Vinte e Dois, Vida Subterrânea (Parte Um)
Mais terrível do que estar preso numa cadeia, é estar trancafiado solidamente sem que ninguém saiba, sem guardas, sem companheiros, sem absolutamente nada—tudo se desvanecendo como areia; a calma é apenas passageira.
Depois de ler a carta daquele brutamontes chamado Maicon, uma onda de raiva voltou a tomar conta de Leão, que pensou consigo mesmo que precisava sair imediatamente dali e acabar com aquele traidor desprezível.
Dizer que ele não estava calmo não era porque sentia raiva, mas porque sequer refletia sobre a situação; mesmo que Maicon o enfrentasse de mãos nuas, ele não seria páreo, quanto mais agora, que Maicon possuía duas armas, uma longa e uma curta, e poderia matá-lo em questão de segundos.
A mente de Leão girava em torno da vingança. Para isso, precisava sair dali de imediato, então correu até a academia e começou a procurar uma ferramenta para abrir a porta.
Procurou por todos os lados, revirando cada canto meticulosamente, mas não sabia se nunca existira algo ali ou se Maicon, ao ir embora, levara todo possível instrumento que pudesse servir para abrir a porta. Não encontrou nada: nem chave inglesa, nem martelo, nem chave de fenda, nem serrote.
Inconformado, pensou em usar a força bruta para arrombar a porta. Afinal, ele viera do Reino da Porcelana e sabia que, com persistência, até mesmo uma barra de ferro pode ser desgastada até virar uma agulha. Imaginou que, se martelasse a porta todos os dias, logo conseguiria romper o portão de ferro ou quebrar a corrente. Não tendo encontrado um martelo, pensou nos halteres e nos discos de barra. Aqueles pedaços de ferro, mesmo pesados, se usados corretamente, poderiam fazer o papel de um grande martelo. De repente, uma luz de esperança surgiu diante de seus olhos.
Halteres e discos de barra não eram difíceis de achar. Leão, animado, pegou alguns que estavam à mão e foi até o portão de ferro. Primeiro usou o haltere, depois o disco de barra, golpeando a corrente e a porta de ferro com toda a força; faíscas voavam por todo lado. Mas logo percebeu que não podia continuar, ou correria risco ainda maior.
O barulho que fez ao golpear a porta logo atraiu uma dezena de zumbis, que, guiados pelo som, começaram a se aproximar da academia.
Embora Leão já tivesse eliminado muitos zumbis, naquele momento não conseguiu conter o medo. Ao pensar que estava sem armas, imediatamente parou de se mover, segurando o disco de barra com cuidado.
Por um instante, uma ideia louca passou por sua cabeça: e se atraísse os zumbis até ali e usasse a força deles para arrombar a porta? Mas logo descartou a ideia, reconhecendo que seria puro suicídio. Mesmo que os zumbis conseguissem abrir o portão, para onde ele fugiria? Acabaria sendo devorado, não havia outra possibilidade. Sem armas, não teria chance nem contra um único morto-vivo.
Leão fitava os zumbis que se aproximavam lentamente do lado de fora da porta, engoliu em seco e, segurando o disco de barra, foi se deslocando cautelosamente em direção ao porão, atento aos objetos espalhados pelo chão, temendo fazer ainda mais barulho e atrair uma horda ainda maior de criaturas...