Cinco, O Jogo Mortal (Parte Dois)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2784 palavras 2026-02-09 14:00:22

— Hm? Você realmente está me irritando — o chefe ouviu de repente o grandalhão de uniforme militar sentado ao lado do legista soltar uma risada provocativa dirigida a ele, sentindo imediatamente sua dignidade ser desafiada. Sem hesitar, brandiu sua faca de caça, encostando-a no pescoço do militar e ameaçou com um olhar enviesado: — “O céu tem caminho e você não vai, mas o inferno está sem portas e você força a entrada.” Quer morrer antes do legista?

— Esse sujeito está ficando cada vez mais engraçado — o soldado riu ainda mais, sua barba castanha tremendo de tanto rir. Virando-se para “Fedegoso”, caçoou: — Diante dele, o destino é a morte certa; qual seria, então, esse tal caminho para o paraíso? Haha! — balançou a cabeça, o rosto corando de tanto rir, e continuou: — Acho que você quis dizer “morrer sorrindo”, não é? Hahaha! Todos ao redor acompanharam a risada.

— Cale a boca! — a confiança assassina do chefe diminuiu bastante. Furioso, brandiu a faca duas vezes diante dos olhos do soldado em sinal de ameaça e depois, apontando a lâmina para todos, vociferou: — Vocês também, calem a boca! Se me irritarem mais, faço sangria em cada um, acreditam? Assustados com a ameaça, todos se calaram, e os sorrisos desapareceram instantaneamente dos rostos. Percebendo que sua intimidação surtira efeito, o chefe lançou um olhar enviesado e, com um gesto teatral, girou a faca na mão, apontou para o soldado e zombou: — Derrel Closs, não se ache invencível. Para os outros, você pode parecer um “gigante de músculos”, mas para mim, é só um búfalo apetitoso. O soldado chamado Derrel tossiu, ignorando a provocação, mantendo um sorriso misterioso e olhando fixamente para a fogueira. O chefe também olhou para o fogo e continuou a zombaria: — Você não é nenhum “Foca” nem “Raposa do Ártico”. Quem te deu esses títulos já morreu faz tempo, pare de se vangloriar. Agora, você não passa de um boi. E um boi burro. — Deu um tapa forte na cabeça de Derrel. Quando este ergueu a cabeça e o encarou, recebeu outro tapa e mais provocações: — Quando Lei Yan foi embora, não te fez sinal para ficar de olho na porta secreta? E você, hein?! Negligente! — apontou para os demais, amarrados como se fossem pacotes, e gritou para o soldado: — Só por isso consegui pegar todos vocês juntos. Diz aí, merece ou não morrer mil vezes?

— Necessidades humanas, só saí por cinco minutos — Derrel tossiu, piscou os olhos e se defendeu: — Além disso, pedi para o Jim vigiar por mim. — Olhou para Jim e disse ao chefe: — Se há negligência, foi do Jim. A principal culpa não é minha.

— A culpa principal não é minha! — “Fedegoso” Jim esticou o pescoço e protestou em alto e bom som: — Só pisquei porque entrou um mosquito no meu olho. — Olhou para o chefe e depois para Derrel: — Reclama com o mosquito! Não foi de propósito! Nos outros minutos, nem pisquei!

— Ah, lamento tanto pela perfeita cooperação de vocês — o chefe cortou o ar com a faca zombando dos dois: — Agora é tarde para desculpas. Agora, vocês são meu jantar, almoço e café da manhã! Haha! — Bateu no ombro largo de Derrel, acenou para Jim e riu: — Agradeço sinceramente pelo presente de vocês! Ao ouvirem isso, Derrel e Jim ficaram em silêncio.

— David, acredite, entre todos aqui, só você terá um bom fim — o chefe guardou a faca, agachou-se ao lado do velho de chapéu de abas largas e barba branca, sorrindo amistosamente.

— Hein? — David, de sobrancelhas negras e barba branca, não podia acreditar em tanta sorte e exclamou, surpreso.

— Não se espante, não é por sua sabedoria nem bondade — o chefe deu um tapinha amistoso na cabeça de David, observando seus pelos brancos, e explicou sorrindo: — É por causa da sua barba, ou melhor, do seu rosto peludo!

