Capítulo Cinquenta e Dois: O Desafio do Balão

Artista em Tempo Integral Sou o mais puro. 2634 palavras 2026-01-30 12:39:17

Embora os cantores de Qinzhou tremessem só de pensar em fevereiro, para os fãs de música esse era um mês aguardado com ansiedade, pois sempre trazia consigo ótimas canções inéditas. Especialmente agora, durante as férias de inverno, os estudantes tinham tempo de sobra. Assim, na noite em que janeiro se despedia para dar lugar a fevereiro, os notívagos apaixonados por música surgiram em peso.

O tráfego nos principais aplicativos de música de Qinzhou atingiu picos altíssimos, e as novas canções promovidas desfrutaram de uma excelente taxa de audição. Após conferir a lista de lançamentos, alguém comentou num pequeno grupo: “Jiang Kui também lançou música! Está sendo divulgada com destaque no banner do Grande Música!”

“Quem é Jiang Kui?”

“Aquela que canta ‘Grande Peixe’.”

“Ah, sim, a voz daquela garota é lindíssima!”

“Qual o nome da música? Vou ouvir.”

“Chama-se ‘Balão’.”

“‘Chama Balão’?”

“Você deve morar numa vila sem internet, resgatando piadas de oitenta anos atrás.”

Ao mencionar Jiang Kui, poucos reconheciam o nome, mas bastava citar “Grande Peixe” e imediatamente todos se lembravam. Essa canção era especialmente popular entre os jovens. Só pelo sucesso de “Grande Peixe”, muitos estavam dispostos a ouvir o novo lançamento de Jiang Kui.

Ao clicar em “Balão”, grande foi o espanto dos ouvintes: logo na introdução, um profundo suspiro ressoava, cru, sem nenhum tratamento ou efeito especial.

“Que forçado!”, foi a reação inicial de muitos. Eles não se incomodavam exatamente com o som da respiração, mas achavam que a cantora estava exagerando — afinal, para cantar, era mesmo necessário tanto esforço?

No entanto, antes que pudessem parar, a próxima parte da canção deixou inúmeros ouvintes de fone completamente estarrecidos: “Preto, branco, vermelho, amarelo, roxo, verde, azul, cinza, o seu, o meu, o dele, o dela, grande, pequeno, redondo, achatado, bom, ruim, belo, feio, novo, velho, de todos os tipos, todas as cores, escolha como quiser...”

O que era aquilo? Num instante, muitos sentiram falta de ar, e, por reflexo, inspiraram fundo junto com a cantora.

“Ssshhh.” Mais uma lufada profunda, agora com variações ricas na melodia; o piano ao fundo acelerou, imitando o ritmo de uma bateria: “Voa alto, quanto mais longe melhor, se cortar o fio morre, vida curta mas alegria basta, se gosta tá bom, tanto faz, vai ficando menor, menor, quase morrendo, mas ainda orgulhoso.”

O que estava acontecendo? Muitos ficaram boquiabertos.

A voz nos fones seguia com destreza: “Se não quer dizer, não diga, eu não quero ouvir, não quero mais ouvir, que toda promessa seja como balão, deixe que vá, não me importa, não vai importar, deixe ir, deixe voar.”

Com isso, a primeira estrofe se encerrava, e muitos sentiram como se tivessem finalmente conseguido respirar. Ninguém mais achava que o suspiro inicial era forçado; aquela música parecia feita especialmente para desafiar a capacidade pulmonar do intérprete!

“Pobre cantora...”, lamentou alguém no grupo de música, enquanto a canção se acalmava: “O balão flutua nas nuvens, voa no vento, termina sua existência; o balão flutua no amor, entra no coração e lentamente se desfaz.”

“Pobre cantora, assino embaixo!”

“Isso é puro exibicionismo, não?”

“Não, é puro exibicionismo de pulmões!”

“Eu sugiro que tentem cantar junto...”

“Hahahaha, terminei a primeira estrofe e meu cérebro quase ficou sem sangue, impossível, preciso de um tempo.”

“Também não dou conta.”

“Fico sem ar no final.”

