Capítulo Trinta e Sete: Saque com Efeito Externo

Artista em Tempo Integral Sou o mais puro. 3614 palavras 2026-01-30 12:37:15

Escrever sobre ténis? Ficção esportiva? Yang Feng podia jurar que não era alguém que fala uma coisa e faz outra, mas ao se deparar com um romance sobre competições de ténis, ele franziu a testa quase que por instinto—

Originalidade não falta.

Mas será que não é original demais?

Romances com temática esportiva, mesmo que fossem sobre futebol, basquete ou tênis de mesa, ainda assim são esportes com os quais as pessoas têm alguma familiaridade, muita gente gosta. Mas por que escolher logo o ténis, um esporte com um limiar de entrada relativamente alto?

É original, sem dúvida.

E realmente pouco popular.

Contudo, como editor profissional, mesmo com tantas considerações, Yang Feng não descartaria o manuscrito de imediato. Se o autor tivesse potencial, ele ficaria feliz em conhecê-lo. Isso é comum no meio literário: ao encontrar autores promissores, ainda que não sejam aprovados de imediato, os editores costumam incentivá-los, e muitos escritores alcançam o sucesso graças a esse apoio — embora, nesse processo, recebam inúmeras negativas.

Ligou o computador e abriu a primeira página.

Yang Feng iniciou a avaliação oficial do texto.

Se não considerasse a trama em si, ele já simpatizava com o autor por ousar escrever sobre ténis. Essa coragem de não se render ao mercado era algo que Yang Feng admirava muito — se a maioria dos autores tivesse esse espírito, o mercado literário não seria tão repetitivo.

A história começa.

Num comboio a caminho da Academia Juvenil da Primavera, um jovem do clube de ténis da escola repreende arrogantemente um novo integrante. Enquanto explica como segurar a raquete, não para de agitá-la e, sem querer, acerta o rosto de uma menina.

"Desculpa."

O jovem lança um olhar à menina, mas volta imediatamente à sua instrução. Porém, enquanto ele gesticula e fala alto, uma voz fria se faz ouvir: "Você está fazendo muito barulho."

Quem fala é um rapaz.

O jovem se irrita, mas o rapaz já está de mochila às costas, raquete presa, e antes de descer do comboio, corrige casualmente: "O correto é segurar a raquete plana por cima para o estilo ocidental; para o estilo oriental tradicional, mantenha a raquete em pé e segure como se fosse um aperto de mão."

"Você..."

Ser repreendido por um adolescente o deixa desconcertado. Ele encara o rapaz com raiva, mas, quando tenta retrucar, o jovem já deixou o comboio.

"Protagonista?"

Yang Feng assentiu. O início parecia promissor; mesmo sem entender de ténis, ele compreendia o básico apresentado. E, embora o protagonista corrigisse o jovem, notava-se que ele também estava defendendo a menina ferida.

Corte de cena.

Alguns rapazes estão reunidos em torno de uma lista, discutindo:

"Este ano, há um novato no clube de ténis da escola que foi aceito diretamente como titular, sem passar pelo banco de reservas!"

"Sério?"

"Como pode ser?"

"Deve ter havido um erro na inscrição."

Um dos colegas duvida: "Calouros acabaram de sair do secundário. Como podem entrar direto no time titular do clube de ténis? Ainda mais aqui, onde todos os titulares são praticamente reservas de jogadores profissionais!"

No topo da lista, o calouro autorizado a integrar diretamente o time titular chama-se Ryoma, tem dezesseis anos, é mais novo que a média do clube, já que o titular mais jovem costuma ser do segundo ano.

Enquanto conversam,

Ryoma aparece, raquete às costas.

Os rapazes que estavam no comboio também surgem, atraindo a atenção dos alunos. Descobre-se que vieram à escola para uma partida de desafio. O jovem à frente, ao ver Ryoma, não esconde o desdém e, apontando-lhe a raquete, sorri friamente: "Você sabe jogar ténis? Acabou de corrigir um membro titular da equipe do Instituto Landon."

Ryoma o encara em silêncio.

O olhar do rapaz o incomoda tanto que ele ameaça Ryoma com a raquete, sem intenção real de machucá-lo, apenas para assustá-lo. Para surpresa dos presentes, Ryoma não desvia nem se defende, como se soubesse que não seria atingido.

"Vamos, temos coisas mais importantes a fazer", diz um dos colegas, sorrindo.

O rapaz resmunga e se prepara para sair, mas Ryoma recolhe a garrafa de bebida que ele acabara de tomar, arremessa-a com precisão no lixo e pergunta: "Aprendeu a segurar a raquete? Quer que eu te ensine a jogar ténis?"

Ao redor, espanto.

Os adversários, por terem vindo desafiar a Academia da Primavera, demonstram grande habilidade, mas um adolescente tão jovem ousar dizer isso deixa todos perplexos.

"Ele enlouqueceu?"

Olhares se voltam para Ryoma.

Diante do computador, Yang Feng folheava as páginas, cada vez mais interessado. Achava o ténis pouco popular, mas até ali não sentira tédio nem achara a narrativa confusa; pelo contrário, estava curioso.

O jovem aceita o desafio.

