Treze, Como o Aço Foi Forjado (III)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2377 palavras 2026-02-09 14:00:48

— É tão difícil conseguir armas lá fora? Por que os andarilhos não usam armas para enfrentar os mortos-vivos? — O homem musculoso tomou um gole de cerveja, semicerrando os olhos, e perguntou ao magro de rosto seco, intrigado.

— Não é que seja difícil conseguir armas. Elas são muito mais eficazes do que facas. Mire na cabeça e pronto, cada tiro é um inimigo a menos, desde que você seja bom de mira. Eu, para falar a verdade, não sou lá muito bom de pontaria — o homem magro puxou um revólver da cintura, balançou diante do outro e depois o colocou sobre a mesa. — Mas a questão não é a mira. O problema é que o disparo faz muito barulho. Assim que você atira, atrai ainda mais mortos-vivos.

— Então eles encontram as pessoas pelo ouvido, é isso? — O homem musculoso perguntou enquanto bebia.

— Também por outros sentidos, mas qualquer barulho atrai eles. Lembre-se disso — o magro ergueu um dedo, enfatizando —. Por isso, a menos que seja uma fuga desesperada, nunca use uma arma. É mais seguro usar uma faca.

— Hmpf! Quando encontramos esses mortos-vivos, ou estamos fugindo, ou lutando até o fim. A faca é perigosa, porque é preciso deixar eles chegarem perto — o homem musculoso pegou o revólver da mesa, encarando o magro. — Se fosse comigo, escolheria a arma. Minha pontaria até que é boa. — Ele simulou dois disparos em direção ao companheiro.

— Hehe, em caso de emergência, eu também uso — o magro balançou a cabeça, discordando, mas sorriu. — Na maioria das vezes, tem que ser com a faca. São muitos e estão em todo lugar. Não adianta falar muito, depois você vai entender.

— Só tem essas balas? — O homem musculoso retirou o carregador e viu apenas quatro projéteis. Assentiu, parecendo compreender, e disse ao magro: — Agora entendo por que você não quer usar arma. Não tem mesmo como!

— Ah, não é só isso — o magro serviu-se de uísque, balançando um dedo e sorrindo. — No meu carro tenho mais algumas caixas de munição, além de uma carabina. — Ele brindou com o homem musculoso, tomou um gole e continuou: — Se for preciso, podemos trabalhar juntos, um para cada um!

— Essa ideia é ótima! Agora vejo uma saída, uma esperança — o homem musculoso exclamou, animado, brindando com a lata de cerveja no copo do outro. Era evidente que a oferta de dividir armas e munição o deixara muito satisfeito.

— Você continuou treinando aqui dentro? — O magro olhou para o braço do outro, apontando para o salão repleto de aparelhos de ginástica. — Está em boa forma! Não é possível que fique assim sem treinar, não é? Haha!

— Se quero manter esse físico, tenho que treinar — o homem musculoso largou a cerveja, flexionando o braço para mostrar o bíceps impressionante. Torceu a boca e disse: — Aqui não acontece nada, não posso sair, não posso ir embora, fico louco de tédio. — Deixou o braço cair, suspirou e cortou um pedaço de carne, dizendo ao magro: — Só me resta treinar sem parar, para distrair a cabeça até dormir. É uma vida infernal!

— Sempre quis puxar ferro, mas nunca tive oportunidade — o magro olhou com inveja para os aparelhos e falou ao outro: — Você vive aqui, fazendo o que sabe e gosta. Tenho que admitir, sinto uma certa inveja.

— Quando estávamos trabalhando na porta, vi que você tem força, não está mal — o homem musculoso analisou o magro de cima a baixo, assentiu e disse: — Tem boa estrutura e ossatura. Se treinar direitinho, vai conseguir resultados rápido.

— Quer dizer que posso ficar como você? — O magro arregalou os olhos, animado com o elogio do instrutor.

— Vejo que tem algum músculo, fez algum esporte? — O homem musculoso observou o magro de regata.

— Na escola fiz algum treino físico e de combate, por um ano, depois vim para os Estados Unidos — suspirou, pegando um pedaço de pão. — Tenho um par de halteres no quarto, mas quase não usei. — Coçou a cabeça, sorrindo sem graça. — Mas costumo carregar mercadorias do carro para o depósito. Isso conta?

— Claro que conta. Carregar peso trabalha todos os músculos. Você já passou da fase iniciante — o homem musculoso concordou, olhou para as coxas fortes do magro e refletiu —. Você não tem gordura, deve ser questão de alimentação. Por isso parece tão seco.

— Então posso começar logo pelo estágio intermediário? — O magro perguntou, surpreso e contente.

— Não é que vá começar pelos exercícios intermediários. Os movimentos são simples — o homem musculoso revirou os olhos, bebeu mais um gole e explicou: — Na verdade, seu nível já superou a base de iniciante. Com treino e alimentação, — flexionou o braço musculoso — vai ver resultados rápido, bem visíveis. Quer tentar? Eu posso te ensinar. — O instrutor olhou para os aparelhos, convidando o magro.

— Isso é ótimo, afinal não tenho nada para fazer — o magro largou o copo, sorrindo enquanto se dirigia aos aparelhos. Virou-se e perguntou: — Por onde começo? Levantamento com barra?

— Não, não — o homem musculoso largou a cerveja, suspirou e foi até o magro, explicando com um sorriso: — Primeiro, aquecimento. Senão, é fácil se machucar.

— Obrigado. Se machucar num mundo tomado por mortos-vivos é sentença de morte — comentou o magro, passando a mão pela cabeça com um sorriso.

O homem musculoso foi paciente: ensinou ao magro vários exercícios de aquecimento, e este aprendeu depressa. Depois, explicou e demonstrou o uso de cada aparelho no salão, quantas séries e repetições em cada uma. O magro prestou atenção a cada detalhe e memorizou os pontos-chave.

— É basicamente isso. Com esses exercícios você já tem o suficiente — o homem musculoso enxugou o suor enquanto voltava à mesa, dizendo ao magro: — Quando quiser, posso orientar mais. Pode começar logo. Você tem talento, vai ficar forte em pouco tempo.

— Estou exausto, amanhã começo o treino de verdade — o magro foi atrás, balançando o braço e rindo —. Também quero ver logo algum resultado.

— Em teoria, tem que cuidar da alimentação, tomar proteína, essas coisas — o homem musculoso sentou-se, bebeu um gole e apontou para o depósito, torcendo a boca —. O efeito é rápido. Se usar creatina também, é só seguir as instruções. — Suspirou e continuou: — Mas, sinceramente, nesse mundo dominado pelos mortos-vivos, ficar forte não serve para muita coisa.

— Serve sim! Com músculos, ninguém te subestima — o magro flexionou o braço, admirando o bíceps que já começava a crescer, orgulhoso. O homem musculoso balançou a cabeça e sorriu, sem responder, claramente discordando.

— A propósito, qual é o seu nome? Não ouvi direito na porta — depois de um tempo, o homem musculoso largou o garfo, mastigando a carne, e perguntou.

— Ah, me chamo Lei Yan — respondeu o magro, sorrindo...