Dez, Quem é o Líder (Quarta Parte)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2984 palavras 2026-02-09 14:00:39

— Ora, ora, o velho chegou mesmo na hora certa — o chefe levantou-se rapidamente, dirigindo-se a Elizabeth, enquanto lançava um sorriso sarcástico para Herold e "Pumzinho". — Continuem aí com a eleição de vocês, eu vou descer para ajudar.

— Trouxe alguém nas costas? Já temos gente demais aqui, francamente... — resmungou "Pumzinho", fazendo bico. — Tem certeza de que aquilo é mesmo uma pessoa? — perguntou ele a Elizabeth.

— Estava muito escuro, foi só um palpite — respondeu Elizabeth, dando de ombros para "Pumzinho". — Mais alguém quer ir?

— Eu vou — disse a legista Teresa, levantando a mão e indo ao encontro da soldada.

— Eu também — declarou Meiven, seguindo logo atrás de Teresa.

— Heh, isso vai ser interessante... — resmungou o velho David, que de repente abriu os olhos, lançando um olhar frio para "Pumzinho" e os outros, e depois caminhou sorrindo até Elizabeth.

— Que coisa! — pensou Elizabeth, ao ver que o namorado Herold permanecia parado, absorto em pensamentos, sem a menor intenção de acompanhá-la. Lançou-lhe um olhar de reprovação e desceu com Teresa e os demais para receber Leiã.

— O que foi? Continuem aí com a nossa comédia! — exclamou "Pumzinho", percebendo o motivo da saída dos outros e, para que Teresa e os demais pudessem ouvir lá de baixo, aumentou o tom de voz e gritou para Herold, que ainda estava parado: — Mesmo que a nossa apresentação não seja engraçada, temos de continuar praticando com coragem!

— Ah... ah, isso mesmo! — Herold despertou de seu transe, piscou o olho esquerdo para "Pumzinho" e respondeu: — Quando tivermos aperfeiçoado o espetáculo, vamos surpreender o Leiã!

— Eles até que são engraçados — comentou Erik, trocando um olhar com Holmes, ambos erguendo a voz de propósito.

O "Esqueleto", observando tudo de lado, balançava a cabeça num sorriso amargo, pensando consigo como era sortudo por não se misturar com aqueles bobos.

"Pumzinho" e Herold, ansiosos, aguardaram por cerca de dez minutos, até que Leiã surgiu das trevas, cercado por Teresa e os demais.

Leiã fez um gesto para "Pumzinho" e os outros, apontando para a grande mesa encostada na parede, e depois para o centro do salão, indicando que a arrastassem até lá. "Pumzinho" e Herold correram para a mesa como esfomeados atrás de pão fresco. Em poucos segundos, a mesa estava no centro e, sem que Leiã precisasse dizer mais nada, eles limparam-na rapidamente, ficando todos ao redor, sorrindo e aguardando as próximas ordens.

Leiã não fez cerimônia. Chamando os que estavam atrás de si, Elizabeth, o chefe e o velho David pousaram um enorme mochila preta sobre a mesa. Era tão pesada e volumosa que os olhos de todos brilharam — não só os de "Pumzinho" e Herold —, pois todos adivinhavam que ali dentro só podia haver comida. Ninguém, porém, sabia quais delícias os aguardavam, e todos sentiram o estômago contrair-se de prazer antecipado.

Leiã, percebendo os olhares ávidos, sorriu como um mágico que sabe que ninguém desvendará seu truque. Sob o olhar atento de todos, abriu o zíper da enorme mochila e, como quem tira pombas de um chapéu, foi retirando seis grandes pães integrais. Teresa, orgulhosa, dispôs os pães em fila sobre a mesa, sob exclamações de surpresa.

— Acabaram de sair do forno, ainda estão quase quentes — disse Leiã, sorrindo, retirando em seguida um saco de ovos de casca vermelha — havia uns trinta — e entregando-os para Ana, que recebeu o presente com alegria. — Acho que vamos precisar da frigideira.

— Eu pego! — exclamou Meiven, a loura, correndo excitada para a escuridão, pois sabia onde estava a frigideira.

— Fresquíssimos mesmo — comentou "Pumzinho", engolindo em seco e tocando nos ovos. — Ainda têm resíduos de galinha... acabaram de ser postos! — disse, rindo para Leiã.

Teresa lançou um olhar reprovador para "Pumzinho", que fingiu não notar.

— Tomates frescos! — anunciou Leiã, sacando mais de uma dúzia de tomates vermelhos da mochila e entregando-os ao chefe. — Hora de reforçar a vitamina C!

