Dezoito, O Grande Serviço

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2525 palavras 2026-02-09 14:01:11

— Eu também fui com o espírito de quem quer tentar a sorte, fui me encontrar com o rei do Grande Reino de Qin —, disse Leiyan, não conseguindo disfarçar certo orgulho enquanto tragava o cigarro e continuava: — Disse a Sua Majestade que eu já era detetive de origem —, Leiyan percorreu o olhar pelo grupo e sorriu, — contei que trouxe comigo uma equipe de investigação de elite. Disse ainda: não garanto outras coisas, mas basta que ele nos entregue este caso e, em dois dias, com certeza encontraremos o corpo da vítima.

— Ora, nem dois dias! Se a mensagem da foto for verdadeira —, comentou o legista, rindo —, encontramos imediatamente.

— Era só para despertar o interesse dele, se não desse um ar de mistério, será que ele nos levaria a sério? — Leiyan lançou um olhar ao legista e se voltou para os demais.

— Muito certo, grande detetive! E o rei, o que disse? — perguntou “Pé-de-vento” com entusiasmo.

— Como se diz isso no idioma da Terra das Porcelanas? Sua Majestade, ao ouvir tais palavras, ficou exultante — Leiyan executou meio gesto teatral, levou a mão direita ao peito e anunciou com falsa solenidade — e decidiu imediatamente confiar a investigação deste caso a nós!

— Que maravilha! — “Pé-de-vento” bateu palmas com tanto entusiasmo que não pôde conter a curiosidade: — Mas o que quer dizer “exultante com o rosto de dragão”?

— Significa que o rei ficou extremamente satisfeito — explicou “Esqueleto”, que entendia o idioma, olhando para Leiyan e explicando a expressão a Jim, o “Pé-de-vento”.

— Então está tudo certo! Se ele está feliz, está tudo bem! — celebrou Haier, trocando olhares de cumplicidade com “Pé-de-vento”.

— Então ele te ofereceu essas delícias em troca? — perguntou Meiwenn, rindo e mastigando um pedaço de tomate.

— Não — respondeu Leiyan, abanando o dedo e sorrindo.

— O rei tinha mais algum truque na manga? — O legista olhou curioso para os demais, tomou um gole de vinho do copo que tirara das mãos de Anna e perguntou a Leiyan.

— Isso é só uma parte — Leiyan se levantou num salto, abriu os braços e anunciou em voz alta: — Na verdade, essa excelente comida poderemos desfrutar por um mês inteiro!

A notícia provocou uma explosão de alegria entre todos, exceto o doutor Lis, que sonhava acordado num canto. Seguiu-se uma salva de palmas que durou cinco minutos.

— Essa é a nossa recompensa por solucionar o caso. O que acham? — perguntou Leiyan, elevando a voz por sobre os aplausos.

Não havia contestação, todos concordaram, acenando com a cabeça e aplaudindo ainda mais.

— Já basta, o importante é que todos estejam de acordo — Leiyan, um pouco embaraçado e surpreso, sorriu, fez um gesto pedindo que parassem de bater palmas. “Pé-de-vento”, esperto, assobiou, liderando o fim dos aplausos. Em seguida, estendeu a mão e pegou um pedaço de carne que vinha cobiçando fazia tempo.

— Desde o início eu sabia que era uma ideia genial! — exclamou o chefe, falando alto para a esposa. — Sempre apoiei totalmente.

— Minha vasta experiência de vida finalmente servirá para algo — comentou o velho David, sorrindo satisfeito, cigarro na mão.

— Sou ótimo em rastrear presas — o chefe apontou para David com uma coxa de frango, rindo. — Já queria ajudar o grupo de casos graves há tempos.

— Grupo de casos graves? — indagou Holmes, achando o termo curioso e repetindo-o. Para o Holmes negro e corpulento, essa expressão era uma novidade no fim do mundo.

— Isso mesmo, grupo de casos graves! Somos fortes e preparados — Erik, o pequeno negro, logo pegou o gancho e anunciou ao grupo: — Casos sérios e difíceis são conosco; furtos e pequenos delitos podem ficar para a patrulha comunitária.

— Casos estranhos são os mais desafiadores, não acham? — “Esqueleto” mastigava e buscava a aprovação dos outros, que concordaram prontamente.

— Exato, tem que ser um caso complicado — disse Teresa, animada, erguendo o copo e apontando para “Esqueleto”, sorrindo.

— E casos terríveis também — Anna, ao ver a filha falar, se animou. Tinha lido alguns romances e lembrou-se, completando: — Como o caso terrível do Nilo e o Assassinato no Expresso do Oriente.

— Isso aí já é longe demais, vamos focar nos casos locais — lembrou Haier, que sabia onde ficava o Nilo. — E, afinal, que caso não é terrível? Se não fosse assassinato, não precisariam de detetives como nós.

— Perfeito, um brinde! — “Pé-de-vento” concordou, lambuzado de óleo, brindando com Haier e esvaziando o copo de uma vez, para depois servir-se novamente.

— Beba menos — alertou Teresa, receosa de que Jim, o “Pé-de-vento”, ficasse alterado com o álcool.

— Hoje é dia de alegria! — “Pé-de-vento” encheu o copo outra vez. Apesar do leve embriaguez, não tinha disciplina para se conter; no fundo desejava se embriagar até o fim.

— Os representantes do Grande Qin queriam trazer parte dos suprimentos hoje, mas eu os impedi — Leiyan bateu no ombro de “Pé-de-vento” e explicou, sorrindo: — Disse que esta noite precisaríamos alinhar as ideias, analisar o caso juntos, sem distrações.

— Excelente jogada — “Esqueleto” ergueu o polegar para Leiyan. — Se eles vissem que já sabemos onde está a vítima e até o nome do assassino, tudo escrito na última foto, nosso valor cairia muito — fez um gesto cortando o ar com a mão —, e talvez cortassem metade do nosso suprimento.

— Você está afinado, “Esqueleto” — Leiyan sorriu e assentiu, apagou o cigarro e tirou alguns papéis dobrados do bolso. — Aqui estão todos os detalhes do caso que o Grande Qin sabe —, disse, olhando para todos e lançando um olhar cúmplice ao chefe. — Se não temem o mar de informações, deem uma olhada e me ajudem a pensar em como conectar o que temos com o que eles têm. Quero encontrar a vítima amanhã mesmo!

— Entendido, chefe — “Esqueleto” limpou as migalhas, engoliu o que restava na boca e pegou os papéis cheios de informações, abrindo-os e dizendo: — É só analisar os dados deles e deduzir, de modo lógico, o que nós já sabemos, certo?

— Exatamente isso — confirmou Leiyan, estalando os dedos.

— As duas vítimas faziam parte da elite do Reino de Qin — “Esqueleto”, já com o rosto vermelho de tanto beber, tentava relacionar as informações. — Nas fotos que temos, há objetos valiosos ao lado dos mortos, todos quebrados. Será que foram levados para bairros de classe média? — Parou e olhou ao redor. — Talvez haja uma ligação. Deveríamos começar a busca pelas áreas dos ricos?

— Claro, não vamos encontrar de imediato — respondeu Meiwenn, irmã de “Esqueleto”. — Mas com algumas buscas, acabamos achando. Somos muitos, podemos dividir as tarefas.

— Vai ser a nossa equipe que encontra, não você — Holmes completou, brincalhão.

— Ótimo, vamos seguir por esse caminho e todos sugerirem ideias — Leiyan bateu palmas, animando o grupo. — Amanhã levaremos o pessoal do Grande Qin para procurar...