Capítulo 9

Transmigração Qing: A Nobre Consorte Imperial Dun Su Suspiro dos Cabelos Negros 3659 palavras 2026-07-31 03:19:59

No pátio principal, Ulanara, auxiliada por Tuba e algumas criadas, vestia-se com o traje de gala de uma princesa consorte.

Tuba examinou cuidadosamente a tiara cravejada de rubis e, após confirmar que tudo estava impecável, ajudou Ulanara a colocá-la.

— Princesa, daqui a três ou quatro dias será o primeiro dia do mês. A senhora certamente terá de ir ao palácio para prestar homenagens. Não sei que assunto urgente a Concubina De teria para convocá-la justamente agora.

No palácio, a Concubina De tratava o Décimo Quarto Príncipe com extrema afeição, enquanto mantinha um distanciamento perceptível com o Príncipe, marido de Ulanara, por diversos motivos. Consequentemente, a esposa do Príncipe não gozava de seu prestígio. Sempre que chegava o dia de prestar homenagens, Ulanara via a Concubina De e sua nora, Wanyan — esposa do Décimo Quarto Príncipe —, trocarem carinhos, enquanto ela permanecia à margem, ignorada.

Ulanara não era tola; ela compreendia a situação. Contudo, a piedade filial era um dever supremo, e ela era obrigada a suportar as humilhações impostas pela Concubina De sem demonstrar qualquer descontentamento.

— A Concubina tem suas razões para agir como age.

Ulanara parou diante do espelho, ajeitando o colar de corais e âmbar em seu pescoço. Ao ver que seu traje estava impecável, ela curvou levemente os lábios:

— Vá buscar algumas das escrituras budistas que copiei.

Nos primeiros anos de casada, ela ainda nutria a esperança de tratar a Concubina De como sua própria mãe, levando-lhe presentes sempre que ia ao palácio. No entanto, percebeu que, quando alguém não gosta de você, não há esforço que mude esse sentimento. Depois que entendeu isso, parou de enviar presentes caros e passou a oferecer apenas escrituras budistas como gesto de cortesia. Desde que seu filho, Honghui, faleceu, ela se dedicava ao budismo e tinha inúmeras cópias à disposição.

Tuba, já acostumada com o hábito, respondeu:
— Já deixei tudo pronto, senhora.

Nesse momento, uma criada que vigiava a porta entrou e anunciou:
— Princesa, o porteiro informou que a carruagem para o palácio já está preparada.

A viagem ocorreu sem contratempos até a chegada ao Palácio Yonghe. Ulanara permaneceu sob os degraus, mantendo um sorriso constante, sem demonstrar o desconforto de ser deixada à espera. Na mansão do Príncipe Yong, ela era a senhora principal, mas ali, no palácio, precisava baixar a cabeça, pois a maioria das pessoas era superior a ela.

Após cerca de um quarto de hora, a serva que levara o recado saiu do salão principal e, fazendo uma reverência, disse:
— Princesa consorte, a Concubina solicita a sua presença.

O ambiente do Palácio Yonghe sempre a oprimia, e desta vez não foi diferente.

— Esta nora presta suas homenagens à sogra.

Ulanara ajoelhou-se com reverência, cumprindo cada detalhe da etiqueta. Sentada no divã junto à janela, a Concubina De, vestida de forma casual, mas elegante, não se apressou em pedir que ela se levantasse. Em vez disso, tomou um gole de chá com calma antes de dizer:

— Sabe por que a chamei aqui?

Ulanara exibiu uma expressão de confusão calculada:
— Esta nora não sabe. Peço que a senhora esclareça.

A Concubina De pousou a xícara com força:
— Então me diga, qual é o dever de uma esposa principal?

Naquele instante, Ulanara compreendeu as intenções da sogra.
— Peço perdão, sogra. Esta nora compreende o erro.

Ela percebeu que a Concubina já devia estar ciente dos recentes acontecimentos na mansão. A sogra, porém, não suavizou o semblante:

— Outros assuntos são da sua alçada e não me cabe interferir. Mas uma coisa é certa: não importa o quanto vocês disputem, não podem negligenciar o Quarto Príncipe.

Conhecendo bem a Concubina, Ulanara não se deixou abalar pelas palavras pomposas. O Quarto Príncipe era o mestre da mansão; quem ousaria negligenciá-lo? Tudo aquilo era apenas um pretexto para exercer autoridade.