— Uau! Já faz meses que não vejo um desses... — disse o chefe, sorrindo para a esposa Leslie. — Só de olhar já fico com água na boca.

— Meu Deus, como conseguiu isso? — admirou-se Herold, olhando para os tomates. — Se fosse uma pilha de biscoitos militares, eu entenderia, mas tomates? Isso é raríssimo!

— E você conseguiria? — provocou o chefe, sorrindo para Herold, que apenas respondeu com um sorriso evasivo.

— Tem até repolho! — exclamou Leiã, tirando dois grandes repolhos e jogando um para Erik e outro para Holmes, que ficaram boquiabertos de surpresa e alegria.

— Eu vou buscar água — disse Leslie, sorrindo para Leiã, exibindo dentes brancos e perfeitos ao olhar para o repolho.

Logo em seguida, Leiã retirou um pote de picles, um generoso pedaço de carne bovina cozida — pesando uns dois quilos e meio —, um frango gordo e assado, e esses dois últimos itens quase fizeram todos babarem, de tanto engolir saliva.

— Isto é para as damas — disse Leiã, entregando três grandes barras de chocolate amargo para Teresa, orientando-a a dividir entre Meiven e as outras. Teresa aspirou o aroma do chocolate e assentiu entusiasmada para Leiã.

— Isto é para os cavalheiros — continuou Leiã, tirando dois maços de cigarros do bolso lateral da mochila e jogando-os para David, que acenou para os homens, avisando que logo distribuiria.

— Isto é para você, está com a carga completa — disse Leiã, jogando para "Pumzinho" um antigo carregador de bateria portátil. "Pumzinho" ficou tão feliz que quase pulou até o teto, prometendo exibir um bom filme naquela noite — ninguém poderia adivinhar que seria "A Princesa do Palácio".

— Sedativos, dê ao doutor e veja se ajudam — disse Leiã, entregando dois frascos de remédio ao "Esqueleto".

— Tudo isso foi trocado por aquela caixa de aspirina? — duvidou Teresa, arregalando os olhos.

— Claro que não — respondeu Leiã, sorrindo enigmaticamente e tirando, do fundo da mochila, a própria caixa de aspirina que Teresa lhe dera. Ela olhou para a caixa, para as comidas e exclamou: — Encontrou um santo pelo caminho?

— Chefe, isso é inacreditável! — exclamou "Pumzinho", com os olhos arregalados, fitando a caixa de Teresa. — Tanta comida boa e não foi trocada por remédio? Espera aí, ninguém em sã consciência daria tudo isso por uma simples caixa de comprimidos... — olhou para todos e então para Leiã, desconfiado. — Não me diga que... achou tudo isso perdido por aí?

— Deixa de ser tolo, quer morrer esmagado por comida caindo do céu? — riu Herold, provocando "Pumzinho". Depois, com ar bajulador, virou-se para Leiã: — Chefe, não me diga que, ao ver nossa fome, teve um ataque de justiça e saiu por aí redistribuindo riqueza? — disse, fazendo um gesto cortando o pescoço com a mão e lançando um olhar malicioso, completando: — Roubou? Sei que seus braços são grossos, nível treinador de fisiculturismo, hein!

— Claro que não! Aliás, esses dias não andei muito bem de saúde — respondeu Leiã, satisfeito por ninguém adivinhar. — Embora meus braços tenham afinado um pouco, a força ainda está lá, mas ando meio fraco. E, acima de tudo, sou apaixonado pela justiça; jamais roubaria alguém! — lançou um olhar para Herold, que assentiu e sorriu amarelo. Leiã prosseguiu: — Tudo isso foi porque pensei numa nova saída para todos nós, e graças a essa ideia dei de cara com a sorte.

— Quer dizer que vai ser detetive? — perguntou Holmes, pensativo.

— Exato! — respondeu Leiã, sentando-se com pompa na cadeira que Erik lhe trouxera, observando o preparo dos alimentos. — A vida precisa de objetivos. Quando temos um, a sorte aparece, não tem jeito!

— Comida e ser detetive... não vejo ligação nenhuma entre as duas coisas — ponderou Teresa, cortando fatias de pão e olhando, intrigada, para Leiã. — Como é que isso se conecta?

— Lembram das cinco rolos de fotos que encontrei na sala de provas? — disse Leiã, sorrindo para Teresa, que assentiu. — Todas essas delícias vieram das fotos. Ah, falando em bebidas, há quatro garrafas de uísque "Black Label" no banco da moto. Estou exausto, alguém pode buscar pra mim? — olhou ao redor e concluiu: — Daqui a pouco comemos, bebemos e conversamos. Tudo começou quando fui ao Reino de Qin tentar trocar aspirina por pão...