Capítulo 7

Transmigração Qing: A Nobre Consorte Imperial Dun Su Suspiro dos Cabelos Negros 3541 palavras 2026-07-31 03:19:58

No Jardim Elegante, a senhora Ulanara observava com preocupação o biombo que isolava o quarto, sentindo uma irritação profunda diante da concubina Zhang, que permanecia ajoelhada no chão, soluçando sem parar.

— Basta. O senhor e o médico imperial ainda não saíram, e nem sabemos como está a irmã Nian. Você chora agora, mas não teme atrair má sorte?

Ela mal havia passado um tempo no oratório prestando suas homenagens aos budas, e já lhe arrumavam um transtorno dessa magnitude. Vendo a expressão sombria do senhor há pouco, temia que o assunto de hoje não fosse resolvido tão facilmente. Pensando nisso, Ulanara lançou um olhar gélido para a concubina secundária Li.

Sentindo o peso daquele olhar, o coração de Li disparou, mas ela manteve a postura defensiva:
— Por que a senhora me olha assim? É de conhecimento de todos que a senhora Nian é de saúde frágil. O desmaio dela não tem nada a ver comigo.

Ulanara deu um sorriso de escárnio internamente, sem responder. Ela sempre soube que Li era tola. Lembrava-se de como, em sua juventude, para disputar o favor do senhor, ela permitira que sua ama de leite deixasse o próprio filho adoecer, apenas para que o senhor visitasse seu quarto mais vezes. Por conta de tamanhas imprudências, dos três filhos que teve, apenas o terceiro, Hongshi, sobreviveu. Se ela era capaz de tamanha estupidez e crueldade, não era de se estranhar que, hoje, tivesse descontado sua raiva na criada da senhora Nian, levando a própria Nian ao desmaio.

As desculpas da concubina secundária Li deixaram a concubina Zhang em pânico. No fim das contas, ela também havia instigado o ocorrido. Li, por ter filhos e filhas, certamente não sofreria grandes represálias do Quarto Príncipe, mas ela, Zhang, não gozava de tal prestígio. Se soubesse que as coisas terminariam assim, não teria falado o que não devia apenas para aliviar seu próprio despeito. Mas agora, o arrependimento era inútil.

Após o tempo de preparar um chá, o Quarto Príncipe saiu de trás do biombo, acompanhado pelo médico imperial Li, a quem haviam buscado às pressas. Enquanto o médico era conduzido para prescrever o remédio, o Príncipe, sob as reverências de todos, ajudou a senhora Ulanara a levantar-se e a sentar-se no lugar de honra. Sentindo o calor da mão do marido, Ulanara suspirou aliviada; pelo menos ele ainda preservava sua dignidade.

Embora o Príncipe estivesse presente, ele permanecia em silêncio, com as sobrancelhas franzidas. Ulanara, então, tomou a iniciativa:
— Senhor, como está a irmã Nian?

Como ele continuava calado, Su Peisheng, percebendo a situação, explicou:
— Respondendo à senhora, a concubina secundária Nian sofreu uma oscilação emocional forte demais para seu corpo suportar, o que causou o desmaio. O médico recomendou repouso absoluto.

Ulanara suspirou profundamente e entoou uma prece:
— Que o Buda a proteja. Fico aliviada por não ser nada grave.
Dito isso, ela se levantou e fez uma reverência:
— Peço que o senhor me castigue. O ocorrido de hoje foi fruto da minha falta de vigilância, que permitiu que a irmã Nian passasse por tal susto.

Ao assumir a responsabilidade sem tentar se justificar, a expressão do Príncipe suavizou-se. Ele a ajudou a levantar novamente:
— Isso não tem relação com você, não precisa se culpar.

Após tantos anos de matrimônio, o Príncipe conhecia bem os hábitos de Ulanara. Na hora do incidente no bosque de pessegueiros, ela estava cumprindo seu ritual diário de orações, onde ninguém podia perturbá-la. Era justificável que ela não soubesse do ocorrido de imediato.

Ulanara sentiu-se finalmente em paz:
— Agradeço a benevolência do senhor.

Ao ver que a esposa estava isenta de culpa, a concubina secundária Li, que segurava o lenço com as mãos suadas, começou a vacilar onde estava ajoelhada. Esse movimento sutil atraiu o olhar do Príncipe. Com um tom gélido, ele repreendeu:
— Senhora Li, a esposa já a havia punido recentemente. Em vez de refletir sobre seus erros, em menos de um dia você cria novos problemas, agindo com arrogância e descomedimento. Vejo que você tem tempo demais em suas mãos. Volte e copie o "Livro da Conduta Feminina" cem vezes. Todos os dias, vá ao oratório rezar pela recuperação da senhora Nian. Enquanto ela não estiver curada, você não parará. Entendido?

Ao ouvir isso, Li sentiu as pernas cederem e caiu sentada no chão. Sendo ambas concubinas secundárias, o fato de o Príncipe ordenar que ela rezasse pela saúde de Nian significava, na prática, que, no coração dele, ela era inferior a Nian.

Chan Yi, a criada de Li, apressou-se para amparar a senhora, mas ao notar a concubina Zhang também prestes a desmoronar, teve uma ideia e implorou aos prantos:
— Príncipe, peço que me ouça! Se a senhora cometeu tal ato, foi por instigação da concubina Zhang, não por vontade própria!

As palavras de Chan Yi foram como uma boia de salvação. Li assentiu freneticamente, com o rosto desfigurado pelo choro:
— Senhor, fui induzida, não foi intencional...

