Um, Trovão Ardente

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2596 palavras 2026-02-09 13:59:04

Lei Yan era um estudante do segundo ano da academia de polícia. Além de gostar de romances policiais e filmes, seus estudos eram medíocres e comuns. Durante uma briga fora do campus, acabou ferindo alguém e, como resultado, foi expulso da academia.

Diante de algo tão angustiante, só mesmo se embebedando até cair. Assim, após uma noite de insana bebedeira, em que perdeu a noção do tempo e do espaço, Lei Yan, que estava prestes a voltar para casa para assar espetinhos e encarar os lamentos dos pais e o desprezo de parentes e amigos, surpreendentemente acordou no fim do mundo, nos Estados Unidos, tornando-se um detetive do apocalipse...

O sol poente tingia tudo de vermelho. A luz amarelada entrava de esguelha pela única janela não vedada da biblioteca do Departamento de Polícia de Galinha Caindo, projetando a sombra da grade de ferro sobre o rosto de Lei Yan, que jazia no chão.

Com um semblante doente, Lei Yan suspirou e sentou-se lentamente sobre o velho colchão. Ao abrir os olhos, ergueu o braço para proteger-se da luz. Apenas esses movimentos bastaram para lhe cobrir o rosto de pequenas gotas de suor.

Apoiando a mão na testa, acostumou-se à claridade por alguns segundos. Depois enxugou o suor, pegou um copo de água do chão e bebeu de uma só vez. Em seguida, colocou o copo ao lado de um volumoso livro chamado “Estudo dos Vestígios”, apertou alternadamente os bíceps, tríceps e deltoides, depois pressionou o peito e o abdômen, suspirou e balançou a cabeça, claramente insatisfeito com o diâmetro de seus músculos.

No momento em que Lei Yan tentava se levantar, a perita forense Teresa empurrou a porta, trazendo uma caixa inteira de aspirinas. Lei Yan, apoiado na estante ao seu lado, olhou-a de soslaio.

“Ainda não entendi direito, então trouxe todos os remédios”, disse Teresa, sorrindo de modo apologético, aproximando-se e entregando a caixa enorme de aspirinas a Lei Yan. Fitando seu rosto, perguntou preocupada: “Está se sentindo melhor?”

“Um pouco melhor, só que a recuperação está lenta”, respondeu Lei Yan, lançando-lhe um olhar e esboçando um sorriso amargo. Abriu a caixa de papelão, que continha trinta e cinco frascos de remédio, dispostos em sete fileiras de cinco. Pegou o frasco da terceira fileira e terceira coluna, sacudiu diante dos olhos de Teresa e disse: “Veja, era esse que eu pedi para você trazer.” Sorrindo, entregou o frasco a Teresa. Depois, contou de baixo para cima e pegou outro, também na terceira fileira e terceira coluna, balançou diante dela e devolveu ao lugar de origem. “Mas o que você trouxe foi este aqui”, disse ele, fazendo um muxoxo. “Por isso estou demorando a melhorar.”

“Como conseguiu encontrar tão rápido?”, Teresa fez beicinho, abrindo cuidadosamente o frasco, tirou cinco comprimidos e perguntou a Lei Yan enquanto os despejava na mão.

“Três já bastam. Olhe”, disse Lei Yan, indicando um pequeno ponto preto pouco visível no canto superior esquerdo da caixa. “Eu fiz uma marca. Sempre que um remédio está completo, eu marco assim. Precisa lembrar disso,” explicou, tocando o pontinho. “Da próxima vez, não confunda, especialmente quando eu estiver doente.” Limpou o suor da testa e sorriu travesso para Teresa.

“Entendi”, respondeu ela, entregando-lhe os comprimidos. Depois, colou de volta o lacre do frasco com cola, fechou a tampa e colocou-o na caixa de Lei Yan. “Pronto, ninguém vai perceber!”

Lei Yan engoliu um comprimido, guardou os outros dois no bolso da calça jeans, fechou a caixa e a devolveu à perita, apanhando o livro do chão. “Guarde na minha mochila”, pediu.

