuang já havia escrito “A Bela Artificial”.

De fato, mas naquela época ele era visto como autor de fantasia juvenil, e o sucesso de “O Príncipe da Internet” eclipsava o brilho daquele conto—

Quando um perfil se destaca, isso ocorre.

Só com a segunda incursão no gênero, é que todos perceberam:

Chu Kuang tem esse talento.

Mas é inegável que, tanto nos contos quanto na fantasia juvenil, ele ainda é novato.

Há um longo caminho pela frente.

Contudo, o grupo de expectadores cresce cada vez mais.

Outros podem dizer: “O Presente de Magi” não é um conto mundialmente famoso? Então por que os leitores se surpreendem casualmente e pronto?

Essa visão é compreensível.

Mas, na realidade, é raro que a arte se consagre instantaneamente.

Muitos clássicos hoje tidos como obras-primas só provocaram discussão momentânea ao serem lançados; ao ouvir que tal obra é um clássico mundial, é bom lembrar quanto tempo se passou desde a publicação—

Poucos se consagram de imediato.

A menos que já tenham grande influência.

Na maioria dos casos, é o tempo que cria os grandes clássicos.

Quando essas obras surgem, seus criadores apenas demonstram potencial para serem consagrados; para chegar lá, falta talvez o reconhecimento do Nobel, ou muitos outros textos do mesmo nível.

Ou talvez... a morte.