Trinta e três, entendido!
Delegacia do Frango do Poente, durante o dia, no quarto andar, o setor de escritórios já estava completamente esvaziado. Lei Yan treinava os colegas sobre o protocolo de audiência ao rei do Reino de Da Qin.
— Por que temos que passar as costas das duas mãos assim? — "Esqueleto", de gestos desajeitados, não conseguia acertar o movimento mesmo depois de muito tempo. Reparando que o chefe e os outros também não faziam de maneira correta, ofereceu-se como porta-voz do grupo e questionou o treinador-chefe Lei Yan: — Não seria mais fácil apenas ajoelhar sobre um joelho? Pra que complicar tanto?
— Puro capricho — respondeu "Diabrete", cruzando os braços e encostando-se à coluna de mármore, a testa franzida. Ele achava uma tolice aprender aquelas estranhas etiquetas típicas do Reino da Porcelana impostas por Lei Yan e, por isso, recusava-se terminantemente a praticá-las. Ao ouvir "Esqueleto" questionar o chefe em nome de todos, apressou-se em apoiar: — Se mudarem para o joelho único, eu até entro nessa. Caso contrário, prefiro ficar de fora! Minha cabeça é fraca, não vou aprender.
— Para comermos melhor, ora — Lei Yan olhou para todos, visivelmente exasperado, e após alguns segundos disse: — Se queremos comer bem, precisamos praticar.
— Ah, comer melhor, isso me interessa — Blackwell passou as costas das mãos, desajeitado, fez uma reverência de joelho para a soldado Elizabeth e perguntou sorrindo para Lei Yan: — Pode explicar por que, se aprendermos isso, vamos comer melhor? Chefe, estou fazendo direito?
— Bah, parece um boneco de madeira! Duro que só! — Diabrete, ao ouvir falar em comida boa, logo demonstrou interesse e, temendo ser esquecido, apressou-se a comentar sobre Blackwell.
— Ainda está um pouco duro o movimento. Vejo que só ensinar a ação não adianta, preciso explicar de onde vem esse gesto — sorriu Lei Yan, balançando a cabeça para Blackwell antes de se dirigir a todos: — Primeiro, por que, ao praticar, comemos melhor? Estão curiosos, certo?
— Sim! — responderam todos em uníssono, deixando claro que comidas saborosas lhes despertavam grande interesse.
— Então, combinamos de amanhã ir à audiência com o rei do Reino de Da Qin, não é? — Lei Yan pôs as mãos na cintura e, vendo todos assentirem, continuou: — Amanhã, por coincidência, é o dia em que os pequenos reinos, ou melhor, comunidades subordinadas, levam tributos ao Reino de Da Qin. Se nos destacarmos, mostrando-nos diferentes e fazendo o rei sentir-se profundamente respeitado, teremos o melhor tratamento. Entenderam?
— Nós estamos resolvendo um caso gigante para ele e ainda assim não teremos o melhor tratamento? — O Chefe esfregou as costas das mãos, ajoelhou-se pesadamente diante de sua esposa Leslie e fez a pergunta.
— Seremos recebidos, mas será um tratamento comum, não o melhor — respondeu Lei Yan ao casal —. Afinal, segundo o combinado, já receberemos os alimentos do Reino de Da Qin, não há obrigação de nos darem mais do que isso.
— E isso não vai prejudicar nosso ânimo para resolver o caso? — O jovem negro Eric também fez o movimento desajeitado diante do velho David e perguntou a Lei Yan.
— Não vai. O tratamento comum já é mais que justo. Não esqueçam que, até outro dia, passávamos fome — disse Lei Yan, acenando para Eric. — Portanto, para recebermos o melhor, temos que nos destacar, temos que aprender esse protocolo.
— Esse protocolo é mesmo estranho, mas, se aprendermos bem, certamente nos destacaríamos — Holmes, com sua barriga avantajada, achava a prática mais difícil que os outros, mas se esforçava. Ele e Barack, sentados um de frente para o outro, alternavam os exercícios, formando uma cena engraçada. Quando recebeu a reverência de Barack, comentou:
— Acho que todos entendem a boa intenção do chefe. Ele não está querendo aparecer — disse a perita Teresa, lançando um olhar para Lei Yan. — Ele quer melhorar nossa vida. Quem aprender bem terá a chance de ver o rei?
— Quem não conseguir pode acompanhar atrás — assentiu Lei Yan para Teresa e explicou ao grupo —, mas não garanto que os de trás possam participar do banquete especial do rei.