“Tem certeza de que quer ir sozinho?”, perguntou Teresa, observando preocupada as gotas de suor na testa dele. “Não quer que eu vá junto?”

“Não precisa. Se você for, eles vão tirar sarro de mim por dias”, disse Lei Yan, sorrindo e balançando a cabeça. Entregou o livro a Teresa. “Já terminei de ler. Foi muito proveitoso”, murmurou, “Leia também. No próximo caso, dividimos as pistas: metade para cada um.”

“A investigação criminal fica com você, a perícia comigo, certo?” Teresa confirmou, colocando o remédio debaixo do braço e folheando o livro.

“Exato. E, quando aparecer alguém adequado, cedemos espaço”, disse Lei Yan, fazendo alguns agachamentos e dando alguns tapas no rosto para se manter desperto. “Na hora de caçar, todo mundo junto.”

“Acha mesmo que o pessoal vai cooperar?” Teresa revirou os olhos, soprando uma mecha de cabelo.

“Aos poucos vão, não podemos mais viver só para comer e sobreviver”, respondeu Lei Yan, alto e imponente, dando dois tapinhas no ombro de Teresa antes de abrir a porta. Virou-se para ela com um sorriso: “Precisamos de um propósito, senão a vida perde todo o sentido!” E saiu. Teresa não disse nada, apenas fez um muxoxo e o seguiu.

Do lado de fora da biblioteca, Jim “Pum” e Richard “Esqueleto” estavam sentados nos degraus, conversando. Jim gesticulava animado, espalhando saliva, enquanto Richard ouvia com expressão confusa. Ao verem Lei Yan, interromperam o papo e vieram ao seu encontro.

“Quero um copo d’água, o comprimido parece ter ficado preso na garganta”, disse Lei Yan, impedindo o empolgado Jim de começar outra história. Fez um gesto para que ele esperasse e voltou-se para Teresa: “Pode trazer água pra mim?” Ela assentiu, e Lei Yan levantou um dedo: “Quero também a terceira jaqueta de couro, aquela com o M nas costas. Não confunda. E as chaves do meu carro. Nos encontramos na ‘sala de provas’.”

Teresa sorriu de canto, entregou a Lei Yan um par de luvas descartáveis de borracha e foi buscar os itens no depósito.

“Alguma novidade na sala de provas esses dias?”, perguntou Lei Yan, descendo com eles as escadas.

“Pode chamar de loucura”, respondeu Jim, saltitando à frente de Richard. “Você vai precisar de estômago forte para ver. Tem mais malucos do que antes, e todos são ousados demais.”

“Não é que há mais malucos,” corrigiu Richard enquanto descia, “é que sobreviveram mais malucos do que pessoas normais.” Suspirou fundo. “Talvez esses doidos se adaptem melhor a um mundo infestado por zumbis!”

“Dá na mesma, ainda assim tem mais malucos do que antes”, insistiu Jim.

“E sobre o Amnésico Misterioso e sua caixa, alguma descoberta nova?”, perguntou Lei Yan, calçando as luvas.

“Ele é doutor em física, chama-se Rhys Sutter”, relatou Richard, seguindo Lei Yan e observando suas mãos. “Trabalhava para o Departamento de Segurança Interna. E aquela caixa é realmente extraordinária.”

“Extraordinária?” Lei Yan parou, curioso. “Aquela caixa metálica com inscrições ancestrais, o que tem de tão especial?”

“Ah, ela tem um dispositivo de alimentação”, respondeu Richard, franzindo a testa, sem saber por onde começar. Pensou um pouco e seguiu: “Tem uma fonte de energia.”

“Uma caixa antiga dessas com fonte de energia?” Lei Yan arregalou os olhos, assim como Jim, tomado pela curiosidade.

“Não, não, a fonte não é antiga, é moderna”, explicou Richard, percebendo o mal-entendido. “Não veio com a caixa, foi adaptada em nossa época.” Richard gesticulava para ilustrar. “Instalaram para ativar a função dela.”

“Que função?”, perguntou Lei Yan, chegando ao térreo e conduzindo os dois em direção à sala de provas. “O que te deixou tão impressionado?”