Como se confirmasse suas suspeitas, a voz da Concubina ecoou novamente:
— Sendo ele um Príncipe, como pode passar as noites nos aposentos de uma concubina doente? Ele é um descendente da linhagem imperial, e não é possível que não haja uma mulher capaz de servi-lo. Se você não é atenciosa como esposa, eu, como mãe, não posso ignorar isso.

O fato ocorrido ontem já chegara aos ouvidos da Concubina hoje cedo, provando que ela não se importava em disfarçar a presença de seus informantes na mansão do Príncipe.

— Ama Liu.

Diante do silêncio de Ulanara, a Concubina chamou a ama, que bateu palmas. Duas jovens de aparência fresca e delicada entraram:
— Esta serva presta homenagens à Concubina e à Princesa consorte.

— Levantem-se.

Dito isso, a Concubina agiu como se só agora notasse que Ulanara ainda estava ajoelhada e, com um gesto displicente, disse:
— Você também pode levantar.

Após tanto tempo na mesma posição, as pernas de Ulanara estavam dormentes. Como Tuba estava do lado de fora e ninguém ousaria ajudá-la sem permissão, ela teve de se sustentar por conta própria, evitando perder a compostura.

A Concubina, porém, não lhe deu atenção:
— Aproximem-se e deixem que a Princesa consorte as observe bem.

As duas se aproximaram. Ulanara notou que a de aparência mais modesta mantinha os olhos baixos, enquanto a mais atraente a encarava com ousadia.

— Ambas são belas, dignas de terem sido escolhidas pela senhora — disse Ulanara.

A Concubina, satisfeita com o elogio, exibiu um sorriso mais genuíno:
— A da esquerda é minha sobrinha, Uya, e a da direita é Guo. Ambas entraram no palácio há dois anos e aprenderam os modos aqui sob minha supervisão. Só agora as achei prontas para serem apresentadas.

Ao mencionar Uya, a Concubina enfatizou sua linhagem, deixando claro que a moça estava sob sua proteção. O sorriso de Ulanara vacilou. Ela não temia concubinas comuns, mas aquela sobrinha da Concubina era um problema espinhoso.

A Ama Liu aproveitou para bajular:
— Como a senhora diz, as moças da família Uya são todas de uma elegância singular.

A Concubina riu, ainda mais satisfeita:
— Já que você também gostou, leve as duas de volta e faça delas concubinas do Quarto Príncipe.

***

Nian Chunya acordou pouco antes do almoço e logo soube da chegada das duas novas concubinas. Enquanto a vestia, Jinfeng comentou:

— A concubina Guo não preocupa, mas a concubina Uya é da linhagem da Concubina De. A senhora deve estar alerta.

Nian Chunya ficou pensativa. Em sua memória da vida anterior, a Concubina De não havia enviado ninguém. As coisas estavam mudando, talvez por causa dela própria. Ela decidiu que teria de ser mais cautelosa; as memórias do passado serviriam apenas como referência.

— São apenas duas concubinas — disse ela, sem dar muita importância.

Jinfeng hesitou, percebendo que a sua senhora não demonstrava mais a mesma preocupação de antes com o Príncipe. Talvez fosse melhor assim; no pátio dos fundos, sentimentos verdadeiros só traziam sofrimento.

O Quarto Príncipe retornou do Departamento de Assuntos Imperiais ao final da tarde. Ao saber da ida de Ulanara ao palácio, mudou a rota e dirigiu-se ao pátio principal.

— Minha mãe a chamou hoje? — perguntou ele, com um tom frio.

Ulanara relatou os acontecimentos, enfatizando a escolha das novas concubinas e o fato de terem sido instaladas no Pavilhão Yunlan. Ela sugeriu, com sutileza, que a falta de novas companhias para o Príncipe talvez fosse a causa de seu desinteresse em outras mulheres.

O Príncipe compreendeu a insinuação.
— Entendo o que quer dizer. Tratarei dos servos traidores na mansão.

Ele sabia da existência de espiões da Concubina De, do Imperador e até do Oitavo Príncipe, mas a insolência da Concubina De era inaceitável. Seus olhos escureceram com frieza.

Ulanara, observando que o Príncipe não tocara no chá, perguntou:
— As novas concubinas chegaram hoje. O senhor deseja que alguma delas o sirva esta noite?

Após um silêncio prolongado, ela acrescentou informações sobre o comportamento das duas, dando a entender que Uya era astuta demais. O Príncipe, lendo nas entrelinhas, decidiu:

— Então irei aos aposentos da concubina Guo.