Alguém brincou: “Segundo estudos, quem não consegue cantar a primeira frase de ‘Balão’ num só fôlego tem deficiência renal.”

Uma enxurrada de mensagens foi apagada rapidamente.

“Eu consigo!”

“Também consigo!”

“Sem problemas!”

De repente, todos se achavam capazes. Muitos chegaram a gravar áudios suicidas tentando a primeira estrofe. E, sem exceção, todos começavam inspirando profundamente.

A melodia era fácil de memorizar — bastava ouvir e já se podia arriscar a cantar. Mas noventa por cento dos áudios terminavam num desastre, deixando dúvidas se o cantor não desmaiaria por falta de oxigênio.

“Morri de rir.”

“Depois de ouvir vocês, acho melhor chamar uma ambulância.”

“Parece fácil, mas na hora de cantar morre-se, talvez se baixar o tom dê.”

“Ok, realmente não consigo.”

“Hoje em dia, para ser cantor, precisa primeiro aprender a segurar o fôlego.”

O debate era animadíssimo, e logo a seção de comentários da música ficou igualmente frenética: “Essa música acaba com todos os pseudo-cantores de karaokê!”

“Só dá pra cantar ao meio-dia, porque de manhã ou à noite corre-se risco de vida.”

“Sou professor de locução, acho que amanhã vou dar uma boa aula sobre isso.”

“Vou aprender essa música para me exibir no karaokê quando as aulas voltarem!”

“Sem quatro ou cinco mil de capacidade pulmonar, nem pense em aprender essa música.”

“Não, só alguém com pulmões do pescoço para baixo conseguiria.”

“Essa música devia se chamar ‘Falta de Ar’.”

“Na verdade, acho que ‘Sem Fôlego’ seria melhor.”

“Minha nossa, a primeira frase quase me levou pro além, depois de cantar não quero mais saber de nada.”

Já ninguém discutia sobre a qualidade da música. Todo o foco estava na dificuldade de execução e nas sensações de quem ousava tentar. Dizem que ouvir música é sentir emoção. Mas essa canção fazia do ouvinte um verdadeiro participante.

No dia seguinte, quando Lao Zhou e Zhao Jue chegaram à empresa, abriram simultaneamente o ranking de novas músicas de fevereiro e ficaram boquiabertos ao ver “Balão” em oitavo lugar!

Por que fevereiro é considerado o grupo da morte? Basta olhar para o line-up das gravadoras: doze cantores de primeira linha no ranking, entre eles dois reis da canção e uma rainha!

E, em meio a esse quadro estelar, “Balão”, interpretada por uma quase novata como Jiang Kui, ocupava o sétimo lugar!

“Meu Deus...”, os dois ficaram atônitos: “Que diabos está acontecendo?”

Com aquele fôlego, Jiang Kui deixou quantos grandes nomes para trás?

Sim, “Balão” era uma música de boa qualidade, mas os concorrentes de fevereiro eram todos pesos pesados; aquele resultado era impressionante demais!

Nesse momento, Lao Zhou ouviu alguém do departamento gritar: “Vejam! A nova música de Xianyu entrou nos trending topics!”

Lao Zhou abriu imediatamente o Tribo.

Tribo era uma rede social baseada em compartilhamento de informações e relacionamentos, a plataforma mais popular de Qinzhou; só temas de altíssima relevância conseguiam entrar nos trending topics.

Mas naquele instante, Lao Zhou viu, no décimo lugar dos assuntos mais comentados — o último da lista — um tópico relacionado a “Balão”:

#DesafioBalão

Ao acessar, só havia vídeos curtos compartilhados; muitos usuários, inclusive streamers de música, estavam tentando cantar a nova música “Balão”, encarando-a como um desafio.

Alguns tiravam de letra.

Outros ficavam sem ar.

Mas, sem exceção, todos os participantes do desafio ganhavam bastante visibilidade, e o entusiasmo dos fãs era enorme nos comentários.

“O que vocês estão esperando!” — nesse momento, Zhao Jue, do departamento de artistas, praticamente berrou para seus agentes: “Façam seus artistas participarem imediatamente do Desafio ‘Balão’ no Tribo!”