Esperavam que, ao entregar Zhang como culpada, o Príncipe atenuasse a punição de Li. Contudo, o Príncipe apenas lançou um olhar vago na direção de Zhang, sem sequer focar em seu rosto, e desviou o olhar, como se ela não existisse:
— Chega. A senhora Nian precisa de repouso, todos podem se retirar.

A última a sair foi a senhora Ulanara, que notou a expressão de aparente alívio de Zhang e curvou os lábios com ironia. Ela compreendia o marido: para ele, apenas aqueles que ele notava e que lhe eram úteis mereciam sua atenção. Para os que ele ignorava, ele era parcimonioso até nas palavras, quanto mais em punições. A senhora Zhang estava, essencialmente, arruinada.

Assim que entrou no pátio principal, Ulanara indagou:
— Por que não me informou sobre isso?

Tu Bai, com a cabeça baixa, ajoelhou-se e respondeu timidamente:
— A serva apenas não queria que esses assuntos triviais incomodassem a senhora...

— Triviais? — A voz de Ulanara subiu de tom. — Como esposa legítima do Príncipe, todos os assuntos do pátio interno estão sob minha jurisdição. Isso é meu dever e o símbolo da estabilidade da minha posição. Se não entende isso, eu a enviarei de volta à família Ulanara e você não precisará mais me servir.

Ao ouvir sobre ser enviada de volta, Tu Bai entrou em pânico:
— Senhora, entendi meu erro, não haverá uma próxima vez.

Ela servia a senhora desde que esta se casara com o Príncipe, no trigésimo ano do reinado de Kangxi. Vinte e quatro anos haviam se passado; das quatro criadas que vieram com a senhora, três já haviam se casado, restando apenas ela. Se ela partisse, a senhora não teria ninguém de sua confiança.

Ulanara, que na verdade apenas queria assustá-la, viu que Tu Bai compreendera a lição e suavizou o tom:
— Sei que você queria me defender, mas Tu Bai, não há nada pelo que me indignar. Mesmo que o senhor não favorecesse a senhora Nian, haveria outra. Para mim, elas são apenas concubinas que servem ao senhor; não preciso me indispor com elas, muito menos sacrificar minha relação com meu marido por causa delas.

Além disso, era ela quem precisava da posição de esposa do Príncipe Yong para manter a glória do clã Ulanara, e o clã também precisava do apoio do Príncipe, e não o contrário.

— A serva compreende.
— Se algo assim acontecer novamente, não o oculte de mim.

Após advertir a criada, Ulanara a dispensou:
— Vá lavar-se, não precisará me servir hoje.

***

Nian Chunya só despertou antes do jantar. O Príncipe havia retornado ao escritório por um breve momento, mas voltou logo em seguida, permanecendo ao seu lado. Ao vê-la acordar, ele relaxou a expressão:
— Tragam o remédio.

Jin Feng e Tao Zhi entraram, e a sequência de movimentos foi tão rápida que Nian Chunya mal teve tempo de reagir. Quando se deu conta, já estava encostada em Jin Feng, bebendo o remédio que o próprio Príncipe Yong lhe oferecia. O sabor amargo espalhou-se pela boca, fazendo-a franzir o rosto:
— Tão amargo...

Por que aquele remédio era mais amargo do que todos os que ela já tomara? O Príncipe, observando suas expressões, disse com suavidade:
— Bons remédios são amargos. Assim que terminar, mandarei trazer frutas cristalizadas.

Mais uma colher foi levada à sua boca, e ela obedeceu mecanicamente. Quando finalmente terminou, sua língua estava quase dormente. Tao Zhi, ajoelhada ao lado da cama, ofereceu as frutas cristalizadas em fios de ouro. Antes que Nian Chunya pudesse alcançá-las, o Príncipe as levou aos seus lábios.

Ao olhar bem, viu que era ele novamente. Sem perceber, o aroma que emanava dele parecia diferente, uma fragrância oceânica suave que a deixava relaxada, muito distinta da memória que tinha do cheiro do Príncipe. Sem pensar, ela perguntou:
— O senhor trocou de perfume?

Logo que falou, percebeu a indiscrição e apressou-se a pegar a fruta da mão dele e mastigar, tentando disfarçar. O Príncipe sorriu:
— É agradável?

Nian Chunya assentiu. Era, de fato, melhor do que qualquer perfume de marca moderna.
— Foi um presente do Imperador, quando voltei de uma missão em Jiangnan. Troquei hoje. Se gosta, pedirei a Su Peisheng que envie um pouco para você.

O tom do Príncipe era de um prazer contido. Ele sabia que, mesmo que ela não fosse tão próxima quanto antes, ela ainda se importava com ele. Aquele quadro, o "Panorama dos Rios e Montanhas", que chegara em um momento tão providencial, resolvera suas maiores preocupações. Ela sempre cuidava do que era importante para ele.

Nian Chunya, sem saber o que passava pela cabeça dele, apenas sentia-se desconfortável com o olhar cada vez mais terno do Príncipe.
— Não é necessário. Esse aroma combina com o senhor, mas não comigo. Além disso, estou doente, não devo usar perfumes.

O Príncipe notou, então, que o incensário do quarto havia sido removido.
— Se você gosta, não há o que combinar ou deixar de combinar. — Ele insistiu, autoritário. — Quando estiver curada, usará o mesmo.

Nian Chunya baixou a cabeça em agradecimento. Na verdade, ela realmente gostava daquele cheiro.
— Agradeço ao senhor.
— É apenas um pouco de incenso, merece agradecimentos?

Ao ouvir isso, ela ficou sem saber como responder e calou-se. O Príncipe suspirou, dispensou as criadas e, ocupando o lugar de Jin Feng, abraçou-a, sussurrando:
— Ya'er, o que devo fazer para que você pare de me tratar com tanta distância?