— Mas... por quê? — David arregalou os olhos, sem entender.

— Porque você não tem carne decente — o chefe lançou um olhar para a barriga flácida de David e para a pele frouxa dos braços, zombando: — Parece um monte de pelanca, e ainda tudo peludo. — Fez um gesto no ar, rindo para o perplexo David: — Só de olhar, já me dá uma sensação de mar, impossível de engolir.

— Sensação de mar? O que quer dizer com isso? — David, desapontado por não ser apetitoso, não compreendeu a referência ao mar e insistiu.

— Porque eu enjoo no mar. Só de olhar, dá vontade de vomitar — respondeu o chefe com um sorriso malicioso, deixando o velho atônito.

— Uau, esse apelido devia ser seu! — Jim, calado até então, não se conteve, extravasando: — Não imaginava que você fosse tão enrolado. Até com um velho simpático, consegue despejar besteira. Se você não é o “Fedegoso”, quem seria?

— Haha! — o chefe não se irritou e respondeu rindo: — Chefe é chefe, não é à toa que me chamam assim! — Apontou a faca para “Fedegoso”, zombando: — O problema é seu azar. Um apelido grudado em você é para a vida toda! Hahaha!

— Eu sou “Navalha”! Me chamem de “Navalha”! — Jim estava claramente irritado, mas amarrado como estava, só podia arreganhar os dentes e gritar, sem causar grande efeito ao outro, que continuava indiferente.

— Fe... ah... Jim, não caia na dele! — Teresa, ao lado, advertiu “Fedegoso”: — Ele quer nos minar psicologicamente, nos fazer desmoronar para que obedeçamos. Não se irrite, não caia nessa!

— Humpf! Me irritar? Jamais! — Jim, convencido, ergueu o queixo para o legista, mostrando que entendeu. Depois, riu para o chefe: — Vá assustar os outros. A mim, não vai conseguir!

— Só estou escolhendo o cardápio de hoje. Nada de conspiração — disse o chefe, subitamente cordial, sorrindo para “Fedegoso” e o legista: — Então vou perguntar se há alguém mais adequado que vocês. Que tal? — “Fedegoso” e o legista, em sincronia, viraram o rosto para lados opostos, recusando-se a falar com alguém tão perverso.

O chefe não se importou nem um pouco com a grosseria deles; parecia um criador, sereno, com um sorriso misterioso digno da Mona Lisa. Então, voltou-se para os dois negros sentados ao lado do velho David, um magro e outro gordo, que estremeceram ao notar o olhar do chefe.

— Ora, ora — o chefe fingiu pesar, abanando a cabeça e sorrindo para os dois: — Em momentos assim, a pele faz diferença — olhou ao redor, para a escuridão —, até agora nem tinha notado vocês. — Olhou atentamente para eles e, brincando com seriedade, disse: — Quando saírem à noite, evitem contar piadas, senão só vão aparecer dois pares de dentes flutuando no escuro! — Fingiu-se assustado ao fitar a noite e caiu na gargalhada: — Quem vir vai pensar que os dentes ganharam vida própria! Hahaha!

— Isso é racismo, protesto veementemente! — “Fedegoso” não se conteve, levantando-se de súbito e olhando ao redor em busca de apoio. O legista lhe lançou um olhar, e ele, bufando, sentou-se de novo.

— Não leve para esse lado. Para mim, vocês são todos comida — o chefe, estranhamente paciente, respondeu a “Fedegoso”: — Trato todos com igualdade, de forma muito amigável, muito cordial!

— Argh! — “Fedegoso” mostrou a língua e revirou os olhos, enojado com a hipocrisia do chefe.

— Certo, agora se apresentem — o chefe estava mais amigável que nunca; ignorando “Fedegoso”, engoliu a saliva, pôs a faca no chão, bateu palmas e olhou para os dois negros: — Sejam sérios e sinceros. Isso pode definir a ordem do jantar. — Piscaram os olhos para os dois e, erguendo um dedo, citou o Evangelho de Mateus: — “Um instante de vida ainda é vida.” Imagine viver mais um dia!