Então, para assombro dos alunos da Academia da Primavera, Ryoma, o rapaz de aparência frágil, massacra com facilidade o adversário, suposto titular do Instituto Landon!

O jovem se enfurece.

Desdenhara de Ryoma, mas, ao perder sucessivos pontos, vê sua reputação arruinada e, em desespero, recorre à sua melhor técnica — reservada para enfrentar os titulares do clube da Primavera —, mas é obrigado a usá-la contra um adolescente.

Consegue marcar um ponto.

Nesse momento, a treinadora da Academia da Primavera aparece, e logo nota Ryoma em quadra, sorrindo de canto: "Ele chegou antes do que eu esperava."

"Avó, você o conhece?"

A menina ferida no comboio também está presente — ela é neta da treinadora. Mas a avó não explica, apenas observa calmamente o jogo.

Ploc, ploc, ploc.

Ryoma sofre a recuperação de alguns pontos.

Os dois passam a disputar ponto a ponto.

Yang Feng franze a testa. No início, o texto enfatiza o lado genial de Ryoma, mas, até ali, o desempenho dele não correspondia à expectativa criada. De fato, ténis não é um tema fácil.

Ele balança a cabeça e continua lendo.

Mas logo, a narrativa toma um rumo eletrizante: sob os olhares atônitos de todos, Ryoma troca a raquete da mão direita para a esquerda!

"Ele é canhoto."

A treinadora sorri como uma raposa.

Ao ler essa parte, Yang Feng sente um aperto na garganta. Jamais imaginou que Ryoma fosse canhoto. É como alguém que sempre come com a mão direita, de repente usar a esquerda: são habilidades totalmente diferentes. Se Ryoma já dominava o adversário com a direita, o que não faria com sua mão principal?

Isso o deixava ansioso por mais!

A narrativa não decepciona. Se antes Ryoma apenas superava o rival, agora, jogando com a esquerda, ele o humilha completamente; nem sequer permite que o adversário receba seus saques.

Uma vitória esmagadora!

Em meio aos murmúrios de espanto, a treinadora da Primavera semicerrava os olhos e dizia: "Em apenas um ano, venceu todos os torneios juvenis de Qinzhou, conquistou todos os títulos de simples, foi campeão em dezoito partidas seguidas por larga margem, e foi convidado pessoalmente pelo diretor para integrar a escola como atleta especial: Ryoma, dezesseis anos!"

"Ryoma!"

Todos ao redor despertam do transe.

Em seguida, um burburinho toma conta do ambiente: aquele adolescente era o novato que entrou direto como titular do clube de ténis — e seus feitos eram realmente extraordinários!

"Incrível."

Os olhos de Yang Feng brilhavam.

Por um instante, esqueceu a posição de editor e mergulhou por completo na perspectiva do leitor, ignorando até o aviso de fim do expediente da empresa, ansioso pelo desfecho.

A partida ainda não terminou.

O maior obstáculo de Ryoma é sua idade: apenas dezesseis anos, de estatura inferior ao adversário. Este ajusta a tática e tenta usar a vantagem de altura junto à rede, mas pouco resolve; Ryoma continua impondo seu ritmo avassalador.

Risadas ecoam ao redor.

O jovem, humilhado, perde a cabeça e, num ato desesperado, arremessa a raquete com força contra Ryoma, acertando-o em cheio no rosto, fazendo-o sangrar na testa.

Yang Feng salta da cadeira, indignado.

O público também protesta.

O rapaz ri, fingindo que deixou a raquete cair por acidente, mas, quando todos pensam que Ryoma não poderia continuar, ele apenas limpa o sangue e diz: "Vejo que você ainda não aprendeu a segurar a raquete corretamente."

"Você!"

A disputa continua.

Agora é a vez de Ryoma revidar. Cada bola é rápida e precisa, com técnica elevada, atingindo várias vezes o rosto do adversário, que grita de dor, enquanto Yang Feng se diverte, batendo na perna de tanta empolgação.

Que alívio, que vingança doce!

Bem feito por não ter espírito esportivo!

A cada ponto de Ryoma, ele anuncia o placar de forma impiedosa: "Quinze a zero—trinta a zero—quarenta a zero—"

"O que é isso?", os colegas do jovem estão em choque.

A treinadora da Primavera explica com calma: "Saque com spin externo; o atrito do solo de borracha faz a bola girar, e ao quicar, ela desvia da trajetória normal. Essa é uma das técnicas com que Ryoma dominou os torneios juvenis de Qinzhou no último ano. Com o nível dele, o adversário não tem chance."

O jovem, apavorado, desiste de resistir na última bola. Mas Ryoma apenas dá uma batida leve, e a bola, após um pequeno salto, cai ao lado do adversário — um lance cheio de ironia.

Todos ficam boquiabertos.

Yang Feng também.

Nunca imaginou que, mesmo sem conhecer nada de ténis, ficaria tão entusiasmado e envolvido por um romance esportivo, como se fosse a primeira vez que lia uma obra assim—

Meu Deus!

Que explosão!

Naquele instante, Yang Feng lembrou-se de uma música que adorava ouvir ultimamente, chamada "Inflamável e Explosiva". Sim, é exatamente isso que um romance juvenil deve ser: inflamável e explosivo!