— Ora, um banquete especial do rei! — exclamaram todos, debatendo animadamente sobre o banquete. Ao ouvir isso, Diabrete ficou inquieto, mudando o peso do corpo de um pé ao outro, olhos inquietos; perder essa festa seria um prejuízo enorme para ele.
— Explique a origem desse gesto, senão ninguém aprende! — Diabrete olhou ao redor, procurando se redimir, criar uma desculpa para si mesmo, e apoiado na coluna dirigiu-se a Lei Yan: — Não vê que nem entrei para aprender? É difícil de entender, não é?
— Está bem, vou explicar de onde vem esse gesto. E, de fato, exige imaginação — Lei Yan viu que todos concordavam com Diabrete e, estendendo as mãos, simulou um gesto de pressão para baixo, assentiu e disse: — Esses gestos vêm do último império feudal do Reino da Porcelana, eram o protocolo dos ministros diante do imperador. Escolhi esse gesto porque é muito característico.
— O último? Deve ter uns bons séculos, não? — Diabrete observava de braços cruzados, sorrindo.
— Esse império se chamava Grande Qing. Durou uns trezentos ou quatrocentos anos — Lei Yan fez um esforço de memória e explicou ao grupo: — Desde o fim desse império até hoje, já se passaram uns cento e vinte anos, mais ou menos. Por quê?
— Como você aprendeu um protocolo de tanto tempo atrás? — Diabrete voltou à carga, lançando um olhar de troça aos colegas — Você não veio do Império Qing direto para a América? Haha!
— Claro que não, claro que não, cof — Lei Yan percebeu que todos riam, tossiu para disfarçar. Na verdade, aprendera esse protocolo assistindo a séries nacionais do Reino da Porcelana, mas sabia que, se dissesse isso, seria alvo de chacota e o gesto não seria levado a sério. Então, rapidamente, decidiu inventar uma desculpa: — Aprendi quando estudava investigação criminal no Reino da Porcelana. Um grande mestre de cultura tradicional me ensinou. É uma herança cultural, foi assim que aprendi.
— Ah, então foi isso — Diabrete, que já conhecia os dramas históricos do Reino da Porcelana, reconheceu a mentira de Lei Yan, mas, em nome do banquete, decidiu não desmascará-lo. Apenas sorriu e assentiu, sinalizando que Lei Yan deveria lembrar de sua "ajuda" mais tarde.
— Agora vou explicar o gesto em detalhes — Lei Yan sabia que Diabrete provavelmente assistira a "A Princesa Pérola", então acenou para ele ficar quieto e logo voltou-se para o grupo: — Tudo começa com a vestimenta dos ministros do Império Qing, que usavam longas túnicas — Lei Yan fez um gesto do pescoço à cintura e apontou para os próprios pulsos, continuando: — As extremidades das mangas eram viradas para cima, um detalhe de design, não apenas enroladas. — Apontando para os pulsos, explicou: — Chamava-se manga de pata de cavalo, o tecido era rígido, por isso, para abri-la, eram necessários dois gestos: vejam, primeiro a esquerda, depois a direita — rapidamente, com a mão direita, passou sobre a mão esquerda, depois, com a esquerda, sobre a direita, e então ajoelhou-se em um joelho, baixando a cabeça: — Viram? Tem que baixar a cabeça, mostrando respeito ao rei. Rei, também chamado de Majestade, quer dizer que não ousamos olhar-lhe nos olhos, apenas ao solo diante do trono. Por isso, cabeça baixa! E gritem: "Zhà"! Que quer dizer "Sim, senhor!"
— Ah, então era isso, era para ajeitar a manga! — Ao ouvirem a explicação, todos se iluminaram, e, com um pouco de imaginação, ao passarem as mãos pelas costas os gestos tornaram-se mais naturais e elegantes, deixando Lei Yan visivelmente aliviado.
— E então, vai se juntar a nós? — Lei Yan olhou para Diabrete, ansioso por participar, e sorriu.
— Bah — Diabrete entrou a contragosto, fez a sequência sozinho e, surpreendentemente, foi o que melhor executou, recebendo elogios de todos pela esperteza e facilidade de aprender.
— E aí, o que achou? — Lei Yan esfregou as mãos, sorrindo para Diabrete.
— Dá vontade de morrer — Diabrete fez beiço, sentindo-se ridículo, e reclamou como de costume.